Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 18/06

Falta de bom senso político em Espanha

Por Belén Rodrigo, correspondente do ‘ABC’

Quatro semanas depois das eleições municipais e regionais em Espanha, o panorama político não está a passar pelos seus melhores dias. Algumas comunidades continuam sem acordo para ter um Governo estável e os “indignados” levam mais de um mês a dar que falar. Já não se limitaram a protestar e nos últimos dias aconteceram actos de violência. O PSOE está preocupado com as próximas eleições que não quer antecipar e por momentos parece que esquece o dia-a-dia de um pais que precisa de ordem.

Enquanto algumas comunidades e câmaras dão posse ao presidente, outras continuam na luta para chegar ao entendimento. Ganhar as eleições não chega para presidir a um Parlamento porque senão se tem maioria absoluta e existe acordo entre outros partidos da oposição, o Governo fica nas mãos dos “perdedores”. Na Extremadura, por exemplo, onde ganhou o PP, um pacto entre PSOE e IU(Esquerda Unida) pode colocar de novo aos socialistas no poder. Mas parece que o PP e a IU estão a aproximar posições e poderia dar numa coligação entre duas forças políticas tão diferentes ideologicamente. As Astúrias também estão a dar problemas porque o vencedor Foro de Asturias, como ex-popular Álvarez-Cascos à frente, não se entende como PP e já se fala de um Governo PP/PSOE. A situação económica de Espanha não dá margem para se perder tempo com brigas internas. O bom-senso devia imperar mas há tempos que deixou de existir entre os políticos , ou pelo menos é isso o que transmitem aos cidadãos.

Mas o que está a dar que falar é o movimento “15M”. Na quarta feira os deputados catalães tiveram de entrar no Parlamento de helicóptero, porque o edifício estava tomado pelos “indignados”. Fica assim uma triste imagem da Democracia espanhola .Até agora todos olhavam com simpatia para estes jovens porque muitas das suas reivindicações (algumas utópicas) faziam sentido, todos queremos viver num mundo melhor demais justo. Passamos dias e vemos sinais de violência, a situação está a fugir das mãos dos responsáveis políticos. Zapatero diz “não” quando perguntam se está preocupado com os indignados mas depois a Moncloa teve de rectificar. É evidente que o movimento está dividido, à deriva  após um mês de protestos, e cresce a agressividade.

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 05/03

O travão do Governo espanhol

por Belén Rodrigo, Correspondente jornal ABC

“A 110 km por hora é difícil manter-se acordado”. É a reacção de Fernando Alonso a nova medida do Governo espanhol de diminuir a velocidade máxima em auto-estradas e circulares das grandes cidades para poupar no consumo de combustíveis no país. Mas ne sequer é preciso ser campeão de Fórmula 1 nem um apaixonado pela velocidade para perceber que esta sorprendente noticia de descer dos 120 Km/h actuais para os 110 Km/h pode resultar perigosa para os conductores. Ainda por cima, com os potentes carros que existem, os espanhóis vamos ter que viajar com o pé no travão para não ser multados.

Trata-se de uma medida transitória, em vigor a partir do 7 de Março, que será mantida até à normalização do preço do petróleo. Mas pensamos todos, não há outra forma de poupar combustível? Por quê mais uma vez o espanhol tem que ser castigado? Crise, desemprego, proibido de fumar, subida dos preços, inclusive o tabaco…. e agora o limite da velocidade. Detesto o tabaco mas até tenho pena da persecução que tem os fumadores em Espanha desde Janeiro e há partes da nova lei anti-tabaco que roçam o ridículo. E agora também nos é proibido dirigir a uma velocidade moderada, semelhante ao do resto de paises europeus.

Zapatero e a sua equipa prentedem poupar 18 milhões de barriles de petróleo por ano, quer dizer, 1400 milhões de euros menos. Mas deve afrontar as despesas de 250 mil euros para os adesivos com o novo limite de velocidade em mais de seis mil sinais existentes nas autoestratadas e autovias de Espanha. O Governo calcula que se esta medida é aplicada até o fim do ano o Estado vai deixar de receber mais de 600 milhões de euros relativos aos impostos do combustível que não vai ser vendido. E essa diferença de dinheiro, vai ser recuperada com o aumento de multas? Resulta difícil acreditar que em tempo de crise o Estado admita receber menos dinheiro por isso estamos todos a espera de um maior control de radares.

As reacções à medida são muitas, e até há pessoas que a recebem com bons olhos. Entre elas Associações de Vítimas de Accidentes rodoviarios (no 2010 faleceram 1700 pessoas). O Partido Popular tem sido o mais crítico com a medida do Governo e a conisdera “soviética”, “extrema” e um “disparate”.

E agora, quê medida vem a seguir?

Poupança mínima

Já são muitos os que experimentaram fazer as viagens com as novas medidas para confirmar que a poupança é mínima. Um jornalista galego comprovou que viajar desde a Galiza até Madrid pela A-6 a 110 km/hora permite uma poupança de 1,8 euros e um aumento da duração da viagem de uma hora. Compensa?

Novos sinais

Como em tudo há sempre alguém que fica contente com a medida. Neste caso trata-se de uma empresa de Alicante que fabrica lâminas com ímã para colocar por cima das actuais sinais. Esta empresa, fundada em 2009 por tres desempregados, já recebeu mais de 500 encomendas. O preço de cada lâmina é de aproximadamente 50 euros.

Este artigo foi publicado na edição imprensa do dia 05 de Março de 2011.

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 22/01

Torre de Babel no Parlamento espanhol

Por Belén Rodrigo, correspondente do ABC

Em tempos de crise e de cortes sociais na política espanhola acontecem coisas sem pés nem cabeça. Desde a passada terça-feira na Câmara Alta (o Senado) podem ser utilizadas as línguas co-oficiais: catalão, basco, galego. Para implementar tal medida, e que os senadores percebam o que dizem os colegas, são precisos tradutores que recebem 515 euros por dia independentemente das horas de trabalho. Além dos 350 mil euros do orçamento anual do Senado para cobrir estas despesas temos que somar os 4500 euros gastos na compra dos 400 aparelhos de tradução.

Num país onde todos falam castelhano, os discursos dos senadores passam agora a ser feitos na língua da sua região mas, curiosamente, quando deixam o seu lugar na câmara alta e estão nos corredores, ouve-se sobretudo a língua de Cervantes. Esta Torre de Babel está a dar que falar e para muitos traduz a debilidade do PSOE frente aos seus aliados nacionalistas.

O partido do Governo teve que ceder para conseguir o apoio noutras áreas. E enquanto o PP rejeita esta medida e diz ser absurda num país onde todos falam a mesma língua, o presidente do Governo diz que é o sistema “idóneo”.

Mas a Torre de Babel não é o único tema quente da semana política de Espanha. A Catalunha vive uma grave crises financeira e o novo chefe do governo regional, Artus Mas, espera uma negociação difícil com o Executivo de Zapatero para chegar a um acordo.

A Administração pública da Catalunha está na ruína e o Governo quer agora um pacto fiscal similar ao chamado “concerto económico”. A Generalitat tem que apresentar o seu plano de estabilidade financeira, quer dizer, demonstrar a viabilidade das contas catalãs que têm um défice de 7 800 milhões de euros.

Link: http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1763470&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 15/01

A ETA está mais fraca e mais só

Por Virginia López, correspondente do ‘El Mundo’

Os espanhóis estão cansados da violência e não acreditam em nenhum comunicado da ETA que não inclua de forma específica a sua intenção definitiva de deixar as armas. Por isso, o comunicado de segunda- -feira, onde o grupo terrorista basco anunciou um “cessar-fogo permanente e geral”, foi considerado insuficiente, tanto pelo Governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero, como pela maior parte da sociedade espanhola e basca. Por trás desta estratégia há uma série de matizes que devem ser tidos em conta no momento de analisar até que ponto estamos perto do fim do terrorismo em Espanha. O primeiro, a proximidade das eleições no País Basco, que se realizam em Maio. Nelas, não pode participar o Batasuna, partido ilegal em Espanha desde 2002 por ser considerado o braço político da ETA. Tanto o Governo como o principal partido da oposição, o Partido Popular, deixaram claro à Izquierda Abertzale (esquerda radical basca) no pacto terrorista que não estará na vida democrática da região enquanto continuar a ser o porta-voz da ETA. Pela primeira vez parece que o Batasuna está a fazer exigências à ETA para que finalmente se possa encontrar uma saída democrática para o País Basco, com eles como agentes activos. Mas Madrid é firme e garante que o Batasuna não estará nas eleições enquanto não houver provas claras de que se afastam definitivamente da ETA e as provas claras de que a ETA abandona de uma vez por todas as armas.

E sem condições. Desde a trégua de 2006, quando o Governo acreditou estar a iniciar um processo de paz – interrompido com o atentado no aeroporto de Madrid em que morreram duas pessoas -, as forças de segurança espanholas, apoiadas por França e Portugal, actuaram com contundência contra a ETA, detendo os seus principais membros e logrando debilitar o grupo terrorista. Os espanhóis sabem que o fim da ETA está perto e a ETA também sabe, pelo que trata de tirar proveito da sua rendição. Mas a sociedade espanhola não vai permitir porque não esquece as 839 pessoas assassinadas desde que os terroristas começaram a actividade, nos anos 60. Então, contavam com o apoio de muitos espanhóis porque enfrentaram o franquismo, mas na actual democracia a ETA ficou só e mais fraca que nunca.

Link: http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1757598&seccao=Europa&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%253A+DN-Globo+%28DN+-+Globo

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 11/12

Raiva em Espanha contra os controladores aéreos

por Virginia López, correspondente  El Mundo

No passado fim-de-semana, 440 controladores aéreos abandonaram os seus postos de trabalho devido a repentinos ataques de ansiedade. Como consequência, foi fechado o espaço aéreo durante 24 horas, o que provocou o caos nos aeroportos espanhóis, com mais de 650 mil afectados. Era véspera da maior ponte do ano, pelo que tanto os que iam de férias como os que os esperavam no destino para fazer negócio estão mais do que chateados. Toda a raiva dos espanhóis, tantos os que iam viajar de avião, como praticamente o resto da sociedade, foi canalizada numa mesma direcção: o reduzido e privilegiado colectivo dos controladores aéreos.

A primeira e fundamental razão são os salários astronómicos que, em tempos de crise e tendo em conta que é um serviço estatal, provocam o descontento dos cidadãos. Segundo a AENA, a empresa que gere os aeroportos, em 2009 o salário médio de um controlador era de 350 mil euros anuais, ainda que alguns atingiam os 700 mil euros ao ano, graças a um convénio laboral assinado em 1999, com o então Governo conservador de José María Aznar, no qual também se incluía a autogestão e o controlo dos acessos à profissão.

Este ano, o ministro de Transportes espanhol, José Blanco, disse: “Já chega aos privilégios insustentáveis dos controladores.” Após inúmeras e infrutíferas reuniões com os sindicatos, o Governo estabeleceu um máximo de horas extras – onde mais ganhavam os controladores – e reduziu os salários em 40% até uma média de 200 mil euros anuais.

Mas os controladores aéreos sabem que são poucos e que têm de facto o controlo aéreo porque não é fácil substitui-los por militares ou outros profissionais, já que é preciso semanas de formação e condições especiais para trabalhar. Por isso, ao longo da última década defenderam os seus privilégios com ameaças de greve que muitos espanhóis entendem por chantagem.

Se no dia 3 os controladores tivessem convocado uma greve normal, provavelmente o resto da sociedade teria, no mínimo, ouvido os seus argumentos -falam do excesso de trabalho e do stress que provoca a sua profissão. Mas a greve encoberta e ilegal que deixou importantes prejuízos económicos, no difícil momento que passa Espanha, pôs o resto dos espanhóis contra eles.

Até 8 anos de prisão

O Ministério Público vai pedir até oito anos de prisão para os controladores aéreos que abandonaram os seus postos de trabalho alegando motivos de saúde. O abandono colectivo dos aeroportos, com a paralisação do espaço aéreo do país é um delito “muito grave” penalizado pela lei de navegação. Além disso, milhares de passageiros reclamarão indemnizações aos controladores.

Estado de alarme pela primeira vez

Nunca se tinha activado o estado de alarme em Espanha até que o presidente Rodríguez Zapatero recorreu aos militares para restabelecer a ordem no espaço aéreo do país. A oposição conservadora apoiou a medida mas culpa ao governo socialista de ser o responsável pela crise do passado fim-de-semana por não ter conseguido negociar com os controladores previamente.

Link: http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1732374&seccao=Europa

El Correo Gallego – 02/12

Portugal, ¿y ahora qué?

Por Begoña Íñiguez, correspondente

Portugal se encuentra en un laberinto de difícil salida tras la aprobación de los presupuestos de 2011, los más duros y con más recortes de los últimos tiempos, con los mercados presionándole cada vez más para que sanee sus cuentas públicas y cumpla sus objetivos de reducir el déficit, del 9,5% al 4,6% el próximo año.

A lo largo de los casi ocho años que llevo viviendo en Lisboa me he acostumbrado a escuchar en los cafés y restaurantes la palabra crisis instalada con tristeza, como un comensal más. El pesimismo que invade a nuestros vecinos es tal que resulta difícil ver sonreír a alguien en la calle.

En 2005 fueron muchos los que depositaron sus esperanzas en el socialista José Sócrates para emprender nuevas políticas que llevaran a una mejora de Portugal. Pero no ha sido así. La determinación de Sócrates durante su primer mandato, donde gobernó con mayoría absoluta mirando directamente a España y apostando por las grandes obras públicas como el AVE Madrid-Lisboa y Vigo-Oporto, ha dado paso, desde octubre de 2009, a un Ejecutivo débil y minoritario, con la crisis financiera internacional y el FMI pisándole los talones. Sócrates no ha conseguido cumplir sus promesas y parece hundido en su arrogancia. La negociación de los presupuestos de 2011 ha sido dramática y su aprobación se ha conseguido in extremis tras unas duras negociaciones con el Partido Socialdemócrata (PSD) de Pedro Passos Coelho, a quien las encuestas sitúan en primer lugar en intención de voto.

La terquedad de Sócrates le ha servido para mantenerse firme y no dejarse vencer por la presión de los mercados financieros para que recurra a la ayuda internacional, como ha sucedido con Grecia e Irlanda. ¿Pero hasta cuándo podrá aguantar Portugal la presión externa? Los mensajes de confianza del presidente de la República, el conservador Aníbal Cavaco Silva, defendiendo el consenso y la unión de todos los sectores de la sociedad portuguesa ante el chaparrón internacional, están siendo decisivos para alejar la amenaza del FMI. Cavaco, profesor de Economía, conoce mejor que nadie el vaivén de los mercados y a él se debe la mejor etapa de crecimiento del país, entre 1985 y 1995. En Portugal nos encontramos a las puertas de las elecciones presidenciales, el 23 de enero, a las que Cavaco se presenta por segunda vez, como claro favorito. Además, aunque se tuviera que recurrir finalmente a la ayuda internacional, la ley nacional no permite que hasta marzo de 2011 se celebren elecciones anticipadas. Habrá que esperar hasta después de esa fecha para conocer el rumbo político que tomará Lisboa. Mientras tanto, nuestros vecinos aguantarán, una vez más, con la paciencia contenida que les caracteriza, el gran temporal que se avecina, como demostraron en la huelga general del 24 de noviembre. Y en Galicia seguiremos esperando por la construcción del AVE Vigo-Oporto.

Link: http://www.elcorreogallego.es/opinion/ecg/portugal-agora/idEdicion-2010-12-02/idNoticia-616758/

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 20/11

Espanha e o medo de represálias de Marrocos

Por Belén Rodrigo, correspondente do ABC

Não são formas de ir embora de um país onde trabalhava há oito anos”, diz-me Luis de la Vega, correspondente do ABC em Marrocos. Há uma semana, o Governo marroquino tirou-lhe a sua acreditação como jornalista, em que se tem destacado pelo seu importante labor profissional. É a primeira vítima da falta de liberdade de expressão em Marrocos, mas outros colegas espanhóis estão a ter muitos problemas para contar o que lá está a acontecer.

Outros três jornalistas da Cadena Ser foram detidos pelas autoridades em El Aiún e enviados para o aeroporto, para serem expulsos do Sara Ocidental, por considerarem que eram um perigo para a ordem pública. “É totalmente falso que odiamos Marrocos, como dizem as suas autoridades. É um país fantástico, com pessoas fantásticas, mas neste momento, como jornalistas que somos, não podemos trabalhar como se fôssemos promotores turísticos”, esclarece Luis.

Desde o dia 8 que várias pessoas morreram em El Aiún, entre eles, possivelmente um espanhol. O Governo de Zapatero continua sem condenar o acontecido e insiste em “manter prudência”. Além de pedir esclarecimentos a Marrocos, assegura ter pedido um inquérito claro e independente. Agora, em conjunto com Rabat, está a escolher um grupo de jornalistas para viajar a El Aiún, mas as associações de jornalistas pedem ao Governo que não entre no jogo.

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Trinidad Jiménez, que assumiu o cargo há umas semanas, enfrenta um dos temas mais delicados das relações exteriores de Espanha. Controla as suas palavras porque teme represálias de Marrocos, mas desta vez é preciso ter coragem e enfrentar a realidade. Curiosamente, Trinidad Jiménez, enquanto candidata a presidente da Câmara de Madrid em 2003, exigiu ao Governo de Aznar que tivesse em conta a reivindicação histórica, legítima, do povo sarauí sobre o seu direito à livre autodeterminação. “Vão ter o nosso compromisso, o nosso apoio, colaboração e solidariedade”, disse nessa altura quem hoje é ministra. Felipe González, em 1976, mostrou o seu apoio público à causa sarauí. “O povo sarauí vai vencer a sua luta e vai vencer porque tem razão e porque tem vontade de lutar pela sua liberdade.”

E agora é preciso mostrar essa solidariedade, mas faz falta coragem, e hoje em dia a política tem muita falta dela

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1715401&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá 13/11

Espanha mostrou a sua diversidade a Bento XVI

Por Begoña Íñiguez, correspondente da rádio Cadena Cope

A visita do Papa a Santiago de Compostela e Barcelona serviu para ratificar a diversidade da sociedade espanhola, em que 76% da população diz ser católica, ainda que durante os últimos anos tenham crescido os não praticantes, agnósticos e pertencentes a outras religiões.

Apesar dos protestos prévios, a viagem foi um êxito, como declararam o embaixador de Espanha junto da Santa Sé, Francisco Vázquez, o presidente da Conferência Episcopal e o cardeal arcebispo de Madrid, Antonio María Rouco Varela.

Como se esperava, as manifestações tanto em Compostela como durante o percurso até à Basílica da Sagrada Família aconteceram sem conseguir prejudicar os objectivos de Bento XVI: defender a importância da Fé em relação ao laicismo em tempo de crise, apelar à tradição cristã da Europa e recordar os pilares do cristianismo, que são a família e a solidariedade.

Não é de estranhar que na sua segunda viagem a Espanha o Papa quisesse prestar homenagem a um dos eixos mais vivos da peregrinação e do catolicismo actual: o Caminho de Santiago, que culmina na catedral de Compostela, onde repousa o apóstolo Santiago. Bento XVI chegou como peregrino e disse que “peregrinar não é só visitar um lugar, é sair de nós próprios e ir ao encontro de Deus”.

Em Barcelona, consagrou como basílica um dos templos católicos mais belos da arquitectura contemporânea, a Sagrada Família, ainda inacabada, do arquitecto Antonio Gaudí. E foi ali que o Papa, ignorando os protestos na rua a favor do casamento homossexual, fez um novo apelo em defesa da família e da vida. Reafirmando que tudo o que seja feito para apoiar o casamento, a família e os mais necessitados contribui para o bem da sociedade.

Muito criticado por alguns sectores de Espanha foi o frio encontro, de apenas dez minutos, que mantiveram o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero e o Santo Padre no aeroporto de Barcelona, antes de partir para Roma. O mandatário socialista não participou nas cerimónias religiosas de Santiago e Barcelona. O recém-eleito número dois do Governo, Alfredo Pérez Rubalcaba, recebeu o Papa em Santiago.Os príncipes das Astúrias foram os anfitriões de Bento XVI durante a sua estada em Compostela e os Reis em Barcelona.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1709661&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 30/10

Mudança de Governo para recuperar confiança

Por Virgínia López, jornalista do El Mundo

Os espanhóis perderam a confiança no Governo socialista e são cada vez mais as vozes que se levantam para pedir a demissão do primeiro-ministro. Mas antes de abandonar o barco, José Luis Rodríguez Zapatero decidiu dar novo rumo à sua política. A 12 pontos de distância do conservador Partido Popular, os socialistas têm ano e meio – até às próximas eleições gerais – para dar a volta às sondagens e provar aos espanhóis que ainda são a melhor opção para Espanha.

Com esse objectivo, mudou o número 2 do Governo, cargo de onde sai a desgastada Teresa de la Vega e que agora ocupa o ministro de Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba – possível sucessor de Zapatero – e um dos políticos que melhor conhecem a política antiterrorista no País Basco, tema principal em fim da legislatura. Para o Ministério do Trabalho, Zapatero escolheu um ex-sindicalista da UGT, para impulsionar o diálogo social na difícil reforma das pensões. Muda o Ministério de Negócios Estrangeiros, em que a ex-secretária de Estado para a IberoAmérica tratará de recuperar a debilitada imagem de Espanha no exterior. A secretaria da organização fica nas mãos de um dos barões com mais peso no partido. No Ambiente aparece uma ex da Izquierda Unida, para chegar ao eleitorado socialista mais à esquerda. E na Saúde Zapatero põe a ministra mais jovem, a pensar no futuro do PSOE. Além das mudanças, foram extintos dois ministérios, sinal de poupança para acompanhar a política de contenção para reduzir o défice.

Mas são mudanças, todas elas, de marcado carácter político, mais do que económico, já que não houve alterações no Ministério da Economia. Com este novo Governo, Rodríguez Zapatero fecha uma etapa, quer recuperar a credibilidade e volta a comprometer-se em levar Espanha até bom porto. Mas não tem vida fácil, já que no meio da tormenta os socialistas continuam a ter de fazer face a uma crise económica que está a passar uma enorme factura à sociedade.

O maior icebergue a que o líder socialista terá de se esquivar para voltar a ganhar a confiança dos espanhóis é a taxa de 20% de desemprego, uma meta complexa, devido ao elevado défice e às baixas previsões de crescimento para os próximos anos, circunstância que, se as coisas não mudarem, poderá custar-lhe a reeleição.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1698839&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 16/10

A polémica sucessão de Rodríguez Zapatero

Por Belén Rodrigo, correspondente do ABC

Há muitos meses que começou o debate sobre a sucessão de José Luis Rodríguez Zapatero à frente dos socialistas e sobre uma possível recandidatura. Esta semana voltou a ser tema de actualidade depois do acontecido no desfile da Festa Nacional. Apitos e vaias para o presidente do Governo marcaram as celebrações do 12 de Outubro em Madrid, com gritos de “Zapatero demissão” e “Fora, Fora” que não respeitaram nem a oferenda floral do Rei.

As protestas são habituais nesta data, mas desta vez o tom foi mais duro que em anos anteriores e até o Rei e o Príncipe lamentaram o acontecido e já se fala do pior desfile de ZP. Chegou o fim de Zapatero? Deve se afastar da política chegado o fim da sua legislatura ou voltará a ser candidato? Já na passada festa de Natal socialista dizem que o presidente estava mais triste do normal. O seu partido está dividido respeito a sua continuação, perdeu o apoio dos cidadãos e a crise económica agrava qualquer problema. O primeiro em abrir a ferida foi o presidente de Castela e La Mancha, José María Barreda, quem diz que vaticinava uma “catástrofe eleitoral” se Zapatero não mudava o rumo da sua política. As rectificações posteriores de Barreda não serviram para evitar a sua má imagem e se temem repercussões eleitorais. Mas agora, em pre-campanha, volta a defender as suas ideias.

Falta ano e meio para as eleições legislativas mas em Maio de 2011 houvera um grande teste com as autonómicas e municipais. Será depois destes comícios quando Zapatero isolará a incógnita do seu futuro. Enquanto isso, o entorno do presidente vai deixando cair as suas opiniões. Se bem todos dizem que Zapatero vai ter o apoio unânime se decidir continuar, alguns deram a entender que o melhor é um novo líder. Até uma das possíveis candidatas, a ministra da Defesa Carmen Chacón, assegurou recentemente numa entrevista que “Espanha está pronta para uma presidente do Governo”. Uma mulher à frente do poder Executivo como aconteceu em outros países, porque “a sociedade espanhola avançou muito em trinta anos de Democracia”, e por isso “chegará a sua vez, mais tarde ou mais cedo”. Outros, como o presidente do Diputados, José Bono, quer ficar fora da polémica do debate: “Na sucessão de Zapatero não estou nem se deve esperar por mim”.

Limitar os mandatos

O secretário general do Partido Socialista de Madrid, Tomás Gómez, considera que o ideal seria uma limitação de dois mandatos legislativos porque “é um tempo razoável” na política. Assegura que não se trata de um debate entre os socialistas ou da vida política espanhola mas sim uma reflexão pessoal que deve ser reflectida pela sociedade.

Montilla no desfile

A presença do presidente da Catalunha, José Montilla, no desfile das Forças Armadas abriu uma nova ferida no Governo catalão, criticado pela ERC e ICV-EUiA. Um gesto com simbolismo um mês antes das eleições na Catalunha com a tentativa de atrair ao eleitorado menos nacionalista, importante para os socialistas que aparecem numa má situação nas sondagens

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1687252&seccao=Europa

Diário de Notícias- Coluna Visto de Cá- 25/09

A expulsão dos ciganos nas eleições catalãs

Por Virgínia López, correspondente do El Mundo

A polémica gerada em torno da expulsão dos ciganos romenos de França instalou-se na pré-campanha eleitoral da Catalunha. O Partido Popular catalão, que apoia a iniciativa do Presidente Nicolas Sarkozy, aproveitou o momento para colocar o assunto da imigração no centro das eleições autonómicas, que se realizam a 28 de Novembro. E fê-lo convidando uma eurodeputada do partido de Sarkozy (UMP), a conservadora Marie Therese Sánchez-Schmid, para visitar os bairros mais conflituosos de Badalona, terceira maior cidade da Catalunha, onde, segundo um estudo, se registam os piores índices laborais, educativos e económicos da área metropolitana de Barcelona, com um elevado risco de vulnerabilidade social. Onde, casualmente ou não, vivem ciganos romenos.

De facto, segundo o líder do PP de Badalona, Xavier García-Albiol, a situação que se vive na Catalunha é “pior” do que a que se regista em França, já que os ciganos romenos não estão todos no mesmo acampamento, mas vivem espalhados por vários bairros de Badalona. Esses bairros são os que visitaram para conhecer, em primeira mão, os problemas de convivência de que fala Albiol, que durante anos esgrimiu argumentos contra a imigração que lhe deram a fama de xenófobo. A conservadora, assim como todas as câmaras de televisão que acompanharam a visita, testemunhou que os problemas sociais de Badalona são reais.

Algo de que não duvida o resto dos partidos políticos catalães. Mas diferem completamente do discurso usado pelos conservadores, aos quais chamam populistas e xenófobos e acusam de procurar a ruptura social para somar votos nas eleições. Por isso, alguns partidos propuseram um boicote ao tema da imigração durante a campanha para dificultar o discurso popular. Outros não vão tão longe, falarão de imigração, mas sem cair nas provocações do PP.

Entretanto, os populares argumentam que sempre defenderam uma imigração legal e controlada e pedem agora um maior controlo para que os ciganos romenos expulsos da França não acabem a viver na Catalunha. A Generalitat garante que por agora ainda não chegaram. Pelo menos, não o fizeram fisicamente, mas o debate que provoca a sua presença parece que, de momento, é para ficar.

 http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1670756&seccao=Europa

Diário de Notícias- Coluna Visto de Cá- 18/09

Relação de encontros e desencontros

Por Belén Rodrigo, correspondente do ABC

As relações de Espanha e Marrocos têm sido historicamente afectadas por contínuos episódios. Um vínculo de encontros e desencontros diplomáticos como são a questão do Sara, a crise da ilha do Perejil, a visita dos Reis a Ceuta e Melilla, o incidente com a activista Haidar ou o recente boicote dos marroquinos na fronteira com Melilla. Esta semana a relação dos dois países voltou a ser notícia pela visita do líder da oposição, Mariano Rajoy, à cidade de Melilla, criticada duramente pelo primeiro-ministro de Marrocos, El Fasi, que considerou esta iniciativa “um claro ataque à dignidade e ao sentimento nacional” dos marroquinos.

Em Novembro de 1975, antes de ordenar a Marcha Verde sobre o que foi o Sara Ocidental espanhol, o rei Hassan II dizia que “não há nem vencedores nem vencidos, senão dois países que abrem agora uma etapa nas suas relações”. O Rei Juan Carlos acabaria por ter uma estreita relação de amizade com ele, como demonstrou no seu enterro, com o monarca espanhol a chorar desconsoladamente.

Mas a amizade dos dois países tem sido em varias ocasiões quebrantada. Durante o Governo de Aznar houve uma grande crise diplomática com a ocupação por parte de Marrocos do ilhéu de Perejil. Foi um dia antes do casamento de Mohamed VI e a princesa Lala Salma, onde faltaram os membros da família real e o embaixador em Rabat, Fernando Arias Salgado, por ordem do Governo. Espanha, com a intervenção da ONU, recuperou o seu pedaço de terra.

Com a chegada de Zapatero ao Governo houve o desejo de melhorar a relação, mas os tradicionais problemas com a pesca, o Sara Ocidental, a emigração clandestina e o terrorismo continuaram a ser pedras no caminho.

Polémicas que deixaram em evidência sérios problemas políticos, diplomáticos, judiciais e humanitários, por vezes difíceis de controlar. O Executivo socialista tem sido duramente criticado pelo seu silêncio após cinco crises diplomáticas em cinco dias. Jovens marroquinos acusaram as forças espanholas de serem golpeados na fronteira com Melilla, mas Espanha não saiu nem em defesa dos polícias nem de Melilla. A polémica ficou fechada, de momento, com a visita do ministro Pérez Rubalcaba a Rabat, a 23 de Agosto. 

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1665193&seccao=Europa

Jornal ABC- 12/09

 

José Diogo: “Hay una parte de España en el Hotel Estoril Palacio”
 
Por Belén Rodrigo, correspondente
 
 Es el conserje del mítico hotel portugués que tuvo entre sus huéspedes más ilustres a los Condes de Barcelona. «Los españoles cuando están aquí se sienten en familia», afirma.
 

El 11 de mayo de 1964 fue mi primer día de trabajo en el Hotel Estoril Palacio. Tenía 13 años y mi función era coger los abrigos a los clientes y subir las cartas a las habitaciones. Ganaba unos 80 escudos al mes, en pagas quincenales. Han pasado casi 47 años y sigo aquí, sin jubilarme, porque esta es mi casa y mi familia, que acaba de cumplir 80 años. Ahora soy conserje y los domingos, cuando no está el director del hotel, soy yo quien asume sus responsabilidades. Mi hijo también trabaja aquí, se encarga de las maletas. He conocido a personalidades y artistas que nunca hubiese imaginado. Hablo portugués, español, inglés, francés y alemán. Cuando tenía 17 años se grabó aquí una parte de la película «007, al servicio de Su Majestad» y yo fui el encargado de dar las llaves a James Bond, interpretado por George Lazenby. Ir al cine y verme en la gran pantalla fue una experiencia inolvidable.

Soy el segundo empleado más antiguo de la casa y conozco todas sus historias. Entre sus clientes más ilustres recuerdo perfectamente a los Condes de Barcelona. Don Juan venía todas las tardes al bar a tomarse su Martini seco, en la misma mesa, y con él se reunían muchas personas que le trataban como a un dios. Este hotel salió ganando con su presencia porque sus invitados gastaban mucho dinero. Recuerdo a «Juanito», se juntaba a su padre después de sus clases de golf. Doña Margarita continúa viniendo a la piscina del hotel cuando está en Estoril. En la pasada Cumbre Iberoamericana, el quinto piso estuvo reservado para los Reyes de España. Yo mismo me ocupé de que el desayuno de Don Juan Carlos estuviese cada día listo a las 6:45 y el de Doña Sofía a las 7:15.

Los españoles, cuando están , aquí se sienten en familia, hay una parte de su historia entre estas paredes. En este momento más del 50 por ciento de la ocupación del hotel procede de España. Son los mejores clientes, simpáticos y no crean problemas, y gastan aquí mucho dinero porque les gusta comer bien.

Nunca he tenido la intención de cambiarme de trabajo porque este hotel es la mejor escuela. Hoy vivimos otros tiempos y los huéspedes no son los mismos, pero los tratamos igual de bien. En 1968 tuvo lugar la mayor fiesta jamás realizada en Portugal, organizada por el señor Patiño, quien invitó a todas las estrellas de Hollywood de la época. Vinieron Sofía Loren y Gina Lollobrigida, a quien subí yo unas flores a su habitación. En esa fiesta el presidente de la República portuguesa recibió la noticia, de manos de la policía secreta, de la caída de Salazar en São Bento, de la que ya no se recuperaría. Por aquí también pasaban muchos espías. Aprendimos que cuando recibían noticias invitaban a todos a champán. Lancaster Fleming, autor de la saga de libros de «007», estuvo aquí alojado, donde se inspiró para su libro «Casino Royale». Había dos espías que se reunían en el bar y después iban juntos hasta el casino de Estoril.

 http://www.abc.es/20100912/internacional/jose-diogo-parte-espana-20100912.html

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 29/05

Autonomias espanholas apostam em Portugal

Por Begoña Íñiguez, correspondente da Rádio Cadena Cope

Desde Janeiro, quatro presidentes de regiões autónomas espanholas visitaram Lisboa. Na próxima semana virá mais um. Para a maior parte da opinião pública portuguesa, estas visitas passaram despercebidas, apesar de marcarem uma mudança na agenda bilateral ibérica.

Para Portugal, as autonomias continuam a ser uma realidade confusa e desconhecida, na qual existem 17 comunidades com os seus respectivos governos e um grande poder de decisão, ao ter assumido competências tão importantes como a saúde, a educação, o turismo ou o meio ambiente.

Até hoje, muitas destas regiões não tiveram em conta Portugal. A excepção: Galiza e Extremadura, que há 11 anos apostam em Portugal como um mercado natural para as suas empresas e como sócio para conseguir fundos comunitários. Tal explica a criação das euro -regiões Norte de Portugal-Galiza e Alentejo-Centro-Extremadura.

Nestes cinco meses, cada visita ajudou a construir a confiança entre os dois países, abrindo caminho a novos tipos de cooperação. Se em Janeiro o galego Alberto Núñez Feijóo anunciava que a sua prioridade era Lisboa, sem esquecer o Norte, dias depois o titular do Governo da Extremadura destacava o papel decisivo que Portugal tem para a sua região. Guillermo Fernández Vara inaugurou um centro de negócios na delegação do seu Governo, a primeira de uma comunidade autónoma aberta em Lisboa.

O mesmo aconteceu com a viagem do presidente da Andaluzia, José Antonio Griñán, que há menos de um mês prometeu que o português será a segunda língua estrangeira nos colégios da região e assinou em Faro um protocolo de cooperação com o Algarve e o Alentejo, embrião de uma euro-região que se chamará Andal.

Esta semana, coube ao presidente de Aragão, Marcelino Iglesias, defender em Lisboa um interessante projecto prioritário para a Europa: “o Eixo 16″, que unirá por caminho-de-ferro os portos de Sines e Algeciras a Madrid, Saragoça e Paris. Esta linha, que aproveitará a rede ferroviária tradicional, promete revolucionar o transporte de mercadorias da Península Ibérica, ao entrar em França por um grande túnel que se construirá nos Pirenéus Centrais, em Aragão. Sines terá um papel fundamental no Eixo 16 e o Governo português sabe-o.

Na terça e quarta-feira chegará a Lisboa Paulino Rivero, o presidente das Canárias, um arquipélago que quer aumentar as suas relações económicas com Portugal e melhorar as suas comunicações marítimas com a Madeira.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1581030&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 22/05

Europa e América Latina estreitam laços como iguais

Virginia López, correspondente  El Mundo

A VI Cimeira União Europeia – América Latina – Caraíbas era a “oportunidade de ouro” da presidência espanhola, num semestre demasiado marcado pelo peso da crise económica. O presidente espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, dedicou todo o seu esforço em conseguir que esta cimeira fosse, em palavras do próprio presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a “cimeira dos resultados”.

Com os acordos fechados após quatro dias de reuniões em Madrid, pode dizer-se que Espanha cumpriu os seus objectivos. A UE assinou o primeiro acordo de associação com os países de América Central, um acordo histórico já que é a primeira vez que o bloco dos 27 assina um acordo com uma região. Também se fechou o Tratado de Livre Comércio com a Colômbia e o Peru. Há acordos entre a Comunidade Andina de Nações (CAN) e a EU para reforçar a luta contra o narcotráfico e as alterações climáticas.

Foi criada a Fundação Eurolac, uma plataforma para aproveitar o trabalho das sociedades civis europeia e latino-americana. O LAIF ou Latinoamerican Investment Facility financiará infra-estruturas na América Latina com fundos europeus. E o que provavelmente é o maior êxito da presidência espanhola: o relançamento das negociações UE – Mercosul, paralisadas desde 2004, para criar a que seria a maior área de livre comércio do mundo, para o que ainda haverá que ultrapassar os receios de alguns países europeus, liderados pela França.

Mas, para além de todo o esforço da presidência espanhola para fechar o maior número de acordos possíveis, o grande êxito desta cimeira foi o facto de 60 países dos dois lados do Atlântico se sentarem na mesma mesa como iguais, deixando de lado os preconceitos do passado. Europeus e latino-americanos são finalmente conscientes da necessidade de construir uma nova arquitectura financeira e o conjunto dos países da América Latina e Caribe demonstraram terem sabido responder com solidez à crise global.

Da cimeira de Madrid, os principais dirigentes políticos latino-americanos regressam aos seus países com a satisfação de terem sido tratados com respeito pelos seus sócios europeus, com os que abrem uma nova via de diálogo político e cooperação na construção do novo ordem mundial onde a América Latina tem muito a dizer.

Não à discriminação latino-americana

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu aos seus sócios europeus para não discriminarem aos 3,5 milhões de latino-americanos que imigraram para os países da União Europeia à procura de uma vida melhor. Também a presidente argentina, Cristina Fernández Kirchner, solicitou à UE que não aprove leis discriminatórias contra os imigrantes procedentes da América Latina.

Organizações sociais criticam resultados

De forma paralela realizou-se a Cimeira dos Povos, organizada pelas organizações sociais que lamentam os resultados da cimeira oficial. Denunciaram as violações sistemáticas dos direitos humanos por parte das multinacionais europeias e rejeitaram os tratados de livre comércio, por considerarem que são um mecanismo da UE para ultrapassar a crise que prejudicará a América Latina.

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Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 15/05

Zapatero ganha inimigos

Por Belén Rodrigo, correspondente ABC

Esta semana portugueses e espanhóis podem partilhar as mesmas tristezas. Os Governos dos  dois países apresentaram novas medidas para reduzir o deficit público que afectam seriamente as economias familiares.  Em Espanha ninguém está satisfeito com as propostas já aprovadas e estão para vir tempos difíceis e agitados. Vamos ver se depois da tempestade chega a bonança.

Era necessário fazer alguma coisa para reagir ante a difícil situação financeira mas existe a sensação que mais do que medidas drásticas fazia falta uma reestruturação do Estado. Baixam os salários dos trabalhadores públicos em 5%, as reformas ficam congeladas (a primeira vez na Democracia espanhola), acabar com a Lei da Dependência e deixam de pagar às mães 2500 euros pelo nascimento de um filho. Tomam estas medidas enquanto se mantém despesas difíceis de explicar. Foram criados ministérios por este Governo que representam um alto gasto para o Estado, como o ministério da Igualdade e o ministério da Vivenda, para não falar da terceira Vice – presidência.

Zapatero rompeu o seu contrato eleitoral com os cidadãos e agora tem contra si os que estiveram ao seu lado. Tentou ser um presidente conhecido pelas suas políticas sociais e agora está a fazer políticas contra os funcionários, contra os reformados, contra as mães… Em tempos de Democracia, Espanha já viveu momentos como este e a sociedade espanhola é matura para ultrapassar a situação.

Agora temos que ver como acaba este desentendimento entre Governo e Sindicatos que pode trazer muitos conflitos sociais. O presidente espanhol atravessou a linha vermelha que sempre prometeu respeitar no momento que anuncia o corte das despesas sociais. É normal que a sociedade se sinta enganada e decepcionada e precise de tempo para assimilar uma mudança tão grande na política do Governo. Zapatero defendeu que Espanha ia sair da crise sem cortes sociais e agora tem que engolir as suas palavras. Onde parece encontrar um certo apoio é na confederação de empresas. O seu presidente, Gerardo Díaz Ferrán, acha importante juntar os esforços de todas as partes e pensa que “Espanha não está para greves”.

Para alguns analistas políticos este volte face no comportamento do presidente deve vir acompanhado da convocação de eleições antecipadas porque o “novo Zapatero”, as suas ideias e propostas, não corresponde à aquele que foi eleito nas urnas.

Greve Geral

Os sindicatos pretendem convocar uma greve geral para o 2 de Junho. Até agora José Luís Rodríguez Zapatero é o único presidente do Governo da Democracia que não tinha passado por este exame. A última greve pela reforma laboral foi no ano de 2002 e um ano a seguir por causa da Guerra do Iraque. As duas foram no Governo de José María Aznar.

Chuva de críticas

As críticas ao José Luís Rodríguez Zapatero chegam de todos os partidos e os seus líderes acham que começou agora uma outra legislatura. “Acabou-se o ZP social”, diz Joan Ridao (ERC) enquanto Joan Herrera (ICV) diz que “nasceu um outro Zapatero”: O líder da oposição, Mariano Rajoy,  acusa o presidente de ter chegado a esta situação por não ter tomado antes medidas impopulares.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1570559&seccao=Europa

El Correo Gallego – 23/04

Valença y la sanidad

Por Begoña Iñiguez, correspondente

Cada cierto tiempo salta a la palestra de la actualidad el debate del iberismo y de si España y Portugal deberían unirse, como defiende José Saramago. Esta vez el motivo han sido las protestas con banderas españolas de los vecinos de Valença do Minho, pidiendo la reapertura de las urgencias nocturnas de su centro de salud, cerrado por orden de su ministerio de Sanidad. Esa imagen excepcional ha conseguido su objetivo: llamar la atención de la opinión pública de los dos países sobre la falta de medios y el gran recorte presupuestario que está sufriendo la sanidad portuguesa, sobre todo en zonas transfronterizas.

Tras las protestas no se busca la anexión a España ni abandonar su país. La colocación de banderas españolas, en un baluarte histórico de defensa de Portugal contra España, esconde un grito desesperado de ayuda a los “irmãos galegos” y una llamada de atención a los gobernantes de Lisboa sobre una situación que creen injusta: tener que desplazarse 18 kilómetros hasta Monção para ir en plena noche a una urgencia. Y todo porque los números no le cuadran al ministerio de Sanidad portugués, que quiere reestructurar el Sistema Nacional de Salud, hijo de la Revolución de 1974, y ahora en graves dificultades financieras.

En España, a menudo, nos quejamos de nuestra sanidad pública. Entiendo las críticas de muchos, sobre todo después de saber que las listas de espera gallegas para operarse han aumentado. Desde esta columna me gustaría elogiar la sanidad de Galicia y el resto de España, a pesar de sus defectos. No hay más que echar un vistazo a Europa y Norteamérica. Además, en los últimos diez años, nuestro país ha atendido a millones de inmigrantes, legales e ilegales. Y no olvidemos que los médicos gallegos, castellano-leoneses y extremeños reciben diariamente, desde que la tarjeta sanitaria europea entró en vigor, a numerosos pacientes de Portugal. En Tui, Vigo o Ciudad Rodrigo se les atiende sin pedir más explicaciones, ante una urgencia o cuando piden una operación rutinaria. Quienes viven cerca de la frontera se sienten desamparados por las políticas de Lisboa, que han dejado a estos municipios con menos médicos, urgencias y hospitales.

La atención sanitaria es un derecho de todos, vivan donde vivan, y eso es lo que piden los vecinos de Valença do Minho, ni más ni menos. En la Europa de los 27 hay fórmulas que funcionan bien entre países amigos. Como los acuerdos entre Extremadura y O Alentejo para que, por ejemplo, las parturientas de Elvas den a luz en Badajoz, tras cerrar su maternidad en 2007. En 2009 la cumbre hispano-lusa de Zamora dio un paso más en la atención sanitaria transfronteriza y en los acuerdos entre municipios “raianos”. Para aliviar el desamparo sanitario que se vive al otro lado del Miño, no sólo en Valença sino en Vila Nova de Cerveira, Monção o Melgaço, a las autoridades les corresponde aplicar los compromisos de Zamora. ¿A qué están esperando?

Link: http://www.elcorreogallego.es/galicia/ecg/valen-sanidad/idNoticia-539227/

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 17/04

O ‘superjuiz’ em apuros

Por Belén Rodrigo, correspondente do ‘ABC’

Era difícil imaginar, há uns anos, que Baltasar Garzón, o juiz espanhol mais louvado de sempre, ia ser objecto de um inquérito por parte do Supremo Tribunal, correndo o risco de ser suspenso da sua actividade.

A sua fama internacional veio com a ordem de prisão contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet pela morte e tortura de cidadãos espanhóis durante o seu regime. Em 2008 declarou-se competente para investigar o desaparecimento de opositores do franquismo entre 1936 e 1975 enquanto vítimas de crimes contra a humanidade.

Depois de ser o perseguidor mais eficaz dos dirigentes da ETA, de ser conhecido como o “superjuiz” ou o “juiz estrela”, Garzón experimenta agora o que se sente no outro lado do banco. O Supremo Tribunal decidiu abrir em Maio do ano passado um processo contra ele por um delito de prevaricação, tendo na semana passada decidido levá-lo a julgamento. A acusação consiste no facto de Garzón ter iniciado diligências para investigar os desaparecimentos durante o franquismo, diligências essas que não eram da competência da Audiência Nacional. O Supremo Tribunal aceitou também um outro processo contra ele sobre os financiamentos não declarados de colóquios em que participou em Nova Iorque e um outro sobre as escutas feitas a acusados do caso Gürtel, em que estão envolvidas figuras do Partido Popular.

A sociedade espanhola está agitada, desconcertada com o que está a acontecer. Para alguns, este caso fica reduzido a uma luta de partidos, com o PSOE a apoiar o juiz e o PP como o mau da fita porque apoia a decisão do Supremo. Mas é mais do que isso. Preocupa ver como num mundo onde existem tantas injustiças, onde muitos culpados fogem da prisão e outros nunca passam por ela, um juiz conhecido por fazer justiça, por ter coragem e dizer o que pensa pode ser agora suspenso da sua actividade entre 12 e 20 anos.

Trata-se de uma pessoa polémica precisamente por ser diferente dos outros juízes. Não respeitar as normas todas do poder judicial pode custar-lhe muito caro. E isso irrita muitos espanhóis. O que querem é uma justiça mais próxima do povo, longe da burocracia toda que envolve este mundo e que impede que as decisões sejam mais rápidas.

Manifestações de apoio
Centenas de pessoas reuniram-se na Universidade Complutense de Madrid em um acto de defesa do juiz Baltasar Garzón, convocado por  sindicatos de esquerda, pedindo o fim da “perseguição” ao magistrado. Os líderes sindicais qualificaram como “vergonha histórica” o seu julgamento.

Perseguição
Nem Garzón nem o seu advogado partilham a ideia de “caça de bruxas”  que defendem alguns membros do Governo e intelectuais, sindicatos e famosos que apoiam ao juiz. Não consideram que exista uma perseguição ao magistrado e acham que as manifestações de apoio podem prejudicar a Garzón porque perturbam a ordem

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1546261&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 10/04

Recuperação espanhola: realidade ou miragem?

Por Virginia López, correspondente do ‘El Mundo’

Alguns indicadores económicos do mês de Março mostram uma ligeira melhoria da saúde económica espanhola. A pergunta que se impõe é a seguinte: será uma recuperação real ou apenas uma miragem?

No quarto trimestre de 2009, Espanha continuava em recessão económica, registando uma nova queda de 0,9% do PIB. Porém, 2010 parece ter começado melhor para os espanhóis e apesar da luz no fundo do túnel estar ainda longe, os novos dados poderiam levar-nos a pensar que o pior da crise já passou.

Pelo menos, no mês de Março, melhorou a confiança dos consumidores. Em Fevereiro, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) perdeu 7,6 pontos, mas um mês depois registou uma subida de 1,6 pontos, como consequência de uma melhoria na percepção da situação actual. Os espanhóis estão mais optimistas em relação à economia familiar e ao emprego. Este optimismo moderado pode indicar uma tendência de recuperação: os espanhóis têm melhores perspectivas sobre a poupança e a compra de bens, o que em 2010 pode traduzir-se num aumento do consumo privado.

Em termos práticos, esta ligeira recuperação económica traduziu-se no mês de Março num surpreendente aumento da compra de veículos novos. A venda de carros cresceu mais de 63%, os melhores dados obtidos num mês, segundo o sector, que vendeu quase 125 mil unidades em 30 dias. Ainda que por um lado possa parecer um sinal inequívoco de que os espanhóis voltam a ter poder de compra, por outro, não podemos esquecer as ajudas estatais e o facto de que o IVA subirá no mês de Julho, o que pode ter contribuído para o aumento do número de matriculas. E também aumentou o consumo de energia, indicador de maior actividade empresarial, e pela primeira vez em dois anos cresceu o sector dos serviços.

Mas o cancro da economia espanhola continua a ser o desemprego, que voltou a subir em Março, pelo oitavo mês consecutivo. Mais de quatro milhões de espanhóis continuam sem trabalho, o número mais alto de sempre. A única boa notícia é que pelo menos a subida foi três vezes inferior à do mesmo mês em 2009. Pode também ser um sinal de que os espanhóis se agarram com força à tábua da recuperação económica para não se afogarem na sua própria crise.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1540248

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 20/03

Touradas: uma nova polémica em Espanha

Por Belén Rodrigo, correspondente do diário ‘ABC’

Em Espanha existem quer apaixonados pelas corridas de touros, quer aqueles que exigem a sua abolição. Muitos outros, se calhar a maioria, não gostam das corridas mas respeitam a tradição e o mundo que existe à volta do touro. Numa sociedade democrática deve existir espaço para diferentes culturas e expressões artísticas, mesmo que sejam minoritárias.

Sem perceber muito deste mundo, não é difícil reparar que uma corrida de touros não é um simples capricho dos toureiros, que saem à praça só pelo gozo de matar o animal. Por detrás da festa há um mundo onde o homem e o animal convivem dia a dia, uma cultura, uma arte. Sempre houve e há um sector da sociedade que vive deles. E é uma tradição que atrai ricos e pobres. Os que podem, assistem ao vivo na praça. Aqueles a quem o dinheiro não chega para comprar uma entrada, juntam-se com os amigos num bar para ver a corrida pela televisão.

Como se em Espanha existissem poucas polémicas, aparece mais uma que tem criado muita crispação no mundo do toureio, e não só: a intenção do Parlamento catalão de proibir as corridas nesta comunidade. Surgiu como uma iniciativa popular mas por detrás da proposta está o extremismo catalão. As corridas, sobretudo para os estrangeiros, são um símbolo de Espanha, a “festa nacional”. Por desgraça, alguns catalães recusam tudo o que seja representativo do país.

Este extremismo acaba por prejudicar todos, porque existem problemas mais importantes para o Parlamento regional debater. Desemprego, violência doméstica, drogas, tráfico de mulheres…há mais que pensar do que nos touros. Ninguém está obrigado a ir a uma corrida, como também não está obrigado a assistir a um combate de boxe. Há gostos minoritários que devem ser respeitados.

Há uns anos, Barcelona era a única cidade espanhola com três praças de touros; agora só resta a Monumental. As corridas têm perdido muitos adeptos, mas os que restam têm direito a ver este espectáculo. E enquanto a Catalunha debate as corridas, Madrid declara como Bem de Interesse Cultural a festa dos touros. Somos realmente tão diferentes de uma ponta a outra do país? O que nos está a acontecer? Deixamos que a política interfira na nossa cultura?

Debate no Parlamento
O grupo de cidadãos PROU recolheu 180.000 assinaturas para a proibição de touradas. O Parlamento catalão ouvi nos últimos meses diferentes personalidades  (entre filósofos, intelectuais, toureiros e ganadeiros) e deve agora tomar uma decisão

Secção de Tauromaquia
Os adeptos das corridas de touros em Espanha receberam com agrado a noticia da criação em Portugal da secção de Tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura. Desde o Ministério da Cultura se sublinha que a secção é importante pela “preservação de fauna e flora, pelo ambiente, companheirismo e amizade que ensina, pelas famílias que dela sobrevivem, pelas acções comunitárias que organiza e ajuda e pela actividade económica que gera”.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1523507&seccao=Europa

El Triangle Diari de Catalunya – 13/03

Invertir en las energías renovables (versão em castellano)

Por Miguel Rivero

Portugal tiene fijada la meta de que, hasta el año 2020, el 30 por ciento de la energía consumida en el país provenga de fuentes renovables, una meta que es superior a la de misma la Unión Europea. Empresas españolas participan en varios proyectos, desde parques eólicos hasta la energía solar.

Portugal es ya en la actualidad, con varios proyectos en vías de ejecución en el sector de las energías renovables, uno de los países con una meta más elevada entre los 27 miembros de la Unión Europea (UE). La meta europea es de 20 por ciento de consumo de energías renovables en el año 2020, mientras que el Gobierno de Portugal la ha fijado en el 30 por ciento.

El actual Gobierno socialista, que tomó posesión en octubre del pasado año, tiene fijado en su programa el propósito de “asegurar la posición de Portugal entre los cinco líderes europeos al nivel de los objetivos en materia de energías renovables en 2020”. Para ello, pretende aumentar para 8.500 MW el objetivo de producción de energia eólica”, cumplir el Programa Nacional de hidroeléctricas y crear “un nuevo plan nacional para el desarrollo de las mini-hidroeléctricas o Plano Nacional de Barragens e criar “um novo plano nacional para pasar de los actuaales 150 a  1.500 MW y avanzar también en el área de geotermia.

Según estimaciones del presidente de la Asociación de Empresas de Energías Renovables, Antonio Sá da Costa, reflejadas por el diario Público de Lisboa, la meta de energía eólica instalada para el 2012 será de 5.700 megavatios (MW), la producida por las olas de 250 MW, mientras que la hídrica se situará en 6.200 MW en el 2015. Sá da Costa vaticina que, en el 2020, con las inversiones previstas en eólica, hídrica y de olas, Portugal podrá alcanzar una meta superior a la de la UE.

Todo esto sin contar con la inmensa obra en el municipio de Moura (distrito de Beja), donde se construye la mayor central de energía solar del mundo y se aprovecha el primado europeo de 2.550 horas de sol por año, como dijo a los medios lusos de comunicación José María Pos-de-Mina, alcalde de esa localidad.

El 9 de abril del pasado año, al visitar las obras de esta central, el primer ministro portugués, José Sócrates, destacó  la prioridad de su gobierno en utilizar las energías renovables: “La apuesta que hicimos en estos cuatro años en las energías renovables nos coloca en la línea de frente de los países que quieren hacer una revolución verde, a favor del ambiente, pero también de nuestra economía”, dijo Sócrates.

La Central Fotovoltaica de Amareleja (Moura), cerca de la frontera española y en una superficie de 250 hectáreas, es propiedad en su totalidad de la empresa española Acciona, que adquirió en 2006 las acciones en poder de la sociedad propietaria de los derechos de la instalación, Amper Solar.

Portugal cuenta desde febrero de 2009 con otra gran central solar, con capacidad para abastecer de “energía limpia” a unos 8.000 hogares: la Central Solar de Serpa, también en el distrito de Beja.

Según el ingeniero italiano Piero dal Maso, ejecutivo de Catavento, la empresa portuguesa que desarrolló el proyecto, la central producirá 20 gigavatios/hora de energía por año, lo suficiente para ahorrar más de 30.000 toneladas de emisiones de gases de efecto invernadero.

EMPRESAS ESPAÑOLAS

Acciona no es la única empresa española que participa en los esfuerzos del Gobierno luso por dar prioridad a las energías renovables. Pero, para las empresas españolas no ha sido tarea fácil la de penetrar en el mercado luso de energía, tradicionalmente controlado por Energías de Portugal (EDP), antiguo monopolio estatal de la electricidad.

De esta manera, las españolas Unión Fenosa, Iberdrola y Endesa perdieron el 17 de julio de 2008 el concurso – uno de los primeros abiertos a nivel internacional – para construir dos represas lusas, que ganó Energías de Portugal (EDP).

El presidente del Instituto del Agua, Orlando Borges, explicó a los medios de comunicación que la empresa portuguesa presentó “la oferta más ventajosa” para levantar las hidroeléctricas de Alvito (distrito de Beja) y Fridao (distrito de Porto).

Las empresas españolas sólo presentaron propuestas para la construcción de la hidroeléctrica de Fridao, en la región de Amarante.
Para ese proyecto, Endesa hizo una oferta por valor de 150 millones de euros; Iberdrola, por 107, y Unión Fenosa, por 90.
Según Borges, el concurso fue “totalmente transparente, abierto a todas las empresas del sector” y el jurado optó por la propuesta de EDP, que por 232 millones de euros se comprometió a construir ambas hidroeléctricas.

Por suerte, no en todo ha sido así. Ya el 23 de enero de 2009, Iberdrola distribuyó una nota de prensa para informar acerca de su participación “en uno de los proyectos hídricos más importantes en Europa en los últimos 25 años”.

Se trata del Complejo Hidroeléctrico del Alto Támega, en Portugal, con 1.200 MW de potencia, lo que significa una inversión de 1.700 millones de euros entre 2012 y 2018.

En el esfuerzo luso para desarrollar las energías renovables, Iberdrola ya tiene en explotación tres parques eólicos: en Torres Vedras (18 MW) desde 2005, el Alto Monçao (32 MW) desde 2007 y en Alvao (42 MW) desde el pasado año.

Además, según confirmó a este semanario una portavoz de la empresa española, está prevista la construcción de otros dos parques, con cerca de 90 MW de potencia.

En lo que se refiere a Endesa, en 2006 fue adjudicado a un consorcio participado por esa empresa española (30%) la fase A del concurso para la atribución de 1.200 MW de potencia eólica. Esta inversión, estimada en más de 1.500 millones de euros, deberá estar concluida en 2011, lo que reforzará la posición de esa empresa española en el sector eólico en Portugal.

En el sector hídrico, en 2008 le fue adjudicada a Endesa la concesión para la construcción y explotación de la presa de Girabolhos, en el río Mondego, donde será instalado un sistema reversible de 360 MW. Esta inversión (cerca de 400 millones de euros) deberá estar en marcha en 2015.

Un representante de Endesa en Portugal se refirió a este esfuerzo para ayudar a eliminar el CO2 de la atmósfera, pero agregó que resulta “imperativo que el poder político llegue a un consenso amplio y global en esta materia, para reducir la incertidumbre y dar una señal clara a la industria energética”.

En septiembre del pasado año estuvo de visita en Lisboa la enviada especial de la ONU para el cambio climático, la noruega Gro Harlem Brundtland,  quien avisó  de que el mundo podrá verse abocado a una crisis climática si no se reducen las actuales emisiones de gases hasta la mitad, en 2050.

“Las concentraciones de gases con efecto invernadero han aumentado como resultado de la actividad humana”, ilustró la enviada de la ONU, quien tildó de “irresponsable e inmoral” la situación actual de calentamiento global.

Brundtland defendió que el “tiempo de diagnóstico acabó”, por lo que ahora “es tiempo de actuar” y apeló a la responsabilidad empresarial, a la hora de invertir en el sector de la energía.

(Despiece)

PREVER EL FUTURO

Recientemente, el primer ministro de Portugal, José Sócrates, reafirmó su “apuesta fuerte” por las energías renovables, como fórmula para hacer frente al impacto de los precios del petróleo y garantizar el futuro.
“Resulta absolutamente fundamental que el país tome conciencia de que no debe ser tan dependiente del petróleo”, dijo el gobernante socialista, para quien la mejor manera de reducir esa dependencia es aumentar el porcentaje de electricidad producida con energías renovables.
Sócrates defendió las fuentes energéticas sostenibles en la localidad septentrional de Viana do Castelo, cerca de la frontera con España, durante su visita a una fábrica de aspas de rotores para producción de energía eólica.

Sócrates recordó que durante las dos anteriores crisis de los precios del petróleo “todos dijeron que era necesario reducir la dependencia, pero no se hizo nada”

Si ahora no se toman medidas, añadió el primer ministro, “nadie nos perdonaría si de aquí a 15 ó 20 años otra generación sufre una nueva crisis.

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 20/02

ETA, um problema para Portugal?

Por Belén Rodrigo, correspondente ABC

A recente descoberta de explosivos e diverso material da ETA em Portugal leva a pensar, cada vez com mais força, na possível existência de uma estrutura do grupo terrorista no território português. E tudo indica não se tratar de uma base sólida, também não estamos a falar de uma mera passagem.

Falar de terrorismo é, infelizmente, habitual entre os espanhóis. Mas para os portugueses penso que ainda é difícil perceber e assimilar uma coisa destas. Por isso é normal o interesse que este tema desperta nos media portugueses e inclusive entende-se a desconfiança que existe sobre o que está a acontecer. Os responsáveis dos dois países garantem que não existem indícios que levem a pensar na existência da tal estrutura, mas, o que foi encontrado em Óbidos e na carrinha apreendida, não podem ser indícios?

Talvez por estar habituada a este tipo de noticias, de Espanha as informações aparecem com mais naturalidade enquanto em Portugal, por vezes, parece que estamos a falar de um tema tabu. O ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, resumiu bem o que estava a acontecer. “A ETA trabalhava em Portugal para atacar em Espanha”. Não deve existir medo porque o grupo terrorista quer magoar o povo espanhol e as suas vítimas estão lá. Mas a importância da operação realizada pelas forças de segurança merece que o Governo fale para explicar o que está a acontecer em Portugal. Quanto mais claro e directo se for com a sociedade sobre o terrorismo melhor será o resultado. Porque os cidadãos merecem saber o que está a acontecer, sempre que não ponha em causa a segurança do país. Espanha sabe que pode contar com Portugal para esta luta mas ouvir palavras públicas de apoio é sempre bem-vindo.

Quem mais alto fala e consegue fazer ouvir as suas opiniões é José Galamba, advogado dos dois etarras. À falta de outras declarações as suas palavras são sempre publicadas nos media e lamentavelmente, por vezes, até parece que temos de ter pena dos detidos

Aparecem assim muitas perguntas, e algumas ainda sem resposta. Até que ponto se deve preocupar o Governo português? Faz sentido alertar a sociedade? Porque não transmitir uma mensagem contra o terrorismo? Será a ETA um problema para Portugal?

Um etarra detido cada dois dias

No 2010 já são 25 os presuntos etarras detidos, o que da uma meia de um etarra por dia. Um dado positivo que para Rubalcaba é ainda mais importante porque em estas detenções trabalharam em conjunto forças policiais de Espanha, Portugal e França.

A espera da Justiça portuguesa

O ministro Rubalcaba não quis fazer comentários sobre o processo judicial que decorre em Portugal com os dois etarras detidos. “Confiamos em que fique resolvido positivamente”, diz. A demora em todo este processo não caiu muito bem as autoridades espanholas que não podem se não respeitar os prazos que marca a Justiça.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1499347&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 06/02

A semana em que Zapatero deixou de rir

Por Begoña Íñiguez, correspondente da Cadena Cope

O Presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, acaba de viver a semana mais negra desde que ascendeu ao cargo, em 2004. Os espanhóis e a opinião pública internacional estão perplexos face aos últimos acontecimentos que puseram o país vizinho no ponto de mira e cujas consequências imediatas foram a desconfiança dos investidores e a queda do Ibex 35, o índice da Bolsa de Madrid, que na quinta-feira perdeu cerca de 6%, a maior queda desde a descida histórica de Novembro de 2008.

O que sucedeu para que Zapatero tenha perdido o sorriso, a sua imagem de marca, que o identificava até agora? Os infortúnios, para o Presidente do Governo espanhol, começaram a 28 de Janeiro, no prestigiado Fórum de Davos, quando o puseram sentado junto dos seus homólogos da Letónia e da Grécia – as economias que estão no fundo da tabela da Europa. O socialista, que não sabe inglês nem nenhuma língua estrangeira, teve o azar de ver avariado, naquela sessão, o sistema de tradução simultânea. Tiveram de pôr ao seu lado uma tradutora de inglês, com o consequente embaraço que isso lhe provocou, agravado pelas perguntas comprometedoras sobre a delicada situação da economia espanhola.

No dia seguinte, o seu Governo anunciava de surpresa uma proposta de lei para elevar a idade da reforma dos 65 para os 67 anos. Mas o verdadeiro temporal ocorreu esta semana, quando o Executivo de Madrid enviou à Comissão Europeia o programa de estabilidade para o período 2009-2013, sem explicar aos espanhóis, nem aos restantes grupos políticos, que pretendia elevar para 25 anos a base para calcular as pensões, que actualmente está fixada em 15 anos. Mal se conheceu a notícia, os sindicatos ameaçaram com uma greve geral.

Se a tudo isto acrescentarmos os últimos dados do desemprego, que põem Espanha à cabeça da Europa, com mais de quatro milhões de desempregados – cerca de 20% da população activa – e as advertências do comissário europeu Joaquín Almunia, perceberemos a desconfiança dos investidores e a queda das intenções de voto em Zapatero. As últimas sondagens dão ao PP, principal partido da oposição, uma vantagem sobre o PSOE, do primeiro-ministro.

Duras críticas internacionais

Os analistas internacionais questionam a liderança e o modelo económico aplicados por Zapatero e pelo seu Governo. Nas páginas de jornais prestigiados, como o Financial Times e o New York Times, puderam-se ler as críticas mais duras, como as do Nobel da Economia Paul Krugman, para quem “Espanha é hoje uma séria ameaça para a estabilidade da zona euro”.

O futuro do chefe do Governo espanhol

O futuro de Zapatero está mais em aberto que nunca. Numa altura em que ainda não anunciou se tenciona ou não apresentar-se a um terceiro mandato, esta semana ouviram-se em público as primeiras vozes críticas no seu partido, o PSOE: Vozes como a do presidente de Castela-A Mancha, José Maria Barreda, que pediram mudanças na equipa governativa.

(http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1487855&seccao=Europa)

El Correo Gallego – 28/01

Lisboa, asignatura que Feijóo quiere aprobar

Por Begoña Iñiguez

Justo un año después de la visita de Emilio Pérez Touriño a Lisboa, su sucesor al frente de la Xunta, Alberto Núñez Feijóo, estará en la capital portuguesa hoy y mañana para reunirse con las principales autoridades del país y dar un nuevo impulso al ya intenso intercambio empresarial. La visita será maratoniana para la comitiva gallega porque Feijóo quiere dar a Lisboa, la capital política y económica de Portugal, un papel protagonista en la relación bilateral, a diferencia de lo que ha ocurrido en las últimas décadas, cuando el interlocutor era Oporto y la región norte. El presidente de la Xunta sabe que otras regiones españolas, como Extremadura y Castilla y León, han apostado recientemente por Lisboa, que es el lugar donde realmente se toman las decisiones en el país vecino, en detrimento de la zona norte, muy afectada por la crisis y cada vez con menos peso económico.

A pesar de las dificultades financieras, el comercio y las inversiones entre Galicia y Portugal siguen siendo muy dinámicos. Según el Instituto de Comercio Exterior de España (ICEX), Galicia exportó por valor de 1.660 millones de euros entre enero y octubre de 2009 hacia la otra orilla del Miño, una cifra que sólo supera Francia. En el mismo periodo, importó de Portugal bienes y servicios que sumaron 1.220 millones, números que únicamente batió el país galo. Además, muchas empresas españolas confían a directivos gallegos la responsabilidad de sus delegaciones en Portugal. Las Cámaras de Comercio e Industria de A Coruña y Vigo, aprovechando la visita de Feijóo, han organizado misiones empresariales a Lisboa capitaneadas por sus presidentes.

Significativo es el guiño que Feijóo hará a la colonia gallega, bastante olvidada durante el gobierno anterior, ya que su primer acto oficial en la ciudad, nada más llegar, tendrá lugar en el Centro Gallego, un bello palacete donado por el millonario Manuel Cordo Boullosa. El presidente de la Xunta se reunirá con su directiva, descubrirá la placa de honor de la Orden de Isabel la Católica, la más alta distinción que se puede recibir en el exterior, concedida por el rey Juan Carlos al Centro con motivo de su centenario, y presidirá una multitudinaria recepción con la colonia gallega. El día de hoy terminará con una cena en Palhavã, la residencia oficial del embajador español, Alberto Navarro. La agenda de mañana será fundamentalmente política y empresarial, ya que a primera hora de la mañana Feijóo será recibido por el presidente de la República, Aníbal Cavaco Silva, y luego intervendrá en un almuerzo organizado por la Cámara de Comercio e Industria Luso Española, un foro de referencia en Lisboa, en el que se espera la presencia de más de 200 empresarios. El último acto oficial en la ciudad del Tajo, y no por ello menos importante, será la audiencia que el presidente mantendrá con el primer ministro, José Sócrates. El tren de alta velocidad ocupará gran parte de la conversación. El Gobierno luso apuesta firmemente por la línea Madrid-Lisboa, prevista para 2013, y, prueba de ello, es el inicio en pocos meses de la construcción del primer tramo Poceirão-Caya. Más atrasado está el AVE Vigo-Oporto. Todavía resuenan las palabras pronunciadas en noviembre por el ministro de Fomento, José Blanco, en Lisboa, donde reconoció que esta línea no entrará en funcionamiento antes de 2015 y las de su homólogo luso, António Mendonça, que desveló que el trazado entre Braga y Valença podría modificarse por las dificultades orográficas.

El presidente de la Xunta tendrá que hilar fino en su primera visita a la capital portuguesa. Las intenciones a priori son buenas y se intuyen las ganas de recuperar el tiempo y las oportunidades perdidas al sur del Eixo Atlántico. Los resultados los veremos durante los próximos meses.

(http://www.elcorreogallego.es/galicia/ecg/lisboa-asignatura-feijoo-quiere-aprobar/idEdicion-2010-01-28/idNoticia-510649/)

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 02/01

Uma presidência com muitos problemas e grandes desafios

Belén Rodrigo, Correspondente ABC

Espanha assume pela quarta vez a presidência da UE. Será a primeira depois da aprovação do Tratado de Lisboa. Preside à UE mas comparte o protagonismo com o novo presidente permanente do Conselho Europeu, o belga Herman Van Rompuy.

A sua última presidência foi no ano 2002, com José María Aznar como primeiro ministro e uma situação económica muito diferente da actual. Espanha era então modelo para outros países europeus pelo seu crescimento económico, e a presidência esteva marcada pela entrada em circulação do Euro e as negociações para o alargamentos da UE aos países do Leste. Espanha é agora um dos países mais castigados pela crise internacional e tem como objectivo recuperar a Europa da tal crise e estabelecer um serviço diplomático exterior europeu.

A Suécia cumpriu bem os seus deveres, com uma presidência bem organizada e com um fecho de ouro depois da ratificação do Tratado de Lisboa. Existem criticas dos analistas políticos sobre como e quanto preparou a Espanha a sua presidência. Criticas que estarão infundadas e que se esquecerão caso cumpra bem o seu papel. O seu principal desafio é a agenda económica, principalmente a necessidade de coordenação entre os Estados membros nas suas acções para retirar as medidas de flexibilidade das politicas monetárias que foram introduzidas para amortecer o impacto da crise económica e financeira. Agora é o momento de retirar tais medidas sem aumentar mais os deficits. E a própria Espanha é um dos países que mais dificuldades vai encontrar para cumprir o objectivo do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Ainda por cima a taxa de desemprego não para de crescer e muitos se perguntam como é que nesta situação vai conseguir guiar uma ambiciosa agenda económica.

Espanha vai ajudar na sua presidência ao estabelecimento do Serviço Europeu de Acção exterior, um corpo diplomático criado pelo Tratado de Lisboa e que serve para dar apoio ao trabalho da nova alta representantes, Catherine Ashton. Nestes seis meses haverá doze cimeiras, algumas com América Latina, Estados Unidos, Rússia, Canadá, Egipto, Chile, Japão, Marrocos e Paquistão. Uma agenda cheia em matéria de Negócios Estrangeiros.

Entre outros dos seus projectos está o planeamento de assuntos sociais como o plano para encontrar mais igualdade entre os homens e as mulheres no trabalho, reforçar os directos dos cidadãos e programas para reduzir a violência contra as mulheres. A imigração também vai ter lugar de destaque nesta presidência assim como a luta contra as redes de tráfico de pessoas. Em matéria do cambio climático e depois do fracasso da cimeira de Copenhaga, Espanha tentará negociar, tal e como diz o secretario de Assuntos Europeus, López Garrido, “uma espécie de Copenhaga II”.

Novos Sócios

Espera-se o prolongamento da UE com o ingresso da Croácia, provavelmente ao longo do 2010 e Espanha espera fechar as negociações para a entrada da Islândia. Além disso quer abrir um novo capítulo nas negociações com a Turquia, um dos assuntos que mais divididos tem os Estados Membros.

Alto risco de atentado

O novo ano começa com a dura notícia da possibilidade de um novo atentado da ETA em Espanha. A presidência europeia é um do motivos, entre outros, para que o grupo terrorista esteja a programar um “atentado espectacular” como tem confirmado o ministério de Interior.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1460235&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 19/12

Haidar coloca Espanha entre espada e parede

Por Virginia López, correspondente do ‘El Mundo’

A activista saraui Aminatu Haidar, em greve de fome durante mais de 30 dias, colocou o Governo espanhol entre a espada e a parede. Se por um lado, o Executivo de José Luis Zapatero se considera o grande aliado da causa sarauí, por outro, Espanha não quis adoptar uma atitude agressiva contra Marrocos para não pôr em causa as relações bilaterais. Desde 14 de Novembro, data em que a activista chegou ao aeroporto de Lanzarote, nas Canárias, expulsa pelas autoridades marroquinas da sua cidade natal, El Aiún, o conflito por resolver do Sara Ocidental despertou nos media e na memória colectiva dos espanhóis. A greve de fome que Haidar fez em território espanhol recorda a dívida que Espanha tem para com o povo saraui. A activista de 42 anos disse estar disposta a morrer pela causa e acusou a Marrocos de desejar a sua morte. Mas Espanha soube desde o primeiro momento que não podia permiti-lo pelo que era preciso encontrar uma solução para o conflito, de maneira a não carregar também com essa responsabilidade sobre a sua memória histórica.

Mas Haidar rejeitou as opções apresentadas por Madrid para poder regressar a casa. A activista rejeitou o asilo político, assim como também rejeitou solicitar um novo passaporte às autoridades marroquinas porque disse que já tem o que lhe retiraram. Também não aceitou solicitar a cidadania espanhola porque defende que é saraui. Para ela, nenhuma destas três saídas apresentadas pelo governo espanhol resolviam a raiz do conflito.

Para compreender a luta de Haidar é preciso recuar até 1975, aos últimos dias da ditadura de Franco, quando Espanha paralisou o processo de descolonização do Sara Ocidental sob o auspício da ONU, devido às pressões de Marrocos e da Mauritânia, que posteriormente invadiram o território, após a Marcha Verde. A Frente Polisário iniciou uma guerra pela independência do Sara Ocidental que lançou dois terços da população saraui para campos de refugiados. Em 1991, declarou-se o cessar-fogo mas o referendo pela autodeterminação tem sido adiado por culpa de Marrocos. A defesa da realização da consulta popular pela autodeterminação já valeu a Haidar a prisão. No entanto, é do exterior que vem o reconhecimento tendo ganho vários prémios internacionais, que serviram para reacender a chama da causa saraui.

O Rei Mohamed VI de Marrocos acusou Haidar de organizar um complô com a Frente Polisário e com a Argélia para desestabilizar a região. Zapatero, atingido por um problema que Espanha não pode continuar a ignorar, insistiu na capacidade do seu governo para encontrar uma solução por via diplomática e sem enfrentar Rabat. Mas não é só o regresso de Haidar ao El Aiún que está em causa, mas também encontrar uma solução para o povo sarauí.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1451319&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 07/11

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Mariano Rajoy cala os seus rivais internos

por Begoña Íñiguez, correspondente da Cadena Cope

O líder do Partido Popular e da oposição em Espanha, Mariano Rajoy, sofre desaire atrás de desaire e, esta semana, teve de pôr na ordem as cores conservadoras e dar um muro na mesa para limpar as águas sujas que salpicaram, mais uma vez, a cúpula do PP.

O que levou Rajoy a perder a sua habitual calma e proclamar no Comité Executivo do seu partido que não haverá uma próxima vez? A gota de água que fez transbordar o copo ocorreu há dias, quando o vice-presidente da câmara de Madrid, Manuel Cobo, criticou publicamente a poderosa presidente da Comunidade Autónoma de Madrid e membro da Comissão Nacional do PP, Esperanza Aguirre, por querer impor o seu critério e nomear como presidente da Caja Madrid, a segunda maior caixa de poupanças espanhola, o seu delfim e vice-presidente, Ignacio González. Esta luta interna fez correr rios de tinta nos principais meios de comunicação em Espanha. Diante de semelhante confusão, Rajoy teve de actuar rapidamente, exigindo a Aguirre que retirasse o seu apoio a González e aceitasse Rodrigo Rato, o candidato preferido do líder do PP e da maioria dos pesos-pesados do partido.

Rato, ex-director do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi vice-primeiro-ministro e ministro da Economia durante o Governo de José María Aznar, entre 1996 e 2004. E era apontado por muitos como seu sucessor à frente do PP, tendo Rajoy acabado contudo por ser eleito.

O primeiro sinal de vitória de Rajoy neste ringue chegou quando Esperanza Aguirre reconheceu, finalmente, que Rodrigo Rato era o melhor candidato para presidir à Caja Madrid. E a segunda, apesar de ser uma meia vitória, aconteceu depois, após a convocação urgente do Comité Executivo Nacional do PP. E digo uma meia vitória porque Aguirre não apareceu na reunião e a sua justificação foi que assim os seus companheiros “podiam falar de forma mais tranquila”. No final da reunião extraordinária, Rajoy falou de forma clara para dizer que “não haverá uma próxima vez”, referindo-se, sem dúvida, a este tipo de lutas internas e disputas de poder. Todos os olhos estão agora postos em Aguirre. Os analistas políticos vêem-na mais fragilizada que nunca. As duras palavras de Rajoy são uma última oportunidade para a presidente da região de Madrid. Mais uma “das suas” poderá resultar na sua suspensão do partido, como aconteceu com Manuel Cobo, que mantém contudo o seu cargo na câmara de Madrid, ratificado pelo presidente, Alberto Ruiz Gallardón, inimigo acérrimo de Aguirre e eterno aspirante a presidir ao PP.

Neste cenário de lutas partidárias, salpicadas pelo caso Gürtel, que já cobrou em Valência, feudo do PP, a sua primeira vítima por suposto tráfico de influências na figura de Ricardo Costa, o ex-secretário regional, Mariano Rajoy venceu a sua primeira batalha. Mas a margem estreita-se cada vez mais para o líder do PP. Não pode haver uma próxima vez, como prometeu. No caso de haver mais rebeliões internas, conseguirá Rajoy sair ileso?

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1412956&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 24/10

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Escândalo no PP debilita Mariano Rajoy

por Virginia López (El Mundo)

Há menos de um mês, Mariano Rajoy surgia nas sondagens como o favorito para vencer as próximas eleições em Espanha. Mas na última semana a popularidade do actual líder da oposição começou a cair. Foi após a sua intervenção directa no Caso Gürtel, a investigação que desde Fevereiro se desenvolve na Audiência Nacional por um alegado caso de corrupção no interior do Partido Popular, que já atingiu a altos responsáveis do partido e conduziu a várias demissões. A mais recente foi ordenada directamente pelo próprio líder conservador Mariano Rajoy. Foi essa decisão a que agora lhe está a custar a perda de confiança por parte dos seus apoiantes. Mais de 70% dos eleitores do PP consideram que a sua má gestão da crise política aberta no partido pelo Caso Gürtel o afasta do governo de Madrid. Segundo o mesmo inquérito, 30% dos eleitores do PP estão insatisfeitos com a actuação do líder popular e 50% acredita que Rajoy não demonstrou autoridade suficiente para ultrapassar a crise.

Apesar das investigações do Caso Gürtel abrangerem várias autarquias governadas pelo Partido Popular, a imprensa espanhola dedicou o maior destaque às suspeitas vindas do governo regional de Valência, no qual foram arguidos, entre outros nomes, o presidente Francisco Camps, e o seu braço direito, o secretário-geral, Ricardo Costa. As distinções que Rajoy fez entre um e outro foram alvo de contestação e puseram em causa a sua liderança. Por um lado, Rajoy pediu a demissão do número 2 valenciano, Ricardo Costa, com o argumento de que o seu cargo de secretário-geral implicava um “acréscimo de responsabilidade política”; mas por outro, quando questionado pela imprensa porque não aplicava o mesmo critério ao número 1 valenciano, o presidente Camps, Rajoy simplesmente disse que este nunca lhe tinha mentido, pelo que o nível de confiança depositado nele mantinha-se inalterado.

Muitos eleitores do Partido Popular não perceberam o apoio de Rajoy a Camps. O presidente valenciano poderia ter participado, a troco de subornos, no jogo das adjudicações de contractos ilegais às empresas fantasmas do principal arguido na investigação, o empresário Francisco Correia, cujo apelido, traduzido ao alemão, deu nome ao Caso Gürtel.

O Caso Gürtel também salpica o governo

A investigação liderada pelo juiz Baltasar Garzón ainda vai dar muito que escrever. O Partido Popular denunciou esta semana que a corrupção também chega até o actual governo socialista. Os populares asseguram que em 2004 o executivo de José Luis Rodríguez Zapatero adjudicou contractos no valor de 300 milhões de euros a empresas relacionadas com o empresário Francisco Correia.

Opel: mais uma década em Espanha

Dos 1.672 despedimentos que a Magna tinha previsto fazer na fábrica espanhola de Opel, os sindicatos conseguiram reduzir o número para 900. Garantiram ainda que a produção da fábrica de Saragoça permanecerá intacta até o verão de 2011. Para o ministro de Indústria espanhol, este acordo assegurará o futuro de Opel em Espanha durante os próximos dez anos.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1399936&seccao=Europa

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