Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá 13/11

Espanha mostrou a sua diversidade a Bento XVI

Por Begoña Íñiguez, correspondente da rádio Cadena Cope

A visita do Papa a Santiago de Compostela e Barcelona serviu para ratificar a diversidade da sociedade espanhola, em que 76% da população diz ser católica, ainda que durante os últimos anos tenham crescido os não praticantes, agnósticos e pertencentes a outras religiões.

Apesar dos protestos prévios, a viagem foi um êxito, como declararam o embaixador de Espanha junto da Santa Sé, Francisco Vázquez, o presidente da Conferência Episcopal e o cardeal arcebispo de Madrid, Antonio María Rouco Varela.

Como se esperava, as manifestações tanto em Compostela como durante o percurso até à Basílica da Sagrada Família aconteceram sem conseguir prejudicar os objectivos de Bento XVI: defender a importância da Fé em relação ao laicismo em tempo de crise, apelar à tradição cristã da Europa e recordar os pilares do cristianismo, que são a família e a solidariedade.

Não é de estranhar que na sua segunda viagem a Espanha o Papa quisesse prestar homenagem a um dos eixos mais vivos da peregrinação e do catolicismo actual: o Caminho de Santiago, que culmina na catedral de Compostela, onde repousa o apóstolo Santiago. Bento XVI chegou como peregrino e disse que “peregrinar não é só visitar um lugar, é sair de nós próprios e ir ao encontro de Deus”.

Em Barcelona, consagrou como basílica um dos templos católicos mais belos da arquitectura contemporânea, a Sagrada Família, ainda inacabada, do arquitecto Antonio Gaudí. E foi ali que o Papa, ignorando os protestos na rua a favor do casamento homossexual, fez um novo apelo em defesa da família e da vida. Reafirmando que tudo o que seja feito para apoiar o casamento, a família e os mais necessitados contribui para o bem da sociedade.

Muito criticado por alguns sectores de Espanha foi o frio encontro, de apenas dez minutos, que mantiveram o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero e o Santo Padre no aeroporto de Barcelona, antes de partir para Roma. O mandatário socialista não participou nas cerimónias religiosas de Santiago e Barcelona. O recém-eleito número dois do Governo, Alfredo Pérez Rubalcaba, recebeu o Papa em Santiago.Os príncipes das Astúrias foram os anfitriões de Bento XVI durante a sua estada em Compostela e os Reis em Barcelona.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1709661&seccao=Europa

MUNDO Geografia e Política Internacional – Setembro 2010

Caderno História&Cultura

EUROPA TEME EXPANSÃO ISLÂMICA

Em 20 anos a África será “islamizada”, como aconteceu com os povos da Ásia central, afirma o sociólogo das religiões Moisés Espírito Santo. É o catolicismo – que não se confunde com o cristianismo – que demonstrou, historicamente, a sua intolerância

Renato Mendes, de Lisboa

A Europa não pode vacilar, quando se trata da defesa de sua identidade própria, cristã e ocidental. Hoje, a identidade europeia é ameaçada pelo Islã, tanto pelas turbulências políticas que ganham aspecto cada vez mais explosivos e abrangentes no Oriente Médio e Ásia central (região estratégica, onde estão situadas as mais vastas reservas de petróleo do planeta), quanto pelas agitações e tensões religiosas e culturais dentro dos próprios países europeus, potencializadas pela ameaça de terrorismo.

A percepção exposta acima, com algumas diferenças de grau de radicalismo, reflete, na média, os pontos de vista da Igreja Católica e dos setores mais conservadores da direita européia, em geral identificados, no âmbito político, com a Democracia Cristã. É a lógica da suposta “guerra de civilizações” que está em curso. Mas uma breve análise da história da formação da cultura europeia demonstra que esse conceito é impraticável e irreal, pois não há como isolar nenhuma “civilização” pura. O próprio Islã ofereceu contribuições decisivas para a construção de uma “identidade europeia”, como mostra claramente a história da Península Ibérica.

A conquista da Península Ibérica foi iniciada no séc. VIII, por berberes (povos que viviam no norte da África) convertidos ao Islã por Tarique. À época, os povos ibéricos – majoritariamente formado por visigodos, de maioria cristã e judaica – não ofereceram grande resistência. Os berberes, em contrapartida, exerceram o seu poder através da cobrança de impostos (a jazia), mas nunca pela imposição religiosa, obedecendo ao princípio da liberdade de culto exposto no Corão. Foi o processo que permitiu a construção e o magnífico desenvolvimento do Califado de Córdoba e da Andaluzia.

Apesar disso, há uma grande possibilidade de choque entre as culturas islâmica e ocidental, segundo afirma o professor português sociólogo das religiões Moisés Espírito Santo, entrevistado em Lisboa. Isso não se deve a supostos antagonismos religiosos ou doutrinários, mas ao acelerado processo de massificação do islamismo no mundo. “Tchetchênia, Cazaquistão, Uzbequistão e Afeganistão eram repúblicas laicas, que hoje são islâmicas por maioria. Hoje, todo o Oriente Médio até a China está em conquista permanente pelo Islã”.

Em 20 anos o continente africano será islamizado, afirma o professor, com exceção dos estados fortemente centralizados e dotados de vitalidade institucional. Para ele, a maioria dos países africanos vive um estado social de anomia, que caracteriza os povos que sofrem a perda de identidade cultural. A falta de coesão social, a difusão ideológica e a ausência de uma proposta de salvação religiosa fazem com que as características simples do islamismo e a sua forte coerência teológica sejam altamente sedutoras para os povos do continente africano.

ENTREVISTA COM MOISÉS ESPÍRITO SANTO, PROFESSOR CATEDRÁTICO E SOCIÓLOGO DAS RELIGIÕES

Mundo – Quais são as matrizes culturais e religiosas da Europa?

Moisés Espírito Santo – A matrizes são muito antigas e tem a ver com o Império Romano, com a religião e direito romano, que é um direito com características modernas, centralizado e organizado. O Império Romano era laico, permitia que todas as religiões existissem desde que mantivessem a ordem pública. Essas tradições foram respeitadas pelo cristianismo primitivo, que era tolerante e livre, mas não pelo catolicismo romano. A matriz religiosa europeia é de laicidade.

Mundo – Pode ser feita uma analogia entre passado e presente religioso na Península Ibérica?

MES – Foi na Península Ibérica onde a religião católica mais se assemelhou à prática do antigo Império Romano. Até Constantino, no séc. IV, existia a religião oficial do império, mas também tolerância e liberdade para os povos. Faz lembrar um pouco o atual Estado inglês que é oficialmente protestante, mas tem como parceiros todas as outras religiões, como na Suécia e na Noruega. Os países nórdicos não são laicos no sentido latino. O estado tem uma matriz religiosa, que é a protestante, mas as religiões várias são parceiras com iguais direitos da religião do estado.

Mundo – O que aconteceu na Península Ibérica após a implantação do catolicismo?

MES – O catolicismo não deriva de Cristo, mas de Constantino. O catolicismo nasceu de um ato político. O imperador Teodósio decretou, no século IV, que toda a Europa seria católico-romana, e previa pena de morte para os dissidentes. Todos os bens das antigas religiões passaram por decreto para a Igreja Cristã Romana, como se chama. A religião do imperador se sobrepôs a liberdade religiosa dos cidadãos.

Mundo – Houve conflito com o Islã na Península Ibérica?

MES – Quando o Islã conquista a Península Ibérica em 711, através dos berberes, fazem isso com facilidade. Não houve guerra. Não havia estado, havia vários reinos e todos eles incapazes de impor a ordem. Naquele tempo coexistiam o cristianismo popular, anárquico, com seus cultos locais, além do catolicismo romano e do judaísmo.

Mundo – O judaísmo também contribui com a cultura e a religião na península.

MES – No século IV, as comunidades judaicas eram as mais importantes do ponto de vista de uma doutrina monoteísta. Eles chegaram na Península Ibérica muito antes do nascimento de Cristo. Toda uma cultura médio oriental se instalou por aqui, com os fenícios, os púnicos etc. Até o séc. XIV, metade da população portuguesa era judaica. Portugal e Espanha foram dos povos mais judaizantes. Era um judaísmo que vinha do norte de África.

Mundo – Havia liberdade religiosa na Península Ibérica?

MES – Aqui, entre os séculos VIII e XII, sob ocupação islâmica, funcionou a plena liberdade religiosa, coisa que não exista em nenhuma outra parte da Europa. Alguns dos aspectos da diversidade religiosa, que se praticam nos dias de hoje, foram afirmados nessa época.

Cartoon

Por Peter Brooks, The Times

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 11/09

A visita de Bento XVI ao reino dos anglicanos

por Alison Roberts, correspondente da BBC

Se a visita de Bento XVI a Portugal se passou com uma tranquilidade notável, dado o contexto do debate sobre o casamento gay, ninguém parece esperar a mesma calma durante a sua visita ao Reino Unido, na semana que vem.

Depois de aterrar em Edimburgo no dia 16, o Papa será recebido pela Rainha Isabel II e outras altas instâncias britânicas. Mas lá fora, no país, o jornal The Scotsman prevê “uma mistura tóxica de hostilidade a apatia”. Esta será a primeira visita de estado de um Papa ao Reino Unido, país cuja religião oficial é o anglicanismo, cujo chefe é a própria monarca – a visita do João Paulo II em 1982 foi uma visita pastoral.

Os cinco milhões de católicos britânicos, apesar de serem mais praticantes que os anglicanos, faltam cada vez mais à missa. Não são eles que pagarão os custos da visita, de dezenas de milhões de euros; estes serão suportados, na sua maior parte, pelo Estado. Numa altura de cortes nos serviços públicos, este facto é polémico. 

Depois de um dia na Escócia, o Papa vai para Londres. O maior protesto também será na capital: uma marcha no sábado com o lema “O Papa opõe-se à igualdade universal e aos direitos humanos. Não lhe deveria ser estendida a honra e reconhecimento duma visita de Estado ao nosso país.”

Alguns militantes detectam sinais de medo da parte da Igreja: esta semana um bispo procurou um encontro com Peter Tatchell, o mais conhecido defensor dos direitos dos homossexuais, e outros activistas, para pedir que tudo se passe “de maneira digna”.

A oposição à visita prende-se com a posição do Papa sobre temas como homossexualidade, aborto, uso do preservativo ou ordenação de mulheres. Mas os grupos concordaram em focar-se na resposta da Igreja aos casos de abusos de crianças por padres. Está marcada para a véspera da visita uma conferência de imprensa com vítimas de todo o mundo.

Há até ateístas militantes, como o biólogo Richard Dawkins, que querem ver o Papa detido, por tentar encobrir os abusos. Tudo isso significa, de acordo com o jornal The Scotsman, que a primeira coisa que Bento XVI vai querer fazer quando chegar não será beijar o chão, como fez o seu antecessor, mas pegar numa pá e começar a escavar um túnel de fuga.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1659831&seccao=Europa

Cartoon

Por Bruce Beattie, Creators Syndicate Inc.

Conferência “250 anos da expulsão dos jesuitas do Grã-Pará/Maranhão”

Conferência “250 anos da expulsão dos jesuitas do Grã-Pará/Maranhão”

Apresentação da imagem oficial da Visita do Papa a Portugal

Por Fanny Chevillotte

A visita de Bento XVI a Portugal terá início no dia 11 de Maio, com uma cerimónia de boas-vindas no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

Após o lançamento do sítio para antecipar a visita do Papa Bento XVI a Portugal, a Conferência Episcopal apresentou hoje a imprensa, a imagem oficial do Papa. D. Carlos Azevedo, o Bispo Auxiliar de Lisboa e Coordenador da Comissão Organizadora da Visita, insistiu na importância da “unidade visual” para a comunhão espiritual. Esta missão apostólica é representada com materiais como T-shirt, envelopes, (etc), para ser “dirigida ao subconsciente colectivo”.

A visita de Bento XVI a Portugal terá início no dia 11 de Maio, com uma cerimónia de boas-vindas no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Bento XVI visitará Cavaco Silva, no Palácio de Belém, e à tarde, presidirá uma missa no Terreiro do Paço. Gabriela Canavilhas, Ministra da Cultura, anunciou que os museus e monumentos nacionais estarão abertos gratuitamente no dia de sua chegada.

Na manhã após sua chegada em Portugal, Bento XVI irá encontrar-se com o primeiro-ministro José Sócrates, na Nunciatura Apostólica e também com representantes da cultura, no Centro Cultural de Belém. Na tarde do dia 12 de Maio, o Papa segue de helicóptero para Fátima, onde começará por visitar a Capelinha das Aparições do Santuário de Fátima. Na manhã do dia 14, irá para o Porto, onde após uma última missa encerrará a sua primeira visita a Portugal, enquanto líder da Igreja Católica.

Durante a viagem, o Papa recebera a Chave de Honra da Cidade de Lisboa das mãos de António Costa, que justifica esta homenagem pelo”importante papel que a Igreja Católica desempenha na sociedade portuguesa”.

A acreditação para os jornalistas se faz a partir do 1 de Abril. Dia 26 de Março haverá uma conferência de imprensa em Fátima.

Para mais informações: http://www.bentoxviportugal.pt/

DW Rádio (Língua Portuguesa) – 17/02

Por João Carlos, jornalista

Portugal é um país de forte tradição católica, que acaba de aprovar no Parlamento a Lei do Casamento Homossexual, a poucos meses da visita do Papa Bento XVI. Quando (e se) o presidente Cavaco Silva promulgar o diploma, Portugal será o sexto país da Europa e nono no mundo a legalizar a união entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, apesar de não se ter sentido uma forte oposição por parte da população, como aconteceu em Espanha, o certo é que há casos de discriminação descritos por casais gays e lésbicas. Reportagem do correspondente em Lisboa, João Carlos.

(www.dw-world.de/portuguese)


Sobre o recorrente debate da burca em França

A burca contra a liberdade das mulheres

È horrivel… privar-se dos saldos até este ponto!

(http://www.philippetastet.com/burqa-femmes-soldes-presse.aspx)

Revista Pará + – Fevereiro 2008

A tradição medieval dos Sete Passos

por Anete Costa Ferreira

A bonita Freixo de Espada à Cinta situada ao sul do Nordeste Transmontano, na fronteira com Salamanca, é considerada a Vila mais Manuelina de Portugal. A população fiel à tradição medieval comemora a Quaresma com a procissão dos Sete Passos de forma sui generis, em diversos pontos da região.

De origem pagã caracteriza-se pela cerimônia de recomendação das almas. É um ato de devoção e crença manifestado no encontro que se realiza todas as sextas-feiras desde o término do Carnaval até a festa da Ressurreição. À meia noite com a cidade às escuras e partindo de frente da Igreja Matriz segue a procissão.

Exatamente, ao soar as 12 badaladas do relógio da Torre Heptagonal, dois homens com hábitos negros e encapuchados arremessam com grande força no piso de granito diversos ferros unidos a uma corrente, e, em seguida vão arrastando-os ao compasso certo sete vezes. Este movimento no silêncio noturno provoca um eco estrondoso, tornando a via-sacra ainda mais penitente.

Na trajetória um outro homem com vestimenta idêntica caminha vagarosamente vergado sobre si mesmo, é a chamada “Velhinha”. Leva na mão esquerda uma lamparina acesa, alimentada com azeite; na direita um bastão de apoio, e pendurado ao pescoço um vasilhame em forma de bota contendo vinho que é oferecido aos devotos que ajoelham-se pelo caminho, pedindo respeitosamente o sangue de Cristo.

Durante o itinerário param em frente aos Cruzeiros, quando piedosamente ouvem os cânticos sacros entoados em português e em latim pelos grupos das igrejas da cidade. Todas as personagens integrantes da procissão são masculinas. Daí a expectativa dos curiosos na última noite dos Sete Passos, postarem-se para assistir o ato receptivo das mulheres conhecidas por Três-Marias.

Outro ponto importante é ser o percurso entre a Igreja da Matriz até à Igreja da Misericórdia apenas de 100 metros, e o cortejo durar duas horas. Justifica-se pelo fato da procissão ser em ritmo moderado de “sete passos”, medidos e cronometrados a rigor.

No domingo de Páscoa, já em pleno dia realiza-se a procissão do Senhor Morto. Em determinado trecho é pendurado numa árvore um boneco representando Judas.

No seu interior é colocado um explosivo que ao final do cortejo é acionado, estorando-o, causando alegrias ao povo que festeja desta forma o Cristo Ressuscitado. O evento constante do calendário turismo-religioso atrai à Vila visitantes que nesta época procuram conhecimentos históricos desta festa que tem um misto de religião e paganismo, juntando a devoção e a crença nos Sete Passos.

A origem do nome está envolto em lendas e histórias. Para uns, a  cidade nasceu, por um fidalgo falecido em 977. Para outros foi um nobre godo chamado Espadacinta que batizou-a com esta toponímia. Entretanto, há quem sublinhe haver sido El Rey D. Dinis que deu este nome à Vila. O certo é que o povo venera a velha árvore de freixo existente no lugar do extinto castelo medieval por considerá-lo a origem dos mitos que deram nome a este local do nordeste transmontano.

Durante esta quadra, muitos devotos imploram a Deus perdão pelos pecados cometidos por seus entes queridos já falecidos. Este e outros atos piedosos propiciam que seja mantida a tradição medieval dos Sete Passos.

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