Rádio Deutsche Welle (Língua Portuguesa) – 22/06

Por João Carlos, correspondente

A crise financeira e o panorama económico de Portugal também não poupa jovens qualificados que, cada vez mais, vê reduzidas as chances de fazerem uma carreira com sucesso. Vivem o drama do desemprego.

Com as medidas de austeridade são cada vez menos as hipóteses de conseguir um contrato fixo. Mas o país necessita de mão-de-obra qualificada, que, em muitos casos, opta pela emigração em busca de uma vida melhor.


Link: http://www.dw-world.de/portuguese

Revista XXI celebra seu décimo número e a excelência da reportagem

Por Fanny Chevillotte

Um pequeno fenómeno jornalístico-literário surgiu em França em Janeiro de 2008. A revista intitulada XXI – contra-corrente das tendências actuais, é de formato longo, com 210 páginas sem publicidade, disponível essencialmente em livrarias. Sua particularidade é de perpetuar a tradição da arte da reportagem.

Em inglês, narrative writing, como os relatos do  The New Yorker, ou da Vanity Fair. Em França, o género tem suas raízes nos folhetins do início do século XX, pelo mestre Albert Londres, que tornou-se órfão com o desaparecimento, em 1992, do L’Autre journal, de Michel Butel.

Com reportagens de 30 páginas, uma selecção aprofundada da actualidade, um dossier especial consagrado a um tema particular (como no nº10, “Jogos de poderes”, encarando o quarto poder, a justiça, questões de influências), e uma reportagem de banda desenhada, XXI, ou “o jornal do século”, gaba-se das 35 000 vendas por edição.

Gaël Turine - Haiti

Os leitores se tornaram fanáticos e passaram a comprar os antigos números, porque, diferentemente da imprensa clássica e a rápida obsolescência das notícias e informações, as reportagens e os artigos de XXI, são mais distantes da actualidade.

A veia do jornalismo literário parece renascer, nomeadamente em América Latina com o colombiano “Gatopardo”, porque a narrativa pede tempo, e o que as pessoas querem são histórias bem contadas.

Para mais informação:

http://www.gatopardo.com/

3ª Edição da “Semana Cultural da CPLP” em Lisboa

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apresenta, entre os dias 30 de Abril e 9 de Maio de 2010, a 3ª edição da “Semana Cultural da CPLP” em Lisboa, com uma programação dedicada às diversas vertentes da cultura lusófona.

Foram organizadas iniciativas culturais relativas aos países que fazem parte da CPLP, entre elas 3º Congresso Internacional de Danças Africanas, AfricAdançar, que decorre no São Jorge.

FESTin’, o primeiro festival de cinema itinerante da língua portuguesa abre sua programação, nesta segunda-feira, com o filme “O jardim de outro homem”(Moçambique), de Sol de Carvalho.

Tendo como pano de fundo a cidade de Lisboa, que representa a diversidade que caracteriza a CPLP, este evento também assinala o dia 5 de Maio como “Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP”, tal como foi fixado pelo Conselho de Ministros da CPLP de Julho de 2009. Para o dia 5 está agendada uma conferência internacional sobre o futuro da língua portuguesa no sistema mundial, a ser proferida pela directora executiva do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Amélia Mingas, no CCB-CV da Praia.

Para mais informação:

Entrevista a Simões Pereira, Secretário da CPLP. Esta semana “vai mostrar o melhor dos estados-membros”: http://videos.sapo.cv/TKJNAWDLYHkjYjz8PMtM

Sitio internet do FESTin’: http://www.festin-festival.com/

Sitio internet oficial da CPLP: http://www.cplp.org/id-115.aspx

Rádio Estatal Dinamarquesa – 01/05

Tráfico de drogas causa instabilidade em Guiné-Bissau

Por Eva Henningsen

Guiná-Bissau começou a ser uma das principais entradas africanas de cocaína vinda da América Latina. Após passar pelo Continente Africano, a cocaína segue para Europa.

Para ouvir em dinamarquês:


http://www.dr.dk/

El Correo Gallego – 23/04

Valença y la sanidad

Por Begoña Iñiguez, correspondente

Cada cierto tiempo salta a la palestra de la actualidad el debate del iberismo y de si España y Portugal deberían unirse, como defiende José Saramago. Esta vez el motivo han sido las protestas con banderas españolas de los vecinos de Valença do Minho, pidiendo la reapertura de las urgencias nocturnas de su centro de salud, cerrado por orden de su ministerio de Sanidad. Esa imagen excepcional ha conseguido su objetivo: llamar la atención de la opinión pública de los dos países sobre la falta de medios y el gran recorte presupuestario que está sufriendo la sanidad portuguesa, sobre todo en zonas transfronterizas.

Tras las protestas no se busca la anexión a España ni abandonar su país. La colocación de banderas españolas, en un baluarte histórico de defensa de Portugal contra España, esconde un grito desesperado de ayuda a los “irmãos galegos” y una llamada de atención a los gobernantes de Lisboa sobre una situación que creen injusta: tener que desplazarse 18 kilómetros hasta Monção para ir en plena noche a una urgencia. Y todo porque los números no le cuadran al ministerio de Sanidad portugués, que quiere reestructurar el Sistema Nacional de Salud, hijo de la Revolución de 1974, y ahora en graves dificultades financieras.

En España, a menudo, nos quejamos de nuestra sanidad pública. Entiendo las críticas de muchos, sobre todo después de saber que las listas de espera gallegas para operarse han aumentado. Desde esta columna me gustaría elogiar la sanidad de Galicia y el resto de España, a pesar de sus defectos. No hay más que echar un vistazo a Europa y Norteamérica. Además, en los últimos diez años, nuestro país ha atendido a millones de inmigrantes, legales e ilegales. Y no olvidemos que los médicos gallegos, castellano-leoneses y extremeños reciben diariamente, desde que la tarjeta sanitaria europea entró en vigor, a numerosos pacientes de Portugal. En Tui, Vigo o Ciudad Rodrigo se les atiende sin pedir más explicaciones, ante una urgencia o cuando piden una operación rutinaria. Quienes viven cerca de la frontera se sienten desamparados por las políticas de Lisboa, que han dejado a estos municipios con menos médicos, urgencias y hospitales.

La atención sanitaria es un derecho de todos, vivan donde vivan, y eso es lo que piden los vecinos de Valença do Minho, ni más ni menos. En la Europa de los 27 hay fórmulas que funcionan bien entre países amigos. Como los acuerdos entre Extremadura y O Alentejo para que, por ejemplo, las parturientas de Elvas den a luz en Badajoz, tras cerrar su maternidad en 2007. En 2009 la cumbre hispano-lusa de Zamora dio un paso más en la atención sanitaria transfronteriza y en los acuerdos entre municipios “raianos”. Para aliviar el desamparo sanitario que se vive al otro lado del Miño, no sólo en Valença sino en Vila Nova de Cerveira, Monção o Melgaço, a las autoridades les corresponde aplicar los compromisos de Zamora. ¿A qué están esperando?

Link: http://www.elcorreogallego.es/galicia/ecg/valen-sanidad/idNoticia-539227/

Observatório da Imprensa – MEDIAMORFOSE A blogosfera e os jornais – 09/03/10

MEDIAMORFOSE
A blogosfera e os jornais

Por Renato Mendes em 9/3/2010

Se há poucos anos ainda existiam dúvidas sobre a influência da blogosfera no jornalismo, nos dias atuais, além das dúvidas terem desaparecido, a simbiose que emerge da relação entre os blogues e os jornais é objeto de análise de diversos estudos. Com o surgimento do primeiro blogue nos EUA, em 1993 – quando a internet era ainda incipiente –, abriu-se uma janela sem precedentes para o início de um modelo coletivo de colaboração, baseado no feedback e na partilha de informações e notícias que revolucionaria o universo comunicacional.

Um ano após Justin Hall escrever em HTML (Hypertext Markup Language) o conteúdo do primeiro blogue, muito antes de surgirem as empresas especializadas em desenvolvimento de softwares para a criação de blogues, o então estudante do Swarthmore College recebe o primeiro visitante em sua página na internet. Tal fato é tão importante quanto a própria criação do blogue, pois algo inédito acontecia: a troca de informações entre duas pessoas pela internet a partir de um conteúdo gerado e publicado no mundo virtual.

A partilha na internet só foi possível graças à criação da tecnologia do hipertexto, por Tim Berners Lee, que mais tarde se transformou na WWW (World Wide Web). Através de um programa, ou o primeiro browser, Lee proporcionou aos não especialistas a possibilidade de publicar documentos como páginas da internet, dando início a um processo irreversível: emergia um novo modelo de interação entre pessoas e informações.

Conteúdo e comportamento dos blogs

O conceito Web 2.0, criado em 2004 por Tim O’Reilly, traduz-se no paradigma da internet como plataforma central de uma inteligência coletiva. O conceito é sustentado pelo desenvolvimento de aplicativos, que aproveitam os “efeitos de rede” para evoluírem. Esta evolução é proporcional à participação das pessoas nas redes. Como exemplo, temos os softwares open source, ou código aberto. Neste caso, a “inteligência coletiva” pode ser interpretada como meio, mas também como um fim, para a construção de uma plataforma do saber.

Sobre o conceito Web 2.0, alguns dizem que é uma buzzword, puro marketing. De qualquer maneira, diversas multinacionais que baseiam seus negócios na internet adotaram e amplificaram o conceito de Web 2.0, apoiadas pelos lucros alcançados através da experiência coletiva. Esta noção pode ser interpretada como uma tendência, ou então como uma nova versão da mesma ideologia do criador da WWW, que tem a internet como plataforma de partilha do conhecimento.

É necessário dizer que os blogues sejam talvez o elemento central desta plataforma para a inteligência coletiva, de partilha do conhecimento. O sítio Technorati, em sua série de relatórios – como, por exemplo, “O estado da Blogosfera em 2009″ – desenvolve desde 2004 estudos sobre os blogues, utilizando gráficos para perceber tendências na produção de conteúdo e comportamento dos bloggers – sob vários aspectos, além de entrevistar os maiores especialistas nesta área. Ciência está sendo produzida a partir do conteúdo que emana dos blogues.

Um novo gênero de jornalismo

A importância dos blogues na produção e transformação do conhecimento é inquestionável nos dias atuais e desperta cada vez mais interesse nas empresas de mídia, à medida que interfere na produção das notícias dos jornais. No blogue “Monday Note” escrito por Frédéric Filloux, editor internacional de um grupo de mídia norueguês, uma questão polêmica emerge na forma de uma pergunta em um dos posts: “Blogging, a new journalistic genre?” A reposta chega nas primeiras linhas, “um dos mais interessantes desenvolvimentos da internet (em 2009) será a evolução contínua dos blogues” e segue com a argumentação de que os blogues transformaram-se em um novo gênero jornalístico, “o qual poderá tornar-se o principal motor dos sítios de notícias”.

Segundo Filloux, muitos dos jornalistas que mantêm blogues referenciados – muitos endossados pela grande imprensa – fazem dos posts matérias jornalísticas mais interessantes, se comparadas aos seus trabalhos principais, nas redações dos jornais. De maneira a afirmar a importância dos bloggers no processo de construção da notícia, e ao mesmo tempo colocar este novo gênero de jornalismo em um patamar mais elevado, Filloux menciona os nomes de Floyd Norris, chefe do serviço financeiro do jornal The New York Times, e Paul Krugman, Prêmio Nobel de economia, como bloggers conhecidos e profissionais. O autor avança com a idéia de que os blogues devem ser elementos essenciais na estratégia editorial dos mídia.

A reflexão sobre do processo de apropriação das informações, que emerge da blogosfera, pelas redações dos jornais, torna-se mais rica sob a ótica do conceito de “mediamorfose”, de Roger Fidler: as novas formas de comunicar, ou os novos mídia, não surgem de maneira espontânea, mas sim através da transformação dos mídia que já existem. Este quadro de transformação não condena ao desaparecimento as velhas formas de comunicar, mas imprimem uma necessidade de adaptação. Em última análise é isso que Filloux defende em seu post sobre o surgimento de um novo gênero de jornalismo, muito apoiado pelo que acontece com os jornais norte-americanos.

Hiperligações e intertextualidade

No artigo de Carlos Castilho “Protagonismo dos blogs muda contexto da campanha eleitoral na mídia”, publicado no sítio Observatório da Imprensa, o autor chama a atenção para a internet como um novo ambiente político, “onde os participantes são ao mesmo tempo atores e público”. Castilho destaca um ambiente de polarização de opiniões políticas à medida que a data das eleições presidenciais no Brasil se aproximam. Os segmentos conservadores ocuparam o espaço mediático convencional, enquanto a internet será apropriada por setores mais liberais da política. O autor do artigo salienta o papel de protagonista que o blogger adquire quando expõe suas cores políticas na internet.

No sentido de reforçar o movimento espontâneo de apropriação de uma tecnologia emergente, os blogues, que beneficiou o universo informativo, temos um evento midiático de escala global que chocou a todos. O 11 de setembro marcou um momento de virada, de acordo com Dan Gillmor, quando a reportagem e a produção de notícias em escala massiva passou a ser feito pela audiência. O jornalismo-cidadão, ou participativo, ganhou grande expressão nas televisões e jornais de todo mundo, quando relatos pela internet, através de blogues, preenchiam o conteúdo informativo da grande mídia.

O que dizer, então, sobre os blogues, quanto se tem em conta a produção de notícias de forma amadora e despretensiosa? A popularização dos softwares para a criação dos blogues faz com que em menos de cinco minutos uma pessoa possa publicar qualquer conteúdo na internet. O emprego de técnicas jornalísticas para a criação de uma notícia é fator determinante para classificar se os conteúdos publicados nos blogues são ou não são conteúdos jornalísticos. De outra forma: o que determina ou descreve de melhor forma o jornalismo, não é o meio de dispersão da informação, mas sim, as técnicas empregues para a criação da notícia.

O que se observa em grande escala na blogosfera são blogues que apontam para outros blogues, jornais e conteúdo diverso e disperso pela rede. O uso exacerbado das hiperligações e da intertextualidade – um dos tipos de transtextualidade, que se observa nos blogues faz com que a reprodução de informações e notícias seja o principal efeito desta vaga de massificação do acesso aos blogues. O ineditismo e a relevância da informação – dois elementos que norteiam a produção da notícia, neste quadro de massificação, são marcas escassas da informação na blogosfera.

Imaginar transformações começa a ser possível

A inexorável interferência do conteúdo dos blogues no campo mediático está transformando as técnicas jornalísticas. Autores apontam o conteúdo informativo gerado a partir de blogues como um novo gênero jornalístico. A apropriação dos blogues pela grande mídia é de tal forma avançada que existem jornalistas dedicados à produção de conteúdo on-line, é comum os posts tornarem-se excertos de trabalhos jornalísticos convencionais ou até mesmo serem utilizados integralmente em trabalhos jornalísticos convencionais. Uma nova classe de jornalistas está em nascimento, aqueles que perderam suas posições nas redações – ou mesmo aqueles que nunca tiveram a experiência de uma redação e encontram na publicação on-line, através de blogs, o seu sustento.

Casos de repórteres terem conseguido financiamento de viagens profissionais para a cobertura jornalística começam a surgir. Surgem também notícias dos que conseguem pagar suas contas e seguir na carreira de jornalista graças às contribuições financeiras realizadas por suas audiências, em troca de conteúdo jornalístico on-line. Imaginar as transformações que os blogues imprimirão nas empresas de mídia começa a ser possível agora. O ganho de consciência por parte das sociedades sobre o poder da informação que circula na blogosfera determinará em grande parte a forma pela qual a revolução que está em curso transformará o campo jornalístico.

“Esta notícia foi originalmente publicada no sítio do Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/index.asp “. Notícia: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=580ENO001

Conclusões de “100 dias de bicicleta em Lisboa”

Por Fanny Chevillotte

Farto de ouvir o mito da “impossibilidade” da utilização da bicicleta na cidade das sete colinas, o engenheiro apresentou, após mais de 3000 km, as suas conclusões ao Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL).


“De cada vez que regressava a Portugal”, “sentia-me extremamente frustrado por não poder utilizar a bicicleta na cidade de Lisboa”, confia Paulo Guerra dos Santos na sua tese de mestrado “Contribuição do modo BICI na gestão da mobilidade urbana”.

Em 25 de Fevereiro e após mais de 3000 km de bicicleta percorridos em Lisboa, desde 1 de Janeiro de 2008, o engenheiro especializado nas Vias de Comunicação e Transportes apresentou as suas conclusões ao Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL). A ideia do projecto integrado na tese,“100 dias de bicicleta em Lisboa”, chegou naturalmente depois do seu percurso académico, que levou-o a Holanda, Finlândia e Alemanha, “onde a utilização da bicicleta está há muito enraizada e é tratada pelas entidades políticas com seriedade”. Farto de ouvir o mito da “impossibilidade” da utilização da bicicleta na cidade das sete colinas, Paulo Guerra dos Santos analisou de um ponto de vista cientifico esses mesmos mitos, muitas vezes, desmistificando-os.

O mito do clima. Com 115 dias de chuva, “em geral, um aguaceiro demora menos de 30 minutos”, Lisboa não é simplesmente a capital perto das praias. Se o ciclista tem tempo, “pode esperar”,  ou então usar uma capa de chuva como os chineses. Com o calor do verão, é aconselhado pedalar pela manhã, quando o termómetro está ainda perto do 20 graus.

O mito das 7 colinas é o mais tenaz. Elas constituem 15 % da cidade, juntamente com a Baixa, são as zonas de menor densidade populacional. “Hoje a zona histórica da cidade já não é uma zona de características residenciais, mas sim de serviços”. De facto, quase dois terços de inclinações são suaves e adaptáveis para a condução de bicicleta. Assim, consegue-se ir da Praça de Espanha até a Graça, com um passeio de 6km quase todo plano.

O mito da velocidade. De bicicleta, a velocidade média é de13.6 km/h, ao longo de todo o projecto, o que é muito superior aos 9km/h de carro, dentro da cidade.

A final, o que falta é uma “nova cultura” porque os potenciais utilizadores de bicicleta são numerosos: os jovens, os estudantes, os idosos. E a bicicleta tem este privilégio de igualar as condições sociais das pessoas, “somos todos igual pedalando”.

Em Portugal o carro ocupa um lugar importante na sociedade mas valorizando-o, aparece afora das preocupações climáticas, ligadas ao esgotamento de recursos energéticos. “Ouvi muitos piropos ao início”, mas depois de mais de 20 artigos na imprensa, e entrevistas na televisão, os comentários acalmaram-se. Graças a esta boa divulgação, a mudança de mentalidade está por começar e irá amplificar-se com a chegada das bicicletas partilhadas em Lisboa, prevista para o fim do ano.

O programa mais antigo e lendário sobre as bicicletas comunitárias, foi esboçado nos anos 60 pelo político Luud Schimmelpennink em Amsterdam: em um mês, a maioria das bicicletas tinham sido roubadas. Mas a “revolução das bicicletas” arrancou realmente com os Velov’, em Lyon (França), em Maio de 2005 com um incremento de 500% nas viagens de bicicleta. O sucesso foi tal que dois anos depois, a ideia se concretizou em 20.000 Velibs, em Paris, e em toda a Europa. Em Portugal existem projectos similares em Aveiro, Cascais e Braga.

Ao invés de falar sobre a tese, Paulo Guerra dos Santos prefere falar da “experiência de vida” que levou-o a encontrar outros utilizadores (até o embaixador inglês), e a descobrir novas alternativas para facilitar o ciclista, como por exemplo, adaptando os antigos guarda-corpos dos elevadores para levar consigo para as subidas a bicicleta.

Faz afinal, eco a Albert Einstein que dizia: “Life is like a bicycle, to keep your balance, you must keep on moving”.

Para ouvir o PodCast da Conferencia: http://lisboaenova.org/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=551&Itemid=176

Para mais informações: http://100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com/

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 27/02

Etanol deve virar “commodity”

Por Jair Rattner, correspondente do jornal O Estado de S. Paulo

Após 35 anos, o Brasil deu o salto para transformar o etanol numa commodity (mercadoria) com valor negocial internacional. O álcool feito de cana-de-açúcar usado como combustível obteve da Agência de Protecção Ambiental dos EUA a avaliação do seu grau de redução na emissão de dióxido de carbono em relação à gasolina: 61%.

O valor é muito superior ao etanol feito de milho – produzido nos EUA – que apenas alcança redução de 21%, e ultrapassa o celulósico, que está em desenvolvimento e não chega a 60%. A importância da decisão é que abre o mercado norte-americano de 40 mil milhões de litros anuais ao etanol brasileiro e deverá servir como certificação para outros mercados.

Hoje, o etanol é utilizado principalmente como aditivo para a gasolina, numa percentagem que pode chegar nos automóveis normais a 20%. Este torna o combustível menos poluente e substitui o chumbo, que era usado até há alguns anos e é altamente poluidor.

No Brasil, desde 1979, são produzidos veículos que em vez de gasolina usam álcool. A partir dos anos 90, surgiram os veículos flex, que funcionam tanto com gasolina como com uma mistura de até 15% de etanol. No Brasil, foi desenvolvido o total flex, que detecta electronicamente o combustível e pode funcionar com qualquer quantidade de etanol, até 100%.

Para chegar aos 61% menos poluente, foi analisada não só a utilização do etanol como combustível mas as consequências do uso da terra para plantar cana-de-açúcar. Foi necessário desmentir que esta cultura seja responsável pelo desmatamento da Amazónia tanto directa como indirectamente, expulsando para lá outras culturas e a pecuária. Há no Brasil terra suficiente para acomodar as outras produções fora da Amazónia.

Além disso, a energia utilizada nas fábricas de cana é produzida a partir da biomassa gerada pelo bagaço da cana depois de moída, o que torna a sua produção mais limpa – na maior parte das fábricas de etanol a partir de milho, a energia utilizada é o gás natural.

No entanto, decisão da Agência de Protecção Ambiental norte- -americana surge num momento em que a produção de etanol brasileiro está em queda, devido ao aumento do preço do açúcar, desencorajando o uso da matéria -prima para produzir combustível.

Concentração

A produção de etanol no Brasil passa por uma grande concentração. Numa cultura que vem desde o século XVII, da época do Brasil colónia, a produção deixou de ser feita pelas famílias tradicionais, passando para grandes grupos económicos. É o fim dos “coronéis” do sector.

Internacionalização

O capital estrangeiro também chegou ao etanol. Actualmente, 25% do etanol é produzido por empresas cuja sede é fora do país. O maior produtor, a brasileira Cosan, criou uma empresa junto com a Shell para tornar o etanol um combustível global. O segundo maior produtor está na mão de franceses.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1506013

Conferência sobre fibra óptica aponta 186% de crescimento em Portugal

Por Fanny Chevillotte

Pela primeira vez, Portugal pode orgulhar-se de entrar no ranking das economias europeias que lideram o mercado que leva a fibra óptica até casa do utilizador. Tal facto converge com a realização da 7ª Edição da FTTH (Fiber to the home) Council Europe (entre os dias 24 e 25 na FIL Parque das Nações) uma iniciativa do sector das telecomunicações, constituída por mais de 120 empresas líderes do sector no mundo, e que promove a disponibilidade do acesso rápido ás redes de fibra óptica por consumidores e empresas.

“Há pouco mais de um ano atrás, os operadores portugueses assinavam com o seu Governo um acordo de cooperação para a entrega de fibra óptica, e os resultados já são tangíveis”, afirma Karel Helsen, Presidente do FTTH Council Europe. Com a forte concorrência entre os operadores de telecomunicação – PT e Sonaecom, os preços diminuíram para os consumidores, o que explica o aumento de 186% no número de subscritores de acesso ás redes de fibra óptica, em apenas um ano.

Este “caso de sucesso” foi sublinhado durante um dos discursos de abertura, pelo Primeiro-Ministro José Sócrates: “houve um crescimento de 475 % dos números de casas portuguesas passadas pelas redes de fibra óptica ” (um total de 1,15 milhão de casas em Dezembro 2009), e o objectivo é tornar-se o primeiro pais totalmente coberto pela rede – o que parece, em certas situações geográficas, uma utopia.

O FTTH Coucil Europe tem como objectivo principal acelerar a disponibilidade do acesso ás redes de fibra óptica porque a FTTH não se resume ao acesso a Internet, mas aplica-se também aos serviços, entretenimento, e às empresas, permitindo o trabalho a partir de casa. Para Karel Helsen, “o melhor momento para investir na fibra é hoje”, alguns operadores indecisos correm o risco de falhar o ponto essencial. O Google, que quer criar a sua própria rede de fibra óptica, é um dos exemplos mais significantes.

Festival de curtas ShortCutz faz sucesso em Lisboa

Por Fanny Chevillotte

Mais que um festival, o encontro no bar Bicaense, toda terça-feira “pretende-se uma autêntica revolução urbana de ideias”.

Iniciadas em Janeiro, as projecções por ShortCutz, a iniciativa de Rui de Brito,da produtora Subfilmes, é um meio de difusão internacional de curtas-metragens produzidas por portugueses que, com sua primeira fase em Lisboa será exibido em outras cidades, como Nova Iorque e Londres, nos meses de Março e Abril, respectivamente. Todas as semanas o júri selecciona dois curtas-metragens para concorrer ao melhor curta do mês, e exibe igualmente um curta convidado, nacional ou estrangeiro.

No bar Bicaense, no nº42 da rua do elevador da Bica, os ambientes estão separados, entre abaixo onde o público, a equipa do ShortCutz e os convidados debatem, e em cima com projecção mais relaxada e perto do balcão.

Depois de quase dois meses de existência, o ShortCutz conquistou um público fiel, que apesar dos dias chuvosos na capital, enche as terças-feiras a calçada em frente ao Bicaense. Depois do labiríntico amor lisboeta de “Assim Assim”, a curta vencedora de Janeiro, a sessão nº7 do 16 de Fevereiro, surpreendeu com o curta de animação convidado: “Jantar em Lisboa” (foto), de André Carrilho, que mostrou toda a doce loucura da cidade.

Link para o vídeo da entrevista de Sérgio Graciano, realizador de “Assim Assim”, a curta vencedora em Janeiro: http://vimeo.com/9247933

DW Rádio (Língua Portuguesa) – 17/02

Por João Carlos, jornalista

Portugal é um país de forte tradição católica, que acaba de aprovar no Parlamento a Lei do Casamento Homossexual, a poucos meses da visita do Papa Bento XVI. Quando (e se) o presidente Cavaco Silva promulgar o diploma, Portugal será o sexto país da Europa e nono no mundo a legalizar a união entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, apesar de não se ter sentido uma forte oposição por parte da população, como aconteceu em Espanha, o certo é que há casos de discriminação descritos por casais gays e lésbicas. Reportagem do correspondente em Lisboa, João Carlos.

(www.dw-world.de/portuguese)


Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 30/01

Crise acentua ‘baby boom’ britânico

Por Alison Roberts, jornalista freelance britânica

A taxa de natalidade habitualmente tem tendência a baixar durante uma crise, mas no Reino Unido está a aumentar. Pensa-se que muitas mulheres estejam a ‘aproveitar’ o facto de não voltarem tão rapida- mente ao emprego para ter (mais) um filho.

Mas esta tendência na natalidade britânica não é de hoje. A taxa já vem subindo há quase uma década (ao contrário de Portugal), de maneira que escolas primárias um pouco por todo o país estão a construir novas salas de aula para receber em Setembro o maior afluxo de crianças numa década.

Em parte, a previsão baseia-se na expectativa de que alguns pais que em tempos melhores teriam escolhido o ensino privado já não terão essa opção. Mas a causa principal é o baby boom.

Depois de bater no fundo em 2002, a taxa de natalidade tem crescido fortemente e já está ao seu mais alto nível desde 1991. Em 2008, a população do Reino Unido sofreu o maior aumento em quase meio século, com 791 000 bebés a contrariar uma redução na imigração e a levantar a população para um recorde de mais de 61 milhões.

É verdade que as imigrantes do Reino Unido têm, em média, mais filhos que as nativas (2,5 por mulher, fazendo com que as imigrantes tivessem parido quase um quarto dos bebés de 2008) mas isso não foi o único factor. Os dados de 2008 mostram que uma britânica nativa tem em média 1,84 filhos, ou seja 10% mais do que em 2004.

Os únicos anos comparáveis com este boom são 1962 (curiosamente, ainda antes da chamada revolução sexual), quando nasceram 484 000 bebés, e 1947, quando 551 000 bebés resultaram do regresso de milhares de soldados no pós-guerra.

Ainda não se percebe bem porque é que estes últimos anos têm sido tão férteis no Reino Unido, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de natalidade baixou pela primeira vez numa década. Terá sido o afastamento de Tony Blair, ou talvez a proibição de fumo em espaços públicos, restringindo alguns casais à própria casa?

De qualquer maneira, pela primeira vez em muitos anos, a natalidade tornou-se mais importante do que a imigração como motor de mudança demográfica no Reino Unido.

(http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1482617&seccao=Europa)

Envolverde – 22/01

Portugal tem avanço esmagador em fontes renováveis

Por Mario Dujisin

Há apenas uma década, choviam críticas sobre o ensolarado e ventoso Portugal por ignorar as condições favoráveis que a natureza lhe oferecia para a exploração de energias renováveis. Agora, tudo indica que alguém ouviu e este país passou a ser exemplo nessa área. Atualmente, Portugal, com 10,5 milhões de habitantes, reduziu substancialmente sua dependência da importação de combustíveis fósseis, a ponto de as energias de origem eólica e solar representarem 35,9% do consumo de eletricidade.

Este número chega a 41,1% se considerarmos a correção de 23% de redução média em 2009 na produção hidrológica, segundo medição feita pela Associação Portuguesa de Energias Renováveis (Apren). O maior desenvolvimento é registrado na energia eólica, colocando-se em segundo lugar no mundo, depois da Dinamarca, deslocando a Espanha para o terceiro lugar. Segundo a especialista ambiental do jornal Público, de Lisboa, Lurdes Ferreira, para cada 100 watts de eletricidade consumidos no ano passado nos lares portugueses, 15,03% eram provenientes do vento, enquanto a Dinamarca continua ocupando a liderança com pouco mais de 20% de energia eólica e a Espanha cobrindo 14,3% da demanda.

No ano passado, de acordo com o balanço divulgado no começo deste mês pelas Redes Energéticas Nacionais (REN) de Portugal, para cada 24 horas, 3h36, em média, procediam do vento, um aumento de 31,6% em relação a 2008. A batalha para promover a energia eólica ocorre em várias frentes, incluída a promoção do uso privado, incentivando a utilização de pequenos aerogeradores.

Em São Pedro do Estoril, localidade do litoral da comarca de Cascais, cuja estrada de 26 quilômetros que leva até Lisboa é uma das mais movimentadas do país, foram erguidos sete pequenos aerogeradores, destinados a promover seu uso particular. Os aparelhos fornecem eletricidade ao Centro de Interpretação Ambiental de Pedra do Sal (Ciaps), instalado em São Pedro do Estoril, produzindo a quantidade de energia que o edifício precisa para uso convencional e demonstrando aos visitantes seus potenciais benefícios.

Os aerogeradores do Ciaps “integram um projeto de otimização e compensação energética, desenvolvido pela agência Cascais Energia”, explicou Vera Ferreira, uma responsáveis dessa organização privada municipal sem fins lucrativos. “O objetivo da agência é promover um consumo sustentável e controlado no edifício onde funciona o Ciaps e, ao mesmo tempo, colocar à disposição dos visitantes um espaço de demonstração e sensibilização para os conceitos de eficiência energética”, disse em sua resposta por escrito.

Além disso, o centro conta com uma estação meteorológica ambiental, equipada com aparelhos que medem o vento, a chuva e os índices de radiação solar, o que permite verificar estes valores em tempo real. Por este acompanhamento, além do mais, pode-se conhecer “os valores resultantes dos sistemas de geração de energias renováveis” e estes mesmos dados “servirão também para estudos meteorológicos e climatológicos”, acrescentou Vera Ferreira.

O Ciaps foi concebido como um lugar apto para “divulgar os valores da diversidade biofísica e da riqueza paisagística, associadas à vertente pedagógica, permitindo o intercâmbio de conhecimentos entre a comunidade científica e os visitantes”, concluiu a funcionária. Nos três últimos anos, outras fontes de energias renováveis acompanharam o substancial aumento da produção eólica em grande escala e também de nível modesto, como o projeto de Cascais.

A captação de energia pelo sistema fotovoltaico registrou aumento de 315% no período medido, explicável porque partiu de uma base muito baixa e a hidroeletricidade aumentou sua produção em 24,7%. Todo este significativo crescimento resultou em que as energias renováveis representaram, no ano passado, 35,9% do total do consumo de energia elétrica do país, aproximando-se, assim, da meta de 45% de renováveis até 2010, que foi a promessa do primeiro-ministro socialista, José Sócrates.

O presidente da Apren, Antonio Sá da Costa, admitiu há alguns dias que poderá chegar a 45% este ano, “mas será difícil”. Para cumprir a meta será necessário iniciar todos os projetos eólicos, que ainda estão parados na pesada burocracia estatal à espera de licenças, reforçar a potência das represas da Eletricidade de Portugal (EDP), e ter mais cogeração com a energia renovável. Sá da Costa alerta que, para cumprir a meta, será preciso, sobretudo, que o consumo não aumente e, se subir, que não passe de 1%. Se crescer mais, haverá necessidade de importar energia e esta será de origem fóssil, diluindo o peso das renováveis.

Com quase a metade da energia renovável em 2010, a EDP promete reduzir as emissões de dióxido de carbono em 70% até 2020, informou a empresa de controle público em comunicado do dia 16 deste mês. Portugal e Espanha estão em posição vantajosa quanto às energias renováveis, mas o mesmo não pode ser afirmado sobre a maior parte do resto da Europa, preocupada em reduzir as emissões de CO² e por sua vez garantir um futuro menos dependente da importação de combustível fóssil.

Como resposta ao fiasco da 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15), realizada na Dinamarca entre 7 e 18 de dezembro, nove países europeus decidiram, no mês passado, na Irlanda, criar uma nova rede elétrica para energia verde, informou no começo deste mês a agência de notícias Lusa. Esta foi a principal reação de Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Holanda, Irlanda, Luxemburgo, Noruega e Grã-Bretanha diante do fracasso desta cúpula organizada pela Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, adotada em Nova York em maio de 1992 e que entrou em vigor em março de 1994.

A rede agrupará 65 centrais energéticas dos nove países, oito da União Europeia aos quais se une a Noruega, mediante um sistema ultramoderno de abastecimento com recurso exclusivo de energias renováveis, projeto estimado em 30 bilhões de euros (US$ 43 bilhões). A maior parte destes custos será assumida por empresas privadas, especialmente os grandes consórcios de energia europeus, informou a Lusa.

Para criar a nova rede, nos próximos dez anos serão estendidos milhares de quilômetros de cabos submarinos de alta tensão, principalmente diante do litoral alemão e britânico, que permitirão transportar até o coração da Europa a energia eólica colhida nesses países, bem como a hidroelétrica da Noruega e do mar do Norte. Seu objetivo principal será equilibrar o abastecimento eólico, hídrico e solar, evitando oscilações do mercado energético, ao que se une o fato de que a rede atual não tem condições para armazenar a energia produzida pelos ventos.

Em declarações à agência Lusa, Sven Teske, perito em questões energéticas da organização ambientalista Greenpeace, aplaudiu a iniciativa, porque “é urgente ampliar a atual rede energética europeia, que já não está em condições de armazenar a energia dos parques eólicos existentes”. O colossal aumento dos projetos europeus para desenvolver as energias alternativas “tem sua origem no brutal aumento da poluição, ou, com a irracionalidade, o fracasso do modelo de crescimento dominante, que cria a necessidade de uma nova cultura energética que rompa com a dependência do petróleo”, disse a ambientalista portuguesa Isabel de Castro.

Um fator determinante, mesmo para quem não defende a energia limpa, “é a permanente instabilidade política na região em que fica a maior parte da produção de petróleo e as reservas de gás natural, o que converte em prioridade a busca por soluções alternativas em nível mundial”, disse a ambientalista.

Isabel de Castro, que entre 1992 e 2002 foi deputada pelo partido Ecologista-Verde, defende a aposta nas energias renováveis, na eficiência, mas “sobretudo na capacidade de pôr em prática novas formas de viver, produzir e consumir”. Segundo a ativista, deve-se “apostar nas energias alternativas, não apenas na eólica, mas também na solar, fotovoltaica, biomassa, ondas e mares, estimular a eficiência energética, alterar processos produtivos, recorrendo à inovação e à produção limpa. Uma política ecoeficiente para a energia deve ser uma estratégia mundial. Para salvar o clima, não basta o estado de alma”, concluiu.

Semanário “Acum” e Rádio Roménia – 08/01

Portugalia catolică legalizează mariajul gay

por Corneliu Popa

Portugalia a adoptat cu larga majoritate a deputaţilor de stânga legea privind legalizarea mariajului gay, care făcea parte, dealtfel, din programul electoral al Partidului Socialist, câştigător, cu majoritate relativă, al ultimelor alegeri parlamentare din Portugalia.

Oportunitatea legii, dincolo de nevoia de a elimina o dicriminare injustă, se justifică, în opinia primului-ministru portughez, José Sócrates, tocmai prin faptul că alegătorii au votat în favoarea programului său. Acelaşi argument serveşte şi pentru a respinge organizarea unui referendum pe această temă solicitat de cei peste 90 de mii de semnatari ai unei petiţii civice.

În prezent cetăţenii portughezi de acelaşi sex îşi pot înscrie parteneriatul la Registrul Stării Civile şi beneficiază de aceleaşi drepturi ca şi un parteneriat heterosexual. Dar spre deosebire de o căsătorie, partenerii nu au dreptul la moştenire şi nici la vizitarea soţului sau soţiei la spital sau la închisoare.

Stânga mai radicală reprezentată de Blocul de Stânga, un partid cu mare aderenţă la tineri, dorea ca noua legea să mearga şi mai departe şi să aprobe şi adopţiile. Partidul Socialist, s-a opus, însă, motivând că singurul mandat pe care îl are de la alegătorii săi se referea la legalizarea căsătoriilor.

PSD-ul portughez, principalul partid de opoziţie, de centru-dreapta, a acordat libertate de vot deputaţilor săi dar a prezentat un proiect de lege propriu care propunea legalizarea uniunii dintre persoane de acelaşi sex dar fără a o numi căsătorie.

Biserica Catolică, deşi este împotriva căsătoriilor gay, s-a abţinut de la manifestări publice. Presa portugheză a comentat că ar exista un acord între Patriarhul Lisabonei şi primul-ministru Sócrates potrivit căruia, în schimbul tăcerii oficiale a clericilor, legea ar fi aprobată cât mai curând, ca să nu coincidă cu vizita în Portugalia a Papei Benedict al XVI-lea din luna mai.

Oricum, după aprobarea în Parlament legea va fi trimisă preşedintelui conservator Aníbal Cavaco Silva. Potrivit analiştilor politice acesta ar putea respinge legea doar pentru a-şi puncta poziţia. Dar conform legislaţiei portugheze, preşedintele nu poate respinge decât de două ori aceeaşi lege, a treia aprobare de către Parlament devenind efectivă.

După Olanda, Belgia, Spania, Suedia şi Norvegia, Portugalia a devenit a cincea ţară din Uniunea Europenă, a şasea din Europa şi a opta din lume care aprobă căsătoriile între persoane de acelaşi sex.

Ìntr-o ţară profund catolică, unde homosexualitatea era interzisă până acum treizecei de ani, se poate spune că există o mare toleranţă faţă de minorităţile sexuale. Barurile şi restaurantele gay din centrul Lisabonei îşi îmbie clienţii cu uşile deschise iar mai toate librăriile au o secţie specială dedicată literaturii GLBT (Gay, Lesbian, Bisexual, Transgender).

În fiecare an, Marşul comunităţii gay organizat la Lisabona atrage o mulţime de participanţi şi, de câtva timp încoace, se bucură de sprijinul oficial al Primăriei capitalei portugheze. Evenimentul este un prilej de întâlnire şi distracţie la care participă nu numai comunitatea GLBT dar şi prietenii şi cunoscuţii lor, fără nicio manifestare adversă sau contrademonstraţii.

Despre multe personalităţi portugheze se zvoneşte sau se ştie “din surse sigure” că ar fi gay sau lesbiene, dar cert este că puţini au simţit nevoia să-şi asume această orientare. În afară de câţiva reprezentanţi iluştri ai artelor sau din lumea televiziunii, de-abia de curând au apărut culorile curcubeului şi în parlament, prin alegerea, la ultimul scrutin parlamentar, a unui deputat socialist care nu şi-a ascuns opţiunile încă din campania electorală.

Se aşteaptă ca noua lege, care ar trebui să intre în vigoare în aprilie, să înlăture definitiv din comportamentul social al portughezilor orice umbră de discriminare sau prejudecată în ceea ce priveşte comunitatea gay.

Iar prima consecinţă a aprobării noii legi s-a înregistrat la Expo Mariaj, deschis în aceste zile la Lisabona, care şi-a adecvat oferta la noua realitate: tradiţionalele miniaturi din vârful tortului pot reprezenta acum şi perechile neconvenţionale el + el sau ea + ea.


RFI – 28/12/09

Reportage : Le projet Geração

Par Marie Line Darcy

Au Venezuela, depuis plus de 30 ans, les orchestres de jeunes sont au service de la lutte contre l’exclusion. Une méthode que plusieurs pays européens ont mise en œuvre, tel le Portugal : Reportage à Amadora, dans une banlieue défavorisée de Lisbonne où depuis 3 ans le Projet Geração a fait ses preuves.

www.gulbenkian.pt

Para ouvir o áudio da reportagem: http://www.rfi.fr/contenu/20091225-le-projet-geracao-crise-hopitaux

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 21/11

Estudantes brasileiros mais perto da política

por Léa Teixeira, da Agência Amazónia de noticias

O Parlamento Jovem Brasileiro (PJB) é um programa da Câmara dos Deputados, criado para estudantes matriculados no terceiro ano de ensino médio de escolas publicas e particulares e tem como objectivo central proporcionar aos jovens a oportunidade de conhecer a actividade parlamentar participando efectivamente do processo. Este é um dos maiores projectos de inclusão social promovido pelo parlamento brasileiro traduzindo-se em um efectivo exercício de cidadania.

A Câmara dos Deputados criou o PJB em 2003, por proposta do deputado Lobbe Neto do PSDB de São Paulo. Os deputados jovens são pré-selecionados pelas secretarias estaduais das 27 unidades da federação (26 estados e o Distrito Federal), por meio de apresentação de um projecto de lei que deve versar sobre temas nas áreas de agricultura, meio ambiente, saúde, segurança pública, economia, emprego, defesa do consumidor, educação, cultura, esporte e turismo.

Os estudantes precisam ter entre 16 e 22 anos e estar regularmente matriculados no terceiro ano do ensino médio. A selecção final dos participantes é feita por servidores da área legislativa da Câmara dos Deputados. O número de representantes no PJB (78 deputados jovens) é proporcional ao número de deputados federais (o Brasil possui 513 deputados federais), por exemplo, o estado de São Paulo que tem a maior bancada na Câmara dos Deputados, com 70 representantes, também tem a maior bancada no PJB com 11 representantes.

A legislatura do PJB tem duração de 5 dias e os jovens participam efectivamente como parlamentares e desempenham as funções como tal. Elegem a mesa directora e o seu presidente bem como os presidentes das comissões (quatro). O PJB tem regimento interno próprio que prevê regularidade anual (tem ocorrido sempre no mês de Novembro), a solenidade de posse que acontece no Plenário Ulysses Guimarães da Câmara dos Deputados – onde os deputados reais discutem e votam os projectos mais importantes do Parlamento Brasileiro.

A primeira edição do PJB aconteceu em Novembro de 2004. Os temas são sempre relacionados às questões de educação, emprego, meio ambiente e segurança entre outros, porém esses são os mais discutidos pelos jovens. Para o director-geral da Câmara dos Deputados, Sérgio Sampaio, o PJB é muito importante, pois representa mais um canal de interacção entre a instituição e o cidadão, especialmente voltado para o público jovem.

Abrange, na sua grande maioria, estudantes de escola pública e pobres que dificilmente teriam oportunidade de conhecer o Parlamento e, mais importante, participar activamente como parlamentar, discutindo os projectos por eles apresentados que são, por vezes, o reflexo das suas necessidades. Os custos de realização do PJB, incluindo as despesas de viagem, hospedagem, alimentação dos jovens deputados são custeados pela Câmara dos Deputados.

Cidadania e descrença

Durante uma semana, jovens debatem e defendem as suas propostas, desempenhando todas as actividades dos deputados federais, verificam na prática o longo caminho percorrido por uma proposta, desde sua apresentação até sua aprovação por negociações e adaptações técnicas. Uma realidade que permite conhecer as virtudes da democracia e as dificuldades do trabalho no parlamento.

Uma sondagem demonstra que há um distanciamento dos jovens brasileiro no que tange a sua participação na política, não só no poder legislativo, mas também no executivo e judiciário. Um dos motivos é a descrença no poder público e a demora de implantação de propostas de interesses dos jovens. O PJB representa uma pequena, mas importante, participação cidadã daqueles que são o futuro do país.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1426396&seccao=CPLP

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 14/11

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As hortas como factor de equilíbrio social

por Anete Costa Ferreira, correspondente da Revista Pará  +

As hortas no Brasil começaram timidamente a ser cultivadas por  famílias menos favorecidas que plantavam nos seus quintais e jardins, legumes, hortaliças e tubérculos para seu sustento. A ideia prosperou, agrupando vizinhos e conhecidos, passando a formar comunidades de bairros. Esse agrupamento possibilitou desenvolver melhores condições nestas actividades.

Em 2005 quase uma centena de Secretarias Municipais de Educação firmou com o Governo brasileiro um protocolo através do “Projecto Educando com a Horta Escolar”, tendo como alvo a criança, consciencializando-a sobre o meio ambiente, mudanças de hábitos alimentares e a aprendizagem interdisciplinar. O programa alia a produção da horta com o desenvolvimento pedagógico dos alunos.

São milhares de alunos capacitados para o cultivo que integra as disciplinas da grade curricular. Os aprendizes preparam os canteiros baseados na geometria e nos cálculos matemáticos para em seguida semearem, plantarem e fazerem o acompanhamento até a produção final. Utilizam materiais descartáveis, como incentivo para o aproveitamento de reciclados, numa forma da preservação do ambiente.

Toda a produção é consumida pelos estudantes que aprendem quais as vitaminas, minerais, cálcio e fósforo que estão ingerindo e ao mesmo tempo têm a consciência de que se alimentam com produtos isentos de agrotóxicos.

O Programa “Horta Brasil” forma pessoas para o desempenho da horticultura, através de parcerias com as Secretarias de Educação e das Câmaras Municipais. Estas controlam os terrenos devolutos para a implantação de hortas voltadas às escolas que ainda não possuem canteiros. O “Projecto Agroecológico Integrado e Sustentável – PAIS”, é uma vertente que alia conhecimentos e recursos para a transformação da vida dos cidadãos, levando melhoria social e saúde aos plantadores.

Cartilhas e DVD’s distribuídos pelos órgãos governamentais, via formadores, facilitam o conhecimento e os pormenores na utilização da tecnologia, mostrando a ineficácia de aditivos nas horticulturas. O fundamental é educar os pequenos produtores, fixando-os no campo, aumentando suas rendas e minimizando suas carências.

A colheita trimestral, faculta aos horteiros organizarem sua alimentação diária e ajustarem suas agendas para a entrega nos restaurantes, hotéis, mercados e feiras. Os projectos têm alcançado os objectivos para os quais foram instituídos,  beneficiando grande número de plantadores, razão porquê os governantes decidiram estender os apoios às Hortas Comunitárias.

As “Horteiras”, orgulham-se de terem sido as pioneiras das Hortas Domésticas, no país, sentindo-se satisfeitas por estarem legalizadas nos órgãos legítimos, usufruindo os benefícios concedidos por lei.

Os Benefícios das pequenas hortas

Há  hortas minúsculas cultivadas em canteiros das moradias, plantadas em vasos, nas sacadas e varandas residenciais. Vários médicos asseguram que a horticultura no espaço prisional é um meio capaz de reabilitar o recluso. O “Programa Parque Ecológico Visão do Futuro” cultiva alimentos e ervas medicinais em 65 hectares, contribuindo para uma vida sadia.

Cientistas comprovam que as doenças são causadas por má alimentação, poluição ambiental e stress. Tentando reverter este quadro, inúmeras famílias regressaram à antiguidade, cultivando, além das hortas, ervas medicinais que utilizam como alternativas em doenças. A horticultura garante sustento à economia, saúde aos consumidores e preservação ao meio ambiente.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1420210

Rádio Deutsche Welle – 30/10

DW3

Existe o risco de deflação em Portugal?

por João Carlos

Portugal conhece a maior queda de preços em 50 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a inflação homóloga está em terreno negativo há sete meses consecutivos. Em média, os preços dos produtos de consumo estão agora 1,6 por cento mais barato que em igual período em 2008. O cenário apontado por alguns economistas é que se, por hipótese, as economias do Euro tiverem taxas de inflação a rondar os 0,5 por cento por um período relativamente longo, Portugal poderá entrar em deflação.

(www.dw-world.de/portuguese)


The Economist – 27/08

Treating, not punishing

by Peter Wise

The evidence from Portugal since 2001 is that decriminalisation of drug use and possession has benefits and no harmful side-effects

illustration by Peter Schrankuntitled copy

IN 2001 newspapers around the world carried graphic reports of addicts injecting heroin in the grimy streets of a Lisbon slum. The place was dubbed Europe’s “most shameful neighbourhood” and its “worst drugs ghetto”. The Times helpfully managed to find a young British backpacker sprawled comatose on a corner. This lurid coverage was prompted by a government decision to decriminalise the personal use and possession of all drugs, including heroin and cocaine. The police were told not to arrest anyone found taking any kind of drug.

This “ultraliberal legislation”, said the foreign media, had set alarm bells ringing across Europe. The Portuguese were said to be fearful that holiday resorts would become dumping-grounds for drug tourists. Some conservative politicians denounced the decriminalisation as “pure lunacy”. Plane-loads of foreign students would head for the Algarve to smoke marijuana, predicted Paulo Portas, leader of the People’s Party. Portugal, he said, was offering “sun, beaches and any drug you like.”

Yet after all the furore, the drug law was largely forgotten by the international and Portuguese press—until earlier this year, when the Cato Institute, a libertarian American think-tank, published a study of the new policy by a lawyer, Glenn Greenwald.* In contrast to the dire consequences that critics predicted, he concluded that “none of the nightmare scenarios” initially painted, “from rampant increases in drug usage among the young to the transformation of Lisbon into a haven for ‘drug tourists’, has occurred.”

Mr Greenwald claims that the data show that “decriminalisation has had no adverse effect on drug usage rates in Portugal”, which “in numerous categories are now among the lowest in the European Union”. This came after some rises in the 1990s, before decriminalisation. The figures reveal little evidence of drug tourism: 95% of those cited for drug misdemeanours since 2001 have been Portuguese. The level of drug trafficking, measured by numbers convicted, has also declined. And the incidence of other drug-related problems, including sexually transmitted diseases and deaths from drug overdoses, has “decreased dramatically”.

There are widespread misconceptions about the Portuguese approach. “It is important not to confuse decriminalisation with depenalisation or legalisation,” comments Brendan Hughes of the European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction, which is, coincidentally, based in Lisbon. “Drug use remains illegal in Portugal, and anyone in possession will be stopped by the police, have the drugs confiscated and be sent before a commission.”

Nor is it uncommon in Europe to make drug use an administrative offence rather than a criminal one (putting it in the same category as not wearing a seat belt, say). What is unique, according to Mr Hughes, is that offenders in Portugal are sent to specialist “dissuasion commissions” run by the government, rather than into the judicial system. “In Portugal,” he says, “the health aspect [of the government’s response to drugs] has gone mainstream.”

The aim of the dissuasion commissions, which are made up of panels of two or three psychiatrists, social workers and legal advisers, is to encourage addicts to undergo treatment and to stop recreational users falling into addiction. They have the power to impose community work and even fines, but punishment is not their main aim. The police turn some 7,500 people a year over to the commissions. But nobody carrying anything considered to be less than a ten-day personal supply of drugs can be arrested, sentenced to jail or given a criminal record.

Officials believe that, by lifting fears of prosecution, the policy has encouraged addicts to seek treatment. This bears out their view that criminal sanctions are not the best answer. “Before decriminalisation, addicts were afraid to seek treatment because they feared they would be denounced to the police and arrested,” says Manuel Cardoso, deputy director of the Institute for Drugs and Drug Addiction, Portugal’s main drugs-prevention and drugs-policy agency. “Now they know they will be treated as patients with a problem and not stigmatised as criminals.”

The number of addicts registered in drug-substitution programmes has risen from 6,000 in 1999 to over 24,000 in 2008, reflecting a big rise in treatment (but not in drug use). Between 2001 and 2007 the number of Portuguese who say they have taken heroin at least once in their lives increased from just 1% to 1.1%. For most other drugs, the figures have fallen: Portugal has one of Europe’s lowest lifetime usage rates for cannabis. And most notably, heroin and other drug abuse has decreased among vulnerable younger age-groups, according to Mr Cardoso.

The share of heroin users who inject the drug has also fallen, from 45% before decriminalisation to 17% now, he says, because the new law has facilitated treatment and harm-reduction programmes. Drug addicts now account for only 20% of Portugal’s HIV cases, down from 56% before. “We no longer have to work under the paradox that exists in many countries of providing support and medical care to people the law considers criminals.”

“Proving a causal link between Portugal’s decriminalisation measures and any changes in drug-use patterns is virtually impossible in scientific terms,” concludes Mr Hughes. “But anyone looking at the statistics can see that drug consumption in 2001 was relatively low in European terms, and that it remains so. The apocalypse hasn’t happened.”

*“Drug Decriminalisation in Portugal: Lessons for Creating Fair and Successful Drug Policies.” By Glenn Greenwald.

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