27/05/2010
por Mariana Delgado

Europa e América Latina estreitam laços como iguais
Virginia López, correspondente El Mundo
A VI Cimeira União Europeia – América Latina – Caraíbas era a “oportunidade de ouro” da presidência espanhola, num semestre demasiado marcado pelo peso da crise económica. O presidente espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, dedicou todo o seu esforço em conseguir que esta cimeira fosse, em palavras do próprio presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a “cimeira dos resultados”.
Com os acordos fechados após quatro dias de reuniões em Madrid, pode dizer-se que Espanha cumpriu os seus objectivos. A UE assinou o primeiro acordo de associação com os países de América Central, um acordo histórico já que é a primeira vez que o bloco dos 27 assina um acordo com uma região. Também se fechou o Tratado de Livre Comércio com a Colômbia e o Peru. Há acordos entre a Comunidade Andina de Nações (CAN) e a EU para reforçar a luta contra o narcotráfico e as alterações climáticas.
Foi criada a Fundação Eurolac, uma plataforma para aproveitar o trabalho das sociedades civis europeia e latino-americana. O LAIF ou Latinoamerican Investment Facility financiará infra-estruturas na América Latina com fundos europeus. E o que provavelmente é o maior êxito da presidência espanhola: o relançamento das negociações UE – Mercosul, paralisadas desde 2004, para criar a que seria a maior área de livre comércio do mundo, para o que ainda haverá que ultrapassar os receios de alguns países europeus, liderados pela França.
Mas, para além de todo o esforço da presidência espanhola para fechar o maior número de acordos possíveis, o grande êxito desta cimeira foi o facto de 60 países dos dois lados do Atlântico se sentarem na mesma mesa como iguais, deixando de lado os preconceitos do passado. Europeus e latino-americanos são finalmente conscientes da necessidade de construir uma nova arquitectura financeira e o conjunto dos países da América Latina e Caribe demonstraram terem sabido responder com solidez à crise global.
Da cimeira de Madrid, os principais dirigentes políticos latino-americanos regressam aos seus países com a satisfação de terem sido tratados com respeito pelos seus sócios europeus, com os que abrem uma nova via de diálogo político e cooperação na construção do novo ordem mundial onde a América Latina tem muito a dizer.
Não à discriminação latino-americana
O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu aos seus sócios europeus para não discriminarem aos 3,5 milhões de latino-americanos que imigraram para os países da União Europeia à procura de uma vida melhor. Também a presidente argentina, Cristina Fernández Kirchner, solicitou à UE que não aprove leis discriminatórias contra os imigrantes procedentes da América Latina.
Organizações sociais criticam resultados
De forma paralela realizou-se a Cimeira dos Povos, organizada pelas organizações sociais que lamentam os resultados da cimeira oficial. Denunciaram as violações sistemáticas dos direitos humanos por parte das multinacionais europeias e rejeitaram os tratados de livre comércio, por considerarem que são um mecanismo da UE para ultrapassar a crise que prejudicará a América Latina.
http://dn.sapo.pt/inicio/
Gostar disso:
Seja o primeiro a gostar disso post.