Fundação Champalimaud cria megaestrutura para a investigação do cancro

Por Ana Sanlez

O novo Centro de Investigação da Fundação Champalimaud, com uma área de 58 mil metros quadrados, que tem como objectivo principal a investigação científica nas áreas da oncologia e neurociências, será inaugurado no dia 05 de Outubro, na doca de Pedrouços, em Lisboa. A cerimónia de inauguração contará com a presença de Cavaco Silva e está inserida na programação das comemorações do Centenário da República.

O Centro Champalimaud custou 100 milhões de euros e a sua área é composta por três blocos principais, que começarão a funcionar a partir de Janeiro de 2011. O Edifício A, que está organizado em torno de um jardim tropical, possui dois andares superiores onde estão os laboratórios de investigação nas áreas da oncologia e neurociências, e dois pisos inferiores dedicados à parte clínica. O centro de tratamentos, cujo enfoque científico é a prevenção e o tratamento de metástases, terá capacidade para 300 doentes.

Segundo a presidente da Fundação Champalimaud e antiga Ministra da Saúde, Leonor Beleza, “o princípio por trás desta estrutura é o de comunicação intensa entre quem trata doentes e quem faz investigação, porque é desse diálogo que saem soluções efectivas para os pacientes”.

Raghu Kalluri, director do Centro de Investigação e professor da Harvard Medical School, refere que “não existe no mundo nenhum lugar como este. Isto é ao mesmo tempo um hospital para o cancro e um centro de investigação.” De acordo com Kalluri, “a grande inovação é o facto de os pacientes conseguirem ver os investigadores a trabalhar, e os investigadores também conseguirem ver os pacientes, dando-lhes assim mais esperança. Este é um ambiente único”.

A obra é da autoria do arquitecto indiano de origem portuguesa Charles Correa, que garante que o Centro Champalimaud “vai trazer esperança ao panorama científico em Portugal”. Inspirado pelo local de onde partiram os navegadores portugueses, Correa procurou materializar o desafio da “busca pelo desconhecido” que se impõe hoje em dia aos cientistas, como descobridores dos novos tempos. “É um edifício monumental. Fala da história de Portugal e do momento decisivo dos Descobrimentos, há 500 anos. Queremos trazer de volta esse espírito de coragem, aventura e esperança”.

Na sua edição de 8 de Setembro, o New York Times refere que o Centro de Investigação da Fundação Champalimaud irá colocar Portugal “na vanguarda da investigação sobre o cancro” a nível mundial, e destaca o raro exemplo de filantropia médica na Europa.

A fundação, que irá ser financiada a longo prazo através da prestação de serviços e de bolsas de investigação, contará com a colaboração de centenas de investigadores e médicos, portugueses e estrangeiros. Para além do edifício principal, o Centro Champalimaud inclui um complexo formado por um centro de congressos e uma área de escritórios, e ainda um espaço exterior aberto ao público, constituído por jardins panorâmicos e um auditório ao ar livre com capacidade para 400 pessoas.

A Fundação Champalimaud tem como finalidade o apoio à investigação de ponta nas Ciências Médicas e foi criada a partir de um fundo de 500 milhões de euros, deixado pelo milionário António de Sommer Champalimaud, falecido em 2004.

El Correo Gallego – 23/04

Valença y la sanidad

Por Begoña Iñiguez, correspondente

Cada cierto tiempo salta a la palestra de la actualidad el debate del iberismo y de si España y Portugal deberían unirse, como defiende José Saramago. Esta vez el motivo han sido las protestas con banderas españolas de los vecinos de Valença do Minho, pidiendo la reapertura de las urgencias nocturnas de su centro de salud, cerrado por orden de su ministerio de Sanidad. Esa imagen excepcional ha conseguido su objetivo: llamar la atención de la opinión pública de los dos países sobre la falta de medios y el gran recorte presupuestario que está sufriendo la sanidad portuguesa, sobre todo en zonas transfronterizas.

Tras las protestas no se busca la anexión a España ni abandonar su país. La colocación de banderas españolas, en un baluarte histórico de defensa de Portugal contra España, esconde un grito desesperado de ayuda a los “irmãos galegos” y una llamada de atención a los gobernantes de Lisboa sobre una situación que creen injusta: tener que desplazarse 18 kilómetros hasta Monção para ir en plena noche a una urgencia. Y todo porque los números no le cuadran al ministerio de Sanidad portugués, que quiere reestructurar el Sistema Nacional de Salud, hijo de la Revolución de 1974, y ahora en graves dificultades financieras.

En España, a menudo, nos quejamos de nuestra sanidad pública. Entiendo las críticas de muchos, sobre todo después de saber que las listas de espera gallegas para operarse han aumentado. Desde esta columna me gustaría elogiar la sanidad de Galicia y el resto de España, a pesar de sus defectos. No hay más que echar un vistazo a Europa y Norteamérica. Además, en los últimos diez años, nuestro país ha atendido a millones de inmigrantes, legales e ilegales. Y no olvidemos que los médicos gallegos, castellano-leoneses y extremeños reciben diariamente, desde que la tarjeta sanitaria europea entró en vigor, a numerosos pacientes de Portugal. En Tui, Vigo o Ciudad Rodrigo se les atiende sin pedir más explicaciones, ante una urgencia o cuando piden una operación rutinaria. Quienes viven cerca de la frontera se sienten desamparados por las políticas de Lisboa, que han dejado a estos municipios con menos médicos, urgencias y hospitales.

La atención sanitaria es un derecho de todos, vivan donde vivan, y eso es lo que piden los vecinos de Valença do Minho, ni más ni menos. En la Europa de los 27 hay fórmulas que funcionan bien entre países amigos. Como los acuerdos entre Extremadura y O Alentejo para que, por ejemplo, las parturientas de Elvas den a luz en Badajoz, tras cerrar su maternidad en 2007. En 2009 la cumbre hispano-lusa de Zamora dio un paso más en la atención sanitaria transfronteriza y en los acuerdos entre municipios “raianos”. Para aliviar el desamparo sanitario que se vive al otro lado del Miño, no sólo en Valença sino en Vila Nova de Cerveira, Monção o Melgaço, a las autoridades les corresponde aplicar los compromisos de Zamora. ¿A qué están esperando?

Link: http://www.elcorreogallego.es/galicia/ecg/valen-sanidad/idNoticia-539227/

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