Diário de Notícias – Coluna Visto de cá – 28/04/12
28/04/2012 Deixe um comentário

“A viagem mais polémica do Rei”
Por Belén Rodrigo, correspondente do ‘ABC’
Podia ter sido mais uma viagem, como as muitas outras que o Rei Dom Juan Carlos tem feito ao longo do seu reinado. Mas a saída do monarca para o Botsuana acabou por criar mais polémica do que qualquer uma outra. O motivo da viagem, a companhia, o momento que atravessa o país e o estado de saúde do Rei deitaram abaixo, em poucas horas, a sua boa reputação.
Enquanto em Espanha só se falava do desemprego e da crise económica, Dom Juan Carlos realizava um safari em Botsuana, avaliado em 46 mil euros, onde foi caçar elefantes (ele preside uma fundação ecológica). Aos 74 anos, relativamente limitado em movimentos pelo seu estado de saúde, a aventura acabou no hospital, depois da sua queda. Foi assim que se soube onde estava o Rei e o que andava a fazer.
Não estaríamos provavelmente a falar disto se o incidente não tivesse acontecido. Mas aconteceu e as críticas choveram de todos os lados, até dos mais monárquicos, só suavizaram depois do pedido de desculpas do Rei. Mais uma vez, Juan Carlos voltou a marcar diferença quando, da forma mais natural possível, se dirigiu aos espanhóis para pedir perdão pelo seu comportamento. Um pedido de desculpas histórico em toda a monarquia espanhola.
Outros dados importantes foram saindo à luz. Quem pagou a caçada foi o empresário sírio Mohamed Eyad Kayali, mão direita em Espanha do príncipe Salman, ministro da Defesa da Arábia Saudita e amigo íntimo do Rei de Espanha. O príncipe Salman tem sido uma grande ajuda na concessão a empresas espanholas de construção da linha de comboio de alta velocidade de Medina e de Meca.
Como leitura positiva da polémica penso que deve ficar a maturidade da democracia espanhola. Os espanhóis estão atentos ao que acontece na classe política e na sua monarquia e sabem que, em tempos de crise, ninguém deve fugir às suas responsabilidades. Já foram os tempos em que ninguém sabia nada ou pedia explicações.
O Rei de Espanha voltou a mostrar o seu lado mais humano, e por isso foi aceite o seu pedido de desculpas pelos espanhóis. Ninguém pode dizer que não cometeu erros, todos os cometem, mas nem todos sabem reconhecê-lo. Como fez o Rei Dom Juan Carlos de Espanha.
O safari africano no Parlamento
Os partidos IU, ICV, ERC y UPyD querem ter mais detalhes sobre a caçada do monarca. No total, os quatro partidos apresentaram 61 perguntas, das quais o Congresso aceitou 27, amparado em três artigos da Constituição que dizem que a pessoa do Rei “é inviolável e não está sujeita à responsabilidade” e que o dinheiro recebido do Estado “o distribui livremente”.
Nona intervenção cirúrgica
O Rei Dom Juan Carlos foi operado ontem pela nona vez desde os anos 80. Um mau movimento feito pelo monarca espanhol provocou uma nova cirurgia apenas 11 dias depois de ter sido operado à anca. Do total de nove intervenções cirúrgicas, três delas foram por acidentes quando estava a fazer desporto e o resto por motivos de saúde.
Link: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2445695&page=1








A eleição do deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, está sendo um teste para a democracia brasileira. Com 1,34 milhões de votos, ele foi o deputado mais votado nas eleições de Outubro. O palhaço que tinha como slogan de campanha, “pior que tá, não fica” continua surpreendendo os brasileiros. A quantidade massiva de votos que o elegeram deverá render ao Partido da República (PR) cerca de 2,7 milhões de reais (1,15 milhões de euros) por ano. Esse é o peso do deputado na divisão dos recursos públicos provenientes do Fundo Partidário, de 201 milhões de reais (87 milhões de euros), que é formado por multas e penalidades eleitorais, recursos financeiros e doações espontâneas privadas. O critério de divisão dos recursos entre os partidos é o número de votos alcançados por cada partido.