Jornal ABC- 12/09

Entrevista Antonio Mexia: Presidente de EDP
 
Texto y fotos: Belén Rodrigo, enviada especial a Kakuma (Kenia)
 

“Nos gustaría que el mercado español no parase para EDP en el 2012″

Como consejero delegado de EDP, Antonio Mexia no esconde su satisfacción por poner en marcha un proyecto pionero en el mundo que pretende replicar en nuevos campos de refugiados. Además acaban de recibir la noticia de ser líderes mundiales en los índices Dow Jones de Sostenibilidad. En entrevista a ABC, habla también de su interés por avanzar con proyectos en España que están ahora condicionados a conocer las reglas de juego para las energías renovables a partir de 2012.

P.- ¿Por qué una empresa como EDP invierte en un proyecto en un campo de refugiados?

R.- EDP es una empresa presente en 12 países con una visión global del mundo. Hemos hecho este proyecto en un mercado en el que no estamos presentes ni tenemos accionistas para demostrar que no se trata únicamente de vender,  de tener un discurso de limpieza de conciencia o de cosmética. Somos consistentes de la alteración de nuestra reputación y de la cultura interna

P.- ¿Y qué ha cambiado en EDP tras esta experiencia?

Es fundamental que las personas abran la mente para que las compañías sean competitivas. Hace falta tener visión y un cambio cultural. En el siglo XXI lo que va a distinguir a las buenas de las malas empresas va a tener mucho que ver con su capacidad de innovación.

P.- ¿Qué impacto está consiguiendo EDP con este proyecto piloto?

R.- El crecimiento de EDP en los mercados principales es hoy mayor,  ganamos visibilidad, tenemos acceso a otras áreas y despertamos el interés de inversores y mercados nuevos. Lo importante es tener capacidad para atraer personas y recursos y con este tipo de actuación se consigue desarrollando además nuestra posibilidades de actuación.

P.- ¿Qué es lo más genuino de este programa?

R.- Que las pesonas se involucran en él. Tiene un impacto en su vida desde el punto de vista estructural, sobre todo en las mujeres. Cuando  llegamos a un nuevo lugar debemos conquistar el derecho de quedarnos junto a la sociedad y los clientes  porque eso ayuda a atraer otras inversiones. Igualmente innovador es la respuesta entre los refugiados y los locales. Los kenianos quieren tener cerca a los refugiados porque gracias a ellos tienen acceso a más energía, más capacidad para ir busca agua y nuevas oportunidades, por citar algunos ejemplos.

P.- Miremos ahora a la Península Ibérica ¿cómo  se están planificando las inversiones de EDP en España?

R.- España es el segundo mercado más importante para nosotros, realizamos inversiones recientes como la adquisición de activos de Gas Natural que nos coloca como segundo operador de gas de la Península Ibérica en puntos de entrega. En este momento hay un exeso de capacidad térmica en España y como el mercado ibérico es de toda Europa el que tiene el precio de la energía más bajo, deja de ser atractivo comprar más activos. Seguimos estudiando inversiones y tomaremos una decisión cuando sea necesario.

P.- ¿Cómo condiciona los planes de inversión de EDP en España la falta de reglas para las renovables a partir de 2012?

R.- Nuestra inversión va a depender de esas reglas de juego y lo que esperamos es que, cara a los objetivos que España tiene después de 2012 en materia de renovables, defina las condiciones cuanto antes y de forma clara. Nos gustaría que el mercado español no parase para nosotros en el 2012  porque hemos competido en muchos concursos. En el mercado eólico hemos ganado en Asturias y Cantabria, estamos en fase de análisis en Galicia y Catalunña y esperamos presentarnos al concurso en Aragón y Castilla la Mancha.

P- Finalmente avanza la privatización de EDP

R.- Se va a realizar a través de obligaciones convertibles por lo que no se va a traducir por ahora en venta de acciones. Más adelante podrán ser o reembolsadas o pagadas en acciones. El Estado no va reducir su presencia en la empresa por lo que no va a influenciar nada en nuestro trabajo ni estructura accionarial. Nosotros lo único que queremos es atraer cada vez más accionistas que quieran entrar para quedarse.

Revista Pessoa- 06/08

 

“Os portugueses acham que são donos da língua”. Germano Almeida, escritor cabo-verdiano

Por Jaír Rattner

Autor de O testamento do sr. Nepomuceno, o cabo-verdiano Germano Almeida percorre em seu novo livro, A morte do ouvidor (Caminho, 2010), um momento chave na história do país: quando, por ordem do Marquês de Pombal, a oligarquia cabo-verdiana foi decapitada no século XVIII, para afirmar o poder do reino e garantir o comércio com o território do Grão-Pará e Maranhão.

Com a estrutura de um diálogo, o livro conta em paralelo duas histórias diferentes. A morte do ouvidor e o processo que se seguiu, nas palavras de dois cabo-verdianos da atualidade: um emigrante que volta para escrever o livro e o outro que viveu sempre em Cabo Verde. Eles têm visões diferentes sobre a realidade local.

Advogado, com 55 anos, Germano Almeida começou a publicar em 1980, na revista cabo-verdiana Ponto & Vírgula. Seu primeiro romance – O testamento do sr. Nepomuceno –, o único publicado no Brasil, deu origem ao filme que ganhou o Festival de Gramado como melhor filme latino em 1997. As marcas da sua escrita são o humor e a ironia em relação aos costumes em Cabo Verde. De passagem por Portugal, Germano de Almeida falou à revista Pessoa.

Pessoa – O livro tem traços de romance histórico, de uma história em diálogo e até de literatura de viagens. Qual desses elementos é mais forte?
Germano Almeida
– Nunca dou opinião sobre meus livros. Acho que é uma narrativa. Pertence ao leitor classificar o livro, e ele classificá-lo-á como entender. Por exemplo, eu me lembro quando publiquei O testamento do sr. Nepomuceno, toda gente disse que é um romance. E apareceu um crítico que disse que não, que é uma noveleta. Ao escrever, a gente nunca define se vai escrever um romance, uma literatura de viagens ou o que for.

P – Como surgiu a história?
GA – Conheci esta história há muitos anos, em uma sentença dessa época, que me mandaram de Portugal. Foi um jornalista, meu amigo, que mandou para Cabo Verde, e tinha encontrado a sentença num alfarrabista. Li a história com interesse, passava-se na minha terrra, Santiago, mas não tinha mais elementos sobre aquilo. Depois, ao longo do tempo, foram surgindo mais elementos da história de Cabo Verde, que ajudaram a entender o que tinha acontecido nessa altura. Não tinha elementos suficientes para fazer um romance histórico. Tenho aqui um livro com episódios históricos. É como se fosse um romance de personagens da atualidade, que contam a história do antigamente, porque não me sentia balizado para escrever um romance histórico. 

P – O livro relata momento chave na história de Cabo Verde, que é o fim da autonomia. O que isso significou para o país?
GA – Consequências extremamente desastrosas. Até essa altura, pode-se dizer que Cabo Verde vivia num regime de quase autogestão. A metrópole tinha muito pouca influência em Cabo Verde, e dava muito pouca importância a Cabo Verde. Os cabo-verdianos viviam nos seus comércios com a África, algumas coisas vinham da metrópole, porque Cabo Verde sempre esteve muito ligado a Portugal continental. Com o Marquês de Pombal, criou-se a Companhia do Grão-Pará e Maranhão, destinada a servir o Brasil. E Cabo Verde foi uma espécie de entreposto da companhia. Nessa altura tudo foi nacionalizado a favor da companhia. A oligarquia cabo-verdiana não gostou, praticaram algumas barbaridades, entre elas terem matado o ouvidor de que trata o livro. E foram decapitados. A partir daí, durante todo o tempo do marquês, e nos reinados seguintes, Cabo Verde viveu em regime decolônia. Acho que nunca mais saiu disso, até a independência.

P – No livro, há um conflito latente. Entre os emigrantes e os que ficaram em Cabo Verde. O que representa isso na sociedade cabo-verdiana atual?
GA – Muito menos do que representou antigamente. Pois antigamente tínhamos o que chamamos de “terra longe”. O emigrante ia e voltava anos depois. O emigrante sai de Cabo Verde e deixa uma realidade. Quando volta quer encontrar a mesma realidade, o que não acontece, porque nós evoluímos. O emigrante dificilmente aceita isso, e continua a ver-nos com os mesmos olhos, com alguma superioridade. E nós também não aceitamos isso. Agora está mais fácil, na medida em que o emigrante tem maior facilidade de comunicação com Cabo Verde. Também é verdade que os emigrantes, quando chegam em Cabo Verde, chegam com hábitos diferentes, com costumes diferentes, que significam de algum modo uma agressão ao nosso modo de vida, assim como acontece com os turistas. O nosso emigrante não é muito diferente do turista.

P – Acredita que existe uma literatura de língua portuguesa, com traços comuns nos oito países?
GA – Há uma literatura feita em língua portuguesa. Agora eu não acredito muito na chamada literatura lusófona. Há literatura de Cabo Verde, de Angola, de Portugal, do Brasil. Nós usamos a língua portuguesa para traduzir nossa cultura específica. Não podemos dizer que há uma literatura lusófona, como se nós escrevêssemos da mesma maneira e sobre a mesma realidade.

P – Hoje, em Cabo Verde, há muita influência da literatura brasileira?
GA
– Já existiu muito mais. Neste momento, o contato com o Brasil, na literatura pelo menos, é feito através de Portugal. No comércio é feito diretamente, mas na cultura depende de Portugal. Infelizmente, o corpo diplomático brasileiro não é tão agressivo como poderia ser, e limita-se a atividades nas cidades da Praia e de São Vicente. A influência da literatura brasileira foi grande em Cabo Verde, sobretudo no tempo da revista Claridade, que surgiu em Cabo Verde no ano de 36, e foi extremamente influenciada pela literatura brasileira, especialmente pela nordestina. Nós temos poetas que de alguma forma imitaram Manuel Bandeira, não como plágio, mas por amor. José Lins do Rego e Guimarães Rosa foram muito lidos em Cabo Verde. Hoje é muito pouco.

P – O que se lê hoje em Cabo Verde?
GA
– Lê-se em Cabo Verde o que se lê em Portugal. Algum autor brasileiro publicado em Portugal tem hipóteses de chegar a Cabo Verde, mas não muitas.

P – O fato de existir o acordo ortográfico, ajuda o intercâmbio entre as literaturas dos oito países?
GA – Não acredito que o acordo ortográfico em si vá ajudar o intercâmbio. Não era a falta do acordo ortográfico que nos impedia de ler autores brasileiros. É evidente que é uma forma diferente de ler: quando encontro “fato” sem “c” e estou habituado a “facto”, com “c”. Do mesmo modo, quando encontro “terno” como se fosse “fato” me causa estranheza, mas isso são pormenores a que nós nos devemos habituar. Do mesmo modo, que quando escrevo em português uso imensas expressões e palavras do crioulo. Penso que o acordo ortográfico será mais uma pequena chatice. Mas acho que é necessário. Não devemos correr o risco de ter oito línguas diferentes a partir do português. Na medida em que é possível preservar esse instrumento que serve para expressar a cultura dos nossos países, isso é positivo. Penso que deve haver cedências para que haja um acordo de forma a não nos desviarmos demasiadamente uns dos outros. Dizer que me agrade particularmente, não. Aliás, eu vou continuar a escrever do mesmo modo que estou habituado, porque sei que alguém vai corrigir-me.

P – Alguns brasileiros reagiram, dizendo que os portugueses se acham “donos” da língua.
GA 
– Penso que essa afirmação é verdadeira. Os portugueses acham que são donos da língua, e isto é muito mau. Os portugueses precisam entender que a língua portuguesa é tanto deles como nossa. A língua foi deles, agora dividimos a língua. Temos que aceitar essa realidade. Aliás, afirmo orgulhosamente que a língua é tanto dos portugueses como minha língua, e não quero desfazer-me dela.

http://www.revistapessoa.com/artigo.php?id=33

Jornal ABC – 29/04

«Mi idea no es derribar al Gobierno sino hallar una buena respuesta a la crisis»

Por Belén Rodrigo, correspondente

Pedro Passos Coelho, en su oficina, durante la entrevista con ABC

El jefe de la oposición, Pedro Passos Coelho, se muestra conciliador con el primer ministro, el socialista José Sócrates, y pretende, antes que nada, sacar a su país del pozo. Pero está convencido de que es la alternativa a un Ejecutivo sin credibilidad.

 

Pedro Passos Coelho vive sus primeros días como líder del principal partido de la oposición, el PSD (Partido Social Demócrata, centro derecha), preocupado por la situación financiera que atraviesa su país. En la conversación mantenida con ABC pide al Gobierno medidas más eficaces para afrontar la crisis, y ayer mismo, ya realizada esta entrevista, se reunió con el primer ministro. Ambos han decidido trabajar conjuntamente para que los objetivos presupuestarios de Portugal se concreten lo antes posible. José Sócrates ha acabado dándole la razón.

En el PSD se han sucedido muchos líderes en un breve espacio de tiempo. ¿Esta vez con usted será diferente?

Confío que sí. Primero porque el resultado en las elecciones internas fue muy expresivo (61,1%), lo cual indica la clara voluntad de cambio dentro del PSD. Las personas quieren que el PSD reencuentre su camino en Portugal. Es un gran partido con una historia de Gobierno. Con excepción de tres años en el inicio de la década, el PSD está prácticamente alejado del Gobierno hace 16 años. Hay un compromiso muy grande de las personas del PSD en volver a darle la posición de poder y eso no se consigue sin afirmación política y sin estabilidad interna. Espero poder contribuir para la afirmación política. Creo que ya he dado señales suficientes de que puedo dar una paz interna para que el PSD sea un factor de confianza para los portugueses.

¿Por qué el PSD ha estado tanto tiempo a la deriva?

Fueron años que siguieron al Gobierno de Cavaco Silva. Primero fue difícil encontrar un sucesor y después la experiencia de Gobierno (del 2002 al 2005) fue negativa porque estábamos en una grave crisis económica y el partido no estaba bien preparado para regresar al poder. Las cosas no salieron bien y el Partido Socialista ganó por primera vez con mayoría absoluta. Es natural que el PSD se dejase hundir por ese resultado.

¿Cree que para que un partido sea fuerte y organizado debe estar en el poder?

El poder ayuda pero los partidos para llegar allí deben ser vistos por los electores con esperanza y confianza. El partido para poder tener una acción reformista y suscitar apoyo de la población tiene que ganarse la confianza. Las propuestas que presenta deben ser entendidas por la gente como buenas y deseadas. Y en el poder debes demostrar que existe capacidad para ejecutar ese programa. Cuando esa capacidad existe los partidos crecen y ganan auto confianza. Les fortalece. Para llegar al poder hay que cambiar algo que cree confianza y esperanza en las personas. Es el camino que quiero realizar ahora con el PSD

Llega a la dirección del partido en medio de la crisis y con Portugal en el punto de mira. Es de los que piensan que después de Grecia va Portugal o es más optimista?

Portugal tiene todavía espacio suficiente para evitar ser el país que sigue a Grecia. Tenemos una condición macroeconómica adversa pero no tenemos los problemas más serios de Grecia. Como el de credibilidad de las cuentas públicas. Tenemos un déficit externo muy elevado y registramos un déficit público muy por encima de lo que un buen desempeño financiero permite. Portugal tiene responsabilidades propias que no están relacionadas con la crisis internacional, en lo que se refiere a la deuda externa. Desde que entramos en la moneda única la deuda ha crecido a un ritmo próximo del 10 %. Es un problema estructural que se debe atacar. Pero está el déficit público, sobre todo del resultado de la crisis externa que necesita de medidas que de un modo general se han tomado. Nosotros no estamos como Grecia porque no tenemos el problema de credibilidad de nuestras cuentas y también porque hemos tomado medidas de combate que permitirán reducir el déficit público. No obstante, Portugal necesita ser algo más ambicioso que trabajar únicamente para el resultado de pacto de estabilidad. Necesitamos emprender reformas estructurales que impidan al país la deuda externa, que promueva el ahorro, y que aumente la competitividad de las empresas portuguesas.

¿Qué propone para salir de la crisis?

Tenemos que tener una respuesta de coyuntura convincente. El riesgo de contagio de la deuda griega ha afectado a Portugal y a España pero ninguno de los dos países están como Grecia. Y creo que si los dos siguen políticas de corto plazo para hacer frente a los desequilibrios financieros que los mercados creerán que somos capaces de cumplir la reducción del déficit. Espero que en el caso portugués, las medidas de ataque a la crisis puedan envolver también el componente estructural. El PSD ha presentado medidas de corte del gasto corriente y de combate al desperdicio en las políticas públicas que pueden ser muy importantes para mantener en lo sucesivo un déficit bajo.

Por otro lado faltan las medidas estructurales de largo plazo que tienen que ver con el crecimiento de la economía y hacen referencia sobre todo a la competitividad de las empresas y del sector exportador, con un aumento de la tasa de ahorro.

¿Confía en los resultados del actual programa aprobado?

El programa presentado por el Gobierno en Bruselas es creíble en el sentido que propone un camino para la reducción del déficit presupuestario y para contener el déficit del Estado. Pero podría ser mejorado en dos aspectos. Primero, con medidas más robustas ya en el 2010, que tranquilicen a los mercados sobre nuestro compromiso en la estabilización financiero. Pero sobre todo debe mejorar consiguiendo reducir el gasto estructural, menos mecanismos de aumento de impuestos y más de gastos estructural, y apostando más en el crecimiento.

Una de las medidas es aplazar el AV Oporto – Vigo. ¿Cuál es s opinión sobre el tren de alta velocidad ibérico?

El Gobierno ha aprobado una serie de inversiones públicas que desde el PSD son bastante cuestionables. La inversión del tren de alta velocidad Lisboa – Madrid no se debe poner en causa porque fue asumido por varios Gobiernos. Desde nuestro punto de vista debía tener un nuevo calendario porque Portugal debe dar crédito a la economía interna que permita a las empresas portuguesas sobrevivir en un momento muy difícil. Exige aplazar el proyecto, por lo menos tres años, para oxigenar la financiación a las empresas. Hay otras conexiones que no son prioritarias para Portugal y no deben realizarse en alta velocidad sino en velocidad elevada, que supone una diferencia de costes de uno para tres. Desde el punto de vista ferroviario, creo que se debería realizar la conexión entre Aveiro y Salamanca, permitiendo que España apostase en la electrificación de esta red que sirve para la explotación de mercancías portuguesas a partir de los puertos de Leixões y Aveiro. Pero esta conexión no está prevista por el actual Gobierno.

El discurso antiespañol de Manuela Ferreira Leite marcó gran parte de la campaña electoral

No deben existir dudas sobre la lectura que el PSD hace en las relaciones con España. Debemos tener una visión moderna y ambiciosa de esta relación y no una visión desconfiada o con exceso de prudencia. Tenemos las dos economías relativamente integradas. La economía portuguesa está integrada en el espacio europeo y en el ibérico. Tenemos un déficit comercial acentuado con España. Hay un camino grande por realizar, apuesta de la inversión portuguesa en el mercado español y de crecimiento de la exportación portuguesa. No existe desconfianza en el PSD y creo que esas expresiones no corresponden a la lectura que el PSD tiene en su relación con España

Su libro se llama “Mudar“(Cambiar) ¿Cree que los portugueses quieren realmente cambiar?

Las personas quieren cambiar pero necesitan confianza para hacerlo. Entienden que el modelo adoptado se está agotando. No conseguiremos invertir la situación sin realizar reformas. Cuando dieron al PS la mayoría absoluta hace cinco años fue la primera señal de que las personas no tienen miedo de cambiar. La decepción de los portugueses impulsará un nuevo resultado electoral, esta vez del lado del PSD, si sabemos encontrar el camino que tranquiliza a las personas. Que sepan que van a tener del Estado social una respuesta de cobertura de riesgos en un futuro incierto pero que al mismo tiempo no queda presa de un financiamiento ilimitado en los impuestos. Debemos encontrar una reforma del Estado social que defienda la protección de las personas pero que las liberte del peso de financiación para el Estado. También necesitamos apostar en libertar la economía porque el estado consume demasiados recursos en la economía y deja poco espacio para las empresas privadas, que deben ser el gran motor de la economía.

En los últimos años en Portugal hemos confundido mucho el Gobierno con la administración y la administración con el Estado. Me acusan de ser demasiado liberal en este aspecto pero no soy yo quien es liberal sino que el país fue demasiado dependiente del Estado en los últimos años. Debemos dar un espacio grande a la sociedad para que respire, dignificar el Estado en sus funciones más nobles y responsabilizar los Gobiernos por sus actos impidiendo que los partidos se asuman dueños del país. Que las personas vuelvan a crear en los políticos y en sí mismas.

Con el PS sin mayoría en el Parlamento. ¿Cree que se llegará al final de la legislatura?

Mi primera preocupación no es derrumbar al Gobierno sino encontrar una buena respuesta para la crisis y crear condiciones para la reforma estructural del país. En la medida en que este Gobierno acepte alguna de estas propuestas estamos disponibles para ayudar al país sin precipitar una crisis. Pero el Gobierno perdió la mayoría, es decir, la sociedad le censuró, y si se mantiene como hasta ahora, con una posición de arrogante, es muy difícil que dure cuatro años.

¿Celebrar ahora unas elecciones perjudicaría al PSD, con un líder recién llegado?

Prefiero colocar la pregunta respondiendo si es bueno o malo para el país. Elecciones anticipadas perjudican al país si tenemos una alternativa durante este tiempo en el que los mercados externos necesitan confiar en el camino que vamos a realizar de recuperación económica. Si el Gobierno encuentra una solución creíble no hace falta hacerlo, hay condiciones para que los mercados no vean que Portugal es el país que sigue a Grecia. Y si así fuera, sería malo para España, porque seguirían a Portugal y sería un desastre financiero que no sería justo ni para Portugal ni para España. NO deseo una crisis política a Portugal y espero que el Gobierno contribuya positivamente para evitarla. Mi misión es preparar al PSD para regresar al Gobierno

¿Los portugueses están decepcionados con el actual Gobierno?

El PS y el actual primer ministro han ido perdiendo credibilidad y capacidad política. Las personas en Portugal no consiguen identificar una bandera reformadora importante que se asocie a este Gobierno. Da la impresión que se ha desorientado con la crisis económica y social. Parece que perdió su capacidad reformista y cuando esto ocurre se pierde la capacidad creativa y deja de tener una relación de complicidad con el electorado. El PS no tiene para el país una esperanza de futuro. Creo que difícilmente con Sócrates el partido ganará la confianza de los portugueses.

¿Qué papel cree que Portugal merece en el mapa mundial?

Portugal tiene una oportunidad muy buena de beneficiarse con la globalización. Estamos en una posición muy ventajosa en la conexión de África, América Latina y Oriente. Europa ha perdido competitividad y espacio comercial en el mundo global. Si conseguimos coger el tren en China e India quizás Portugal consiga escapar de la muerte lenta de Occidente.

Retoma su actividad política tras unos años en el mundo empresarial ¿puede marcar la diferencia?

Es una ventaja porque los políticos muchas veces están cerrados en un mundo demasiado artificial. Crean una visión interpretativa del mundo muy limitada por la experiencia en el propio círculo. Quien viene de fuera trae una perspectiva más realista y más pragmática. Creo que esta experiencia puede ser útil para el PSD y espero que también para el país

¿Qué importancia da al carisma en un líder?

Los políticos y líderes deben tener carisma pero hay muchas formas de tenerlo. En ciertas circunstancias hay cualidades que se muestran más evidentes y muy relevantes. Espero que en mi desempeño de mis funciones pueda marcar la diferencia pero apuesto sobre todo en el trabajo de equipo, no únicamente en mi talento. La suerte da mucho trabajo y el mundo en el que vivimos saber aprovecharlas puede ser importante para nuestro éxito.

http://www.abc.es/20100429/internacional-europa/idea-derribar-gobierno-sino-20100429.html

DW Rádio (Língua Portuguesa) – 16/02

 

Por João Carlos, jornalista

Cabo Verde está a fazer reformas com o objectivo de dar projecção nacional e internacional às suas Forças Armadas, preparando as respectivas estruturas para missões de apoio à paz. O país também quer ser um parceiro útil na relação com a NATO, segundo revelou à DW o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Cabo Verde, Coronel Fernando Carvalho Pereira, que acaba de visitar Portugal no âmbito da cooperação técnico-militar entre os dois países.

(www.dw-world.de/portuguese)


DW Rádio (Língua Portuguesa) – 25/01

Por João Carlos

O Centro de Análise e Operações Marítimas (MAOC-N), com sede em Lisboa, nasceu de um acordo ratificado entre oito países europeus com o objectivo de partilhar informação e gestão conjunta de meios aéreos e marítimos para o combate ao tráfico de drogas da América do Sul para a Europa, com passagem pela África Ocidental. O Centro, que funciona como uma plataforma de cooperação, conta por exemplo com a Alemanha e Cabo Verde no grupo dos países observadores. De acordo com o seu novo director, Ferreira Leite, o Brasil também está interessado em fazer parte da instituição.

(www.dw-world.de/portuguese)


DW – Dezembro

Entrevista a Joseph Hanlon

por João Carlos

Moçambique deve reflectir sobre a revisão da Lei Eleitoral, para sanar as contradições existentes no pacote legislativo, de modo a criar um ambiente mais transparente nos próximos actos eleitorais. Quem o diz é Joseph Hanlon, perito internacional sobre o processo eleitoral moçambicano, ligado ao CIP (Centro de Integridade Pública de Maputo). Em entrevista à DW em Lisboa, disse-nos que as eleições gerais de 28 de Outubro não foram livres e justas. (www.dw-world.de/portuguese)



DW – 09/12

Agnès Varda

por Alison Roberts

Agnès Varda, a pioneering movie-maker since the 1950s, when she met her equally famous husband-to-be, the late Jacques Demy, remains highly active at the age of 81. Her autobiographical ‘Les Plages d’Agnès’ – released in English as ‘The Beaches of Agnes’ – won a César (the French equivalent of the Oscars) for best documentary earlier this year, and she has been experimenting with installations involving film, with exhibits at galleries in Lyons and Oporto. Alison Roberts caught up with her in Portugal.(http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4994783,00.html)


Trópico Ideias de Norte e Sul – Outubro 2009

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Portugal e a doença da identidade

Em novo livro, o filósofo José Gil reflete sobre a subjetividade portuguesa, do salazarismo até os dias atuais

por Renato Mendes

– trechos da entrevista com o filósofo José Gil –

Considerado um dos “25 grandes pensadores do mundo” pela revista francesa “Le Nouvel Observateur”, o filósofo português José Gil tornou-se também um êxito editorial com “Portugal Hoje – O Medo de Existir”. O polêmico livro foi reimpresso 11 vezes e vendeu mais de 50 mil exemplares. Portugal é novamente tema da reflexão do filósofo, na sua nova obra: “Em Busca da Identidade: O Desnorte”, lançada recentemente pela editora Relógio d’Àgua. A partir de conceitos de Ferenczi e Foucault, José Gil reflete sobre as subjetividades portuguesas e identifica na história mais recente de Portugal os processos que as originam.

Para o autor, o mal português é a hiperidentidade, construída em boa parte no período da ditadura salazarista. “Vivemos numa introjeção estilhaçada, entre o fim de uma neurose, o começo de uma psicose e a multiplicação de possíveis. A única maneira de remover o obstáculo da identidade é destruí-la como instância territorializante. Deixarmos de ser primeiro portugueses para poder existir primeiro como homens”, escreve. A Revolução dos Cravos (1974) divide o tempo português em dois momentos opostos e passa a ser um marco no processo de subjetivação -um processo de reconquista do eu, que é impraticável.

“O Desnorte” é um livro suscinto, mas de enorme densidade e sofisticação intelectual. A leitura remete o leitor para conceitos essenciais de pensadores que o inspiram -a introjeção e a subjetivação. Mas José Gil transgride, quando estende as fronteiras do seu pensamento ao coletivo.

Nascido em 1939, em Muecate (Moçambique), José Gil formou-se em filosofia na Sorbonne, em Paris, em 1968. Regressou a Portugal em 1976 e assumiu o cargo de adjunto do secretário de Estado no Ensino Superior e da Investigação Científica no quarto governo provisório do país.

Em 1981, tornou-se professor convidado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde permaneceu até 2009, quando se aposentou. Seu doutoramento, concluído em 1982, na Universidade de Paris VIII, foi feito sob a orientação do historiador da filosofia François Chatêlet.

O autor possui várias obras relevantes, que tratam de filosofia, artes, dança e literatura. Com somente dois livros publicados no Brasil, “Diferença e Negação na Poesia de Fernando Pessoa” (Relume Dumará) e “Movimento Total – O Corpo e a Dança” (Iluminuras), o autor diz que “Fernando Pessoa e a Metafísica das Sensações” foi praticamente o seu primeiro livro a ser lido no Brasil, em grande parte através de fotocópias que se fizeram. Em 2010 viajará ao país para participar de um colóquio internacional sobre “O Acaso”, promovido pela professora Maria Cristina Franco Ferraz colaboradora de Trópico.

Foi em Lisboa, no antigo bairro da Ajuda, em seu escritório repleto de livros, que o filósofo concedeu a entrevista a seguir, de quase duas horas. José Gil refletiu sobre as relações entre seus dois últimos livros, abordou o discurso político como elemento fundador de subjetividades, desconstruiu a expressão portuguesa “chico-espertismo” –equivalente ao “jeitinho” brasileiro- e apontou as causas para o nacionalismo larvar europeu.

*

De que forma “O Desnorte” está unido às reflexões do seu livro anterior, “Portugal Hoje – O Medo de Existir”?

José Gil: Em primeiro lugar recusei-me sempre a afirmar e aceitar que se procurasse no “Medo de Existir” uma descrição da identidade portuguesa: “os portugueses são pessoas que não assumem responsabilidades, que são invejosos” etc. Tudo isso, a cada entrevista que me faziam, vinha como se fosse um traço da identidade dos portugueses.

Acho que vem até ecos dessas respostas nas entrevistas que foram publicadas no fim do livro, nas últimas edições. Eu respondia sempre que não se trata da identidade dos portugueses, não é isso que me interessa. Eu não ando à procura da identidade, não sei o que é. A própria noção de identidade me parece muito controversa. O que eu procurei –por falta de melhor termo- foi descrever uma mentalidade, as mentalidades do povo português. Mentalidades que podem sedimentar-se, que podem durar muito tempo, mas que podem se modificar.

O “Medo de Existir” não trata da identidade portuguesa, eu não quero tratar disso. Mas há um problema dos portugueses com o que eles são. Quis analisar o que é esse problema dos portugueses e, ao mesmo tempo, ver se havia uma ligação entre o problema da identidade e aquele problema que está no centro do livro “Medo de Existir”, que é: por que isso não muda? Por que há uma resistência tão grande à mudança das mentalidades portuguesas? Então, essas questões deram origem a primeira parte do livro “Em Busca da Identidade: O Desnorte”. Esse é o primeiro elo que liga os dois livros…continua

A doença da identidade e a hiperidentidade têm a sua causa no “vírus do eu”, que é ditador e opressivo, escreve o senhor. Como se dá o surgimento e a evolução desta doença?

José Gil: Não sou historiador das ideias, seria necessário um genealogista de tipo Foucault. Não lhe posso dar uma baliza no tempo histórico português para o começo dessa doença da identidade. O que posso fazer é mostrar como ela é realmente uma doença, em primeiro lugar, e como se transforma e toma outros aspectos patológicos, quando passa do salazarismo para o 25 de Abril (Revolução dos Cravos)…continua

O senhor aplica um conceito de Ferenczi para descrever novas formas de subjetivação em busca da identidade. Poderia falar a respeito?

José Gil: Quando eu falo em patologia, evidentemente que estou a cometer aqui um pecado, quase uma blasfêmia, porque estou a transpor uma noção médica, da patologia psíquica individual para o coletivo. Ora, nós não sabemos ainda, ninguém sabe o que é uma patologia social, agimos sempre por analogia, por semelhança.

Em primeiro lugar, a tentativa de o fazer torna-se mais fácil com a utilização de determinados conceitos, que eu fui buscar a Ferenczi: o conceito de introjeção. Há uma descrição, de que eu cito um extrato, que é lindíssima –infelizmente, sobre o que faz um neurótico e o que é um neurótico. E, se o senhor já viu um neurótico –eu já vi muitos-, vê como Ferenczi, que era um homem de uma sutileza penetrante de inteligência, que viu e descreveu tal e qual faz um neurótico…continua

O senhor identifica no salazarismo um mecanismo que fundamenta a passagem da neurose para o plano coletivo. Para isso, é necessário um poder brutal. Como se sustenta a ideia da “neurose coletiva”?

José Gil: Eu não sustento –os psiquiatras sabem disso. As condições que rodeiam e que constituem o território do neurótico, ou do psicótico, sobretudo, são condicionadas de tal maneira que, em vez de estarmos em presença de um delírio –psicose- ou de um fantasma –neurose-, estamos em presença de uma realidade.

Por exemplo: a família com um pai paranóico digamos que é um território fechado. Ele tem mulher e filhos. Se ele tem a possibilidade de fazer-se obedecer, e fazer com que aquilo que ele diz e delira seja realmente efetuado pelos membros da sua família, nós verificamos que esse homem adquiriu uma certa “saúde”, quer dizer, expurgou a sua patologia, de certa maneira induzindo-a nos membros da família, na rede de comportamentos da família. …continua

“Esta entrevista foi originalmente publicada na revista cultural “Trópico”, do UOL (www.uol.com.br/tropico)”.

Jornal ABC – 05/10

Pedro Santana Lopes: “Portugal tiene cultura socialista, el centro derecha aquí es un intruso”

por Belén Rodrigo

Pedro Santana Lopes marca diferencia, como político y como persona. Dicen de él que tiene siete vidas y ya pasó tiempos en los que le dieron por “políticamente muerto”. Ha estado al frente del ayuntamiento de Figueira da Foz, de Lisboa, y del Ejecutivo luso, y tras unos años alejado del poder, se presenta para alcalde de la capital lusa, elecciones que se celebran el próximo domingo, dos semanas después de las legislativas que dieron la victoria a los socialistas. Recibe a ABC en plena campaña y acepta hablar de la situación política de su país y de su partido, el centro derecha (PSD), sin olvidar su objetivo, retomar el trabajo iniciado en Lisboa que le obligaron a abandonar. En su vuelta, su partido le apoya, pero no le arropa, “hago la campaña solo, en las calles, me gusta así, es mi estilo y mi forma de ser”.

P.- ¿Es difícil comenzar una campaña después de la derrota de su partido en las legislativas?

R.- Es políticamente más difícil, aunque en Lisboa los resultados han sido buenos. Si sumamos los votos del PSD, CDS-PP y los dos partidos pequeños que forman la coalición por la que me candidato, tuvimos un 5 % más de votos que el PS. Las elecciones locales son diferentes a las nacionales pero al estar tan próximas es poco probable que la gente cambie de voto.

P.- ¿Sorprendido por la derrota?

No, únicamente un poco por la diferencia. Hubo una oportunidad perdida de ganar por un conjunto de circunstancias. Competí con Manuela Ferreira Leite hace un año y expliqué porqué no se debía presentar a la presidencia del PSD. A partir del momento que fue elegida hice todo lo posible para ayudarla, hay un tiempo para guerras y otro para unirnos. Mi partido la escogió por eso la culpa de haber perdido no es únicamente de ella.

P.- ¿Y qué le pareció el mensaje “antiespañol” de Ferreira Leite en la campaña?

La excesiva concentración de la campaña en el AVE y en las cuestiones relacionadas con España marcó un giro en la misma. El PS fue hábil y aprovechó bien esa situación. No voy a comentar sus palabras pero debo decir que estoy a favor del AVE. Fui diputado europeo entre el 86 y 89, cuando no había autopista entre Madrid y Lisboa. La situación era la misma, España realizando la autopista hasta Badajoz y en Portugal muchas personas estaban en contra de unirla a Lisboa. Para un país tan periférico es muy importante estar conectado por las vías rápidas al resto de Europa.

P.. ¿Van a cambiar muchas cosas en su partido después del 11 de octubre?

No lo sé, se analizará bien la situación y luego veremos las consecuencias. El PSD ha tenido muchos líderes en los últimos tiempos y necesita serenidad.

P.- ¿Es posible pensar en Santana Lopes como alcalde de Lisboa y presidente del PSD?

No, únicamente como alcalde

P.- ¿Qué está pasando en la política portuguesa?

En Portugal hay una cultura social con una marca socialista fuerte. Desde el 25 de abril, el PSD únicamente logró gobernar más tiempo con Cavaco Silva, que fue una excepción. Durão Barroso entró para primer ministro, perdone la presunción, porque gané las municipales en el 2001 en Lisboa a João Soares, cuando nadie lo esperaba. Guterres se dimitió y entró Barroso, que duró dos años. Yo entré en la decadencia de aquel gobierno y Sampaio lo disolvió. Casi cinco años después se puede ver cómo las cosas siguen una lógica respecto a dicha fuerza socialista. Manuela Ferreira Leite, que podía haber ganado las elecciones, acaba por tener un resultado igual al mío en 2005, cuando me presenté frente a Sócrates. Y él, a quien muchos daban por perdido en esta batalla, ha conseguido ganar.

P.- ¿Encuentra una explicación?

El centro derecha en Portugal es un intruso. En cinco años el PS perdió el gobierno y Lisboa, y en el mismo tiempo lo recuperó. Ahora continuará otros cuatro años en el Gobierno y están haciendo todo lo posible para mantener Lisboa, con una lista que engloba a Antonio Costa, Roseta y Sá Fernandes, que piensan los tres cosas totalmente diferentes en temas fundamentales. En Portugal la anormalidad es normal, hay dos pesos y dos medidas en donde algunos políticos utilizan la justicia para atacar a sus adversarios políticos y España sabe muy bien lo que es eso. El PP ha sido muy investigado.

P.- ¿Siente el apoyo de su partido?

Yo creo que ya se han acostumbrado a verme correr solo. La presidenta ha sido impecable

He tenido el apoyo de las principales figuras del partido pero no en la campaña, también están cansado, hubo las europeas, las legislativas. Interiormente me apoyan. Hago la campaña solo, en las calles, me gusta así, es mi estilo y mi forma de ser. Hace poco me decían “usted ni su partido tiene detrás de sí”. Ya no me extraña, siempre hice campañas así. Soy un personaje un poco al margen del sistema. Mi equipo trabaja solo y puede ganar. El verdadero sondeo para estas elecciones fue el día 27. Eso sí, debo decir que es más normal que gane el presidente que está en funciones, pero puede perder.

P.- Después de haber estado apartado un tiempo de la política activa, ¿por qué regresa?

Fue un camino interrumpido involuntariamente y me quedé con el deseo de volver. Me encanta el trabajo del poder local. Tenía un sabor amargo, ácido, por haber salido del ayuntamiento de Lisboa por circunstancias excepcionales, no era lo que quería.

P ¿Se ha arrepentido de aceptar en su día sustituir a Barroso como primer ministro?

Si supiese lo que me iba a pasar no hubiese ido pero en ese momento no tuve alternativa, tuve que decir que sí, porque de lo contrario era una traición. Mi partido quería que fuese yo quien sustituyese a Barroso y si hubiese dicho que no, dirían que era un egoísta. Creo que he conseguido asimilar bien mi pasado, estoy en la lucha otra vez y en serio, por lo que quiero hacer ahora y en el futuro. Pasé página y quiero pensar en lo que voy a hacer en los próximos años.

P.- Sampaio disolvió el Parlamento cuando era primer ministro. ¿Cree que Cavaco Silva puede hacer lo mismo si Sócrates decide gobernar en mayoría relativa?

Es poco probable, tendremos elecciones presidenciales en breve. Vamos a tener un periodo de algunos años estabilidad. El primer ministro tiene condiciones para gobernar los cuatro años, y eso es deseable para Portugal, la estabilidad. Si Cavaco Silva fuese reelegido no sé lo que pasará.

P.- ¿Portugal está siendo muy perjudicado con esta inestabilidad?

La inestabilidad política perjudica mucho al país para su imagen en el extranjero, para la economía, la inversión nacional e internacional, la imagen del país, cotización de las agencias de rating internacional, etc.. Es bueno entrar en una fase de serenidad institucional, Portugal necesita la estabilidad para poder entrar en el proceso de recuperación mundial porque si no se queda atrás. Es esencial la estabilidad institucional

P.- ¿Y el PSD aprender a ser una buena oposición?

Exactamente, ahora esa es su obligación

P.- Lisboa con sentido, su eslogan. ¿Qué no tiene sentido en Lisboa?

Que una buena parte del a capital esté entregada a manos del Estado por causa de las conmemoraciones del centenario de la República, que no se apruebe ley de rentas como hizo en España, la completa ensaladilla rusa del equipo que dirige el actual ayuntamiento…Lo importante del día 11 es saber si Lisboa va a tener un ayuntamiento que trabaja en junto con el Gobierno, pero es independiente, o un ayuntamiento sometido a los intereses del Gobierno. No es por ser el mismo partido. El Estado hace obras en Lisboa sin dejar que hable el ayuntamiento. Hay muchos intereses por detrás y hace falta cumplir las reglas

P.- ¿Qué papel merece Lisboa en el contexto europeo?

Tenemos una manía, como ocurre en España, la de querer ser plataforma intercontinental, placa giratoria entre diferentes partes del mundo. El papel de Lisboa es ser encuentro de civilizaciones, una ciudad que es más próxima del continente americano y la puerta de Europa, y que tiene una relación muy especial con África y Brasil. Es su plusvalía. Una capital histórica y a la vez capital de millones de personas que hablan la misma lengua. Forma parte de una península ibérica donde los dos estados se miran de manera desinhibida y sin complejos ni de superioridad ni de inferioridad. Es una ciudad para atraer inversiones, viajes de fin de semana, de media y larga duración. Por eso no puede perder su aeropuerto. Es un error estratégico que el alcalde de Lisboa deje a la ciudad sin aeropuerto sin ninguna pista, un error para la hotelería, comercio, para toda la ciudad

P.- ¿Piensa ya en proyectos en conjunto con Madrid y Barcelona?

Tenemos la obligación de hacerlo en el ámbito de la cultura, principalmente en el área de la nueva creación, diseño, moda, expresión contemporánea. Con Madrid hay mucho trabajo que hacer en conjunto en tema de transportes

P.- ¿Satisfecho con el peso político de Lisboa?

Puede tener mucho más, pero para eso hace falta que su área metropolitana debe estar más instituida… y ahora ni en los transportes tenemos ese poder. En Portugal a veces lo más fácil de hacer nunca se hace, se arrastra durante años, es incomprensible

P.- ¿Cuáles son los problemas de los lisboetas?

Tráfico, cargas y descargas, seguridad y degradación de las casas, falta de guarderías públicas. Poca atención para los más mayores. Es una ciudad muy envejecida, un tercio de la población tienen más de 65 años. Lo jóvenes se van. Es el gran desafío de traerles para Lisboa, rehabilitar casas. También tenemos el problema de los coches, en Lisboa entran 500 mil coches por día, un territorio que tiene únicamente 84 km cuadrados de área

Arreglar estos problemas es un desafío para diez años, pero hace falta trabajar desde el inicio.

Pido mayoría absoluta para darme estabilidad para gobernar que la otra vez no tuve

P.- ¿Siente que están siendo elecciones muy disputadas?

Hay otra vez mucho indecisos y vamos a ver quien gana en la recta final, como ocurrió en las legislativas, Sócrates ganó en el sprint final

P.- Cuando ganó en el 2001 dijo que su victoria fue causa para la salida de Guterres. ¿Qué puede cambiar ahora en Portugal si gana el día 11?

La capital del país se queda más competitiva y el poder más equilibrado. Para el país sería una señal de que los socialistas no consiguen todo lo que quieren. No pretendo ser alcalde para hostilizar al primer ministro, quiero trabajar con él, preciso de él pero debe convencerse que me va a necesitar porque Lisboa es esencial para el gobierno de un país

Rádio Deutsche Welle – 23/09

DW3

Entrevista com Wolfgang Götz, director do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência

por João Carlos

As drogas que entram na Europa não têm proveniência apenas na América Latina. África do Sul e Marrocos são outros dois países de onde chegam produtos como o cannabis. Outra fonte problemática da droga, principalmente da heroína, é a conhecida rota dos Balcãs, abastecida pela grande produção do Afeganistão. São informações prestadas por Wolfgang Götz, director do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência, em entrevista concedida a João Carlos, correspondente em Lisboa da rádio DW – Língua Portuguesa.

www.dw-world.de/portuguese


Agência Envolverde – 2009

Mário Soares: “A UE deve dar mais importância à América Latina”

por Mario Dujisin

Mário Soares, duas vezes presidente e três vezes primeiro-ministro de Portugal, lamenta que a União Européia ainda não tenha compreendido a importância de um aprofundamento das relações com a América Latina.

“Para a UE, estas relações deveriam ser uma verdadeira prioridade mas, do meu ponto de vista, não o fez nem concreta nem suficientemente”, disse em entrevista divulgada no Brasil pela agência Envolverde o líder histórico do socialismo lusitano.

Reconhecido até por seus adversários como “pai” da democracia instaurada em 1974, o advogado Mário Alberto Nobre Lopes Soares, natural de Lisboa, fez sua estréia na política com menos de 18 anos, ao ingressar as fileiras da oposição clandestina ao ditador corporativista Antonio de Oliveira Salazar (1889-1970). Com seus bem vividos 84 anos, conserva intactas suas características de político experiente, carismático e pouco formal no trato com os jornalistas.

Por óbvias razões históricas, lingüísticas e culturais, a prioridade absoluta nas relações de Portugal com a América Latina sempre se centraram no Brasil. Mas Soares considera que não é suficiente. É necessário também olhar para os países que falam espanhol. Ao recomendar um incremento das relações políticas, culturais, diplomáticas e econômicas com os países latino-americanos não se refere apenas a Portugal, mas a toda a UE e nem estabelece diferença entre só que na América falam espanhol e o Brasil, de língua portuguesa e presidido por seu amigo de longa data, Luiz Inácio Lula da Silva.

- Portanto, não limita sua sugestão ao seu país…

Mário Soares – Espanha e Portugal estão evidentemente mais próximos, pela língua e cultura, do subcontinente americano, mas me refiro a toda a UE, que tem de compreender a importância que tem para o bloco comunitário europeu as relações com esses países. Nós ibéricos devemos convencer o resto dos europeus desta prioridade. Lisboa e Madri sempre foram partidárias de aumentar as relações da UE com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela em trâmite para associar-se plenamente, além de Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru com status de países associados), com resultados até agora modestos.

A União Européia não deu a resposta e o apoio que poderia ter dado ao Mercosul, encerrada em si mesma por seus próprios interesses egoístas, com o notório mau exemplo da Política Agrícola Comum (PAC, que estabelece medidas protecionistas para seus produtos e das quais 40% vão para um único país, a França).

Outro mau exemplo da UE foi dado há poucos dias. Dois países, Haiti e Cuba, se encontravam em uma situação particularmente difícil depois da passagem dos furacões Ike e Gustav. No plano estritamente humanitário, a Europa comunitária tem o dever de ajudar esses dois países. Mas, a título de curiosidade, de onde chegaram as primeiras ajudas? Da Rússia.

- Os políticos portugueses olham quase exclusivamente para o Brasil e um pouco para a Venezuela, devido ao meio milhão de portugueses que vivem ali, mas olham pouco para o resto da América Latina. Certamente, esse não é o seu caso.

Mário Soares – Como todo mundo sabe, sou um grande admirador e amigo do Brasil, esse grande país irmão, a maior presença da língua portuguesa no mundo, com seus já quase 200 milhões de habitantes. Mas, também sou amigo da América Latina que fala castelhano, que conheço relativamente bem e onde conto com muitos amigos, alguns colocados em altos postos em seus respectivos países.

Explico. Sou um admirador da América Latina desde 1970, ano em que a visitei pela primeira vez. Admiro os grandes autores latino-americanos, apesar de todos serem diferentes entre si: Jorge Luís Borges (Argentina), Octavio Paz (México), Jorge Amado (Brasil), Darcy Ribeiro (Brasil), Gabriel García Márquez (Colômbia), Mario Vargas Llosa (Peru), Carlos Fuentes (México), apenas para citar alguns dos que conheci pessoalmente.

Eles pertencem a um mosaico de culturas diferenciadas, originalíssimas, com duas línguas comuns: espanhol e português, que têm a vantagem de poderem se entender mutuamente sem aprender o outro idioma, com uma religião mais ou menos comum, o cristianismo, com um fundo étnico e cultural riquíssimo, que subsiste diferenciado e distribuído pelas diferentes nacionalidades.

- Como vê a América Latina de hoje, com vários processos inovadores em andamento, que alguns chamam de mudança e outros de populismo ou de esquerdistas?

Mário Soares – Quando há um ano dei uma conferência por ocasião dos 10 anos da Casa da América Latina em Lisboa, espontaneamente lhe dei um título que agora revisado, com um pouco mais de cuidado, me parece algo impróprio: “A revolução democrática e pacifica da América Latina”.

- Por que impróprio?

Mário Soares – Pela ambigüidade da palavra revolução, que tem diversas acepções, à qual acrescentei dois adjetivos que também sofrem certa ambigüidade: democrática e pacífica. O que hoje se verifica por todas as partes da América Latina é um desejo generalizado de autonomia em relação aos Estados Unidos. Esse é um dos traços fundamentais do que chamo “revolução democrática e pacífica”. Tanto por parte dos mais radicais, Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua, como dos mais moderados, Brasil, Argentina, Chile e Uruguai.

Na América Latina, ou ibero-américa, como gostam de dizer os espanhóis, por certo que os países convivem com posturas diferenciadas. A Venezuela do socialismo bolivariano é mais radical do que o Brasil de Lula, que se apresenta como mais moderado. Mas os dois líderes, com os quais conversei, se dão particularmente bem, como pude constatar pessoalmente.

- O denominador comum entre todos os analistas do mundo é que a América Latina está vivendo uma época de mudanças quase sem precedentes…

Mário Soares – De fato, a situação atual é muito diferente da que havia na América Latina que visitei pela primeira vez no começo da década de 70, com a curiosidade de um português que despertou para a política na luta contra a ditadura de Salazar. Na época, a maioria dos Estados era governada por ditaduras militares, inspiradas pelos teóricos da “Escola de Chicago” (economistas ultraliberais, com ideologia de mercado como único valor). Embora o domínio dos Estados Unidos fosse sentido com maior ou menor grau em todas as partes, as pessoas comuns eram manifestamente “antigringos”, como os chamavam com desprezo.

Paradoxalmente, foi durante os dois mandatos do presidente (George W.) Bush que os Estados Unidos, absorvido pelas guerras que desencadeou no Afeganistão, com o infeliz apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e no Iraque, por decisão unilateral, com todas as conseqüências negativas resultantes, que a América Latina deixou de ser o “quintal dos fundos”, como se dizia, de seu grande vizinho do norte. Muitos países latino-americanos, a partir daí, ganharam uma efetiva autonomia em relação aos Estados Unidos. Talvez por isso Washington decidiu reativar a IV Frota que atua na região a partir de sua base na Florida. É interessante constatar que o Brasil acordou com a França a transferência de tecnologia para construir o primeiro submarino atômico para, segundo se explicou, “defesa da extensa zona costeira”, onde acaba de descobrir imensas jazidas de petróleo.

- Do seu ponto de vista, em vastos setores do sul e centro do continente, em maior ou menor grau, se registra um desejo generalizado de autonomia em relação aos Estados Unidos…

Mário Soares – Verdade. Por exemplo, Brasil e Argentina resolveram realizar suas operações em moedas nacionais, não em dólar, o que é sintomático. Na  reunião de Santiago do Chile (em setembro de 2008), foram os países sul-americanos vizinhos que em reunião conjunta impediram que a Bolívia caísse em uma guerra civil, encontrando um consenso entre (o presidente) Evo Morales e seus opositores, sem nenhuma intervenção dos Estados Unidos, o que é sinal importante.

O Banco do Sul, idéia de Chávez (Hugo Chávez, presidente venezuelano), e converter a cidade de Manaus no centro nevrálgico dos corredores terrestres e fluviais que ligarão os oceanos Pacifico e Atlântico, a criação da Unasur (União das Nações Sul-americanas, são outros exemplos notáveis de crescente autonomia.

- E a eleição de Barak Obama como presidente dos Estados Unidos poderá garantir a não-intervenção desse país diante dessas mudanças?

Mário Soares – A América Latina é uma das regiões do mundo mais ricas em recursos naturais e humanos. Está destinada a ter um papel de grande destaque e até decisivo, em todos os aspectos, já durante este conturbado século XXI. Os Estados Unidos sempre são uma incógnita. Obama, apesar de não ser um político de esquerda, nunca cairá nos erros cometidos pela administração Bush, protagonista principal de um período negro da história dos Estados Unidos. O novo presidente certamente vai querer recuperar o prestigio perdido desse país.

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