Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 30/07

No Brasil, é tempo de voar!”

Por Juliana Iorio, Jornalista Freelancer para o Portal UOL e Revista Persona Mulher

Foi-se o tempo em que viajar de avião era “coisa para ricos!” Hoje em dia qualquer pessoa, pelo menos no Brasil, pode viajar de avião!

O aumento das companhias aéreas “low cost”, a diminuição dos preços das passagens, provocada pela concorrência, aliada a um incremento do poder aquisitivo, tem feito com que, aqueles que até então só podiam viajar de autocarro, hoje tenham a oportunidade de viajar de avião.

Observa-se por todo o país os aeroportos lotados, e não é só por causa das férias! Mulheres-a-dias, aposentados, que nunca haviam viajado de avião, hoje podem fazê-lo graças às tarifas promocionais, ao pagamento parcelado das passagens e à subida do poder de compra.

Só nos cinco primeiros meses deste ano, o número de passageiros que viajou de avião dentro do Brasil aumentou 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Foi o maior crescimento registado no mundo, de acordo com informações divulgadas pela comunicação social brasileira. Uma busca rápida pela Internet revela que já existem até guias on-line para quem viaja de avião pela primeira vez no Brasil!

Nos últimos dois anos, o número daqueles que escolheram o avião para viajar pelo Brasil aumentou 39,4%, ou seja, subiu para 139,4 milhões e, em contrapartida, o número de passageiros que viajaram de autocarro, mais de 75 quilómetros, caiu 9% (de quase 54 milhões em 2008, para 49 milhões em 2010), também segundo informação divulgada pela comunicação social.

Se por um lado, hoje podemos encontrar uma grande gama de companhias aéreas de baixo custo no Brasil (as mais conhecidas são a “Gol” – que acaba de adquirir a “Webjet” – e a “Azul”), que se “digladiam” em buscas de clientes; por outro lado, estes quando chegam aos aeroportos, muitas vezes deparam-se com a falta de informação e com serviços que lhes podem custar o dobro do preço. A alimentação nos aeroportos, por exemplo, é um dos serviços onde a falta de concorrência faz manter a alta nos preços.

As redes hoteleiras no Brasil, por sua vez, não têm conseguido atender a demanda. Actualmente, conseguir um quarto de hotel na cidade de São Paulo não é uma tarefa nada fácil! Apesar dos investimentos no sector, que se têm verificado em todo país, sobretudo por grupos estrangeiros, estes ainda são deficientes em vista da procura que se tem sentido. Se hoje, e apesar dos altos preços praticados, já é difícil conseguir um quarto de hotel em São Paulo, como será quando o país sediar o Mundial de 2016?

Transportes Terrestres tentam “driblar” a perda de clientes

Numa tentativa de driblar a perda de clientes e estimular o uso do transporte terrestre, as empresas de autocarro no Brasil têm introduzido algumas inovações. Para além dos bilhetes poderem ser pagos em até seis vezes, já existem programas de “milhas” e até tarifas diferenciadas de acordo com as poltronas! Além disso, os descontos nos preços dos bilhetes podem chegar a 50%.

Capacidades dos aeroportos superam preocupação com tráfego aéreo

O tráfego aéreo tem aumentado no Brasil, e com ele o número de acidentes aéreos. Segundo a comunicação social, o número de mortos em acidentes aéreos nos seis primeiros meses de 2011 superou o índice de todo o ano anterior. No entanto, devido ao Mundial de 2016, questões como a capacidade dos aeroportos e os meios de transportes para deslocações dentro do Brasil, têm sido apontadas como as mais críticas e prioritárias.

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 18/06

Falta de bom senso político em Espanha

Por Belén Rodrigo, correspondente do ‘ABC’

Quatro semanas depois das eleições municipais e regionais em Espanha, o panorama político não está a passar pelos seus melhores dias. Algumas comunidades continuam sem acordo para ter um Governo estável e os “indignados” levam mais de um mês a dar que falar. Já não se limitaram a protestar e nos últimos dias aconteceram actos de violência. O PSOE está preocupado com as próximas eleições que não quer antecipar e por momentos parece que esquece o dia-a-dia de um pais que precisa de ordem.

Enquanto algumas comunidades e câmaras dão posse ao presidente, outras continuam na luta para chegar ao entendimento. Ganhar as eleições não chega para presidir a um Parlamento porque senão se tem maioria absoluta e existe acordo entre outros partidos da oposição, o Governo fica nas mãos dos “perdedores”. Na Extremadura, por exemplo, onde ganhou o PP, um pacto entre PSOE e IU(Esquerda Unida) pode colocar de novo aos socialistas no poder. Mas parece que o PP e a IU estão a aproximar posições e poderia dar numa coligação entre duas forças políticas tão diferentes ideologicamente. As Astúrias também estão a dar problemas porque o vencedor Foro de Asturias, como ex-popular Álvarez-Cascos à frente, não se entende como PP e já se fala de um Governo PP/PSOE. A situação económica de Espanha não dá margem para se perder tempo com brigas internas. O bom-senso devia imperar mas há tempos que deixou de existir entre os políticos , ou pelo menos é isso o que transmitem aos cidadãos.

Mas o que está a dar que falar é o movimento “15M”. Na quarta feira os deputados catalães tiveram de entrar no Parlamento de helicóptero, porque o edifício estava tomado pelos “indignados”. Fica assim uma triste imagem da Democracia espanhola .Até agora todos olhavam com simpatia para estes jovens porque muitas das suas reivindicações (algumas utópicas) faziam sentido, todos queremos viver num mundo melhor demais justo. Passamos dias e vemos sinais de violência, a situação está a fugir das mãos dos responsáveis políticos. Zapatero diz “não” quando perguntam se está preocupado com os indignados mas depois a Moncloa teve de rectificar. É evidente que o movimento está dividido, à deriva  após um mês de protestos, e cresce a agressividade.

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 11/06

Santo António da colina da CruzVermelha

Por DejanStankovic,‘freelance’

Santo António de Lisboa é um santo católico romano que nunca pôs os pés numa Belgrado predominantemente ortodoxa, mas deixou uma marca distintiva na capital da Sérvia. É o santo padroeiro(em português “orago”) de uma bela igreja que enfeita a paisagem da cidade enquanto o seu culto se espalhou muito para além da minoria católica. Existe ainda uma lista de pequenos milagres que Santo António terá realizado nesta parte do mundo.

A Igreja de Santo António foi construída em1931 por ocasião dos 700 anos da morte do santo. Desde 1962,quando a sua torre de 52 metros ficou finalmente pronta, este edifício de tijolo vermelho, elegante e moderno, tornou-se numa imagem de marca da arquitectura da cidade.

E é um símbolo para todos os habitantes de Belgrado. Além dos católicos, há também visitantes de outras fés e turistas que se deslocam à igreja situada no bairro de Belgrado conhecido como Colina da Cruz Vermelha.

Ao longo dos anos, devido à cedência do solo, a torre inclinou-se 45 centímetros para um dos lados. A inclinação, semelhante à da Torre de Pisa, é bem visível, mas por milagre a torre continua de pé.

É ali que fica a sede dos franciscanos da Bósnia, cujo mosteiro fica situado numa rua residencial sossegada. As suas portas estão abertas durante todo o dia tanto para os fiéis como para os curiosos e até para os meninos que gostam de jogar futebol no seu jardim. É um facto comprovado que os frades sempre se mostraram compreensivos com as brincadeiras das crianças da vizinhança.

A igreja sobreviveu à II Guerra Mundial intacta, apesar de a área circundante ter sofrido da nos graves, tanto por causa dos bombardeamentos nazis como dos aliados. Para a população local, tratou-se de um milagre.

Durante o regime comunista do pós-guerra, quando irà igreja não era bem-visto, voltou a acontecer um milagre. Os frades de Santo António compraram grandes órgãos, os melhores da capital da então Jugoslávia. E a igreja acabou por se tornar num palco para concertos de música erudita e espiritual.

Durante a década de 1990, quando sérvios, croatas, bósniose eslovenos se defrontaram em guerras sangrentas, os seus compatriotas juntavam-se em paz neste templo ecuménico. Talvez tenha sido o maior milagre.

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 28/05

O discurso único de Obama em Westminster

Por Alison Roberts, jornalista ‘freelance’ britânica

A visita de Obama à Irlanda serviu para piscar o olho aos 40 milhões de eleitores americanos de ascendência irlandesa, tal como fizéramos seus antecessores, e para estabelecer uma ligação pessoal com a Europa no início de um périplo de seis dias. Como esperado, foi uma visita divertida, gerando imagens de Obama no pub da aldeia do seu antepassado, de Guinness na mão, que valem à cervejeira e ao país milhões de euros em publicidade.

A visita ao Reino Unido foi bem mais formal. Como de costume, os média britânicos focavam o estado da “Relação especial ”na área de segurança. Ainda mais comum presidente americano cujos sentimentos perante o Reino Unido estão supostamente envenenados pelo facto de o seu pai ser do Quénia, cujo povo sofreu abusos durante o colonialismo britânico.

Mas o próprio Obama utilizou esta ligação colonial no seu discurso, citando o facto de “o neto de um cozinheiro queniano no exercito britânico” hoje ser presidente, e a presença na assistência de “filhos e filhas de ex-colónias britânicas” membros do Parlamento britânico, como exemplos da força da diversidade nas sociedades dos dois países. Foi o único momento do discurso solene interrompido por aplausos. A sessão teve Lugar na parte mais antiga do complexo parlamentar de Londres, Westminster Hall, um espaço do século .XI  com estatuto mítico na história britânica. No seu discurso Obama citou a Magna Carta de 1215comoabasecomumdos sistemas dos dois países, na limitação do poder do Estado.

Foi depois disso que Westminster Hall se tornou a casa dos tribunais mais importantes da altura. Mas o evento mais marcante que ali teve lugar foi o julgamento por tirania e traição de Carlos I, em 1649:a primeira vez na história europeia que um monarca era condenado à morte. E uma marca importante para estabelecer os limites do poder da coroa.

Apesar da honra que constitui o convite para falar neste sítio – nunca antes concedida a um presidente – como sempre ficavam dúvidas do lado britânico sobre a relação. Foi um colunista com uma perspectiva singular–Roger Cohen do New York Times, americano nascido e crescido em Inglaterra– que resumiu a força da referência de Obama ao avô: “A Mancha ainda é muito mais larga que o Atlântico.”

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 21/05

Os indignados del sol

Por Belén Rodrigo, correspondente ABC

Na última semana da campanha para as eleições municipais e regionais de Espanha, o movimento 15-M é o grande protagonista. Desde o passado domingo, estudantes, reformados, desempregados, trabalhadores em condições precárias estão acampados na emblemática Puerta del Sol . Pessoas muito diferentes com um mesmo grito: a sua indignação pela situação de Espanha. Queixam-se do sistema político, económico e social do seu país onde têm cada vez menos oportunidades para viver dignamente. Depois de mobilizações por todo o país, os olhares estão concentrados na praça madrilena.

Quem são os indignados? “É um movimento imparável que vai trazer mudanças profundas”, explicam os porta-vozes. Os rostos deste movimento mudam porque ninguém quer o protagonismo. A sua origem está nas redes sociais, e depois os meios de comunicação tradicionais estão a ajudar à sua divulgação. Várias plataformas estão por detrás desta iniciativa promovida nomeadamente por Democracia Real Ya. Mas são muitas as perguntas que surgem quando se procura perceber o que está a acontecer. Os partidos políticos tentam analisar o significado deste protesto sobre o qual cada um tem a sua teoria. Dentro do Partido Popular, alguns acusam o PSOE de estar por detrás do 15-M, e a Esquerda Unida diz que são parte do seu partido e pedem-lhes o voto. A presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, teme que a esquerda manipule este movimento, enquanto o ex-primeiro-ministro Felipe González fala do espírito espontâneo das revoltas árabes. Entre as suas propostas está a eliminação de privilégios na classe política, mais liberdade e uma democracia participativa. Exigem uma redução do desemprego e consideram necessária a aplicação de medidas como a redução da jornada laboral ou a conciliação.

O que realmente preocupa agora a classe política é saber quem o 15-M vai prejudicar ou beneficiar mais. Alguns analistas acham que nenhum partido vai ficar com os votos dos manifestantes e, em geral, consideram que o PSOE pode ser mais prejudicado por ser o partido do poder. Não há muitos manifestantes do PP e sim muitos do PSOE que estão a ser muito críticos com o Governo.

Outra das incógnitas é saber o que vai acontecer no dia depois das eleições com este movimento. Eles garantem que não há volta atrás, mas parece difícil que venham a ter sucesso quando não existir um objectivo concreto e palpável. Querem mudar o mundo, mas não sabem como. É um objectivo difícil, mas não impossível.

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