Fundação Champalimaud cria megaestrutura para a investigação do cancro
27/09/2010 Deixe um comentário
Por Ana Sanlez
O novo Centro de Investigação da Fundação Champalimaud, com uma área de 58 mil metros quadrados, que tem como objectivo principal a investigação científica nas áreas da oncologia e neurociências, será inaugurado no dia 05 de Outubro, na doca de Pedrouços, em Lisboa. A cerimónia de inauguração contará com a presença de Cavaco Silva e está inserida na programação das comemorações do Centenário da República.
O Centro Champalimaud custou 100 milhões de euros e a sua área é composta por três blocos principais, que começarão a funcionar a partir de Janeiro de 2011. O Edifício A, que está organizado em torno de um jardim tropical, possui dois andares superiores onde estão os laboratórios de investigação nas áreas da oncologia e neurociências, e dois pisos inferiores dedicados à parte clínica. O centro de tratamentos, cujo enfoque científico é a prevenção e o tratamento de metástases, terá capacidade para 300 doentes.
Segundo a presidente da Fundação Champalimaud e antiga Ministra da Saúde, Leonor Beleza, “o princípio por trás desta estrutura é o de comunicação intensa entre quem trata doentes e quem faz investigação, porque é desse diálogo que saem soluções efectivas para os pacientes”.
Raghu Kalluri, director do Centro de Investigação e professor da Harvard Medical School, refere que “não existe no mundo nenhum lugar como este. Isto é ao mesmo tempo um hospital para o cancro e um centro de investigação.” De acordo com Kalluri, “a grande inovação é o facto de os pacientes conseguirem ver os investigadores a trabalhar, e os investigadores também conseguirem ver os pacientes, dando-lhes assim mais esperança. Este é um ambiente único”.
A obra é da autoria do arquitecto indiano de origem portuguesa Charles Correa, que garante que o Centro Champalimaud “vai trazer esperança ao panorama científico em Portugal”. Inspirado pelo local de onde partiram os navegadores portugueses, Correa procurou materializar o desafio da “busca pelo desconhecido” que se impõe hoje em dia aos cientistas, como descobridores dos novos tempos. “É um edifício monumental. Fala da história de Portugal e do momento decisivo dos Descobrimentos, há 500 anos. Queremos trazer de volta esse espírito de coragem, aventura e esperança”.
Na sua edição de 8 de Setembro, o New York Times refere que o Centro de Investigação da Fundação Champalimaud irá colocar Portugal “na vanguarda da investigação sobre o cancro” a nível mundial, e destaca o raro exemplo de filantropia médica na Europa.
A fundação, que irá ser financiada a longo prazo através da prestação de serviços e de bolsas de investigação, contará com a colaboração de centenas de investigadores e médicos, portugueses e estrangeiros. Para além do edifício principal, o Centro Champalimaud inclui um complexo formado por um centro de congressos e uma área de escritórios, e ainda um espaço exterior aberto ao público, constituído por jardins panorâmicos e um auditório ao ar livre com capacidade para 400 pessoas.
A Fundação Champalimaud tem como finalidade o apoio à investigação de ponta nas Ciências Médicas e foi criada a partir de um fundo de 500 milhões de euros, deixado pelo milionário António de Sommer Champalimaud, falecido em 2004.