Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 20/11

Espanha e o medo de represálias de Marrocos

Por Belén Rodrigo, correspondente do ABC

Não são formas de ir embora de um país onde trabalhava há oito anos”, diz-me Luis de la Vega, correspondente do ABC em Marrocos. Há uma semana, o Governo marroquino tirou-lhe a sua acreditação como jornalista, em que se tem destacado pelo seu importante labor profissional. É a primeira vítima da falta de liberdade de expressão em Marrocos, mas outros colegas espanhóis estão a ter muitos problemas para contar o que lá está a acontecer.

Outros três jornalistas da Cadena Ser foram detidos pelas autoridades em El Aiún e enviados para o aeroporto, para serem expulsos do Sara Ocidental, por considerarem que eram um perigo para a ordem pública. “É totalmente falso que odiamos Marrocos, como dizem as suas autoridades. É um país fantástico, com pessoas fantásticas, mas neste momento, como jornalistas que somos, não podemos trabalhar como se fôssemos promotores turísticos”, esclarece Luis.

Desde o dia 8 que várias pessoas morreram em El Aiún, entre eles, possivelmente um espanhol. O Governo de Zapatero continua sem condenar o acontecido e insiste em “manter prudência”. Além de pedir esclarecimentos a Marrocos, assegura ter pedido um inquérito claro e independente. Agora, em conjunto com Rabat, está a escolher um grupo de jornalistas para viajar a El Aiún, mas as associações de jornalistas pedem ao Governo que não entre no jogo.

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Trinidad Jiménez, que assumiu o cargo há umas semanas, enfrenta um dos temas mais delicados das relações exteriores de Espanha. Controla as suas palavras porque teme represálias de Marrocos, mas desta vez é preciso ter coragem e enfrentar a realidade. Curiosamente, Trinidad Jiménez, enquanto candidata a presidente da Câmara de Madrid em 2003, exigiu ao Governo de Aznar que tivesse em conta a reivindicação histórica, legítima, do povo sarauí sobre o seu direito à livre autodeterminação. “Vão ter o nosso compromisso, o nosso apoio, colaboração e solidariedade”, disse nessa altura quem hoje é ministra. Felipe González, em 1976, mostrou o seu apoio público à causa sarauí. “O povo sarauí vai vencer a sua luta e vai vencer porque tem razão e porque tem vontade de lutar pela sua liberdade.”

E agora é preciso mostrar essa solidariedade, mas faz falta coragem, e hoje em dia a política tem muita falta dela

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1715401&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 06/11

Kirchner: a sua morte altera cenários

Por Miguel Rivero, correspondente do “El Triangle”

Qual personagem central de uma tragédia grega que se abateu sobre a Argentina nos primeiros anos do século XXI, o ex-presidente Néstor Kirchner foi tecendo nos últimos meses a mortalha que cobriu o seu corpo. A absoluta falta de respeito por si mesmo explica o que aconteceu. Nos dez meses de 2010, já tinha sido operado duas vezes devido a problemas cardiovasculares, a última das quais a 11 de Setembro.

Apesar das recomendações médicas para permanecer 48 horas em observação, na manhã do dia seguinte, um domingo, já estava a entrar na viatura oficial rumo à residência presidencial de Olivos, para cumprir a sua agenda na medida do possível. E não foi tudo. Na segunda-feira, Kirchner deveria ter sido o principal orador de um acto público em defesa do Governo chefiado pela sua mulher, Cristina Kirchner. Não falou, mas esteve presente, como mais um dos seus fanáticos apoiantes.

Kirchner morreu a 27 de Outubro, de falha cardíaca, quando passava um fim-de-semana na sua residência particular de Calafate, na Patagónia, uma zona que viu o casal presidencial enriquecer nos últimos anos, facto que poderia custar-lhe mais do que uma dor de cabeça devido aos julgamentos pendentes.

Interessa agora o futuro argentino e regional. Para começar, há que ver como reagirá politicamente Cristina Kirchner. Em teoria, o poder era partilhado pelo casal, embora o controlo de Néstor Kirchner sobre tudo o que acontecia à sua volta fosse quase absoluto. Além disso todos viam nele o sucessor da mulher, depois das presidenciais de 2011.

Que atitude adoptará a Presidente nos próximos meses? Será capaz de se libertar do estilo do marido e adoptar um tom mais institucional que insinuou durante a campanha eleitoral? Ou entrincheirar-se-á no círculo restrito dos colaboradores mais próximos do falecido marido?

A pergunta não é insignificante. Da sua resposta depende o futuro político da Argentina e as relações entre Governo e oposição. E as relações entre Cristina e o seu vice- -presidente, Julio César Cobos, que tem as suas próprias aspirações presidenciais. Além disso, mantém-se a dúvida sobre se, com a morte do marido, Cristina quererá continuar na política e terá o estado de ânimo e a capacidade para o fazer.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1704264&seccao=EUA%20e%20Am%C3%A9ricas

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 30/10

Mudança de Governo para recuperar confiança

Por Virgínia López, jornalista do El Mundo

Os espanhóis perderam a confiança no Governo socialista e são cada vez mais as vozes que se levantam para pedir a demissão do primeiro-ministro. Mas antes de abandonar o barco, José Luis Rodríguez Zapatero decidiu dar novo rumo à sua política. A 12 pontos de distância do conservador Partido Popular, os socialistas têm ano e meio – até às próximas eleições gerais – para dar a volta às sondagens e provar aos espanhóis que ainda são a melhor opção para Espanha.

Com esse objectivo, mudou o número 2 do Governo, cargo de onde sai a desgastada Teresa de la Vega e que agora ocupa o ministro de Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba – possível sucessor de Zapatero – e um dos políticos que melhor conhecem a política antiterrorista no País Basco, tema principal em fim da legislatura. Para o Ministério do Trabalho, Zapatero escolheu um ex-sindicalista da UGT, para impulsionar o diálogo social na difícil reforma das pensões. Muda o Ministério de Negócios Estrangeiros, em que a ex-secretária de Estado para a IberoAmérica tratará de recuperar a debilitada imagem de Espanha no exterior. A secretaria da organização fica nas mãos de um dos barões com mais peso no partido. No Ambiente aparece uma ex da Izquierda Unida, para chegar ao eleitorado socialista mais à esquerda. E na Saúde Zapatero põe a ministra mais jovem, a pensar no futuro do PSOE. Além das mudanças, foram extintos dois ministérios, sinal de poupança para acompanhar a política de contenção para reduzir o défice.

Mas são mudanças, todas elas, de marcado carácter político, mais do que económico, já que não houve alterações no Ministério da Economia. Com este novo Governo, Rodríguez Zapatero fecha uma etapa, quer recuperar a credibilidade e volta a comprometer-se em levar Espanha até bom porto. Mas não tem vida fácil, já que no meio da tormenta os socialistas continuam a ter de fazer face a uma crise económica que está a passar uma enorme factura à sociedade.

O maior icebergue a que o líder socialista terá de se esquivar para voltar a ganhar a confiança dos espanhóis é a taxa de 20% de desemprego, uma meta complexa, devido ao elevado défice e às baixas previsões de crescimento para os próximos anos, circunstância que, se as coisas não mudarem, poderá custar-lhe a reeleição.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1698839&seccao=Europa

Cartoon

Por Julio César González, Matador Cartoons

Rádio Deutsche Welle (Língua Portuguesa) – 02/09

Por João Carlos, correspondente

Portugal já recebeu este ano perto de 70 pedidos de asilo político, parte dos quais se encontra em fase de análise e de instrução para apresentação ao ministro da Administração Interna. Os processos incluem requerimentos de cidadãos guineenses que solicitaram o estatuto de refugiado, segundo revelou o SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. De acordo com o SEF, os pedidos têm vindo a aumentar desde os últimos acontecimentos político-militares na Guiné-Bissau.


Link: http://www.dw-world.de/portuguese

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.