28/05/2011
por Mariana Delgado

O discurso único de Obama em Westminster
Por Alison Roberts, jornalista ‘freelance’ britânica
A visita de Obama à Irlanda serviu para piscar o olho aos 40 milhões de eleitores americanos de ascendência irlandesa, tal como fizéramos seus antecessores, e para estabelecer uma ligação pessoal com a Europa no início de um périplo de seis dias. Como esperado, foi uma visita divertida, gerando imagens de Obama no pub da aldeia do seu antepassado, de Guinness na mão, que valem à cervejeira e ao país milhões de euros em publicidade.
A visita ao Reino Unido foi bem mais formal. Como de costume, os média britânicos focavam o estado da “Relação especial ”na área de segurança. Ainda mais comum presidente americano cujos sentimentos perante o Reino Unido estão supostamente envenenados pelo facto de o seu pai ser do Quénia, cujo povo sofreu abusos durante o colonialismo britânico.
Mas o próprio Obama utilizou esta ligação colonial no seu discurso, citando o facto de “o neto de um cozinheiro queniano no exercito britânico” hoje ser presidente, e a presença na assistência de “filhos e filhas de ex-colónias britânicas” membros do Parlamento britânico, como exemplos da força da diversidade nas sociedades dos dois países. Foi o único momento do discurso solene interrompido por aplausos. A sessão teve Lugar na parte mais antiga do complexo parlamentar de Londres, Westminster Hall, um espaço do século .XI com estatuto mítico na história britânica. No seu discurso Obama citou a Magna Carta de 1215comoabasecomumdos sistemas dos dois países, na limitação do poder do Estado.
Foi depois disso que Westminster Hall se tornou a casa dos tribunais mais importantes da altura. Mas o evento mais marcante que ali teve lugar foi o julgamento por tirania e traição de Carlos I, em 1649:a primeira vez na história europeia que um monarca era condenado à morte. E uma marca importante para estabelecer os limites do poder da coroa.
Apesar da honra que constitui o convite para falar neste sítio – nunca antes concedida a um presidente – como sempre ficavam dúvidas do lado britânico sobre a relação. Foi um colunista com uma perspectiva singular–Roger Cohen do New York Times, americano nascido e crescido em Inglaterra– que resumiu a força da referência de Obama ao avô: “A Mancha ainda é muito mais larga que o Atlântico.”
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