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Por Jimmy Marguiles, The Record

Rádio Cadena Cope – 15/10

La Atalaya – El Río de la Vida: Cobro de peaje en las autopistas portuguesas

Por Begoña Iñiguez, Correspondente

O rio da Vida, sobre a polémica, no norte de Portugal e na Galiza, do pagamento de portagens nas 3 autovias do norte de Portugal, e do aluger dos dispositivos electrónicos para veículos estrangeiros, com a participação do Presidente da Asociação de Empresarios da Provincia de Pontevedra, José Manuel Fernández Albariño, e do portavoz da Plataforma Naturalmente Não às portagens de Viana do Castelo, Jorge Pazos.

Para ouvir o programa: http://www.cope.es/la-atalaya/audio-la-atalaya–el-rio-de-la-vida–cobro-de-peaje-en-las-autopistas-portuguesas-100879

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Por Sneuro, Cartoon Stock

Diário de Notícias- Coluna Visto de Cá- 25/09

A expulsão dos ciganos nas eleições catalãs

Por Virgínia López, correspondente do El Mundo

A polémica gerada em torno da expulsão dos ciganos romenos de França instalou-se na pré-campanha eleitoral da Catalunha. O Partido Popular catalão, que apoia a iniciativa do Presidente Nicolas Sarkozy, aproveitou o momento para colocar o assunto da imigração no centro das eleições autonómicas, que se realizam a 28 de Novembro. E fê-lo convidando uma eurodeputada do partido de Sarkozy (UMP), a conservadora Marie Therese Sánchez-Schmid, para visitar os bairros mais conflituosos de Badalona, terceira maior cidade da Catalunha, onde, segundo um estudo, se registam os piores índices laborais, educativos e económicos da área metropolitana de Barcelona, com um elevado risco de vulnerabilidade social. Onde, casualmente ou não, vivem ciganos romenos.

De facto, segundo o líder do PP de Badalona, Xavier García-Albiol, a situação que se vive na Catalunha é “pior” do que a que se regista em França, já que os ciganos romenos não estão todos no mesmo acampamento, mas vivem espalhados por vários bairros de Badalona. Esses bairros são os que visitaram para conhecer, em primeira mão, os problemas de convivência de que fala Albiol, que durante anos esgrimiu argumentos contra a imigração que lhe deram a fama de xenófobo. A conservadora, assim como todas as câmaras de televisão que acompanharam a visita, testemunhou que os problemas sociais de Badalona são reais.

Algo de que não duvida o resto dos partidos políticos catalães. Mas diferem completamente do discurso usado pelos conservadores, aos quais chamam populistas e xenófobos e acusam de procurar a ruptura social para somar votos nas eleições. Por isso, alguns partidos propuseram um boicote ao tema da imigração durante a campanha para dificultar o discurso popular. Outros não vão tão longe, falarão de imigração, mas sem cair nas provocações do PP.

Entretanto, os populares argumentam que sempre defenderam uma imigração legal e controlada e pedem agora um maior controlo para que os ciganos romenos expulsos da França não acabem a viver na Catalunha. A Generalitat garante que por agora ainda não chegaram. Pelo menos, não o fizeram fisicamente, mas o debate que provoca a sua presença parece que, de momento, é para ficar.

 http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1670756&seccao=Europa

Diário de Notícias- Coluna Visto de Cá- 18/09

Relação de encontros e desencontros

Por Belén Rodrigo, correspondente do ABC

As relações de Espanha e Marrocos têm sido historicamente afectadas por contínuos episódios. Um vínculo de encontros e desencontros diplomáticos como são a questão do Sara, a crise da ilha do Perejil, a visita dos Reis a Ceuta e Melilla, o incidente com a activista Haidar ou o recente boicote dos marroquinos na fronteira com Melilla. Esta semana a relação dos dois países voltou a ser notícia pela visita do líder da oposição, Mariano Rajoy, à cidade de Melilla, criticada duramente pelo primeiro-ministro de Marrocos, El Fasi, que considerou esta iniciativa “um claro ataque à dignidade e ao sentimento nacional” dos marroquinos.

Em Novembro de 1975, antes de ordenar a Marcha Verde sobre o que foi o Sara Ocidental espanhol, o rei Hassan II dizia que “não há nem vencedores nem vencidos, senão dois países que abrem agora uma etapa nas suas relações”. O Rei Juan Carlos acabaria por ter uma estreita relação de amizade com ele, como demonstrou no seu enterro, com o monarca espanhol a chorar desconsoladamente.

Mas a amizade dos dois países tem sido em varias ocasiões quebrantada. Durante o Governo de Aznar houve uma grande crise diplomática com a ocupação por parte de Marrocos do ilhéu de Perejil. Foi um dia antes do casamento de Mohamed VI e a princesa Lala Salma, onde faltaram os membros da família real e o embaixador em Rabat, Fernando Arias Salgado, por ordem do Governo. Espanha, com a intervenção da ONU, recuperou o seu pedaço de terra.

Com a chegada de Zapatero ao Governo houve o desejo de melhorar a relação, mas os tradicionais problemas com a pesca, o Sara Ocidental, a emigração clandestina e o terrorismo continuaram a ser pedras no caminho.

Polémicas que deixaram em evidência sérios problemas políticos, diplomáticos, judiciais e humanitários, por vezes difíceis de controlar. O Executivo socialista tem sido duramente criticado pelo seu silêncio após cinco crises diplomáticas em cinco dias. Jovens marroquinos acusaram as forças espanholas de serem golpeados na fronteira com Melilla, mas Espanha não saiu nem em defesa dos polícias nem de Melilla. A polémica ficou fechada, de momento, com a visita do ministro Pérez Rubalcaba a Rabat, a 23 de Agosto. 

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1665193&seccao=Europa

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Por Peter Brooks, The Times

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 11/09

A visita de Bento XVI ao reino dos anglicanos

por Alison Roberts, correspondente da BBC

Se a visita de Bento XVI a Portugal se passou com uma tranquilidade notável, dado o contexto do debate sobre o casamento gay, ninguém parece esperar a mesma calma durante a sua visita ao Reino Unido, na semana que vem.

Depois de aterrar em Edimburgo no dia 16, o Papa será recebido pela Rainha Isabel II e outras altas instâncias britânicas. Mas lá fora, no país, o jornal The Scotsman prevê “uma mistura tóxica de hostilidade a apatia”. Esta será a primeira visita de estado de um Papa ao Reino Unido, país cuja religião oficial é o anglicanismo, cujo chefe é a própria monarca – a visita do João Paulo II em 1982 foi uma visita pastoral.

Os cinco milhões de católicos britânicos, apesar de serem mais praticantes que os anglicanos, faltam cada vez mais à missa. Não são eles que pagarão os custos da visita, de dezenas de milhões de euros; estes serão suportados, na sua maior parte, pelo Estado. Numa altura de cortes nos serviços públicos, este facto é polémico. 

Depois de um dia na Escócia, o Papa vai para Londres. O maior protesto também será na capital: uma marcha no sábado com o lema “O Papa opõe-se à igualdade universal e aos direitos humanos. Não lhe deveria ser estendida a honra e reconhecimento duma visita de Estado ao nosso país.”

Alguns militantes detectam sinais de medo da parte da Igreja: esta semana um bispo procurou um encontro com Peter Tatchell, o mais conhecido defensor dos direitos dos homossexuais, e outros activistas, para pedir que tudo se passe “de maneira digna”.

A oposição à visita prende-se com a posição do Papa sobre temas como homossexualidade, aborto, uso do preservativo ou ordenação de mulheres. Mas os grupos concordaram em focar-se na resposta da Igreja aos casos de abusos de crianças por padres. Está marcada para a véspera da visita uma conferência de imprensa com vítimas de todo o mundo.

Há até ateístas militantes, como o biólogo Richard Dawkins, que querem ver o Papa detido, por tentar encobrir os abusos. Tudo isso significa, de acordo com o jornal The Scotsman, que a primeira coisa que Bento XVI vai querer fazer quando chegar não será beijar o chão, como fez o seu antecessor, mas pegar numa pá e começar a escavar um túnel de fuga.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1659831&seccao=Europa

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Por Bruce Beattie, Creators Syndicate Inc.

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Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 28/08

Ciganos romenos: um problema pan-europeu

por Corneliu Popa, correspondente da Rádio Roménia

Os repatriamentos, em curso, dos ciganos romenos e búlgaros de França fizeram correr rios de tinta e levantaram questões jurídicas e morais que prometem dominar o debate europeu nos próximos meses.

Até final de Agosto, cerca de 950 ciganos romenos terão sido recambiados para o país de origem, mas sem proibição de viajar ou de regressar a França. Sem empregos, sem recursos próprios e sem apoios da segurança social romena, muitos dos ciganos repatriados decidirão que não compensa ficar na Roménia, um dos países mais afectados pela crise económica que abala o mundo. À saída de França receberam 300 euros por adulto e 100 euros por menor, que alguns consideraram como um subsídio de férias para visitar a família enquanto preparam o regresso ao Ocidente.

Durante décadas de ditadura comunista, os ciganos foram marginalizados e quase apagados do mapa demográfico da Roménia. O Estado comunista, opressor, obrigou-os a uma integração social forçada, que lhes serviu de argumento para exigirem, depois da Revolução de 1989, direitos suplementares. A própria França liderou, nos anos 90, as vozes que defendiam com veemência os direitos dos ciganos romenos.

No meio da euforia democrática e no estilo próprio da sua cultura, os ciganos romenos designaram o seu rei, o seu imperador, fundaram um partido político e até acederam ao Parlamento, onde ainda ocupam um lugar cativo, como acontece, aliás, com todas as minorias étnicas da Roménia. Com a abertura das fronteiras e a adesão da Roménia à UE, depressa descobriram, como declarava um dos repatriados da semana passada, que “mais vale ser mendigo no estrangeiro do que trabalhar na Roménia”. Às dificuldades económicas e de integração da comunidade cigana, acrescenta-se o estigma social que associa a palavra “cigano” a “mendigo” e/ou a “ladrão”. Um estudo de 2009 revela que sete em dez romenos não gostariam de ter ciganos na família.

Perante um desafio tão complexo, as autoridades romenas encolhem os ombros, impotentes, e apelam a uma solução mais ampla, europeia. O certo é que a França já está a condicionar a eventual adesão da Roménia ao Espaço Schengen à resolução da questão cigana.

 http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1650025&seccao=Europa

El Correo Gallego – 23/04

Valença y la sanidad

Por Begoña Iñiguez, correspondente

Cada cierto tiempo salta a la palestra de la actualidad el debate del iberismo y de si España y Portugal deberían unirse, como defiende José Saramago. Esta vez el motivo han sido las protestas con banderas españolas de los vecinos de Valença do Minho, pidiendo la reapertura de las urgencias nocturnas de su centro de salud, cerrado por orden de su ministerio de Sanidad. Esa imagen excepcional ha conseguido su objetivo: llamar la atención de la opinión pública de los dos países sobre la falta de medios y el gran recorte presupuestario que está sufriendo la sanidad portuguesa, sobre todo en zonas transfronterizas.

Tras las protestas no se busca la anexión a España ni abandonar su país. La colocación de banderas españolas, en un baluarte histórico de defensa de Portugal contra España, esconde un grito desesperado de ayuda a los “irmãos galegos” y una llamada de atención a los gobernantes de Lisboa sobre una situación que creen injusta: tener que desplazarse 18 kilómetros hasta Monção para ir en plena noche a una urgencia. Y todo porque los números no le cuadran al ministerio de Sanidad portugués, que quiere reestructurar el Sistema Nacional de Salud, hijo de la Revolución de 1974, y ahora en graves dificultades financieras.

En España, a menudo, nos quejamos de nuestra sanidad pública. Entiendo las críticas de muchos, sobre todo después de saber que las listas de espera gallegas para operarse han aumentado. Desde esta columna me gustaría elogiar la sanidad de Galicia y el resto de España, a pesar de sus defectos. No hay más que echar un vistazo a Europa y Norteamérica. Además, en los últimos diez años, nuestro país ha atendido a millones de inmigrantes, legales e ilegales. Y no olvidemos que los médicos gallegos, castellano-leoneses y extremeños reciben diariamente, desde que la tarjeta sanitaria europea entró en vigor, a numerosos pacientes de Portugal. En Tui, Vigo o Ciudad Rodrigo se les atiende sin pedir más explicaciones, ante una urgencia o cuando piden una operación rutinaria. Quienes viven cerca de la frontera se sienten desamparados por las políticas de Lisboa, que han dejado a estos municipios con menos médicos, urgencias y hospitales.

La atención sanitaria es un derecho de todos, vivan donde vivan, y eso es lo que piden los vecinos de Valença do Minho, ni más ni menos. En la Europa de los 27 hay fórmulas que funcionan bien entre países amigos. Como los acuerdos entre Extremadura y O Alentejo para que, por ejemplo, las parturientas de Elvas den a luz en Badajoz, tras cerrar su maternidad en 2007. En 2009 la cumbre hispano-lusa de Zamora dio un paso más en la atención sanitaria transfronteriza y en los acuerdos entre municipios “raianos”. Para aliviar el desamparo sanitario que se vive al otro lado del Miño, no sólo en Valença sino en Vila Nova de Cerveira, Monção o Melgaço, a las autoridades les corresponde aplicar los compromisos de Zamora. ¿A qué están esperando?

Link: http://www.elcorreogallego.es/galicia/ecg/valen-sanidad/idNoticia-539227/

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 17/04

O ‘superjuiz’ em apuros

Por Belén Rodrigo, correspondente do ‘ABC’

Era difícil imaginar, há uns anos, que Baltasar Garzón, o juiz espanhol mais louvado de sempre, ia ser objecto de um inquérito por parte do Supremo Tribunal, correndo o risco de ser suspenso da sua actividade.

A sua fama internacional veio com a ordem de prisão contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet pela morte e tortura de cidadãos espanhóis durante o seu regime. Em 2008 declarou-se competente para investigar o desaparecimento de opositores do franquismo entre 1936 e 1975 enquanto vítimas de crimes contra a humanidade.

Depois de ser o perseguidor mais eficaz dos dirigentes da ETA, de ser conhecido como o “superjuiz” ou o “juiz estrela”, Garzón experimenta agora o que se sente no outro lado do banco. O Supremo Tribunal decidiu abrir em Maio do ano passado um processo contra ele por um delito de prevaricação, tendo na semana passada decidido levá-lo a julgamento. A acusação consiste no facto de Garzón ter iniciado diligências para investigar os desaparecimentos durante o franquismo, diligências essas que não eram da competência da Audiência Nacional. O Supremo Tribunal aceitou também um outro processo contra ele sobre os financiamentos não declarados de colóquios em que participou em Nova Iorque e um outro sobre as escutas feitas a acusados do caso Gürtel, em que estão envolvidas figuras do Partido Popular.

A sociedade espanhola está agitada, desconcertada com o que está a acontecer. Para alguns, este caso fica reduzido a uma luta de partidos, com o PSOE a apoiar o juiz e o PP como o mau da fita porque apoia a decisão do Supremo. Mas é mais do que isso. Preocupa ver como num mundo onde existem tantas injustiças, onde muitos culpados fogem da prisão e outros nunca passam por ela, um juiz conhecido por fazer justiça, por ter coragem e dizer o que pensa pode ser agora suspenso da sua actividade entre 12 e 20 anos.

Trata-se de uma pessoa polémica precisamente por ser diferente dos outros juízes. Não respeitar as normas todas do poder judicial pode custar-lhe muito caro. E isso irrita muitos espanhóis. O que querem é uma justiça mais próxima do povo, longe da burocracia toda que envolve este mundo e que impede que as decisões sejam mais rápidas.

Manifestações de apoio
Centenas de pessoas reuniram-se na Universidade Complutense de Madrid em um acto de defesa do juiz Baltasar Garzón, convocado por  sindicatos de esquerda, pedindo o fim da “perseguição” ao magistrado. Os líderes sindicais qualificaram como “vergonha histórica” o seu julgamento.

Perseguição
Nem Garzón nem o seu advogado partilham a ideia de “caça de bruxas”  que defendem alguns membros do Governo e intelectuais, sindicatos e famosos que apoiam ao juiz. Não consideram que exista uma perseguição ao magistrado e acham que as manifestações de apoio podem prejudicar a Garzón porque perturbam a ordem

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1546261&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 20/03

Touradas: uma nova polémica em Espanha

Por Belén Rodrigo, correspondente do diário ‘ABC’

Em Espanha existem quer apaixonados pelas corridas de touros, quer aqueles que exigem a sua abolição. Muitos outros, se calhar a maioria, não gostam das corridas mas respeitam a tradição e o mundo que existe à volta do touro. Numa sociedade democrática deve existir espaço para diferentes culturas e expressões artísticas, mesmo que sejam minoritárias.

Sem perceber muito deste mundo, não é difícil reparar que uma corrida de touros não é um simples capricho dos toureiros, que saem à praça só pelo gozo de matar o animal. Por detrás da festa há um mundo onde o homem e o animal convivem dia a dia, uma cultura, uma arte. Sempre houve e há um sector da sociedade que vive deles. E é uma tradição que atrai ricos e pobres. Os que podem, assistem ao vivo na praça. Aqueles a quem o dinheiro não chega para comprar uma entrada, juntam-se com os amigos num bar para ver a corrida pela televisão.

Como se em Espanha existissem poucas polémicas, aparece mais uma que tem criado muita crispação no mundo do toureio, e não só: a intenção do Parlamento catalão de proibir as corridas nesta comunidade. Surgiu como uma iniciativa popular mas por detrás da proposta está o extremismo catalão. As corridas, sobretudo para os estrangeiros, são um símbolo de Espanha, a “festa nacional”. Por desgraça, alguns catalães recusam tudo o que seja representativo do país.

Este extremismo acaba por prejudicar todos, porque existem problemas mais importantes para o Parlamento regional debater. Desemprego, violência doméstica, drogas, tráfico de mulheres…há mais que pensar do que nos touros. Ninguém está obrigado a ir a uma corrida, como também não está obrigado a assistir a um combate de boxe. Há gostos minoritários que devem ser respeitados.

Há uns anos, Barcelona era a única cidade espanhola com três praças de touros; agora só resta a Monumental. As corridas têm perdido muitos adeptos, mas os que restam têm direito a ver este espectáculo. E enquanto a Catalunha debate as corridas, Madrid declara como Bem de Interesse Cultural a festa dos touros. Somos realmente tão diferentes de uma ponta a outra do país? O que nos está a acontecer? Deixamos que a política interfira na nossa cultura?

Debate no Parlamento
O grupo de cidadãos PROU recolheu 180.000 assinaturas para a proibição de touradas. O Parlamento catalão ouvi nos últimos meses diferentes personalidades  (entre filósofos, intelectuais, toureiros e ganadeiros) e deve agora tomar uma decisão

Secção de Tauromaquia
Os adeptos das corridas de touros em Espanha receberam com agrado a noticia da criação em Portugal da secção de Tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura. Desde o Ministério da Cultura se sublinha que a secção é importante pela “preservação de fauna e flora, pelo ambiente, companheirismo e amizade que ensina, pelas famílias que dela sobrevivem, pelas acções comunitárias que organiza e ajuda e pela actividade económica que gera”.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1523507&seccao=Europa

Diario de Notícias – 11/03

Vão os capatazes e chegam os patrões

Por Mário Dujisin

A direita chilena assume o poder entre os escombros do mais devastador sismo em meio século. A destruição assumiu tais proporções que, provavelmente, o Presidente Sebastián Piñera deverá dedicar os quatro anos de mandato à reconstrução do país.

A direita tem pouco para fazer porque, como comentava um diplomata chileno, “a única mudança é que se vão os capatazes e chegam os patrões”.

De facto, a Concertação socialista e democrata-cristã afinou, em 20 anos, um modelo neoliberal tão perfeito que não admite mais reformas na sua lógica de privatizar praticamente tudo num país onde 68% dos contratos são precários, temporários e sem garantias.

Do Governo, fazem parte muitos empresários, ex-colaboradores de Augusto Pinochet, um trânsfuga da Concertação e um dirigente do Opus Dei, que apresentam credenciais académicas e sociais impecáveis: vêm das chamadas “boas famílias”, foram educados em colégios e universidades da elite, alguns com doutoramentos nos EUA.

Uma perigosa promiscuidade entre política e negócios nesta migração de empresários para o sector público, alimentando receios sobre que interesses defenderão estes novos servidores do Estado, até ontem administradores com interesses em grandes empresas. O ministro da Saúde, em clínicas particulares, o da Educação em universidades privadas, os das Finanças, da Economia e de Transportes em várias empresas, e o dos Negócios Estrangeiros, que foi administrador de uma enorme multinacional chilena presente em toda a América Latina, poderá ver desacreditada a sua postura nas negociações de acordos comerciais regionais.

Em suma, a partir de hoje, o Chile começou a ser dirigido pelos seus próprios donos.

Link:http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1515997&seccao=EUA%20e%20Am%C3%A9ricas

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 06/02

A semana em que Zapatero deixou de rir

Por Begoña Íñiguez, correspondente da Cadena Cope

O Presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, acaba de viver a semana mais negra desde que ascendeu ao cargo, em 2004. Os espanhóis e a opinião pública internacional estão perplexos face aos últimos acontecimentos que puseram o país vizinho no ponto de mira e cujas consequências imediatas foram a desconfiança dos investidores e a queda do Ibex 35, o índice da Bolsa de Madrid, que na quinta-feira perdeu cerca de 6%, a maior queda desde a descida histórica de Novembro de 2008.

O que sucedeu para que Zapatero tenha perdido o sorriso, a sua imagem de marca, que o identificava até agora? Os infortúnios, para o Presidente do Governo espanhol, começaram a 28 de Janeiro, no prestigiado Fórum de Davos, quando o puseram sentado junto dos seus homólogos da Letónia e da Grécia – as economias que estão no fundo da tabela da Europa. O socialista, que não sabe inglês nem nenhuma língua estrangeira, teve o azar de ver avariado, naquela sessão, o sistema de tradução simultânea. Tiveram de pôr ao seu lado uma tradutora de inglês, com o consequente embaraço que isso lhe provocou, agravado pelas perguntas comprometedoras sobre a delicada situação da economia espanhola.

No dia seguinte, o seu Governo anunciava de surpresa uma proposta de lei para elevar a idade da reforma dos 65 para os 67 anos. Mas o verdadeiro temporal ocorreu esta semana, quando o Executivo de Madrid enviou à Comissão Europeia o programa de estabilidade para o período 2009-2013, sem explicar aos espanhóis, nem aos restantes grupos políticos, que pretendia elevar para 25 anos a base para calcular as pensões, que actualmente está fixada em 15 anos. Mal se conheceu a notícia, os sindicatos ameaçaram com uma greve geral.

Se a tudo isto acrescentarmos os últimos dados do desemprego, que põem Espanha à cabeça da Europa, com mais de quatro milhões de desempregados – cerca de 20% da população activa – e as advertências do comissário europeu Joaquín Almunia, perceberemos a desconfiança dos investidores e a queda das intenções de voto em Zapatero. As últimas sondagens dão ao PP, principal partido da oposição, uma vantagem sobre o PSOE, do primeiro-ministro.

Duras críticas internacionais

Os analistas internacionais questionam a liderança e o modelo económico aplicados por Zapatero e pelo seu Governo. Nas páginas de jornais prestigiados, como o Financial Times e o New York Times, puderam-se ler as críticas mais duras, como as do Nobel da Economia Paul Krugman, para quem “Espanha é hoje uma séria ameaça para a estabilidade da zona euro”.

O futuro do chefe do Governo espanhol

O futuro de Zapatero está mais em aberto que nunca. Numa altura em que ainda não anunciou se tenciona ou não apresentar-se a um terceiro mandato, esta semana ouviram-se em público as primeiras vozes críticas no seu partido, o PSOE: Vozes como a do presidente de Castela-A Mancha, José Maria Barreda, que pediram mudanças na equipa governativa.

(http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1487855&seccao=Europa)

DW – Rádio (Língua Portuguesa) – 03/02

A situação em Cabinda passa à margem da agenda política e diplomática do Governo português.

Por João Carlos

Os movimentos (político e associativo), que em Portugal defendem a causa do povo daquele território, dizem que Cabinda ainda é um tabu, não havendo sequer por parte de Lisboa qualquer posição sobre as constantes violações dos direitos humanos. Além disso, a representação da FLEC queixa-se de uma certa privação à mobilidade.

(www.dw-world.de/portuguese)


Sobre o recorrente debate da burca em França

A burca contra a liberdade das mulheres

È horrivel… privar-se dos saldos até este ponto!

(http://www.philippetastet.com/burqa-femmes-soldes-presse.aspx)

Os scanners corporais, entre hoje e ontem

Por Abel Faivre(1867-1945), Le Rire, 19/5/1900.



“Dites, monsieur le douanier, est-ce comme fonctionnaire ou comme amoureux ?”

(“Disse-me Senhor o alfandegário, é como funcionário ou como namorado?”)

(http://www.caricaturesetcaricature.com/article-6211743.html)

RFI – 30/01

Polêmica obra de Oscar Niemeyer é inaugurada na Itália

Por Adriana Niemeyer

O auditório de Ravello, cidade localizada na Costa Amalfitana no sul da Itália, foi finalmente inaugurado, 10 anos depois do arquiteto Oscar Niemeyer ter entregue o projeto da obra. A inauguração oficial aconteceu na quinta-feira e o prédio ganhou o nome de Auditório Oscar Niemeyer. O primeiro dia de evento foi marcado por uma mostra sobre a trajetória do arquiteto brasileiro na Itália, nos seus 102 anos de vida e uma apresentação da Escola do Teatro Bolschoi do Brasil, que tem sede no jardim de Joinville, em Santa Catarina.

A construção do prédio enfrentou muitas resistências e foi motivo de luta política regional. Os moradores mais conservadores da região eram contra a construção de uma obra de formas modernas e arrojadas em uma cidade medieval, considerada patrimônio mundial. A polêmica durou mais de sete anos até que a primeira pedra fosse colocada no terreno em declive e com vista para o mar.

De acordo com os construtores e operários, a maior vitória foi conseguir terminar uma obra tão importante no sul da Itália, lugar onde as máfias costumam controlar todos os empreendimentos. Segundo o mestre de obras Ciro Salvatore, este foi o trabalho mais difícil, mas também o mais bonito que realizou. Referindo-se as palavras do próprio Niemeyer, “a obra è inspirada no corpo de uma mulher”.

O idealizador do projeto, o sociólogo Domenico De Masi, amigo pessoal de Niemeyer, disse à Radio France Internacional que “teria sido muito negativo, não só para a Itália, mas para toda humanidade não ter vencido essa difícil batalha”. Ele acrescentou que o “direito à beleza è um direito de todos independentemente dos partidos políticos, das lutas de poder e dos interesses financeiros”.

Para o assistente de Niemeyer, o engenheiro José Sussekind, este projeto “nasceu de um forte sentimento de amizade”, e da ideia de que o auditório irá transformar a vida da cidade, com a música, cultura e o turismo que não ficará mais limitado apenas ao verão.

Para ouvir o áudio da reportagem: http://www.rfi.fr/actubr/articles/121/article_15349.asp

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 19/12

Haidar coloca Espanha entre espada e parede

Por Virginia López, correspondente do ‘El Mundo’

A activista saraui Aminatu Haidar, em greve de fome durante mais de 30 dias, colocou o Governo espanhol entre a espada e a parede. Se por um lado, o Executivo de José Luis Zapatero se considera o grande aliado da causa sarauí, por outro, Espanha não quis adoptar uma atitude agressiva contra Marrocos para não pôr em causa as relações bilaterais. Desde 14 de Novembro, data em que a activista chegou ao aeroporto de Lanzarote, nas Canárias, expulsa pelas autoridades marroquinas da sua cidade natal, El Aiún, o conflito por resolver do Sara Ocidental despertou nos media e na memória colectiva dos espanhóis. A greve de fome que Haidar fez em território espanhol recorda a dívida que Espanha tem para com o povo saraui. A activista de 42 anos disse estar disposta a morrer pela causa e acusou a Marrocos de desejar a sua morte. Mas Espanha soube desde o primeiro momento que não podia permiti-lo pelo que era preciso encontrar uma solução para o conflito, de maneira a não carregar também com essa responsabilidade sobre a sua memória histórica.

Mas Haidar rejeitou as opções apresentadas por Madrid para poder regressar a casa. A activista rejeitou o asilo político, assim como também rejeitou solicitar um novo passaporte às autoridades marroquinas porque disse que já tem o que lhe retiraram. Também não aceitou solicitar a cidadania espanhola porque defende que é saraui. Para ela, nenhuma destas três saídas apresentadas pelo governo espanhol resolviam a raiz do conflito.

Para compreender a luta de Haidar é preciso recuar até 1975, aos últimos dias da ditadura de Franco, quando Espanha paralisou o processo de descolonização do Sara Ocidental sob o auspício da ONU, devido às pressões de Marrocos e da Mauritânia, que posteriormente invadiram o território, após a Marcha Verde. A Frente Polisário iniciou uma guerra pela independência do Sara Ocidental que lançou dois terços da população saraui para campos de refugiados. Em 1991, declarou-se o cessar-fogo mas o referendo pela autodeterminação tem sido adiado por culpa de Marrocos. A defesa da realização da consulta popular pela autodeterminação já valeu a Haidar a prisão. No entanto, é do exterior que vem o reconhecimento tendo ganho vários prémios internacionais, que serviram para reacender a chama da causa saraui.

O Rei Mohamed VI de Marrocos acusou Haidar de organizar um complô com a Frente Polisário e com a Argélia para desestabilizar a região. Zapatero, atingido por um problema que Espanha não pode continuar a ignorar, insistiu na capacidade do seu governo para encontrar uma solução por via diplomática e sem enfrentar Rabat. Mas não é só o regresso de Haidar ao El Aiún que está em causa, mas também encontrar uma solução para o povo sarauí.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1451319&seccao=Europa

Rádio Renascensa – Programa Visto de Fora – 13/11

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O programa “Visto de Fora” da última sexta-feira, dia 13, contou com a participação dos jornalistas Olivier Bonamici, da France Inter e Begoña Íñiguez, da Cadena Cope. As escutas das conversas entre Armando Vara, figura central no caso de corrupção Face Oculta, e o Primeiro-ministro José Sócrates foi um dos temas do programa. Os jornalistas também comentaram o play-off de apuramento para o Mundial de Futebol de 2010, que aconteceu sábado, entre outros temas.


Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 07/11

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Mariano Rajoy cala os seus rivais internos

por Begoña Íñiguez, correspondente da Cadena Cope

O líder do Partido Popular e da oposição em Espanha, Mariano Rajoy, sofre desaire atrás de desaire e, esta semana, teve de pôr na ordem as cores conservadoras e dar um muro na mesa para limpar as águas sujas que salpicaram, mais uma vez, a cúpula do PP.

O que levou Rajoy a perder a sua habitual calma e proclamar no Comité Executivo do seu partido que não haverá uma próxima vez? A gota de água que fez transbordar o copo ocorreu há dias, quando o vice-presidente da câmara de Madrid, Manuel Cobo, criticou publicamente a poderosa presidente da Comunidade Autónoma de Madrid e membro da Comissão Nacional do PP, Esperanza Aguirre, por querer impor o seu critério e nomear como presidente da Caja Madrid, a segunda maior caixa de poupanças espanhola, o seu delfim e vice-presidente, Ignacio González. Esta luta interna fez correr rios de tinta nos principais meios de comunicação em Espanha. Diante de semelhante confusão, Rajoy teve de actuar rapidamente, exigindo a Aguirre que retirasse o seu apoio a González e aceitasse Rodrigo Rato, o candidato preferido do líder do PP e da maioria dos pesos-pesados do partido.

Rato, ex-director do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi vice-primeiro-ministro e ministro da Economia durante o Governo de José María Aznar, entre 1996 e 2004. E era apontado por muitos como seu sucessor à frente do PP, tendo Rajoy acabado contudo por ser eleito.

O primeiro sinal de vitória de Rajoy neste ringue chegou quando Esperanza Aguirre reconheceu, finalmente, que Rodrigo Rato era o melhor candidato para presidir à Caja Madrid. E a segunda, apesar de ser uma meia vitória, aconteceu depois, após a convocação urgente do Comité Executivo Nacional do PP. E digo uma meia vitória porque Aguirre não apareceu na reunião e a sua justificação foi que assim os seus companheiros “podiam falar de forma mais tranquila”. No final da reunião extraordinária, Rajoy falou de forma clara para dizer que “não haverá uma próxima vez”, referindo-se, sem dúvida, a este tipo de lutas internas e disputas de poder. Todos os olhos estão agora postos em Aguirre. Os analistas políticos vêem-na mais fragilizada que nunca. As duras palavras de Rajoy são uma última oportunidade para a presidente da região de Madrid. Mais uma “das suas” poderá resultar na sua suspensão do partido, como aconteceu com Manuel Cobo, que mantém contudo o seu cargo na câmara de Madrid, ratificado pelo presidente, Alberto Ruiz Gallardón, inimigo acérrimo de Aguirre e eterno aspirante a presidir ao PP.

Neste cenário de lutas partidárias, salpicadas pelo caso Gürtel, que já cobrou em Valência, feudo do PP, a sua primeira vítima por suposto tráfico de influências na figura de Ricardo Costa, o ex-secretário regional, Mariano Rajoy venceu a sua primeira batalha. Mas a margem estreita-se cada vez mais para o líder do PP. Não pode haver uma próxima vez, como prometeu. No caso de haver mais rebeliões internas, conseguirá Rajoy sair ileso?

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1412956&seccao=Europa

Rádio Renascensa – Programa Visto de Fora – 06/11

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O programa “Visto de Fora” do dia 06, conduzido por Anabela Góis, recebe os jornalistas Anete Ferreira, do jornal Estado do Maranhão e José Mussuaili, da Caras Angola. A polémica que envolve o processo Face Oculta foi debatida no programa, bem como o programa do Governo, e a atitude do Primeiro-ministro nos primeiros dias de debate no parlamento. O jornalistas também falaram sobre a avaliação dos professores.


Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 31/10

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“Cidade maravilhosa” e hiperinvestimentos

por Renato Mendes

As imensas reservas de petróleo descobertas na região do pré-sal – com início da produção em larga escala programada para 2015 –, a realização do Mundial de Futebol em 2014, e os Jogos Olímpicos de 2016, são eventos de alcance global responsáveis por tornar o Rio de Janeiro no centro de investimentos do Brasil na próxima década. Esta onda de hiperinvestimentos reforça a ideia de um Brasil ufanista alimentada ao longo dos últimos anos, principalmente no mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva. Internamente, o incontestável resultado desta estratégia política são os índices de aprovação do presidente, superiores a 80%. Lula acredita que o futuro económico do Brasil nos próximos dez anos será a redenção para o povo.

Comenta-se na imprensa brasileira que o ano 2000 é o marco zero do “Brasil potência” e que durante a próxima década a economia brasileira poderá subir três posições no ranking das maiores do mundo, passando a ocupar o 5º lugar. Argumentos não faltam: o mercado interno é grande e está em expansão; o sector industrial brasileiro é diversificado; o Brasil é um dos maiores produtores de bens de primeira necessidade; possui um sistema financeiro sólido; terá uma das maiores reservas de petróleo do planeta; o país liderou o G20 e possui grande visibilidade internacional; e por fim, serão investidos milhares de milhões de reais no Mundial de Futebol e nos Jogos Olímpicos.

Dois dias após a escolha do Rio como sede das Olimpíadas, as Nações Unidas divulgaram o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, onde o Brasil ocupa o gravíssimo 75º lugar. O Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo, em que os 10% da população mais ricos possuem 43% da riqueza do país, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 1% da riqueza. Para entender a origem destas desigualdades é necessário uma perspectiva ampla, abrangendo o passado histórico, sem desconsiderar as dimensões continentais do país e a escravidão em sua formação, que é o paroxismo da exclusão social.

O Brasil bateu Barack Obama e os Estados Unidos da disputa pelos Jogos Olímpicos, mas não tirou do poder o corrupto presidente do Senado, José Sarney. O Estado tem a Petrobras, a maior empresa da América Latina, cuja facturação anual é maior que o PIB de vários países, no entanto é incapaz de encontrar soluções para temas como a violência e a discriminação, que emergem de um estado de opressão socioeconómica perpetrada sobre os pobres e miseráveis do Rio e de todo o Brasil, pela classe política e elites brasileiras.

Não se contesta a ascensão do Brasil na geopolítica internacional. Mas esta condição também amplifica e irradia uma face subdesenvolvida e perversa do país, actualmente simbolizada pelas tensões sociais do Rio. A expectativa é grande para que o Rio, na próxima década, seja mesmo transformado numa cidade maravilhosa.

Reservas pré-sal e Pronasci no Rio

O pré-sal será instrumento económico de fomento para indústria brasileira, disse esta semana a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O contributo da Petrobras para a indústria atingirá o montante anual de 20 mil milhões de dólares. A estatal é a única operadora das reservas petrolíferas, logo, responsável para definir os contratos para a exploração, o que justifica o montante.

Foi anunciada pelo ministro da Justiça do Brasil, Tarso Genro, a possibilidade de se criar um Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), especialmente para os Jogos Olímpicos de 2016. A iniciativa terá como objectivo principal garantir a realização pacífica e estável dos Jogos no Rio de Janeiro. O valor do investimento ainda não foi divulgado.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1406629&seccao=CPLP

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 24/10

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Escândalo no PP debilita Mariano Rajoy

por Virginia López (El Mundo)

Há menos de um mês, Mariano Rajoy surgia nas sondagens como o favorito para vencer as próximas eleições em Espanha. Mas na última semana a popularidade do actual líder da oposição começou a cair. Foi após a sua intervenção directa no Caso Gürtel, a investigação que desde Fevereiro se desenvolve na Audiência Nacional por um alegado caso de corrupção no interior do Partido Popular, que já atingiu a altos responsáveis do partido e conduziu a várias demissões. A mais recente foi ordenada directamente pelo próprio líder conservador Mariano Rajoy. Foi essa decisão a que agora lhe está a custar a perda de confiança por parte dos seus apoiantes. Mais de 70% dos eleitores do PP consideram que a sua má gestão da crise política aberta no partido pelo Caso Gürtel o afasta do governo de Madrid. Segundo o mesmo inquérito, 30% dos eleitores do PP estão insatisfeitos com a actuação do líder popular e 50% acredita que Rajoy não demonstrou autoridade suficiente para ultrapassar a crise.

Apesar das investigações do Caso Gürtel abrangerem várias autarquias governadas pelo Partido Popular, a imprensa espanhola dedicou o maior destaque às suspeitas vindas do governo regional de Valência, no qual foram arguidos, entre outros nomes, o presidente Francisco Camps, e o seu braço direito, o secretário-geral, Ricardo Costa. As distinções que Rajoy fez entre um e outro foram alvo de contestação e puseram em causa a sua liderança. Por um lado, Rajoy pediu a demissão do número 2 valenciano, Ricardo Costa, com o argumento de que o seu cargo de secretário-geral implicava um “acréscimo de responsabilidade política”; mas por outro, quando questionado pela imprensa porque não aplicava o mesmo critério ao número 1 valenciano, o presidente Camps, Rajoy simplesmente disse que este nunca lhe tinha mentido, pelo que o nível de confiança depositado nele mantinha-se inalterado.

Muitos eleitores do Partido Popular não perceberam o apoio de Rajoy a Camps. O presidente valenciano poderia ter participado, a troco de subornos, no jogo das adjudicações de contractos ilegais às empresas fantasmas do principal arguido na investigação, o empresário Francisco Correia, cujo apelido, traduzido ao alemão, deu nome ao Caso Gürtel.

O Caso Gürtel também salpica o governo

A investigação liderada pelo juiz Baltasar Garzón ainda vai dar muito que escrever. O Partido Popular denunciou esta semana que a corrupção também chega até o actual governo socialista. Os populares asseguram que em 2004 o executivo de José Luis Rodríguez Zapatero adjudicou contractos no valor de 300 milhões de euros a empresas relacionadas com o empresário Francisco Correia.

Opel: mais uma década em Espanha

Dos 1.672 despedimentos que a Magna tinha previsto fazer na fábrica espanhola de Opel, os sindicatos conseguiram reduzir o número para 900. Garantiram ainda que a produção da fábrica de Saragoça permanecerá intacta até o verão de 2011. Para o ministro de Indústria espanhol, este acordo assegurará o futuro de Opel em Espanha durante os próximos dez anos.

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Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 19/09

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Falar em húngaro pode ser delito na Eslováquia

por Katalin Muharay, correspondente do semanário HVG de Budapeste

Uma lei que obriga a minoria húngara na Eslováquia a usar o eslovaco na administração pública, considerada por muitos discriminatória, é o último episódio da guerra diplomática entre os piores vizinhos da UE. Os cerca de 500,000 húngaros que habitam a Eslováquia arriscam-se a pagar multas de entre 100 e 5.000 euros se comunicarem na administração pública e local na língua magiar, numa medida que segundo o governo de Bratislava visa “proteger a língua eslovaca”.

Esta limitado o uso da língua húngara entre os membros da mesma minoria nos serviços como correios, telecomunicações, transportes, forças de segurança, saúde pública ou bombeiros.A emenda à lei da língua também prevê que qualquer memorial, monumento ou sinalética em húngaro passe a ter uma tradução ao eslovaco aprovada pelo Ministério da Cultura e de tamanho igual ou superior ao texto em húngaro.

“Esta lei prejudica não só os húngaros, como o espírito da integração europeia e os valores democráticos,” foi como o polaco Jerzy Buzek, presidente do Parlamento Europeu, descreveu a lei aprovada este verão pelo parlamento eslovaco.Analistas observam que desde a chegada ao governo do primeiro-ministro social-democrata Robert Fico a situação da comunidade húngara tem vindo a agravar-se, sobretudo devido à surpreendente presença no governo de coligação do Partido Nacional Eslovaco, de extrema-direita e abertamente anti-húngaro.

Num episódio inédito na diplomacia da UE, o Presidente Húngaro László Sólyom foi impedido em Agosto de entrar no país por tencionar participar numa cerimonia da comunidade húngara como cidadão privado, sendo parado por forças de segurança eslovaca a meio duma ponte que liga os dois países.

Para muitos Eslovacos, a própria língua e cultura continuam ameaçadas por uma Hungria alegadamente irredentista e por isso mesmo a palavra autonomia, às vezes proferida por líderes políticos da minoria  húngara na Eslováquia e por políticos da Hungria, é sinal de ambições territoriais. Estudos feitos entre jovens eslovacos mostram que a antipatia contra a minoria húngara começa bem cedo e que a desconfiança entre as duas comunidades está a aumentar.

A recente reunião entre o primeiro-ministro húngaro Gordon Bajnai e Fico foi quase imposta pela UE que, sem querer intrometer-se, está a pressionar os dois lados para encontrar uma solução quanto antes, uma vez que o futuro não se apresenta prometedor. Com toda a probabilidade, o líder da oposição de direita húngara Viktor Orbán – um “extremista” segundo o vice primeiro ministro eslovaco Dusan Caplovic e um “defensor das minorias” – segundo os conservadores húngaros – será o primeiro-ministro a partir de 2010, sinal de que as relações poderão degradar-se ainda mais.

Entretanto Eslováquia prometeu ter em conta as observações da OSCE, que chamou a atenção para a formulação vaga da lei e o perigo de as autoridades abusarem das multas. Mas Fico terá de resistir à tentação de continuar a ceder às pressões nacionalistas que contribuam a torna-lo o político mais popular de sempre da Eslováquia democrática.

Problema herdado da I. Guerra

O desmantelamento do império Austro-Húngaro, derrotado na I Guerra Mundial, foi concluído em 1920 pelo Tratado de Trianon, que cedeu dois terços do território magiar aos países vizinhos, entre eles a Tchecoslováquia. A herança de Trianon ainda hoje sente-se: os 2 milhões e meio de húngaros que povoam os países vizinhos são fonte constante de fricções diplomáticas.

A política anti-húngara tem exemplos recentes: O Presidente Ivan Gasparovic foi reeleito este ano acusando a sua opositora Iveta Radicova de servir interesses nacionalistas húngaros, a mesma lógica seguida aquando da eleição de Vladimir Meciar em 1999. Na Europa, o único caso de tomar medidas restritivas contra uma língua minoritária, aconteceu na Espanha de Franco.

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Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 17/10

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Corruptos ou vítimas?

por Alison Roberts, jornalista freelance britânica.

No Reino Unido, o escândalo das despesas dos deputados, que dominou os média antes do verão, volta em cheio com a publicação em breve do relatório sobre o assunto. Na próxima segunda-feira, o auditor mandará cartas a centenas de deputados, realçando preocupações sobre certas despesas já recebidas, e convidando-os a devolvé-las.

Se por um lado o próprio primeiro ministro é convidado a devolver uma ninharia – £12 500 (€14 000) em despesas de limpeza e jardinagem – a outros é pedido que devolvam centenas de milhares. Muitos já ameaçaram não o fazer, sendo as despesas legais – e até aprovadas pelo gabinete em questão.

O actual regime foi criado nos anos 80 para assegurar aos deputados um dia-a-dia mais desafogada, numa altura em que era visto como politicamente impossível aumentar os salários. Foi a elasticidade deste regime na prática, finalmente revelado este ano pelo diário ‘Telegraph’, deputado após deputado, que escandalizou os eleitores.

Os deputados que agora rebelarem contra o auditor, arriscam reincendiar a raiva que parecia adormecida. Na verdade, este escândalo está prestes a revolucionar a política: estima-se que até a metade dos da assembleia nem sequer vai recandidatar-se nas legislativas da primavera.

Nos círculos (no Reino Unido, são uninominais) cujos titulares são vistos como gananciosos, activistas ameaçaram candidatar-se directamente contra eles. Mesmo sem uma tal ameaça, espera-se que os eleitores votariam em tais números contra os ‘culpados’ que nem valeria a pena candidatar-se. Outros deputados que se sentem injustiçados pela ‘caça às bruxas’ reformam-se para evitar situações desagradáveis.

Está ainda fresco na memória o caso de Neil Hamilton, suspeito nos anos 90 de receber dinheiro de ‘lobbies’ por interpelar ministros no parlamento (contra as regras mas nenhum crime). Nas eleições de 1997 foi esmagado pelo independente Martin Bell, apesar de ter a quarta maioria conservadora do país.

Antigo jornalista da BBC, o Bell fez campanha só contra a corrupção, vestindo sempre um simbólico fato branco. Ele permaneceu independente (o primeiro eleito em 55 anos) mas não há dúvida que o escândalo tenha ajudado o Tony Blair a conseguir a sua primeira vitória, graças ao tema corrupção.

Às vezes é difícil no desfraldar dos casos de ganância na política saber se estes dizem-nos mais sobre os políticos ou sobre a atitude dos eleitores.

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Rádio Deutsche Welle – 08/10

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Jornalistas sob pressão em Portugal?

por João Carlos

Duas dezenas de jornalistas de alguns dos principais órgãos da imprensa portuguesa estão a ser julgados, esta semana, alegadamente por violação do segredo de justiça no processo “Casa Pia”. Em parte, o julgamento nada terá a ver com as pressões de ordem política de que são vítimas alguns dos profissionais da Comunicação Social considerados incómodos, mas é um pretexto para questionar se estão ou não a ser violadas as liberdades de expressão e imprensa em Portugal?

(www.dw-world.de/portuguese)


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