Cartoon
04/10/2010 Deixe um comentário

Por Lute, Jornal Hoje em Dia
Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal http://www.aiep.eu/
06/06/2010 Deixe um comentário

Por João Carlos, correspondente
Para muitos imigrantes, Portugal já não é um destino aliciante. A crise económica e financeira trouxe o desemprego, com o encerramento de várias empresas, por exemplo no ramo da construção civil e da restauração, onde muitos trabalhavam. Os brasileiros são, entre outros, os que estão a ponderar o regresso ao país natal, onde o crescimento económico lhes está a proporcionar incentivos profissionais e outra perspectiva de vida.
Para ouvir:
26/04/2010 Deixe um comentário
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Novo fôlego contra a lei da Amnistia no Brasil
Por Renato Mendes, jornalista freelance

Ernesto Geisel (com Carter) foi presidente na ditadura
Sob a coordenação da OAB RJ (Ordem dos Advogados do Brasil – Rio de Janeiro) foi lançada no dia 16 a “Campanha pela Memória e pela Verdade”, em favor da abertura dos arquivos da repressão política no Brasil, durante a ditadura militar (1964-85).
Entre as dezenas de campanhas e manifestações organizadas ao longo dos anos, esta conta com a participação de actores como, Fernanda Montenegro, José Mayer, Glória Pires, Eliane Giardini, Osmar Prado e Mauro Mendonça. Os artistas interpretam depoimentos de seis desaparecidos políticos, em filmes de 30 segundos.
Com conteúdo orientado para a Net, a campanha, a partir do site da OAB RJ, disponibiliza os filmes através de canais no YouTube, além de informações sobre o processo, suas repercussões, e um abaixo-assinado. A discussão vem de longe e o que está em causa é a interpretação desta lei, que parte da sociedade defende não ser aplicada a torturadores, exigindo a sua investigação e condenação.
A Lei da Amnistia de 1979 proibiu os tribunais de examinarem crimes políticos cometidos em nome da ditadura, entre Setembro de 1961 e Agosto de 1979. Em contrapartida, os perseguidos tivessem o direito a indemnizações.
O recente adiamento do julgamento que determinaria a validade da aplicação da Lei a torturadores, pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, o retrógrado Gilmar Mendes, mostra como as instâncias responsáveis são sensíveis à polémica.
O presidente Lula, que durante a ditadura passou um mês na prisão, está dividido: entre a Casa Civil, o Ministério da Justiça e Secretaria de Direitos Humanos, favoráveis à investigação e a condenação dos militares torturadores, e a Advocacia Geral da União, os ministérios da Defesa e Itamaraty, contrários à alteração da Lei. A questão é complexa e estende-se também à sociedade civil .
A elite política brasileira, de forma tímida, mantém o acordo, mas finge não fazê-lo. A democracia se mostra incapaz de suplantar a Lei criada nos “anos de chumbo”. Para furar a couraça legal dos defensores da Amnistia somente uma acção conjugada de vários agentes sociais, em especial a imprensa, que deve suscitar a denúncia, o posicionamento público e a polémica, de forma a lutar contra a auto-absolvição do Estado.
Fontes para saber mais sobre a ditadura
Aumentar o conhecimento sobre os “anos de chumbo” é a maneira mais eficaz no combate contra a ignorância e o retrocesso que a lei representa para os direitos humanos, e para a manutenção da democracia no Brasil. Quatro fontes na Internet sobre este tema: Grupo tortura nunca mais, Diários da Ditadura, Amnistia e Instituto Vladimir Herzog.
Algumas vítimas já foram indemnizadas
Mais de 31.000 pessoas que foram perseguidas pela ditadura ou que perderam familiares entre 1964 e 1985 foram compensadas economicamente pelo Estado desde 2001. A Comissão de Amnistia foi criada tempo de Fernando Henrique Cardoso. Entre pensões e indemnizações às vítimas, o Estado desembolsou 2600 milhões de reais (1500 milhões de euros).
http://www.destakes.com/redir/b7a4a98a825f624279931e48e967a508
17/04/2010 Deixe um comentário
O Borboletário do Mangal
Por Anete Ferreira, correspondente
O Parque Ambiental Mangal das Garças situado em Belém do Pará, é um espaço onde estão representadas várias espécies da fauna e da flora amazónica, destacando-se o Borboletário.
Um Convénio firmado entre a Organização Social do Pará e a Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro permitirá que cerca de 500 pupas (estágio intermediário entre a larva e inseto adulto) e mais 200 borboletas adultas estejam presentes na Exposição “ Insetos na Cultura Brasileira”, no Jardim do Museu da República, na Cidade Maravilhosa. Estarão presentes as espécies: Borboleta Ôlho de Coruja, Ponto de Laranja, Júlia, Branca e Battus, dentre outras.
O intercâmbio visa ampliar estudos entre biólogos e cientistas que possibilitará maiores conhecimentos para a preservação das espécies como indicadores ecológicos. É uma experiência que comprovará se as Borboletas fora do seu habitat na Amazónia se ambientarão em novo espaço, uma vez que não encontrarão determinadas plantas-base da sua alimentação, em novos limites geográficos. Se o resultado for positivo, a criação das Borboletas será extendida a outros pontos do país.
05/04/2010 Deixe um comentário
Novos Ministros aceleram trabalhos
Por Anete Ferreira, correspondente
O Presidente Luís Inácio Lula da Silva, no programa “Café com o Presidente” , destacou alguns pontos relevantes no seu governo. Frisou que 2010 é um ano muito importante para o Brasil. Destacou que no primeiro trimestre houve crescimento na política salarial, na agricultura e na construção civil gerando emprego em índices consideráveis para a economia brasileira.
Frisou ainda, que a nomeação de funcionários a ministros temporários recaiu nos que já ocupavam cargos de secretários, visando o aceleramento dos trabalhos que vinham sendo executados pelos Ministros efetivos, que renunciaram para candidatar-se ao pleito eleitoral deste ano.
As obras preestabelecidas do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), Minha Casa e Minha Vida serão todas concretizadas antes das eleições, obedecendo as diretrizes de base do Poder Executivo.
05/04/2010 Deixe um comentário
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Campanha no Brasil seis meses antes
Por Jair Rattner, correspondente do ‘Estado de São Paulo’
Uma onda de inaugurações varre o Brasil. Antecipando a campanha para as presidenciais de 1 de Outubro, os principais candidatos – José Serra e Dilma Roussef – tentam provar a capacidade executiva mostrando obras, feitas ou por completar.
As inaugurações ocorrem no meio da debandada de ministros, governadores e presidentes de câmara que deixam os cargos para concorrer. A lei brasileira prevê que, para que os concorrentes tenham igualdade de condições, não possam ir a votos estando em cargos executivos, de formas a não usarem a estrutura do Estado a seu favor – a não ser que tentem a reeleição. Numa semana, dez ministros, sete governadores e prefeitos de algumas das mais importantes cidades deixaram os seus cargos.
Desde o começo do ano, Serra e Dilma rivalizam para ver quem inaugura mais obras. Até meados de Março, o favorito das sondagens, o ex-governador de São Paulo Serra, manteve o ritmo de uma cerimónia a cada dois dias. A ex-ministra da Casa Civil, Dilma, ficou pouco atrás, com inaugurações a cada 2,5 dias.
A “febre inauguracionista” gerou situações caricatas: faltando um dia para sair do cargo, Serra abriu ao público a ampliação da Marginal de São Paulo – principal via que atravessa a cidade -, mas as faixas não estavam pintadas, o que deve obrigar a fechar a via ao trânsito para acabar os trabalhos.
Na obra mais emblemática de Serra, o Rodoanel (estrada com a filosofia da CREL, que deve tirar diariamente mais de 2000 camiões da cidade) a solução para os atrasos devido à chuva foi ter duas inaugurações. Uma terça-feira com Serra, mas sem a obra pronta, e outra na quinta, já com o novo governador e aliado do candidato.
Do lado de Dilma, não foram apenas obras que tiveram cerimónias de inauguração. Houve cerimónias de promessas de obras, algumas cujas conclusões ficariam para depois do final do mandato presidencial da candidata, se for eleita. Tentando usufruir da popularidade do actual presidente, em apenas uma das inaugurações não esteve acompanhada de Lula. O presidente chegou a ser multado em 10 000 reais por fazer campanha antes do prazo legal.
Os outros candidatos ficaram relegados aos cantos das páginas de política dos jornais, transformando as eleições num duelo.
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1534939&seccao=CPLP
01/03/2010 Deixe um comentário
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Etanol deve virar “commodity”
Por Jair Rattner, correspondente do jornal O Estado de S. Paulo
Após 35 anos, o Brasil deu o salto para transformar o etanol numa commodity (mercadoria) com valor negocial internacional. O álcool feito de cana-de-açúcar usado como combustível obteve da Agência de Protecção Ambiental dos EUA a avaliação do seu grau de redução na emissão de dióxido de carbono em relação à gasolina: 61%.
O valor é muito superior ao etanol feito de milho – produzido nos EUA – que apenas alcança redução de 21%, e ultrapassa o celulósico, que está em desenvolvimento e não chega a 60%. A importância da decisão é que abre o mercado norte-americano de 40 mil milhões de litros anuais ao etanol brasileiro e deverá servir como certificação para outros mercados.
Hoje, o etanol é utilizado principalmente como aditivo para a gasolina, numa percentagem que pode chegar nos automóveis normais a 20%. Este torna o combustível menos poluente e substitui o chumbo, que era usado até há alguns anos e é altamente poluidor.
No Brasil, desde 1979, são produzidos veículos que em vez de gasolina usam álcool. A partir dos anos 90, surgiram os veículos flex, que funcionam tanto com gasolina como com uma mistura de até 15% de etanol. No Brasil, foi desenvolvido o total flex, que detecta electronicamente o combustível e pode funcionar com qualquer quantidade de etanol, até 100%.
Para chegar aos 61% menos poluente, foi analisada não só a utilização do etanol como combustível mas as consequências do uso da terra para plantar cana-de-açúcar. Foi necessário desmentir que esta cultura seja responsável pelo desmatamento da Amazónia tanto directa como indirectamente, expulsando para lá outras culturas e a pecuária. Há no Brasil terra suficiente para acomodar as outras produções fora da Amazónia.
Além disso, a energia utilizada nas fábricas de cana é produzida a partir da biomassa gerada pelo bagaço da cana depois de moída, o que torna a sua produção mais limpa – na maior parte das fábricas de etanol a partir de milho, a energia utilizada é o gás natural.
No entanto, decisão da Agência de Protecção Ambiental norte- -americana surge num momento em que a produção de etanol brasileiro está em queda, devido ao aumento do preço do açúcar, desencorajando o uso da matéria -prima para produzir combustível.
Concentração
A produção de etanol no Brasil passa por uma grande concentração. Numa cultura que vem desde o século XVII, da época do Brasil colónia, a produção deixou de ser feita pelas famílias tradicionais, passando para grandes grupos económicos. É o fim dos “coronéis” do sector.
Internacionalização
O capital estrangeiro também chegou ao etanol. Actualmente, 25% do etanol é produzido por empresas cuja sede é fora do país. O maior produtor, a brasileira Cosan, criou uma empresa junto com a Shell para tornar o etanol um combustível global. O segundo maior produtor está na mão de franceses.
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1506013
13/02/2010 Deixe um comentário
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Entre Lula e FHC: a polarização
Por Renato Mendes, jornalista freelance

O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso (FHC), em declarações recentes à imprensa brasileira, iniciou uma polémica quando afirmou que Dilma Rousseff – a provável candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência, “não é um líder, é reflexo de um líder”. A afirmação causou reacções no Governo, na oposição e repercutiu-se no exterior, antecipando o cenário de disputa pelos votos dos brasileiros, para as presidenciais de Outubro. Há uma expectativa crescente para estas eleições, que emana sobretudo da esquerda. O processo de redemocratização no Brasil termina com o regresso do poder civil em 1985, com a aprovação de uma nova Constituição em 1988 e com a realização das eleições directas para presidente em 1989. Lula concorreu em todas as eleições desde então, perdendo três (1989, 1994 e 1998) e ganhado duas (2002 e 2006). Estas serão as primeiras eleições desde 1989 sem Lula como candidato.
Após ter-se recuperado de uma crise de hipertensão, Lula continua com a agenda de viagens para acompanhar obras públicas e inaugurações, em todo o território. Dilma, sempre que possível aparece ao lado de Lula, para que a popularidade do líder colem a sua própria imagem. A oposição acusa o Governo de propaganda eleitoral antecipada e avança com representações contra Lula e Dilma. A recente comemoração dos 30 anos do PT, com toda a parafernália propagandístico-mediática, agrava a sensação de campanha antecipada. O apelo de Dilma poder tornar-se na primeira mulher a governar o país amplia as possibilidades do partido. A pré-candidata rebate as declarações de FHC e desafia a oposição a comparar as realizações dos governos Lula e FHC, alimentando a polémica: “Se quiserem comparar, vamos comparar número por número, casa por casa, obra por obra, escola por escola, emprego por emprego.”
José Serra, candidato pelo PSDB – o partido de FHC – e governador de São Paulo, é o favorito na sucessão presidencial. A favor de Serra e FHC está a imprensa paulista, que desvaloriza os elementos progressistas do Governo. A tendência mais provável para a disputa de 2010 é que se desenvolva um quadro de polarização centrado na disputa entre os dois principais blocos políticos que vão formar-se, sem uma terceira via.
Sondagens dão vantagem a Serra
São 14 pontos percentuais a diferença entre José Serra (PSDB), com 37% das intensões de voto, e Dilma Rousseff (PT) com 23%, na disputa para as presidenciais. Serra é forte na região sudeste do país com 41% das intenções, enquanto Dilma destaca-se no Nordeste com 31%. Cirro Gomes do PSB aparece em terceiro lugar com 13%, seguido por Marina Silva do PV, com 8%.
Sarney na mira dos deputados
O Partido Socialismo e Liberdade constituído por dissidentes do PT e do PSTU, entregou á Procuradoria Geral da República, uma representação contra o presidente do Senado Brasileiro, José Sarney (PMDB). Os deputados e autores da representação cobram a abertura de um processo de investigação sobre o suposto desvio de dinheiro na fundação que leva o nome de Sarney.
(http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1493874&seccao=CPLP)
29/01/2010 Deixe um comentário

Por João Carlos
O Centro de Análise e Operações Marítimas (MAOC-N), com sede em Lisboa, nasceu de um acordo ratificado entre oito países europeus com o objectivo de partilhar informação e gestão conjunta de meios aéreos e marítimos para o combate ao tráfico de drogas da América do Sul para a Europa, com passagem pela África Ocidental. O Centro, que funciona como uma plataforma de cooperação, conta por exemplo com a Alemanha e Cabo Verde no grupo dos países observadores. De acordo com o seu novo director, Ferreira Leite, o Brasil também está interessado em fazer parte da instituição.
29/01/2010 Deixe um comentário
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Nabuco, Camões e Figueiredo Magalhães
Por Duda Guennes
Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo (1848-1910), diplomata, historiador, jurista, jornalista,fundador da Academia Brasileira de Le- tras e destacado líder abolicionista.
Francisco Bento Alexandre de Figueiredo Magalhães (1838-95) era médico formado no Porto. Em 1817, transfere-se para o Rio de Janeiro. Figueiredo Magalhães foi também jornalista, sustentando várias polémicas nos jornais cariocas, logo se revelando como a grande figura da cultura portuguesa no meio da colónia lusitana do Rio. Autor do livro Camões e os Portugueses do Brasil (Reparos Críticos), de grande repercussão no seu lançamento, em 1880.
Festejava-se neste mesmo ano, o III centenário de Luís de Camões. Dr. Figueiredo Magalhães achava-se com o direito de ser o orador oficial da solenidade, porém Teófilo Braga, presidente do Gabinete Português de Leitura, convidou Joaquim Nabuco, que anos antes havia escrito um livro sobre o Poeta Maior.
Figueiredo Magalhães não gostou da escolha e “rodou a baiana”. Em represália escreveu o livro supracitado.
“Exórdio. Proémio. Prefácio. Introdução. Prólogo. Preâmbulo. Prelúdio. Prefação”, começava assim, para mostrar erudição, Camões e os Portugueses do Brasil.
“Desconsideração cuspida na colónia portuguesa”, afirmou magoado o dr. Magalhães. E disse mais: «Li que a directoria do GPL convidara o Sr. Joaquim Nabuco para orador das festas com que tenciona celebrar o centenário de Camões, e admirei a força do piparote dado assim no inepto nariz de toda a colónia portuguesa…” “Eu protesto, em nome do meu patriotismo, e os assassinos dos créditos pátrios respondem que não haja um português decente para ir cumprimentar Camões no seu centenário.”
Figueiredo Magalhães achava que Nabuco “não sabia falar português correctamente, mas um patuá: o dialecto nabuqueano…” “A carnavalesca enfarruscada que o sr. Nabuco deu na cara de Camões.” E continuou com a sua diatribe: “O sr. Nabuco, arvorado em simples general de guerrilhas, falou dos amigos portugueses como Napoleão não pôde falar do inimigo Portugal, e disse de Camões o que Mafoma não disse do toucinho.”
“O sr. Nabuco fez no seu discurso alterações fónicas, morfológicas e sintácticas, que abalaram profundamente as células glóticas do organismo gramatical da língua portuguesa, e que desfiguraram o característico da sua fisionomia real…” “São esbeltas e robustas as formas do dialecto nabuqueano…” “para fugir dos aleijões tupi, parece descambar para a corcunda guarani”.
Não parou por aí: “O sr. Nabuco fabricou uma espécie de bolacha de água e sal para o fornecimento de ceia festival, onde Camões chuchou o beijo iscariótico dado pelo apóstolo que o vendeu a dez tostões”.
E com chave de ouro, concluiu: “A colónia portuguesa tem muitos indivíduos acima da altura marcada pelo sr. Nabuco na craveira literária do assunto; o Brasil tem dúzias de homens de letras muitíssimo mais elevados e maduros pelo sol da literatura clássica do que o verde e aliás talentoso orador escolhido.” & etc.
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1476897
01/12/2009 Deixe um comentário
Presença permanente de Heitor Villa-Lobos
por Renato Mendes
Por ocasião dos 50 anos da morte do maestro brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), intervenções artísticas que celebram a efeméride acontecem até o fim do ano no Brasil. Um dos mais importantes compositores brasileiros, Villa-Lobos desempenhou importante papel na formação da identidade e música brasileiras. Em Paris, cidade onde viveu na década de 20, a Orquestra Nacional da França, a Universidade de Sorbonne e outras entidades organizaram diversos concertos e colóquios em sua homenagem. Em Lisboa foram executados os principais trechos de sua ópera Yerma, baseada na peça do espanhol García Lorca, no Teatro Nacional de São Carlos, no último domingo.
A Semana de Arte Moderna de 1922, de São Paulo, da qual Villa-Lobos foi um dos protagonistas, marcou a renovação estética no Brasil, com o movimento artístico do modernismo. Villa-Lobos fez parte da primeira geração do modernismo, ao lado de Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Manuel Bandeira entre outros, que avançaram com o projecto de formação nacional iniciado no romantismo, através das obras de escritores como José de Alencar e Golçalvez Dias. Os modernistas defendiam uma arte livre, genuinamente nacional, e eram contra o academicismo e o formalismo artístico. Desde o início Villa-Lobos admirou a força estética da alma popular brasileira.
O ano de 1930 marca o início da “Era Vargas” e o retorno do compositor ao Brasil – até então vivia em Paris, quando cria o primeiro plano de educação musical para as escolas do país. No mesmo ano inicia a composição das nove Bachianas Brasileiras – explicitamente inspiradas em Bach, sua obra mais conhecida. Em 1932 assume a Superintendência de Educação Musical e Artística, momento em que realiza a primeira concentração orfeônica, isto é, a apresentação de um coro infantil com 40 mil vozes, sob a sua batuta. Villa-Lobos acreditava no canto como potencialidade de educação cívica e moral; o compositor e a sua música tornaram-se símbolos do Varguismo.
O maestro projectou o Brasil internacionalmente e dirigiu as principais orquestras do mundo. Na ideologia de Villa-Lobos, a alma do povo, suas cores e originalidade eram os elementos de auto-afirmação necessários para a criação de uma identidade brasileira, em oposição a tradição colonial da valorização excessiva do que vinha de fora. A marca distintiva em seu legado é o livre transito de influências da cultura tradicional e popular sobre o repertório erudito, o que fez de sua obra, local e universal ao mesmo tempo. Foi o único compositor brasileiro que teve sua efígie impressa em notas de dinheiro – 500 cruzados, em 1986. Actualmente seu nome é encontrado em parques, ruas e avenidas, shopping centers e condomínios residenciais, por todo o Brasil. “O compositor genuíno, por mais cosmopolita que seja, é mais do que nada a expressão de um povo, de um ambiente…Sim, sou brasileiro e bem brasileiro”, afirmava, na obra Presença de Villa-Lobos.
A mensagem do tropicalismo
No dia 04 de Dezembro Caetano Veloso e Antonio Cícero inauguram um ciclo de conferências na Casa Fernando Pessoa, onde falarão sobre a influência de “Mensagem”, de Pessoa, no movimento tropicalista. O “Tropicalismo” foi um movimento cultural e estético no Brasil. Ao lado de Gilberto Gil, Tom Zé e dos Mutantes, Caetano Veloso foi um dos seus representantes.
Debate estagnado
O debate que altera o mecanismo de renúncia fiscal da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ou Lei Rouanet – base da produção cultural brasileira, permanece estagnado na Casa Civil. A lei garante incentivos fiscais às empresas e cidadãos que aplicarem uma parte do IRS devido em acções culturais, e financia projectos artísticos incentivando a cultura.
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1433180
16/11/2009 Deixe um comentário
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As hortas como factor de equilíbrio social
por Anete Costa Ferreira, correspondente da Revista Pará +
As hortas no Brasil começaram timidamente a ser cultivadas por famílias menos favorecidas que plantavam nos seus quintais e jardins, legumes, hortaliças e tubérculos para seu sustento. A ideia prosperou, agrupando vizinhos e conhecidos, passando a formar comunidades de bairros. Esse agrupamento possibilitou desenvolver melhores condições nestas actividades.
Em 2005 quase uma centena de Secretarias Municipais de Educação firmou com o Governo brasileiro um protocolo através do “Projecto Educando com a Horta Escolar”, tendo como alvo a criança, consciencializando-a sobre o meio ambiente, mudanças de hábitos alimentares e a aprendizagem interdisciplinar. O programa alia a produção da horta com o desenvolvimento pedagógico dos alunos.
São milhares de alunos capacitados para o cultivo que integra as disciplinas da grade curricular. Os aprendizes preparam os canteiros baseados na geometria e nos cálculos matemáticos para em seguida semearem, plantarem e fazerem o acompanhamento até a produção final. Utilizam materiais descartáveis, como incentivo para o aproveitamento de reciclados, numa forma da preservação do ambiente.
Toda a produção é consumida pelos estudantes que aprendem quais as vitaminas, minerais, cálcio e fósforo que estão ingerindo e ao mesmo tempo têm a consciência de que se alimentam com produtos isentos de agrotóxicos.
O Programa “Horta Brasil” forma pessoas para o desempenho da horticultura, através de parcerias com as Secretarias de Educação e das Câmaras Municipais. Estas controlam os terrenos devolutos para a implantação de hortas voltadas às escolas que ainda não possuem canteiros. O “Projecto Agroecológico Integrado e Sustentável – PAIS”, é uma vertente que alia conhecimentos e recursos para a transformação da vida dos cidadãos, levando melhoria social e saúde aos plantadores.
Cartilhas e DVD’s distribuídos pelos órgãos governamentais, via formadores, facilitam o conhecimento e os pormenores na utilização da tecnologia, mostrando a ineficácia de aditivos nas horticulturas. O fundamental é educar os pequenos produtores, fixando-os no campo, aumentando suas rendas e minimizando suas carências.
A colheita trimestral, faculta aos horteiros organizarem sua alimentação diária e ajustarem suas agendas para a entrega nos restaurantes, hotéis, mercados e feiras. Os projectos têm alcançado os objectivos para os quais foram instituídos, beneficiando grande número de plantadores, razão porquê os governantes decidiram estender os apoios às Hortas Comunitárias.
As “Horteiras”, orgulham-se de terem sido as pioneiras das Hortas Domésticas, no país, sentindo-se satisfeitas por estarem legalizadas nos órgãos legítimos, usufruindo os benefícios concedidos por lei.
Os Benefícios das pequenas hortas
Há hortas minúsculas cultivadas em canteiros das moradias, plantadas em vasos, nas sacadas e varandas residenciais. Vários médicos asseguram que a horticultura no espaço prisional é um meio capaz de reabilitar o recluso. O “Programa Parque Ecológico Visão do Futuro” cultiva alimentos e ervas medicinais em 65 hectares, contribuindo para uma vida sadia.
Cientistas comprovam que as doenças são causadas por má alimentação, poluição ambiental e stress. Tentando reverter este quadro, inúmeras famílias regressaram à antiguidade, cultivando, além das hortas, ervas medicinais que utilizam como alternativas em doenças. A horticultura garante sustento à economia, saúde aos consumidores e preservação ao meio ambiente.
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1420210
16/11/2009 Deixe um comentário
Gil mostra show acústico em Lisboa e diz que África é “a última fronteira do humanismo”
Renato Mendes
Colaboração para o UOL, em Lisboa
Após ser apresentado no último domingo (8), na cidade do Porto, em Portugal, o show “Concerto de Cordas”, no qual Gilberto Gil é acompanhado pelo filho e violonista Bem Gil e pelo violoncelista Jaques Morelenbaum, estreou nesta terça-feira (11), em Lisboa, no Centro Cultural Belén (CCB). O músico fez uma apresentação única do formato no Brasil, no dia 23 de outubro, no Rio de Janeiro.
Gilberto Gil iniciou o show às 21h10, com a música “Máquina de Ritmo”. Sozinho no palco, o cantor vestia uma camisa rosa, calça e sapatos brancos, num misto de sambista e orixá, figuras que simbolizam duas das muitas facetas musicais apresentadas no “Concerto de Cordas”, que está em turnê pela Europa.
O público que encheu os 1.400 lugares do Grande Auditório do CCB ouviu a primeira música em puro silêncio, com total atenção. Após aplausos, Gil tirou os primeiros sorrisos da plateia, quando informou que a música de abertura do show é portuguesa, não por ser uma composição de algum artista português, mas por ter sido feita por ele no Algarve (região portuguesa ao sul). Deste momento até o fim do espetáculo acústico, uma estreita ligação entre o artista e o público se manteve.
No segundo tema, “Esotérico”, Gil já não estava sozinho em palco. O artista anunciou a entrada de seu filho Bem Gil, violonista, que o cumprimentou com um beijo, e em seguida entrou Jaques Morelenbaum para completar o trio acústico. Os assobios de Gil, presentes em quase todas as canções, aproximaram o público do músico, e contextualizado pelo caráter acústico do show, o som agudo reafirmou a marca orgânica do “Concerto de Cordas”. Enquanto isso, Bem Gil dava apoio para as criações melódicas de seu pai, por meio da harmonia e do ritmo de seu violão.
Cello de Morelenbaum e Dominguinhos
A terceira música, “Banda Um”, progrediu de forma contagiante e envolveu a platéia. Os músicos homenagearam Dorival Caymmi com “Saudades da Bahia”, ao mesmo tempo em que criaram a impressão de estarem em um espaço íntimo, como a “sala de casa”. O som alegre e agudo do assobio de Gil criou um contraste na parte final do tema com o som circunspecto do cello de Morelembaum. No cenário minimalista, os músicos eram iluminados durante todo o tempo por luzes brancas, que eram suavizadas de acordo com a intimidade que cada canção sugeria. Em volta dos músicos luzes coloridas eram projetadas no chão do palco, que delimitavam o espaço onde atuavam.
O cello foi tocado com mestria por Morelenbaum no tema “Superhomem”. A música “Rouxinol” – “Joguei no céu o meu anzol/Pra pescar o sol/Mas tudo que eu pesquei/Foi um rouxinol” – foi cantada em português e em inglês por Gil. Uma das músicas mais aplaudidas de todo o show foi “Chiclete com Banana”, de Jackson do Pandeiro, cuja letra foi acompanhada pelo público. As músicas mais recentes de Gil –“Das duas uma” e “Quatro coisas”–, criadas para o casamento da filha e para sua mulher, respectivamente, foram executadas com emoção e introduzidas com bom humor pelo musico.
Em “Lamento nordestino”, de Dominguinhos, discípulo de Luiz Gonzaga, o cello de Morelenbaum foi o destaque. O trio fez outra música de Dominguinhos, “Tenho sede”, mas sem o peso dramático característico, pois foi executada de forma rápida e leve. “Panis et Circense” foi muito aplaudida em função de Gil mostrar suas possibilidades vocais, em um ensaio com cara de brincadeira, acompanhado de perto pela elegância do cello. Com o fim do show mais próximo, Bem Gil teve seu momento de destaque em “Seu olhar”.
Alem do sertão e do samba, a África também se fez presente nas músicas “La renaissance africaine”, cantada em francês, e “Alapala”. Gil afirmou ao público que a África é “a última fronteira do humanismo”. “Andar com fé” foi recebida com aplausos do público logo nos primeiros acordes. Após “Expresso 2222” com Bem no pandeiro, às 22h50, os músicos retornam para o bis e apresentaram mais duas: “Raça humana” e “Viramundo”, música do disco “Louvação”, de 1967.
Durante a extensa carreira do musico, e após a Revolução dos Cravos, em 1974, –momento que marcou o fim da ditadura em Portugal– Gilberto Gil se apresentou no país inúmeras vezes. O músico já dividiu o palco com nomes de expressão da música portuguesa, como a cantora de jazz Maria João, a fadista Mariza e a pianista Maria João Pires. Dias antes da primeira apresentação do “Concerto de Cordas” em Portugal, Gilberto Gil fez uma apresentação inédita ao lado de Teresa Salgueiro, ex-integrante do Madredeus. O entusiasmo do público pelo “Concerto de Cordas”, reafirmou o lugar de prestígio que Gilberto Gil ocupa em Portugal.
“Esta notícia foi originalmente publicada no UOL (http://www.uol.com.br/)”.
05/11/2009 Deixe um comentário
“Cidade maravilhosa” e hiperinvestimentos
por Renato Mendes
As imensas reservas de petróleo descobertas na região do pré-sal – com início da produção em larga escala programada para 2015 –, a realização do Mundial de Futebol em 2014, e os Jogos Olímpicos de 2016, são eventos de alcance global responsáveis por tornar o Rio de Janeiro no centro de investimentos do Brasil na próxima década. Esta onda de hiperinvestimentos reforça a ideia de um Brasil ufanista alimentada ao longo dos últimos anos, principalmente no mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva. Internamente, o incontestável resultado desta estratégia política são os índices de aprovação do presidente, superiores a 80%. Lula acredita que o futuro económico do Brasil nos próximos dez anos será a redenção para o povo.
Comenta-se na imprensa brasileira que o ano 2000 é o marco zero do “Brasil potência” e que durante a próxima década a economia brasileira poderá subir três posições no ranking das maiores do mundo, passando a ocupar o 5º lugar. Argumentos não faltam: o mercado interno é grande e está em expansão; o sector industrial brasileiro é diversificado; o Brasil é um dos maiores produtores de bens de primeira necessidade; possui um sistema financeiro sólido; terá uma das maiores reservas de petróleo do planeta; o país liderou o G20 e possui grande visibilidade internacional; e por fim, serão investidos milhares de milhões de reais no Mundial de Futebol e nos Jogos Olímpicos.
Dois dias após a escolha do Rio como sede das Olimpíadas, as Nações Unidas divulgaram o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, onde o Brasil ocupa o gravíssimo 75º lugar. O Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo, em que os 10% da população mais ricos possuem 43% da riqueza do país, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 1% da riqueza. Para entender a origem destas desigualdades é necessário uma perspectiva ampla, abrangendo o passado histórico, sem desconsiderar as dimensões continentais do país e a escravidão em sua formação, que é o paroxismo da exclusão social.
O Brasil bateu Barack Obama e os Estados Unidos da disputa pelos Jogos Olímpicos, mas não tirou do poder o corrupto presidente do Senado, José Sarney. O Estado tem a Petrobras, a maior empresa da América Latina, cuja facturação anual é maior que o PIB de vários países, no entanto é incapaz de encontrar soluções para temas como a violência e a discriminação, que emergem de um estado de opressão socioeconómica perpetrada sobre os pobres e miseráveis do Rio e de todo o Brasil, pela classe política e elites brasileiras.
Não se contesta a ascensão do Brasil na geopolítica internacional. Mas esta condição também amplifica e irradia uma face subdesenvolvida e perversa do país, actualmente simbolizada pelas tensões sociais do Rio. A expectativa é grande para que o Rio, na próxima década, seja mesmo transformado numa cidade maravilhosa.
Reservas pré-sal e Pronasci no Rio
O pré-sal será instrumento económico de fomento para indústria brasileira, disse esta semana a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O contributo da Petrobras para a indústria atingirá o montante anual de 20 mil milhões de dólares. A estatal é a única operadora das reservas petrolíferas, logo, responsável para definir os contratos para a exploração, o que justifica o montante.
Foi anunciada pelo ministro da Justiça do Brasil, Tarso Genro, a possibilidade de se criar um Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), especialmente para os Jogos Olímpicos de 2016. A iniciativa terá como objectivo principal garantir a realização pacífica e estável dos Jogos no Rio de Janeiro. O valor do investimento ainda não foi divulgado.
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1406629&seccao=CPLP
19/10/2009 Deixe um comentário
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Índios brasileiros querem ter participação política
por Jair Rattner
Mais de 500 anos depois de terem perdido o controle sobre a terra descoberta pelos portugueses, os índios brasileiros pretendem mudar um pouco a situação. O objetivo é eleger uma bancada indígena nas eleições para o Congresso Nacional, que vão realizar-se a 4 de Outubro de 2010.
As articulações já começaram, segundo conta o repórter Vannildo Mendes, do Estado de S. Paulo. Haverá candidatos índios em 18 das 28 unidades da federação brasileira.
Atualmente, o número de índios no Brasil é calculado pelos organismos oficiais em 480.000 – eram 5 milhões quando os primeiros portugueses desembarcaram, há 509 anos – dos quais apenas 150.000 têm documentos para votar. São 225 etnias, que falam mais de 180 línguas diferentes.
Mesmo contando com pouco mais de 0,25% da população de 191 milhões de brasileiros, eles acreditam na eleição de uma bancada de deputados para defender as causas indígenas. Eles pretendem ter uma voz própria, sem estar dependente da tutela do órgão estatal Fundação Nacional do Índio ou das igrejas.
Para definir o programa político dos candidatos, vão ser feitas assembleias regionais – a primeira delas será ainda este mês no estado de Roraima, onde os índios conseguiram a demarcação do maior território indígena do mundo, Raposa-Serra do Sol, com 1,7 milhão de hectares (equivale a três quartos do tamanho do Algarve). Segundo os líderes indígenas, nessas reuniões, são avaliadas a capacidade de liderança, a eloquência e a ficha limpa dos candidatos – o que muitas vezes não acontece nas convenções partidárias.
Além da demarcação das terras indígenas, os índios vão defender programas ambientalistas, encarando a preservação do meio ambiente como meio de manter suas culturas. Eles ainda não têm um partido preferencial, podendo sair por vários, conforme houver a possibilidade de apresentarem candidatos. Os preferidos são o Partido Verde, o Partido dos Trabalhadores e o Partido Democrático Trabalhista, que na década de 80 elegeu o primeiro deputado índio da história do país.
No âmbito local, já existem representantes de índios. O maior exemplo é a cidade de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, com 41.000 habitantes, dos quais 85% são índios. Com três línguas oficiais além do português – o nheengatu, o tukanu e o baniwa – é um dos maiores municípios do Brasil, com 105.000 quilômetros quadrados, 20% maior do que o território português. Ali, o prefeito, o vice-prefeito e todos os vereadores da câmara municipal são índios.
Em mais quatro cidades do Brasil há prefeitos que se dizem indígenas e para as câmaras municipais foram eleitos 90 vereadores que são índios. Atualmente, existem comunidades indígenas em 23 dos 27 estados brasileiros.
Juruna e o gravador
Não vai ser a primeira vez que um índio vai frequentar o parlamento brasileiro. Em 1983, o cacique Mário Juruna – defensor da demarcação das terras indígenas – foi eleito deputado pelo Rio de Janeiro. Ele ficou conhecido por sempre carregar um gravador em todas as reuniões de que participava. Justificava dizendo que não dava para acreditar nas palavras do homem branco.
Morte das línguas
A estimativa de 180 línguas indígenas no Brasil pode parecer um número muito grande, mas é apenas uma fração do total de há 500 anos. Calcula-se que quando os portugueses chegaram ao país, o total de línguas superava 1.300. O número exato de idiomas e dialetos é desconhecido. Isso porque ainda existem vários grupos que se recusam a ter contatos com os homens brancos, mantendo suas tradições culturais.
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1386126&seccao=CPLP
19/10/2009 Deixe um comentário
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Ambiente é estratégia política no Brasil
por Renato Mendes
A afirmação “O meio ambiente pode dar significado novo a política”, surge em um momento importante da pré-campanha para a presidência no Brasil: o recente ingresso da senadora Marina Silva – Partido Verde (PV), como possível candidata na disputa eleitoral de 2010. A frase proferida pela senadora sintetiza a linha estratégica que sua campanha poderá tomar no futuro. Figura política com imagem positiva e biografia respeitável, a ex-seringueira e ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, que empunha a bandeira da protecção a natureza e do desenvolvimento sustentável – com tónica na Amazónia, tem chances de atrair votos da classe média instruída e preocupada com a preservação ambiental, ao mesmo tempo que incomoda a candidata do Governo do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff. As questões ligadas ao ambiente exigem sentido de urgência no Brasil. Um projecto político com importância ambiental é indissociável de seu programa futuro de governo. Foi pela construção de uma política estratégica do meio ambiente que Marina militou durante 30 anos no PT, mas desligou-se recentemente do partido por não ter encontrado as “condições políticas” necessárias para avanços na questão ambiental; decisão que teve repercussão em grandes jornais norte-americanos.
Ligada ao PV desde a época de Chico Mendes, seringueiro e sindicalista assassinado há quase 21 anos, a quem o The Guardian chamou de “Che Guevara da era ambiental”, Marina passa a relembrar o início de sua trajectória política ao lado do activista – “seu professor”, com o objectivo de colar sua imagem ao legado de preservação ambiental que dele ainda emana. No Acre, estado natal da senadora, o PV foi criado pela vontade de Chico Mendes. Marina irá refundar o partido elegendo uma bancada mais identificada com a temática que defende, onde a metade é composta por ambientalistas. Para o PV – que detém 2,5% de representação no Congresso, Marina representa depuração partidária, na esfera política nacional sua possível candidatura simboliza renovação ideológica. É necessário ressaltar que a senadora irá dividir os votos pró-governo em uma disputa que deveria ser entre oposição e governo. É notório a incorporação do tema “meio ambiente” na retórica de outros candidatos, após o surgimento de Marina no horizonte de disputa. Sua associação ao “pequeno” e heterogéneo PV – que nasceu sob os moldes do PV europeu, fazem com que a estratégia da senadora, que começa a ser desenhada, não seja monotemática como imaginariam alguns. A eleição de Marina Silva como presidente é um cenário difícil de se concretizar, mas sua presença na corrida presidencial irá permitir que os candidatos encarem com maior seriedade temas estratégicos fundamentais para o futuro da “maior potência ambiental do planeta”: o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável.
Presidenciais
Uma sondagem recente mostra que o governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, é o favorito à sucessão do presidente Lula, com 37%, segundo Datafolha. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que tem a chancela de Lula, possui 16%, igualada a Ciro Gomes – PSB, com 15%. A candidata do PSOL, Heloísa Helena possui 12%, enquanto Marina Silva atinge 3% das intenções de voto.
Indicadores sociais
No período entre 2003 e 2008, 32 milhões de brasileiros ascenderam de classe social e passaram a integrar as classes A, B e C, de acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas. O potencial de consumo foi aumentado em 15% neste período, em decorrência da melhora na renda. 21 Milhões de pessoas migraram da parcela mais pobre da população, saindo das classes D e E.
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1372870&seccao=CPLP