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Por Patrick Chappatte, Nzz Am Sonntag

Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 04/09

Os mineiros que comovem o mundo

por Mario Dusijin, jornalista chileno

 A coragem e o optimismo dos 33 trabalhadores encurralados na mina de San José comoveram o mundo, que tem acompanhado em directo as notícias, num envolvimento mediático quase sem precedentes – um interesse que só se tornou possível graças ao envio de uma pequena câmara de filmar até às profundezas desses negros túneis, proporcionando imagens dramáticas.

Sem estas imagens, rudimentares mas comoventes, dificlmente os órgãos de informação internacionais teriam dedicado mais do que umas escassas linhas e durante poucos dias a este drama, semelhante a tantos outros que com uma frequência aterradora ocorrem em países imensos como a China ou na antiga União Soviética.

Graças a sofisticados artefactos tecnológicos, enviam-se imagens dos rostos destes mineiros, homens duros forjados no árido deserto do Atacama, enquanto à superfície máquinas perfuradoras, operários, engenheiros, geólogos e psicólogos dividem esforços numa tarefa titânica, contra o tempo e carregada de dramatismo.

Tudo isto condimentado com uma boa dose de emoção que enternece o mundo e num país onde vigora uma economia aberta sem restrições, na qual os agentes são livres para empreender actividades produtivas, com uma opinião pública que aceita a colheita desses frutos mas agora exige aos empresários que assumam a responsabilidade pela catástrofe e ao Estado explicações pela falta de fiscalização da mina.

O impacto de San José marca uma fronteira temporal em relação à legislação laboral e às responsabilidades empresariais e políticas. O acidente na mina criou a consciência de que são necessárias acções de fundo. Apesar de haver uma componente de azar em todos os acidentes, é sobre as acções e as omissões dos empresários que quase sempre recai a maior parcela de culpa.

No Chile parece normal que nas minas se abram cavernas em vez de túneis ou que existam jornadas laborais de 12 horas. Uma responsabilidade que não recai apenas nos empresários sem escrúpulos, mas também em quem os autorizou a isso: os sucessivos governos chilenos desde o restabelecimento da democracia, em 1990, que ainda não desterraram as teorias de Milton Friedman.

Chilenos exigem responsabilidades

A opinião pública começa a exigir que se aplique todo o peso da lei aos empresários para o apuramento de responsabilidades civis ou criminais neste acidente que reúne o melhor e o pior da realidade laboral chilena e de um modelo de crescimento baseado na indústria extractiva de recursos naturais virada para a exportação que o país tem privilegiado desde 1973.

Notícia misturada com entretenimento

A lógica televisiva converteu este acidente laboral num espectáculo de massas. As principais televisões do mundo acamparam junto à mina, com o árido deserto como dramático pano de fundo, relatando o drama destes heróis do trabalho mineiro da única maneira que dominam: a montagem audiovisual ao serviço de um formato que mistura notícia com entretenimento.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1655524&seccao=EUA

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