Lula recebe Honoris causa e oferece a José Alencar

por Thiago Mourão

O ex-presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, recebeu no último dia 30,  na Universidade de Coimbra o título de Doutor “Honoris Causa”. A cerimônia contou a presença do presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, do primeiro-ministro português, José Sócrates, e do presidente de Cabo Verde, Pedro Pires. A atual presidente do Brasil, Dilma Rousseff, em viagem oficial por Portugal também esteve presente.

Lula relembrou os avanços conquistados pelo Brasil em seu discurso de agradecimento: “Mais do que um reconhecimento pessoal, acredito que esta láurea é uma homenagem ao povo brasileiro, que nos últimos oito anos realizou, de modo pacífico e democrático, uma verdadeira revolução econômica e social, dando enorme salto qualitativo no rumo da prosperidade e da justiça”.

A presidente do Brasil, foi citada por Lula em seu discurso, devido a sua contribuição no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A cerimônia foi acompanhada por um grande número de estudantes, ouviu-se manifestações de apoio, mas também de protesto, contra a construção da Barragem de Belo Monte, no estado brasileiro do Pará.

O ex-presidente recebeu a notícia do falecimento do ex-vice-presidente, José Alencar, no dia anterior à cerimônia e mostrava-se visivelmente abatido: “Nada disso teria sido possível, sem a colaboração generosa e leal daquele que foi o meu parceiro de todas as horas, um dos homens mais íntegros que já conheci, o inesquecível estadista que perdemos ontem, para consternação de toda a sociedade brasileira: o meu vice presidente José Alencar Gomes da Silva.”

Lula que recebeu o convite para ser Honoris Causa ainda quando era presidente, decidiu que só aceitaria após deixar o cargo. O título que já foi concedido a ex-presidentes como Fernando Henrique Cardoso, Juscelino Kubitschek, entre outros. Lula dedicou a homenagem ao amigo José Alencar.

Após a homenagem Lula e Dilma Rousseff seguiram para Lisboa, de onde foram para Brasília, onde participaram das homenagens à José Alencar.

Lula e Louise Arbour recebem prêmio Norte-Sul

por Thiago Mourão

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, recebeu nesta terça-feira (29), em Lisboa, o prêmio Norte-Sul,

do Conselho da Europa, juntamente com  a canadense Louise Arbour, que foi alta comissária da ONU para os direitos humanos e procuradora do Tribunal Penal Internacional, investigando genocídios na antiga Iugoslávia e em Ruanda.  O evento que aconteceu na Sala do Senado da Assembléia da República, contou com a presença do presidente português Anibal Cavaco Silva, que entregou os prêmios ao ex-presidente brasileiro e à alta-comissária.

Lula foi aplaudido quando defendeu em seu discurso, “a reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para uma nova “governança mundial”, a retomada das negociações da Rodada de Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio), a mudança da supervisão das instituições financeiras e que a especulação com commodities seja reprimida”, se mostrando preocupado com a crise, que atinge a economia mundial desde 2008.

Cavaco Silva elogiou o ex-presidente brasileiro: “Os grandes líderes distinguem-se pela sua capacidade de traduzir ideais em realizações concretas e mobilizadoras da esperança. Esse é, indiscutivelmente, o caso de Lula da Silva”.

O prêmio Norte-Sul que acontece desde 1995 é entregue a uma personalidade do hemisfério norte e outra do sul. Nas edições anteriores distinguiu personalidades como Bob Geldof, Simone Weil, Mário Soares, Peter Gabriel, Stéphane Hessel, Graça Machel, a rainha Rania da Jordânia, Jorge Sampaio, entre outros. Na última edição teve como premiados o ex-dirigente soviético Mikhail Gorbachev e a ativista kuwaitiana Rola Dashti.

Lula agora segue para Coimbra, onde nesta quarta-feira (30), irá receber o título de doutor “honoris causa” da Universidade de Coimbra. A presidente Dilma Rousseff estará presente na premiação de seu antecessor e depois segue  para Lisboa, onde vai se encontrar com o presidente e com o primeiro-ministro de Portugal.

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 18/12

Brasil e o motor do seu desenvolvimento

por Jair Rattner, correspondente do ‘Estado de S. Paulo’

Em Outubro de 2008, quando os mercados financeiros internacionais entraram em ruptura, o Governo brasileiro encontrou a fórmula para não deixar a economia ir ao fundo. Seguindo o exemplo da China, que anunciou que ia pôr 460 mil milhões de euros para manter o ritmo da economia, o Brasil optou por fazer o mesmo mas com menos recursos. O instrumento usado foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).

A primeira injecção de capital foi de 100 mil milhões de reais, seguida de outra de 80 mil milhões. Grande parte foi para salvar empresas que tinham perdido apostas no mercado financeiro. É o dobro do total que o banco tinha previsto em empréstimos para 2008, totalizando 270 mil milhões de reais (mais de 120 mil milhões de euros) – mais do dobro do que empresta o Banco Mundial. O efeito no Brasil foi claro: o país teve um recuo de apenas 0,2% na economia em 2009 e este ano o PIB do país deverá crescer 7,5%, a maior taxa dos últimos anos.

Criado em 1952 como banco público de fomento à economia, o BNDES actua através de financiamentos com juros reduzidos – a taxa no Brasil é de 12% ao ano. Segundo os seus estatutos, os projectos financiados são os que forem considerados importantes para o desenvolvimento do país, especialmente os de ampliação da capacidade produtiva. Ficam de fora áreas como comércio de armas, motéis, saunas e jogos.

Nos últimos anos, além do trabalho com pequenas e médias empresas e de projectos como hidroeléctricas e ferrovias, a política do BNDES tem sido a de apoiar a criação de multinacionais de origem brasileira. Hoje, o JBS-Friboi é o maior produtor mundial de carne de bovinos, a Sadia/Perdigão é a maior exportadora mundial de carnes processadas. Empresas que já tinham grande dimensão, como a Camargo Corrêa, tiveram operações facilitadas pelos empréstimos do banco.

Mas o BNDES também gerou críticas à sua actuação. Para a ONG Ibase falta ao banco estratégia de política industrial. Para o economista Luíz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do banco, representa uma interferência excessiva do estado na economia. Também existe a preocupação do efeito inflacionário que pode ter o volume dos seus empréstimos.

Link:  http://dn.sapo.pt/inicio/globo/Interior.aspx?content_id=1737909&seccao=CPLP

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