Marie-Line Darcy nova presidente da AIEP

Ampliar as relações da imprensa estrangeira com a sociedade portuguesa é uma das principais metas da nova direção da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal. Eleita na terça-feira, 28 de junho, para um mandato de um ano, a nova direção é presidida pela jornalista francesa Marie-Line Darcy.

A nova direção é composta também por Belén Rodrigo (Espanha) e Levi Fernandes (França) como vice-presidentes, Jair Rattner (Brasil) como secretário/tesoureiro, e os vogais Alison Roberts (Reino Unido), Anete Costa Ferreira (Brasil), Eva Henningsen (Dinamarca), João Carlos (São Tomé e Príncipe) e Renato Mendes (Brasil).

Fundada há 33 anos, a Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal reúne correspondentes acreditados no país, de veículos que incluem meios impressos, rádio, televisão, internet e agências de notícias. No total, a AIEP conta com 55 membros.

Repercussão na imprensa:

Economia-Negócios-Finanças-Media

Media: Marie-Line Darcy é a nova presidente da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal

Lisboa, 08 jul (Lusa) – A jornalista francesa Marie-Line Darcy é a nova presidente da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP), informou hoje a entidade, que tem agora uma nova direção para um mandato de um ano.

“Os correspondentes em Portugal têm um papel fundamental para dar a conhecer o país, seja pelo que acontece de bem, seja pelo mal, Somos sempre os primeiros a reagir e a enviar informações sobre os acontecimentos da sociedade portuguesa. A AIEP constitui um dos meios de dinamizar o nosso trabalho como jornalistas”, diz a nova presidente da associação em nota endereçada à agência Lusa.

A nova direção é composta, para além de Marie-Line Darcy, por Belén Rodrigo (Espanha) e Levi Fernandes (França) como vice-presidentes, Jair Rattner (Brasil) como secretário/tesoureiro, e os vogais Alison Roberts (Reino Unido), Anete Costa Ferreira (Brasil), Eva Henningsen (Dinamarca), João Carlos (São Tomé e Príncipe) e Renato Mendes (Brasil).

A AIEP foi fundada há 33 anos e reúne correspondentes acreditados em Portugal de jornais e revistas, rádio, televisão, Internet e agências de notícias. No total, a AIEP conta com 55 membros.

PPF.

Lusa/Fim

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 21/05

Os indignados del sol

Por Belén Rodrigo, correspondente ABC

Na última semana da campanha para as eleições municipais e regionais de Espanha, o movimento 15-M é o grande protagonista. Desde o passado domingo, estudantes, reformados, desempregados, trabalhadores em condições precárias estão acampados na emblemática Puerta del Sol . Pessoas muito diferentes com um mesmo grito: a sua indignação pela situação de Espanha. Queixam-se do sistema político, económico e social do seu país onde têm cada vez menos oportunidades para viver dignamente. Depois de mobilizações por todo o país, os olhares estão concentrados na praça madrilena.

Quem são os indignados? “É um movimento imparável que vai trazer mudanças profundas”, explicam os porta-vozes. Os rostos deste movimento mudam porque ninguém quer o protagonismo. A sua origem está nas redes sociais, e depois os meios de comunicação tradicionais estão a ajudar à sua divulgação. Várias plataformas estão por detrás desta iniciativa promovida nomeadamente por Democracia Real Ya. Mas são muitas as perguntas que surgem quando se procura perceber o que está a acontecer. Os partidos políticos tentam analisar o significado deste protesto sobre o qual cada um tem a sua teoria. Dentro do Partido Popular, alguns acusam o PSOE de estar por detrás do 15-M, e a Esquerda Unida diz que são parte do seu partido e pedem-lhes o voto. A presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, teme que a esquerda manipule este movimento, enquanto o ex-primeiro-ministro Felipe González fala do espírito espontâneo das revoltas árabes. Entre as suas propostas está a eliminação de privilégios na classe política, mais liberdade e uma democracia participativa. Exigem uma redução do desemprego e consideram necessária a aplicação de medidas como a redução da jornada laboral ou a conciliação.

O que realmente preocupa agora a classe política é saber quem o 15-M vai prejudicar ou beneficiar mais. Alguns analistas acham que nenhum partido vai ficar com os votos dos manifestantes e, em geral, consideram que o PSOE pode ser mais prejudicado por ser o partido do poder. Não há muitos manifestantes do PP e sim muitos do PSOE que estão a ser muito críticos com o Governo.

Outra das incógnitas é saber o que vai acontecer no dia depois das eleições com este movimento. Eles garantem que não há volta atrás, mas parece difícil que venham a ter sucesso quando não existir um objectivo concreto e palpável. Querem mudar o mundo, mas não sabem como. É um objectivo difícil, mas não impossível.

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 18/12

Brasil e o motor do seu desenvolvimento

por Jair Rattner, correspondente do ‘Estado de S. Paulo’

Em Outubro de 2008, quando os mercados financeiros internacionais entraram em ruptura, o Governo brasileiro encontrou a fórmula para não deixar a economia ir ao fundo. Seguindo o exemplo da China, que anunciou que ia pôr 460 mil milhões de euros para manter o ritmo da economia, o Brasil optou por fazer o mesmo mas com menos recursos. O instrumento usado foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).

A primeira injecção de capital foi de 100 mil milhões de reais, seguida de outra de 80 mil milhões. Grande parte foi para salvar empresas que tinham perdido apostas no mercado financeiro. É o dobro do total que o banco tinha previsto em empréstimos para 2008, totalizando 270 mil milhões de reais (mais de 120 mil milhões de euros) – mais do dobro do que empresta o Banco Mundial. O efeito no Brasil foi claro: o país teve um recuo de apenas 0,2% na economia em 2009 e este ano o PIB do país deverá crescer 7,5%, a maior taxa dos últimos anos.

Criado em 1952 como banco público de fomento à economia, o BNDES actua através de financiamentos com juros reduzidos – a taxa no Brasil é de 12% ao ano. Segundo os seus estatutos, os projectos financiados são os que forem considerados importantes para o desenvolvimento do país, especialmente os de ampliação da capacidade produtiva. Ficam de fora áreas como comércio de armas, motéis, saunas e jogos.

Nos últimos anos, além do trabalho com pequenas e médias empresas e de projectos como hidroeléctricas e ferrovias, a política do BNDES tem sido a de apoiar a criação de multinacionais de origem brasileira. Hoje, o JBS-Friboi é o maior produtor mundial de carne de bovinos, a Sadia/Perdigão é a maior exportadora mundial de carnes processadas. Empresas que já tinham grande dimensão, como a Camargo Corrêa, tiveram operações facilitadas pelos empréstimos do banco.

Mas o BNDES também gerou críticas à sua actuação. Para a ONG Ibase falta ao banco estratégia de política industrial. Para o economista Luíz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do banco, representa uma interferência excessiva do estado na economia. Também existe a preocupação do efeito inflacionário que pode ter o volume dos seus empréstimos.

Link:  http://dn.sapo.pt/inicio/globo/Interior.aspx?content_id=1737909&seccao=CPLP

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 27/11

Elegeram um palhaço. E agora?

Por Renato Mendes, jornalista ‘freelance’ brasileiro

A eleição do deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, está sendo um teste para a democracia brasileira. Com 1,34 milhões de votos, ele foi o deputado mais votado nas eleições de Outubro. O palhaço que tinha como slogan de campanha, “pior que tá, não fica” continua surpreendendo os brasileiros. A quantidade massiva de votos que o elegeram deverá render ao Partido da República (PR) cerca de 2,7 milhões de reais (1,15 milhões de euros) por ano. Esse é o peso do deputado na divisão dos recursos públicos provenientes do Fundo Partidário, de 201 milhões de reais (87 milhões de euros), que é formado por multas e penalidades eleitorais, recursos financeiros e doações espontâneas privadas. O critério de divisão dos recursos entre os partidos é o número de votos alcançados por cada partido.

O deputado eleito também contribuiu para o aumento de 64% no tempo de antena do PR, que alargou a sua bancada na Câmara dos Deputados. Everardo elegeu outros três deputados da sua coligação porque excedeu em mais de um milhão de votos o coeficiente eleitoral de 304,5 mil votos – número necessários para se ob- ter uma cadeira na Câmara.

A eleição de Tiririca causou desconforto numa parcela da sociedade. Perante a suspeita de o humorista ser analfabeto, o Ministério Público tentou, sem sucesso, cassar o seu mandato. Sem que alguém pudesse imaginar, o Presidente Lula afirmou ser uma “cretinice” o processo contra o humorista. Se não é analfabeto, disputou e venceu, porque destituí-lo?

Tiririca foi também acusado de realizar uma campanha injusta, porque foi baseada numa personagem. Mas o alter ego político não é nenhuma novidade no Brasil. Até agora, a lógica democrática garantiu a manutenção de Tiririca no cargo.

A tese de que a eleição do deputado é um movimento de protesto contra o actual sistema político não passa de uma tentativa preguiçosa para explicar o fenómeno eleitoral.

Em entrevista a um jornal de São Paulo, onde foi colunista durante as eleições, a actriz Fernanda Torres explica a “palhaçada”: “Foi apenas uma piada niilista do eleitor, que vai se voltar contra ele mesmo.” Ao contrário do que dizia o slogan do palhaço: dá para piorar sim, e muito.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1721431&seccao=CPLP

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 16/10

A polémica sucessão de Rodríguez Zapatero

Por Belén Rodrigo, correspondente do ABC

Há muitos meses que começou o debate sobre a sucessão de José Luis Rodríguez Zapatero à frente dos socialistas e sobre uma possível recandidatura. Esta semana voltou a ser tema de actualidade depois do acontecido no desfile da Festa Nacional. Apitos e vaias para o presidente do Governo marcaram as celebrações do 12 de Outubro em Madrid, com gritos de “Zapatero demissão” e “Fora, Fora” que não respeitaram nem a oferenda floral do Rei.

As protestas são habituais nesta data, mas desta vez o tom foi mais duro que em anos anteriores e até o Rei e o Príncipe lamentaram o acontecido e já se fala do pior desfile de ZP. Chegou o fim de Zapatero? Deve se afastar da política chegado o fim da sua legislatura ou voltará a ser candidato? Já na passada festa de Natal socialista dizem que o presidente estava mais triste do normal. O seu partido está dividido respeito a sua continuação, perdeu o apoio dos cidadãos e a crise económica agrava qualquer problema. O primeiro em abrir a ferida foi o presidente de Castela e La Mancha, José María Barreda, quem diz que vaticinava uma “catástrofe eleitoral” se Zapatero não mudava o rumo da sua política. As rectificações posteriores de Barreda não serviram para evitar a sua má imagem e se temem repercussões eleitorais. Mas agora, em pre-campanha, volta a defender as suas ideias.

Falta ano e meio para as eleições legislativas mas em Maio de 2011 houvera um grande teste com as autonómicas e municipais. Será depois destes comícios quando Zapatero isolará a incógnita do seu futuro. Enquanto isso, o entorno do presidente vai deixando cair as suas opiniões. Se bem todos dizem que Zapatero vai ter o apoio unânime se decidir continuar, alguns deram a entender que o melhor é um novo líder. Até uma das possíveis candidatas, a ministra da Defesa Carmen Chacón, assegurou recentemente numa entrevista que “Espanha está pronta para uma presidente do Governo”. Uma mulher à frente do poder Executivo como aconteceu em outros países, porque “a sociedade espanhola avançou muito em trinta anos de Democracia”, e por isso “chegará a sua vez, mais tarde ou mais cedo”. Outros, como o presidente do Diputados, José Bono, quer ficar fora da polémica do debate: “Na sucessão de Zapatero não estou nem se deve esperar por mim”.

Limitar os mandatos

O secretário general do Partido Socialista de Madrid, Tomás Gómez, considera que o ideal seria uma limitação de dois mandatos legislativos porque “é um tempo razoável” na política. Assegura que não se trata de um debate entre os socialistas ou da vida política espanhola mas sim uma reflexão pessoal que deve ser reflectida pela sociedade.

Montilla no desfile

A presença do presidente da Catalunha, José Montilla, no desfile das Forças Armadas abriu uma nova ferida no Governo catalão, criticado pela ERC e ICV-EUiA. Um gesto com simbolismo um mês antes das eleições na Catalunha com a tentativa de atrair ao eleitorado menos nacionalista, importante para os socialistas que aparecem numa má situação nas sondagens

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1687252&seccao=Europa

RFI – 04/10

  

Petista vence primeiro turno com ampla vantagem em Portugal

Por Adriana Niemeyer, correspondente da RFI em Lisboa

O mau tempo neste domingo em Portugal afastou os eleitores das urnas. A taxa de abstenção foi elevada na capital, Lisboa, assim como na cidade do Porto.

Se o resultado eleitoral de Portugal fosse uma mostra representativa das eleições no Brasil, a petista Dilma Rousseff poderia ser considerada a nova presidente do país com 57% dos votos dos eleitores cadastrados em Lisboa e 58% dos eleitores do Porto. José Serra, do PSDB, aparece em segundo lugar com 29,6% em Lisboa e 27,9% no Porto. Marina Silva obteve respectivamente 15,8% e 12,9%. Lisboa é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro no exterior e Porto, o quarto.

A abstenção dos brasileiros aptos a votar em Portugal foi a maior desde que se vota para presidente no exterior. Historicamente, a taxa esteve em torno dos 50% do eleitorado. Desta vez, em Lisboa, somente 31% dos 12 mil brasileiros com direito a voto compareceram às urnas. No Porto, com 10 mil eleitores, a participação foi um pouco maior com 35% de votantes.

O mau tempo que castigou Portugal, neste domingo, não ajudou a ida dos eleitores às urnas. Porém, uma abstenção a tal nível, no segundo e no quarto maior colégio eleitoral do exterior, no mínimo, deixa o que pensar.

 Link: http://www.portugues.rfi.fr/brasil/20101004-petista-vence-primeiro-turno-com-ampla-vantagem-em-portugal

Cartoon

Por Lute, Jornal Hoje em Dia

Diário de Notícias– Coluna Visto de Cá– 02/10

A candidata do PT no Palácio do Planalto?

Por Renato Mendes, jornalista brasileiro

A candidata do Governo, Dilma Rousseff (PT), pode estar a poucas horas de se tornar a primeira presidente mulher eleita no Brasil.

Amanhã, 135 milhões de eleitores brasileiros elegerão deputados, senadores, governadores e o próximo presidente do país. Dilma tem, segundo a sondagem da Datafolha, 52% dos votos válidos, enquanto o tucano José Serra (PSDB) tem 32% e Marina Silva (PV), 15%. Os outros candidatos à presidência, entre os quais Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), totalizam 1%.

Com 50% mais um voto, Dilma poderá vencer a corrida para o Palácio do Planalto. Porém, os 2% da margem de erro deixam em aberto a possibilidade de ser realizada uma segunda volta, a 31 de Outubro.

Desde meados de Setembro, Dilma perdeu seis milhões de votos. Esta queda aconteceu com a revelação de um esquema de tráfico de influências na Casa Civil, fazendo que a sua principal assessora, Erenice Guerra, se demitisse. O escândalo custou ao PT e a Dilma 5% das intenções de voto, que agora fazem muita falta. Mas com alterações na estratégia de campanha, essa tendência foi contida.

A falta de carisma de Serra e o facto de a sua equipa ter levado a cabo uma campanha errática deixaram muita gente hesitante, recebendo inclusivamente críticas públicas de dentro do próprio PSDB, em razão de alterações nas estratégias.

A última oportunidade dos candidatos para modificar as intenções de voto dos eleitores aconteceu na noite de quinta-feira, com o último debate televisivo. Dilma e Serra jogaram pelo seguro.

A temperatura das intenções de voto foi intensamente monitorizada durante as últimas semanas de campanha, como se a massa de eleitores fosse um organismo à beira de um colapso.

O debate coerente e real de ideias e propostas foi escasso durante a maior parte dos encontros entre candidatos. Ao que tudo indica, nenhum evento ocorrido durante o período de campanha foi capaz de ofuscar o brilho de Lula reflectido em Dilma, e que de alguma maneira acompanhará a candidata pelos seus primeiros quatro anos de mandato à frente das decisões do país.

O Governo de São Paulo

Geraldo Alckmin, do mesmo partido de José Serra, será o próximo governador do estado mais rico do país, com 54% dos votos válidos. Seu principal rival, Aloísio Mercadante (PT), com forte apoio de Lula, tem 29% das intensões de voto nas sondagens. Estas mostram quem, mesmo com segunda volta, venceria Alckmin.

O Governo do Rio de Janeiro

O representante do PMDB no Rio de Janeiro, o candidato Sérgio Cabral, seria reeleito governador do estado, com 67% dos votos válidos, se a eleição fosse hoje. Fernando Gabeira, o candidato alternativo pelos Verdes e defensor de causas muitas vezes polémicas, teria 21% dos sufrágios expressos.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1676424&seccao=CPLP

Cartoon

Por Julio César González, Matador Cartoons

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 14/08

Eleições primárias do PSOE aquecem o Verão

por Belén Rodrigo, correspondente do jornal ‘ABC’

O Verão político espanhol também está muito quente, como o tempo. O Partido Socialista (PSOE) enfrenta uma crise interna surgida nas últimas semanas além dos problemas económicos que tantas dores de cabeça estão a dar aos governantes.

A candidatura de Trinidad Jiménez, actual ministra de Saúde, à presidência da Comunidade de Madrid e de Jaime Lissavetzky, secretário de Estado do Desporto, à presidência da Câmara Municipal de Madrid, estão a alimentar uma crise dentro dos socialistas.

A polémica está sobretudo na candidatura da Trinidad Jiménez. Até agora o único candidato socialista em Madrid era Tomás Gómez, mas a ministra de Saúde decidiu apresentar-se e forçar assim umas eleições primárias no seu partido. Jiménez, que já perdeu nas urnas frente a Alberto Ruiz Gallardón (PP), disse há menos de um ano que não lhe passava pela cabeça voltar a concorrer e que “o único candidato possível para Madrid [era] Tomás Gómez”.

Um mês depois lembrou que a sua carreira política em Madrid estava fechada e que se concentrava nas suas responsabilidades como ministra da Saúde e Política Social. Palavras que agora deve engolir para cumprir o que é considerado uma “ordem” de Zapatero. A ministra insiste que decidiu apresentar-se sozinha, mas ninguém duvida de que se trata de uma decisão do chefe do Governo. Aliás, José Luís Rodríguez Zapatero já tinha dito publicamente que Tomás Gómez “é bom” e Trinidad Jiménez “muito boa”, destacando a ministra na comparação.

Disse também que quer mudar as coisas em Madrid e para isso precisa de ter “os melhores”, deitando assim por terra as aspirações de Gómez, mais valorizado pelos madrilenos do que Trinidad Jiménez. Também do agrado de Zapatero é a candidatura apresentada na passada quinta-feira por Jaime Lissavetzky. Recentemente só se falava em David Lucas como candidato à câmara madrilena, mas a cúpula socialista preferiu Lissavetzky, uma figura política muito respeitada. Perante esta viragem, Lucas tem optado pelo silêncio.

Com as primárias esperam-se divisões internas no PSOE. Falta saber se isso vai desgastar ainda mais o Governo. O ódio entre os adversários do mesmo partido pode tornar muito evidentes as feridas internas dos socialistas.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1640690&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 08/05

À espera do cálice envenenado do poder

Por Alison Roberts, jornalista ‘freelance’ britânica

Em Portugal, quando nenhum partido consegue maioria absoluta na Assembleia, a convenção é que o Presidente chama primeiro o líder do partido com mais deputados para tentar formar um governo. No Reino Unido, onde pela primeira vez em três décadas há um hung parliament – “Parlamento pendurado”, como se chama por lá – não é assim.

Apesar de os conservadores ganharem em mais de 300 círculos eleitorais e os trabalhistas em menos de 260, é o primeiro-ministro de serviço quem tem o direito de tentar formar governo primeiro. A situação é gerida por convenções, colhidas pela administração pública de topo, pois o país não tem Constituição escrita e a Rainha não pode tomar opções políticas.

Mesmo assim, Gordon Brown terá que esperar para falar com o parceiro mais óbvio, Nick Clegg do Partido Liberal-Democrata, o terceiro mais votado, já que ele ontem repetiu a mantra que falaria primeiro com o partido com mais apoio, ou seja, os conservadores. Eles é que deveriam tentar provar que conseguem formar um governo “no interesse nacional”. Mas logo depois realçou as perversidades de um sistema em que os trabalhistas tiveram mais 5% dos votos que os liberais, mas têm cinco vezes mais deputados.

Os liberais são os grandes desiludidos desta eleição, pois apesar do impacto de Clegg nos debates, aumentaram pouco a sua votação e até perderam deputados. O ênfase na reforma eleitoral é significativo, pois é quase impossível imaginar os conservadores aceitarem isso como condição de coligação, dado o impacto devastador que a proporcionalidade teria na sua representação no Parlamento.

O resultado disto tudo pode ser um governo conservador de minoria. Mas por mais que o líder Tory, David Cameron, diga que Brown não tem autoridade moral para ficar em Downing Street depois de conseguir 29% dos votos contra 36% para os conservadores, somente uma votação parlamentar pode forçar a sua demissão. Cameron tem é a possibilidade de dizer aos eleitores que lhes está a ser roubado a hipótese de mudança, e daí ganhar votos no futuro. Mas se chegar a Downing Street antes, a crise financeira e o próprio programa do partido obrigam-no a introduzir medidas impopulares. Fala-se muito neste momento do cálice envenenado do poder.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1563844&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 03/04

Campanha no Brasil seis meses antes

Por Jair Rattner, correspondente do ‘Estado de São Paulo’

Uma onda de inaugurações varre o Brasil. Antecipando a campanha para as presidenciais de 1 de Outubro, os principais candidatos – José Serra e Dilma Roussef – tentam provar a capacidade executiva mostrando obras, feitas ou por completar.

As inaugurações ocorrem no meio da debandada de ministros, governadores e presidentes de câmara que deixam os cargos para concorrer. A lei brasileira prevê que, para que os concorrentes tenham igualdade de condições, não possam ir a votos estando em cargos executivos, de formas a não usarem a estrutura do Estado a seu favor – a não ser que tentem a reeleição. Numa semana, dez ministros, sete governadores e prefeitos de algumas das mais importantes cidades deixaram os seus cargos.

Desde o começo do ano, Serra e Dilma rivalizam para ver quem inaugura mais obras. Até meados de Março, o favorito das sondagens, o ex-governador de São Paulo Serra, manteve o ritmo de uma cerimónia a cada dois dias. A ex-ministra da Casa Civil, Dilma, ficou pouco atrás, com inaugurações a cada 2,5 dias.

A “febre inauguracionista” gerou situações caricatas: faltando um dia para sair do cargo, Serra abriu ao público a ampliação da Marginal de São Paulo – principal via que atravessa a cidade -, mas as faixas não estavam pintadas, o que deve obrigar a fechar a via ao trânsito para acabar os trabalhos.

Na obra mais emblemática de Serra, o Rodoanel (estrada com a filosofia da CREL, que deve tirar diariamente mais de 2000 camiões da cidade) a solução para os atrasos devido à chuva foi ter duas inaugurações. Uma terça-feira com Serra, mas sem a obra pronta, e outra na quinta, já com o novo governador e aliado do candidato.

Do lado de Dilma, não foram apenas obras que tiveram cerimónias de inauguração. Houve cerimónias de promessas de obras, algumas cujas conclusões ficariam para depois do final do mandato presidencial da candidata, se for eleita. Tentando usufruir da popularidade do actual presidente, em apenas uma das inaugurações não esteve acompanhada de Lula. O presidente chegou a ser multado em 10 000 reais por fazer campanha antes do prazo legal.

Os outros candidatos ficaram relegados aos cantos das páginas de política dos jornais, transformando as eleições num duelo.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1534939&seccao=CPLP

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 13/03

Eleições regionais, resultados nacionais

Por Marie-Line Darcy

O Presidente Nicolas Sarkozy envolveu-se na terça-feira no debate sobre as eleições regionais (que decorrem amanhã e no domingo 21 de Março) para tentar inverter a tendência de votos dos eleitores.

Sarkozy e o seu partido, a União para um Movimento Popular (UMP), só controlam duas das 22 regiões francesas: a Alsácia no Leste e a Córsega. E o Presidente está decidido a mantê-las.

Se os eleitores tencionam distribuir os seus votos entre PS e UMP na primeira volta, com 30% das intenções de voto para cada um, há, no entanto, uma grande diferença entre os dois partidos. O Partido Socialista pode beneficiar dos votos da extrema-esquerda e dos ecologistas na segunda volta, enquanto a UMP não tem este reservatório de votos. Mas nas vésperas de um escrutínio que não deverá mobilizar mais de 50% dos eleitores, é sobretudo a desilusão dos franceses que surpreende.

Numa sondagem BVA/BFM/ La Tribune publicada na quinta-feira, 72% dos inquiridos consideram que o Governo deverá ter em conta os resultados das regionais para mudar as suas política. Dito de outra forma: “Eleições regionais, consequências nacionais”. Ideia que vai contra o que Sarkozy deseja. A mesma sondagem revela ainda um forte pessimismo entre a população francesa.

Na esquerda, o PS de Martine Aubry também não tem motivos para se vangloriar. Primeiro porque está a agir num terreno recém-conquistado – com a onda cor-de-rosa das regionais de 2004. Depois porque depende na segunda volta dos votos da Europa Ecologia de Daniel Cohn-Bendit. Este partido tenta repetir a proeza das europeias de 2009, quando conseguiu 16,38% dos votos.

O escrutínio anuncia-se muito mais aborrecido que a sua complexidade poderia deixar adivinhar. De um lado, o PS espera ver dentro de 15 dias uma França pintada de cor-de-rosa a 100% e preparar assim a alternância política para as presidenciais de 2012. Isto enquanto o partido parece longe de ter resolvido as lutas internas. Do outro lado está a direita UMP de um Sarkozy cuja popularidade se afundou, e cujos responsáveis continuam embrenhados em questões fracturantes como a nacionalidade francesa e o racismo. Tudo numa França cansada, desiludida e preocupada com o futuro.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1517776&seccao=Europa

 

Diario de Notícias – 11/03

Vão os capatazes e chegam os patrões

Por Mário Dujisin

A direita chilena assume o poder entre os escombros do mais devastador sismo em meio século. A destruição assumiu tais proporções que, provavelmente, o Presidente Sebastián Piñera deverá dedicar os quatro anos de mandato à reconstrução do país.

A direita tem pouco para fazer porque, como comentava um diplomata chileno, “a única mudança é que se vão os capatazes e chegam os patrões”.

De facto, a Concertação socialista e democrata-cristã afinou, em 20 anos, um modelo neoliberal tão perfeito que não admite mais reformas na sua lógica de privatizar praticamente tudo num país onde 68% dos contratos são precários, temporários e sem garantias.

Do Governo, fazem parte muitos empresários, ex-colaboradores de Augusto Pinochet, um trânsfuga da Concertação e um dirigente do Opus Dei, que apresentam credenciais académicas e sociais impecáveis: vêm das chamadas “boas famílias”, foram educados em colégios e universidades da elite, alguns com doutoramentos nos EUA.

Uma perigosa promiscuidade entre política e negócios nesta migração de empresários para o sector público, alimentando receios sobre que interesses defenderão estes novos servidores do Estado, até ontem administradores com interesses em grandes empresas. O ministro da Saúde, em clínicas particulares, o da Educação em universidades privadas, os das Finanças, da Economia e de Transportes em várias empresas, e o dos Negócios Estrangeiros, que foi administrador de uma enorme multinacional chilena presente em toda a América Latina, poderá ver desacreditada a sua postura nas negociações de acordos comerciais regionais.

Em suma, a partir de hoje, o Chile começou a ser dirigido pelos seus próprios donos.

Link:http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1515997&seccao=EUA%20e%20Am%C3%A9ricas

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 13/02

Entre Lula e FHC: a polarização

Por Renato Mendes, jornalista freelance

O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso (FHC), em declarações recentes à imprensa brasileira, iniciou uma polémica quando afirmou que Dilma Rousseff – a provável candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência, “não é um líder, é reflexo de um líder”. A afirmação causou reacções no Governo, na oposição e repercutiu-se no exterior, antecipando o cenário de disputa pelos votos dos brasileiros, para as presidenciais de Outubro. Há uma expectativa crescente para estas eleições, que emana sobretudo da esquerda. O processo de redemocratização no Brasil termina com o regresso do poder civil em 1985, com a aprovação de uma nova Constituição em 1988 e com a realização das eleições directas para presidente em 1989. Lula concorreu em todas as eleições desde então, perdendo três (1989, 1994 e 1998) e ganhado duas (2002 e 2006). Estas serão as primeiras eleições desde 1989 sem Lula como candidato.

Após ter-se recuperado de uma crise de hipertensão, Lula continua com a agenda de viagens para acompanhar obras públicas e inaugurações, em todo o território. Dilma, sempre que possível aparece ao lado de Lula, para que a popularidade do líder colem a sua própria imagem. A oposição acusa o Governo de propaganda eleitoral antecipada e avança com representações contra Lula e Dilma. A recente comemoração dos 30 anos do PT, com toda a parafernália propagandístico-mediática, agrava a sensação de campanha antecipada. O apelo de Dilma poder tornar-se na primeira mulher a governar o país amplia as possibilidades do partido. A pré-candidata rebate as declarações de FHC e desafia a oposição a comparar as realizações dos governos Lula e FHC, alimentando a polémica: “Se quiserem comparar, vamos comparar número por número, casa por casa, obra por obra, escola por escola, emprego por emprego.”

José Serra, candidato pelo PSDB – o partido de FHC – e governador de São Paulo, é o favorito na sucessão presidencial. A favor de Serra e FHC está a imprensa paulista, que desvaloriza os elementos progressistas do Governo. A tendência mais provável para a disputa de 2010 é que se desenvolva um quadro de polarização centrado na disputa entre os dois principais blocos políticos que vão formar-se, sem uma terceira via.

Sondagens dão vantagem a Serra

São 14 pontos percentuais a diferença entre José Serra (PSDB), com 37% das intensões de voto, e Dilma Rousseff (PT) com 23%, na disputa para as presidenciais. Serra é forte na região sudeste do país com 41% das intenções, enquanto Dilma destaca-se no Nordeste com 31%. Cirro Gomes do PSB aparece em terceiro lugar com 13%, seguido por Marina Silva do PV, com 8%.

Sarney na mira dos deputados

O Partido Socialismo e Liberdade constituído por dissidentes do PT e do PSTU, entregou á Procuradoria Geral da República, uma representação contra o presidente do Senado Brasileiro, José Sarney (PMDB). Os deputados e autores da representação cobram a abertura de um processo de investigação sobre o suposto desvio de dinheiro na fundação que leva o nome de Sarney.

(http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1493874&seccao=CPLP)

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 16/01

Berlusconi chileno muito perto do poder

por Mario Dujisin

A segunda volta das eleições no Chile decidirá se a direita representada pelo multimilionário Sebastián Piñera poderá aceder democraticamente à Presidência pela primeira vez em 50 anos e voltar ao poder após duas décadas de ausência. A sua garantia de que construirá uma nova direita, liberal, comprometida com a democracia e sem vestígios da ditadura militar, chegou a 44% dos eleitores, muitos dos quais tinham votado antes na Concertação, o bloco formado pelos partidos Socialista, Democrata- -Cristão e Radical. Piñera enfrenta amanhã o ex-presidente Eduardo Frei, político de escasso carisma, cuja candidatura nasceu ferida, sem capacidade para captar a imensa popularidade da Presidente Michelle Bachelet.

Descrito como o Berlusconi chileno, Piñera acumulou uma fortuna durante a ditadura de Pinochet, com várias empresas que controlam o canal de televisão de maior audiência do país e um dos mais populares clubes de futebol. Aspectos de carácter pessoal também tornam irresistível o paralelo com o primeiro-ministro italiano: voa no seu próprio helicóptero e já foi submetido a cirurgia estética facial. Para captar as simpatias dos descontentes com a Concertação, necessita porém de pelo menos um terço dos 20% conseguidos à primeira volta pelo liberal Marco Antonio Enríquez- -Ominami, um ex-socialista de 36 anos, filho do líder do Movimento de Esquerda Revolucionária, Miguel Enríquez, caído na luta contra os militares em 1974.

Enríquez-Ominami declarara no mês passado que os seus votos “não são transferíveis”, mas na quarta-feira manifestou apoio a Frei, sustentando que o separa “um abismo irreconciliável” da direita. Com isto deixou a segunda volta em aberto.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1471368&seccao=EUA%20e%20Am%C3%A9ricas

DW – Dezembro

Entrevista a Joseph Hanlon

por João Carlos

Moçambique deve reflectir sobre a revisão da Lei Eleitoral, para sanar as contradições existentes no pacote legislativo, de modo a criar um ambiente mais transparente nos próximos actos eleitorais. Quem o diz é Joseph Hanlon, perito internacional sobre o processo eleitoral moçambicano, ligado ao CIP (Centro de Integridade Pública de Maputo). Em entrevista à DW em Lisboa, disse-nos que as eleições gerais de 28 de Outubro não foram livres e justas. (www.dw-world.de/portuguese)



Rádio Renascensa – Programa Visto de Fora – 30/10

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Anabela Góis da RR conduz a edição da noite do programa “Visto de Fora” que recebe as jornalistas Virginia Lopez, do jornal El Mundo e Marie Line Darcy da Radio France Internationale. Os temas em destaque do programa são a tomada de posse do novo Governo e os discursos de Cavaco Silva e José Sócrates.


Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 24/10

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Escândalo no PP debilita Mariano Rajoy

por Virginia López (El Mundo)

Há menos de um mês, Mariano Rajoy surgia nas sondagens como o favorito para vencer as próximas eleições em Espanha. Mas na última semana a popularidade do actual líder da oposição começou a cair. Foi após a sua intervenção directa no Caso Gürtel, a investigação que desde Fevereiro se desenvolve na Audiência Nacional por um alegado caso de corrupção no interior do Partido Popular, que já atingiu a altos responsáveis do partido e conduziu a várias demissões. A mais recente foi ordenada directamente pelo próprio líder conservador Mariano Rajoy. Foi essa decisão a que agora lhe está a custar a perda de confiança por parte dos seus apoiantes. Mais de 70% dos eleitores do PP consideram que a sua má gestão da crise política aberta no partido pelo Caso Gürtel o afasta do governo de Madrid. Segundo o mesmo inquérito, 30% dos eleitores do PP estão insatisfeitos com a actuação do líder popular e 50% acredita que Rajoy não demonstrou autoridade suficiente para ultrapassar a crise.

Apesar das investigações do Caso Gürtel abrangerem várias autarquias governadas pelo Partido Popular, a imprensa espanhola dedicou o maior destaque às suspeitas vindas do governo regional de Valência, no qual foram arguidos, entre outros nomes, o presidente Francisco Camps, e o seu braço direito, o secretário-geral, Ricardo Costa. As distinções que Rajoy fez entre um e outro foram alvo de contestação e puseram em causa a sua liderança. Por um lado, Rajoy pediu a demissão do número 2 valenciano, Ricardo Costa, com o argumento de que o seu cargo de secretário-geral implicava um “acréscimo de responsabilidade política”; mas por outro, quando questionado pela imprensa porque não aplicava o mesmo critério ao número 1 valenciano, o presidente Camps, Rajoy simplesmente disse que este nunca lhe tinha mentido, pelo que o nível de confiança depositado nele mantinha-se inalterado.

Muitos eleitores do Partido Popular não perceberam o apoio de Rajoy a Camps. O presidente valenciano poderia ter participado, a troco de subornos, no jogo das adjudicações de contractos ilegais às empresas fantasmas do principal arguido na investigação, o empresário Francisco Correia, cujo apelido, traduzido ao alemão, deu nome ao Caso Gürtel.

O Caso Gürtel também salpica o governo

A investigação liderada pelo juiz Baltasar Garzón ainda vai dar muito que escrever. O Partido Popular denunciou esta semana que a corrupção também chega até o actual governo socialista. Os populares asseguram que em 2004 o executivo de José Luis Rodríguez Zapatero adjudicou contractos no valor de 300 milhões de euros a empresas relacionadas com o empresário Francisco Correia.

Opel: mais uma década em Espanha

Dos 1.672 despedimentos que a Magna tinha previsto fazer na fábrica espanhola de Opel, os sindicatos conseguiram reduzir o número para 900. Garantiram ainda que a produção da fábrica de Saragoça permanecerá intacta até o verão de 2011. Para o ministro de Indústria espanhol, este acordo assegurará o futuro de Opel em Espanha durante os próximos dez anos.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1399936&seccao=Europa

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 10/10

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Índios brasileiros querem ter participação política

por Jair Rattner

Mais de 500 anos depois de terem perdido o controle sobre a terra descoberta pelos portugueses, os índios brasileiros pretendem mudar um pouco a situação. O objetivo é eleger uma bancada indígena nas eleições para o Congresso Nacional, que vão realizar-se a 4 de Outubro de 2010.

As articulações já começaram, segundo conta o repórter Vannildo Mendes, do Estado de S. Paulo. Haverá candidatos índios em 18 das 28 unidades da federação brasileira.

Atualmente, o número de índios no Brasil é calculado pelos organismos oficiais em 480.000 – eram 5 milhões quando os primeiros portugueses desembarcaram, há 509 anos – dos quais apenas 150.000 têm documentos para votar. São 225 etnias, que falam mais de 180 línguas diferentes.

Mesmo contando com pouco mais de 0,25% da população de 191 milhões de brasileiros, eles acreditam na eleição de uma bancada de deputados para defender as causas indígenas. Eles pretendem ter uma voz própria, sem estar dependente da tutela do órgão estatal Fundação Nacional do Índio ou das igrejas.

Para definir o programa político dos candidatos, vão ser feitas assembleias regionais – a primeira delas será ainda este mês no estado de Roraima, onde os índios conseguiram a demarcação do maior território indígena do mundo, Raposa-Serra do Sol, com 1,7 milhão de hectares (equivale a três quartos do tamanho do Algarve). Segundo os líderes indígenas, nessas reuniões, são avaliadas a capacidade de liderança, a eloquência e a ficha limpa dos candidatos – o que muitas vezes não acontece nas convenções partidárias.

Além da demarcação das terras indígenas, os índios vão defender programas ambientalistas, encarando a preservação do meio ambiente como meio de manter suas culturas. Eles ainda não têm um partido preferencial, podendo sair por vários, conforme houver a possibilidade de apresentarem candidatos. Os preferidos são o Partido Verde, o Partido dos Trabalhadores e o Partido Democrático Trabalhista, que na década de 80 elegeu o primeiro deputado índio da história do país.

No âmbito local, já existem representantes de índios. O maior exemplo é a cidade de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, com 41.000 habitantes, dos quais 85% são índios. Com três línguas oficiais além do português – o nheengatu, o tukanu e o baniwa – é um dos maiores municípios do Brasil, com 105.000 quilômetros quadrados, 20% maior do que o território português. Ali, o prefeito, o vice-prefeito e todos os vereadores da câmara municipal são índios.

Em mais quatro cidades do Brasil há prefeitos que se dizem indígenas e para as câmaras municipais foram eleitos 90 vereadores que são índios. Atualmente, existem comunidades indígenas em 23 dos 27 estados brasileiros.

Juruna e o gravador

Não vai ser a primeira vez que um índio vai frequentar o parlamento brasileiro. Em 1983, o cacique Mário Juruna – defensor da demarcação das terras indígenas – foi eleito deputado pelo Rio de Janeiro. Ele ficou conhecido por sempre carregar um gravador em todas as reuniões de que participava. Justificava dizendo que não dava para acreditar nas palavras do homem branco.

Morte das línguas

A estimativa de 180 línguas indígenas no Brasil pode parecer um número muito grande, mas é apenas uma fração do total de há 500 anos. Calcula-se que quando os portugueses chegaram ao país, o total de línguas superava 1.300. O número exato de idiomas e dialetos é desconhecido. Isso porque ainda existem vários grupos que se recusam a ter contatos com os homens brancos, mantendo suas tradições culturais.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1386126&seccao=CPLP

Rádio Renascensa – Programa Visto de Fora – 09/10

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Desta vez o programa “Visto de Fora” edição da noite recebe os jornalistas Olivier Bonamici, da France Inter e Begoña Íñiguez, da Cadena Cope que respondem a questões de Anabela Góis sobre a análise da campanha autárquica. A colaboração dos jornalistas membros da AIEP termina com o melhor e o pior da semana.


Jornal ABC – 05/10

Pedro Santana Lopes: “Portugal tiene cultura socialista, el centro derecha aquí es un intruso”

por Belén Rodrigo

Pedro Santana Lopes marca diferencia, como político y como persona. Dicen de él que tiene siete vidas y ya pasó tiempos en los que le dieron por “políticamente muerto”. Ha estado al frente del ayuntamiento de Figueira da Foz, de Lisboa, y del Ejecutivo luso, y tras unos años alejado del poder, se presenta para alcalde de la capital lusa, elecciones que se celebran el próximo domingo, dos semanas después de las legislativas que dieron la victoria a los socialistas. Recibe a ABC en plena campaña y acepta hablar de la situación política de su país y de su partido, el centro derecha (PSD), sin olvidar su objetivo, retomar el trabajo iniciado en Lisboa que le obligaron a abandonar. En su vuelta, su partido le apoya, pero no le arropa, “hago la campaña solo, en las calles, me gusta así, es mi estilo y mi forma de ser”.

P.- ¿Es difícil comenzar una campaña después de la derrota de su partido en las legislativas?

R.- Es políticamente más difícil, aunque en Lisboa los resultados han sido buenos. Si sumamos los votos del PSD, CDS-PP y los dos partidos pequeños que forman la coalición por la que me candidato, tuvimos un 5 % más de votos que el PS. Las elecciones locales son diferentes a las nacionales pero al estar tan próximas es poco probable que la gente cambie de voto.

P.- ¿Sorprendido por la derrota?

No, únicamente un poco por la diferencia. Hubo una oportunidad perdida de ganar por un conjunto de circunstancias. Competí con Manuela Ferreira Leite hace un año y expliqué porqué no se debía presentar a la presidencia del PSD. A partir del momento que fue elegida hice todo lo posible para ayudarla, hay un tiempo para guerras y otro para unirnos. Mi partido la escogió por eso la culpa de haber perdido no es únicamente de ella.

P.- ¿Y qué le pareció el mensaje “antiespañol” de Ferreira Leite en la campaña?

La excesiva concentración de la campaña en el AVE y en las cuestiones relacionadas con España marcó un giro en la misma. El PS fue hábil y aprovechó bien esa situación. No voy a comentar sus palabras pero debo decir que estoy a favor del AVE. Fui diputado europeo entre el 86 y 89, cuando no había autopista entre Madrid y Lisboa. La situación era la misma, España realizando la autopista hasta Badajoz y en Portugal muchas personas estaban en contra de unirla a Lisboa. Para un país tan periférico es muy importante estar conectado por las vías rápidas al resto de Europa.

P.. ¿Van a cambiar muchas cosas en su partido después del 11 de octubre?

No lo sé, se analizará bien la situación y luego veremos las consecuencias. El PSD ha tenido muchos líderes en los últimos tiempos y necesita serenidad.

P.- ¿Es posible pensar en Santana Lopes como alcalde de Lisboa y presidente del PSD?

No, únicamente como alcalde

P.- ¿Qué está pasando en la política portuguesa?

En Portugal hay una cultura social con una marca socialista fuerte. Desde el 25 de abril, el PSD únicamente logró gobernar más tiempo con Cavaco Silva, que fue una excepción. Durão Barroso entró para primer ministro, perdone la presunción, porque gané las municipales en el 2001 en Lisboa a João Soares, cuando nadie lo esperaba. Guterres se dimitió y entró Barroso, que duró dos años. Yo entré en la decadencia de aquel gobierno y Sampaio lo disolvió. Casi cinco años después se puede ver cómo las cosas siguen una lógica respecto a dicha fuerza socialista. Manuela Ferreira Leite, que podía haber ganado las elecciones, acaba por tener un resultado igual al mío en 2005, cuando me presenté frente a Sócrates. Y él, a quien muchos daban por perdido en esta batalla, ha conseguido ganar.

P.- ¿Encuentra una explicación?

El centro derecha en Portugal es un intruso. En cinco años el PS perdió el gobierno y Lisboa, y en el mismo tiempo lo recuperó. Ahora continuará otros cuatro años en el Gobierno y están haciendo todo lo posible para mantener Lisboa, con una lista que engloba a Antonio Costa, Roseta y Sá Fernandes, que piensan los tres cosas totalmente diferentes en temas fundamentales. En Portugal la anormalidad es normal, hay dos pesos y dos medidas en donde algunos políticos utilizan la justicia para atacar a sus adversarios políticos y España sabe muy bien lo que es eso. El PP ha sido muy investigado.

P.- ¿Siente el apoyo de su partido?

Yo creo que ya se han acostumbrado a verme correr solo. La presidenta ha sido impecable

He tenido el apoyo de las principales figuras del partido pero no en la campaña, también están cansado, hubo las europeas, las legislativas. Interiormente me apoyan. Hago la campaña solo, en las calles, me gusta así, es mi estilo y mi forma de ser. Hace poco me decían “usted ni su partido tiene detrás de sí”. Ya no me extraña, siempre hice campañas así. Soy un personaje un poco al margen del sistema. Mi equipo trabaja solo y puede ganar. El verdadero sondeo para estas elecciones fue el día 27. Eso sí, debo decir que es más normal que gane el presidente que está en funciones, pero puede perder.

P.- Después de haber estado apartado un tiempo de la política activa, ¿por qué regresa?

Fue un camino interrumpido involuntariamente y me quedé con el deseo de volver. Me encanta el trabajo del poder local. Tenía un sabor amargo, ácido, por haber salido del ayuntamiento de Lisboa por circunstancias excepcionales, no era lo que quería.

P ¿Se ha arrepentido de aceptar en su día sustituir a Barroso como primer ministro?

Si supiese lo que me iba a pasar no hubiese ido pero en ese momento no tuve alternativa, tuve que decir que sí, porque de lo contrario era una traición. Mi partido quería que fuese yo quien sustituyese a Barroso y si hubiese dicho que no, dirían que era un egoísta. Creo que he conseguido asimilar bien mi pasado, estoy en la lucha otra vez y en serio, por lo que quiero hacer ahora y en el futuro. Pasé página y quiero pensar en lo que voy a hacer en los próximos años.

P.- Sampaio disolvió el Parlamento cuando era primer ministro. ¿Cree que Cavaco Silva puede hacer lo mismo si Sócrates decide gobernar en mayoría relativa?

Es poco probable, tendremos elecciones presidenciales en breve. Vamos a tener un periodo de algunos años estabilidad. El primer ministro tiene condiciones para gobernar los cuatro años, y eso es deseable para Portugal, la estabilidad. Si Cavaco Silva fuese reelegido no sé lo que pasará.

P.- ¿Portugal está siendo muy perjudicado con esta inestabilidad?

La inestabilidad política perjudica mucho al país para su imagen en el extranjero, para la economía, la inversión nacional e internacional, la imagen del país, cotización de las agencias de rating internacional, etc.. Es bueno entrar en una fase de serenidad institucional, Portugal necesita la estabilidad para poder entrar en el proceso de recuperación mundial porque si no se queda atrás. Es esencial la estabilidad institucional

P.- ¿Y el PSD aprender a ser una buena oposición?

Exactamente, ahora esa es su obligación

P.- Lisboa con sentido, su eslogan. ¿Qué no tiene sentido en Lisboa?

Que una buena parte del a capital esté entregada a manos del Estado por causa de las conmemoraciones del centenario de la República, que no se apruebe ley de rentas como hizo en España, la completa ensaladilla rusa del equipo que dirige el actual ayuntamiento…Lo importante del día 11 es saber si Lisboa va a tener un ayuntamiento que trabaja en junto con el Gobierno, pero es independiente, o un ayuntamiento sometido a los intereses del Gobierno. No es por ser el mismo partido. El Estado hace obras en Lisboa sin dejar que hable el ayuntamiento. Hay muchos intereses por detrás y hace falta cumplir las reglas

P.- ¿Qué papel merece Lisboa en el contexto europeo?

Tenemos una manía, como ocurre en España, la de querer ser plataforma intercontinental, placa giratoria entre diferentes partes del mundo. El papel de Lisboa es ser encuentro de civilizaciones, una ciudad que es más próxima del continente americano y la puerta de Europa, y que tiene una relación muy especial con África y Brasil. Es su plusvalía. Una capital histórica y a la vez capital de millones de personas que hablan la misma lengua. Forma parte de una península ibérica donde los dos estados se miran de manera desinhibida y sin complejos ni de superioridad ni de inferioridad. Es una ciudad para atraer inversiones, viajes de fin de semana, de media y larga duración. Por eso no puede perder su aeropuerto. Es un error estratégico que el alcalde de Lisboa deje a la ciudad sin aeropuerto sin ninguna pista, un error para la hotelería, comercio, para toda la ciudad

P.- ¿Piensa ya en proyectos en conjunto con Madrid y Barcelona?

Tenemos la obligación de hacerlo en el ámbito de la cultura, principalmente en el área de la nueva creación, diseño, moda, expresión contemporánea. Con Madrid hay mucho trabajo que hacer en conjunto en tema de transportes

P.- ¿Satisfecho con el peso político de Lisboa?

Puede tener mucho más, pero para eso hace falta que su área metropolitana debe estar más instituida… y ahora ni en los transportes tenemos ese poder. En Portugal a veces lo más fácil de hacer nunca se hace, se arrastra durante años, es incomprensible

P.- ¿Cuáles son los problemas de los lisboetas?

Tráfico, cargas y descargas, seguridad y degradación de las casas, falta de guarderías públicas. Poca atención para los más mayores. Es una ciudad muy envejecida, un tercio de la población tienen más de 65 años. Lo jóvenes se van. Es el gran desafío de traerles para Lisboa, rehabilitar casas. También tenemos el problema de los coches, en Lisboa entran 500 mil coches por día, un territorio que tiene únicamente 84 km cuadrados de área

Arreglar estos problemas es un desafío para diez años, pero hace falta trabajar desde el inicio.

Pido mayoría absoluta para darme estabilidad para gobernar que la otra vez no tuve

P.- ¿Siente que están siendo elecciones muy disputadas?

Hay otra vez mucho indecisos y vamos a ver quien gana en la recta final, como ocurrió en las legislativas, Sócrates ganó en el sprint final

P.- Cuando ganó en el 2001 dijo que su victoria fue causa para la salida de Guterres. ¿Qué puede cambiar ahora en Portugal si gana el día 11?

La capital del país se queda más competitiva y el poder más equilibrado. Para el país sería una señal de que los socialistas no consiguen todo lo que quieren. No pretendo ser alcalde para hostilizar al primer ministro, quiero trabajar con él, preciso de él pero debe convencerse que me va a necesitar porque Lisboa es esencial para el gobierno de un país

Rádio Renascensa – Programa Visto de Fora – 02/10

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Os Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro, em 2016, a declaração de Cavaco Silva sobre a polémica das escutas, e a vitória do PS nas legislativas, foram alguns dos temas discutidos no programa “Visto de Fora” edição da noite, pelos jornalistas Jair Rattner, do Estado de São Paulo, e Adriana Niemeyer, do Globo.


The Economist – 01/10

Socratic method

por Peter Wise

A narrow Socialist win may make for an unstable government

ONE of a dwindling band of centre-left European leaders to resist the forward march of the centre-right, José Sócrates, Portugal’s prime minister, emerged diminished but still victorious from the election on September 27th. But after four years with a comfortable majority, he will now have to deal with a fraught world of parliamentary pacts and a hostile president.

Many voters turned away from both Mr Sócrates’ Socialists and the centre-right Social Democrats (PSD), the parties that have alternated in power since 1974, towards smaller groups on the right and left. Some 40% of the electorate stayed at home. The result is a fractured parliament in which Mr Sócrates, re-elected to a second four-year term as leader of the largest single party, will need backing from at least one opposition party. Yet since his opponents turned the election into a referendum on his personal record, style and character, most may prefer to turn down overtures from a prime minister on whom they have heaped much scorn.

Buffeted by scandal and the backlash from unpopular reforms, Mr Sócrates scored a considerable triumph by staying in office. But his Socialists lost their majority as their share of the vote fell from 45% to below 37%. The PSD took only 29%, a resounding defeat that will probably make the party change its leader for the fifth time in five years. The biggest gainer was the right-wing Popular Party, which overtook the Communists to become the third-largest party, with 10.5%, and the Left Block, a radical alliance of former Marxist fringe groups, which took almost 10%.

A coalition with leftist parties that advocate sweeping nationalisation and Portuguese withdrawal from NATO would give Mr Sócrates a majority, but destroy his business-friendly credentials. Instead, he is expected to form a minority government, seeking parliamentary support from left or right as the occasion demands. The fear of business leaders is that a weak Socialist government will be unable to tackle Portugal’s pressing economic problems. GDP is expected to contract by over 3% this year. The unemployment rate is 9% and rising. In 2010 the public debt and the budget deficit are likely to hit 80% and 7% of GDP, respectively. The worst outcome would be for Mr Sócrates to go for populist measures with the aim of seeking a bigger majority in an early election, says Francisco Sarsfield Cabral, an economic analyst.

It is at times like these that the Portuguese president should step forward to promote stable government. Instead, Aníbal Cavaco Silva, a former PSD leader and prime minister who was elected president in 2006, has entered into open hostilities with Mr Sócrates. Dragged into an unedifying squabble over supposed attempts by presidential aides to plant newspaper stories about government spying on the presidency, Mr Cavaco Silva seems to have abandoned statesmanlike gravitas in favour of an artificial quarrel.

Portugal is a difficult country to govern, argues Miguel Sousa Tavares, a novelist and political commentator. This election has made it more difficult still.

Jornal ABC – 28/09

SÓCRATES VENCE EN PORTUGAL, PERO SIN MAYORÍA ABSOLUTA

por Belén Rodrigo

José Sócrates se proclamó ayer claro vencedor de las elecciones legislativas de Portugal en una jornada electoral marcada también por el alto porcentaje de abstención, próximo al 40%. El Partido Socialista (PS) obtuvo el 36,56% de los votos (96 diputados) seguido del centro derecha (PSD) , con el 29,08% (78 diputados). La sorpresa de la noche electoral estuvo en la consolidación de la derecha (CDS-PP), como tercera fuerza política del país, con el 10,46 % (21 diputados), por delante del Bloque de Izquierda (BE), y de la coalición del partido Comunista con los Verdes (CDU). Lejos de los 116 diputados necesarios para tener la mayoría absoluta, los socialistas necesitan coaligarse con otros partidos para lograr estabilidad en el Parlamento, un escenario que no quiso ser ayer abordado por el recién reelegido primer ministro.

Esta vez no hubo sorpresas y el partido socialista se impuso en las urnas al centro derecha, tal y como indicaban todas las encuestas. Se quedó distante de la mayoría absoluta conquistada hace cuatro años y medio, cuando obtuvo el 45%, pero la victoria acabó por ser mayor de lo esperado. El partido conservador, por su parte, se llevó un verdadero jarro de agua fría, con resultados por debajo de los proyectados. Manuela Ferreita Leite asumió toda la responsabilidad de esta derrota, apelando a la movilización de su partido para los comicios municipales del 11 de octubre cuya campaña comienza hoy. Después de dichos comicios, será el momento de hacer balance y tomar decisiones.

Estabilidad en el Parlamento

José Sócrates no fue capaz de repetir la mayoría absoluta de hace cuatro años, hazaña política lograda hasta el momento únicamente por Aníbal Cavaco Silva. Teniendo en cuenta el desgaste político del primer ministro y la difícil situación económica y social que Portugal atraviesa, la vitoria electoral cobró anoche una especial importancia para el líder socialista quien calificó su triunfo de “extraordinario” recordando que “la voluntad del pueblo es que siga gobernando el PS” y lo hará “en nombre de los intereses del país”. Sócrates evitó hablar de posibles acuerdos con otros partidos para tener mayoría en el Parlamento pero dejó todo en abierto recordando que “esta legislatura merece estabilidad“. Todavía hay cuatro escaños por adjudicar, correspondientes al electorado en el extranjero.

Derrota anunciada

Mucho movimiento a las puertas del Hotel Altis de Lisboa, donde se reúnen los socialistas en noche electoral, vaticinaba la victoria de José Sócrates. A pocos metros de distancia, en el hotel Sofitel, se preparaban las salas para los miembros del partido conservador. El movimiento de cámaras, medios y personas era inferior, y en cierto modo, se respiraba ya la derrota, faltaba saber si por poca o mucha distancia. La euforia contenida de los socialistas frente a un pesimismo disimulado del centroderecha dejaba poco margen para dudas. “Puede ser una noche difícil”, afirmaban a ABC miembros de PSD a la espera de conocer los resultados, asegurando que tras cuatro años en la oposición “resulta duro prepararse para otros cuatros”.

Radio France Internationale – 28/09

Socialistas vencem mas devem fazer alianças para governar

por Adriana Niemeyer

Depois de comemorar a vitória até a madrugada desta segunda-feira, o Partido Socialsta, do atual primeiro ministro José Sócrates, vai ter de começar a pensar sobre as fórmulas possíveis para poder governar nos próximos 4 anos, já que perde a maioria absoluta no parlamento. Os 36, 6% dos votos foram suficientes para vencer estas eleições e eleger 96 deputados das 230 cadeiras do Parlamento. No governo anterior o partido tinha uma maioria de 121 deputados.

O Partido Social Democrata (PSD), de oposição, da candidata Manuela Ferreira Leite, obteve 29,1% dos votos, mas perdeu somente duas cadeiras, passando de 79 a 77. O que significa que os votos dos socialistas foram distribuídos nos demais partidos. A direita populista do Centro Democrático Social (CDS) aparece pela primeira vez como terceira força política do país, com 10,3% , à frente do Bloco de Esquerda com 9,6%, e dos comunistas com 7,9%. Todos eles conseguiram aumentar de maniera significativa suas representações no parlamento português.

Responsabilidade

No seu discurso da vitória, José Sócrates pediu a todos partidos “uma oposição responsável para o bem do país”, afirmando que esta nova legislatura merece estabilidade. Quando questionado sobre possíveis coalisões, disse ainda ser muito cedo para falar de alianças. Uma tarefa que não será nada fácil, já que o Bloco da Esquerda, com maiores afinidades de programa, voltou a criticar o governo socialista sobre as reformas sociais ao invés de felicitar o primeiro-ministro Sócrates pela vitória apertada, mas clara.

A candidata derrotada, Ferreira Leite, assumiu toda a responsabilidade pelos maus resultados de seu partido, mas espera reverter a situação nas eleições municipais do próximo dia 11 de outubro. Mas no PSD, a ala menos conservadora já começa a discutir quem poderá ser sucedê-la à frente da legenda. Estas eleições foram marcadas também pelo recorde de abstenção: cerca de 40% do eleitorado não compareceu às urnas.

Rádio Renascensa – Programa Visto de Fora – 25/09

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A dois dias das legislativas, no programa “Visto de Fora” edição da noite de 25 de Setembro, as jornalistas Anete Ferreira e Mónica Ameixeiras fazem um balanço da campanha eleitoral.


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