MUNDO Geografia e Política Internacional – Maio

Caderno História&Cultura

BEATLES, 50 ANOS

A ESTRANHA RELAÇÃO DO ROCK COM A DITADURA DE SALAZAR

Lançada em 1962, “Love Me Do” foi o primeiro sucesso mundial dos quatro rapazes de Liverpool, cujas músicas, filmes e atitudes invadiram o mundo ocidental, revolucionaram a cultura e estimularam impulsos libertários da juventude. Mas a história foi um pouco diferente em Portugal

Renato Mendes, de Lisboa

Especial para Mundo

Há 50 anos a maior banda de rock do século XX, os Beatles, emplacavam o seu primeiro sucesso musical, “Love Me Do” (1962). Os quatro jovens de Liverpool irradiaram sua música pelo mundo, revolucionando a estética musical, contribuindo de forma decisiva para o estabelecimento de um movimento de contracultura, que marcou o Ocidente e o Oriente, com repercussões até os dias de hoje. Na década de 1960 já existiam Frank Sinatra e Elvis Presley, mas a fama sem precedentes alcançada pelos Beatles fez com que a banda interferisse na esfera política, social, cultural e religiosa em todo o mundo. No entanto, a história foi um pouco diferente em Portugal, país com tradições culturais conservadoras, onde, à época, vigorava o Estado Novo de Antônio de Oliveira Salazar, com características fascistas.

Nos anos 1960, a cultura em Portugal estava encarcerada em nichos, se restringia a pequenos grupos, restritos, fechados, sem qualquer possibilidade de alcance por um público alargado. Os agentes culturais atuavam sempre sobre a pressão direta da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), ou receando serem delatados por simpatizantes do regime. “Eu tinha medo até de acender um cigarro na rua. Se não tivesse licença de isqueiro podia ser preso. Isso é uma coisa que hoje em dia é inacreditável. Salazar justificava o imposto, como forma de proteger a indústria fosforeira nacional”, comenta o jornalista português especializado em cultura Luís Pinheiro de Almeida. Em 1968, ele ajudou a organizar um ciclo de conferências chamado “Popologia”: a música, a literatura, o cinema e a arte eram analisados sob o signo do pop, mas sempre vigiados pela polícia.

Adriano Rodrigues, catedrático português, criador do primeiro curso de Comunicação Social em Portugal (1979), diz que nos anos 1960, apenas os filhos da elite estudavam em Portugal, por isso, inicialmente, apenas uma minoria universitária foi influenciada pelo fenômeno da contracultura em geral e da “beatlemania”, em particular. “Se deixarmos de lado os emigrantes e os refugiados, a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, a cultura portuguesa parece ter entrado em letargia, devido em grande parte ao fenômeno da censura do Estado Novo e é por isso que, nos anos 1960, a vida cultural dos portugueses era muito fechada nas práticas culturais tradicionais.”

A expressão inglesa yeah, yeah, yeah, que faz parte da letra de uma das músicas dos Beatles, “She Loves You”, deu nome ao movimento cultural que começou na Inglaterra e que se propagou por diversos países. No Brasil se tornou iê-iê-iê e foi apropriado pela Jovem Guarda, a partir de 1965; em Portugal, chamava-se ié-ié. Contrariamente ao que se poderia imaginar, foi a extrema-direita salazarista que promoveu, em 1965, o primeiro grande Concurso Ié-Ié, no antigo Teatro Monumental, no Saldanha (região central de Lisboa), diz Luís Pinheiro de Almeida, que assistiu a algumas das apresentações. O concurso foi promovido pelo Movimento Nacional Feminino (MNF), que apoiava a ditadura, embora, ironicamente, nenhuma mulher participasse do concurso.

Participaram 350 jovens, com média de 18 anos, distribuídos por 73 bandas inscritas. As bandas deveriam apresentar quatro canções, com três minutos cada, mas pelo menos uma delas deveria ser inédita e em português. Foram distribuídos prêmios em dinheiro e artigos variados, desde instrumentos musicais até sapatos e gravatas. Segundo Luís Pinheiro de Almeida, era possível ler um grande cartaz no palco, com a seguinte mensagem da ditadura: “Atenção! Barulho que não permita o júri ouvir os conjuntos, objetos atirados para o palco, distúrbios na sala são motivos para a expulsão do espectador que assim proceder sem que a organização lhe devolva a importância do bilhete. A juventude pode ser alegre sem ser irreverente.”

Ora, mas porque a extrema-direita portuguesa, que mantinha o país fechado às influências do exterior resolveu criar o concurso nacional no ápice de um movimento que interferia no processo de produção cultural de quase todos os países ocidentais? Os organizadores afirmavam que o concurso tinha o objetivo de entreter as pessoas, desviar a atenção dos jovens para a música, no sentido de não se envolverem em contestações. A ditadura conseguiu centrar a atenção dos jovens em um evento nacional, sem sentido político. Luís Pinheiro de Almeida conta que cerca de 80% das bandas que se apresentaram no concurso tocavam músicas dos Beatles.

 Qualificado como um movimento alienante, muitos artistas e intelectuais se opunham ao movimento, e em última análise, aos próprios Beatles. “Nós nessa altura éramos muito críticos a essa forma de realização juvenil, porque quem está confrontado com o exílio, com uma guerra, com a ditadura, não aceita muito bem que a vida seja alegre e fácil”, afirma José Mário Branco, músico e compositor português, referência no país por suas músicas de protesto. Prestes a completar 70 anos, o músico português diz que o seu álbum preferido dos Beatles é o branco e mostra um livro de partituras com todas as músicas da banda.

Sob o signo Beatles

Durante os seus oito anos de existência, os Beatles gravaram 12 discos e venderam mais de 600 milhões de cópias, enquanto os Rolling Stones, no mesmo período venderam 200 milhões. A segunda apresentação dos Beatles na televisão norte-americana foi um marco para a história da música e da televisão: em 9 de janeiro de 1964, a partir de um estúdio de Nova Iorque, a apresentação da banda atingiu um recorde de audiência, com 73 milhões de telespectadores.

Os Beatles também conquistaram Hollywood e protagonizaram cinco filmes. Tamanha exposição foi possível graças a Brian Epstein, o agente dos Beatles, de presença fundamental no lançamento da banda, antes de morrer de overdose em 1967. George Martin foi essencial na produção musical da banda, considerado por alguns como o quinto Beatle. O fim do grupo chegou em 1970, após terem conquistado o mundo, com uma ação judicial movida por McCartney contra os outros integrantes.

O “fenômeno Beatles” só pode ser entendido no contexto político e cultural da década de 1960, quando ocorreu o ápice do movimento de contracultura. Uma onda gigantesca de mobilização na Europa e nas Américas se abateu contra os valores e costumes vigentes, com forte apelo aos jovens pela contestação política e social. Este alcance foi possibilitado pela exposição de largas audiências à produção cultural, concretamente à música, graças aos meios de comunicação de massa, que se sofisticavam, tornando-se acessíveis à medida que novas tecnologias surgiam. Esse processo foi qualificado como “indústria cultural”, segundo o célebre conceito proposto por Theodor Adorno e Max Horkheimer, nos anos 1940.

O movimento de contracultura ganhou força política extraordinária em todo o mundo, graças às revoltas de 1968, nos dois blocos da Guerra Fria. Do lado capitalista, seu maior símbolo foram as revoltas de maio, em Paris, ao passo no lado socialista foi a Primavera de Praga (na antiga Tchecoslováquia). Mas sua maior expressão propriamente cultural aconteceria em 1969, nos Estados Unidos, quando 500 mil jovens participam do Woodstock Music & Art Fair, o Festival de Woodstock, onde se apresentaram trinta dos músicos mais conhecidos à época, considerado um manifesto libertário.

Cultura francesa era hegemônica em Portugal

A expressão“invasão britânica”, criada pela mídia norte-americana para descrever o momento que os Beatles e outros artistas ingleses fazem sucesso nos Estados Unidos, nunca poderia ser aplicada à Portugal, a não ser que fosse alterada para “infiltração britânica”. O jornalista Luís Pinhero de Almeida, autor do livro Beatles em Portugal, afirma que a cultura francesa era hegemônica no país e que referências culturais britânicas quase não existiam. A ditadura era permissiva com as músicas inglesas por duas razões: o inglês era pouco falado e as mensagens que a música transportava não eram contestatórias, como as produzidas na França, essas sim, proibidas.
 Adriano Rodrigues recorda que no início da década de 1960, “os Beatles não eram propriamente a expressão cultural dos dilemas e das dificuldades portuguesas da época. A expressão cultural portuguesa desses dilemas e dessas dificuldades passavam pelas obras patrocinadas pelo Estado Novo e pelas obras de resistência, que eram sobretudo produzidas fora do país.” As primeiras revoltas estudantis contra o regime salazarista aconteceriam em 1962, quando os estudantes lutavam pelo direito de se associarem, quer nas universidades, quer no ensino médio. Os jovens protestavam também contra a Guerra Colonial, que Portugal perpetrou contra Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, entre 1961 até a Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974.

Preso pela polícia do regime em razão da contestação estudantil e exilado em Paris a partir de 1963, o músico e compositor José Mário Branco conta que Zeca Afonso (1929-1987), um dos seus parceiros, inaugurou um novo momento da música portuguesa, a partir do fim dos anos 1950, que ficou conhecido como o movimento dos baladeiros. Zé Mário diz que, já na década de 1950, as canções brasileiras, bem como as francesas, tinham grande influência em Portugal.

As informações que chegavam em Portugal sobre os Beatles e outras bandas tinham como principal suporte a imprensa escrita, até 1965. Após este ano, duas rádios privadas, a Renascença (propriedade da Igreja) e o Rádio Clube Português passaram a difundir a música da banda inglesa. A televisão, fortemente controlada pelo regime, manteve-se distante do fenômeno. A primeira entrevista televisiva com um Beatle, Paul McCartney, só aconteceu em 1987 (13 anos após a queda do regime salazarista) e foi realizada por Luís Pinhero de Almeida, em Londres. Os Beatles nunca se apresentaram no país por falta de capacidade financeira das empresas portuguesas, e não por qualquer impedimento de Salazar, afirma Luís Pinhero de Almeida. Só em 1998, o primeiro Beatle toca em Portugal, Ringo Starr.

No final da década de 1960, existiam dezenas de bandas de rock em Portugal, e um grande número era formado por pessoas ligadas à companhia aérea do Estado: eram comissários de bordo ou pilotos. A maior parte dos discos que entravam no país eram trazidos pelos funcionários da estatal. Luís Pinhero de Almeida conta que “o primeiro disco de rock português é do final de 1960, de Daniel Bacelar e ‘Os Conchas’, um rock do tipo teenage idol, não é ainda o rock do Elvis”. Não por acaso, Bacelar também trabalhava na empresa estatal.

Nuno Leão, de 28 anos, e Ana Gil, de 26 anos, ambos atores e professores de teatro em Lisboa, dizem que, sem perceber, sofreram influência dos Beatles. Lembram-se de quando eram adolescentes e estudavam inglês, as letras da banda surgiam invariavelmente nos livros. Ainda no contexto do ensino, em um curso de teatro, Ana Gil se recorda de ter assistido a filmes da banda. Ambos se surpreendem com a memória de um programa de auditório na televisão portuguesa, com o nome All you need is love, que se tornou popular em meados da década de 1990, que tinha como tema de abertura e trilha sonora as músicas dos Beatles.

Poucos sabem que a letra da música “Yesterday” foi escrita em Portugal, por McCartney, dentro de um carro que saia de Lisboa e seguia para o sul do país, para a região do Algarve, famosa por ser o destino de férias de vários artistas estrangeiros. O universo de informação que emana da banda é profícuo e atinge qualquer pessoa exposta à mídia. A frequência com que surgem assuntos diretos ou indiretos ligados à banda, por meio de efemérides, reedições e remasterizações de álbuns, shows dos integrantes remanescentes, etc., fará com que o “signo Beatles” irradie pelos séculos da cultura popular.

http://www.clubemundo.com.br/Pangea.aspx

MUNDO Geografia e Política Internacional – 03/2012

ANTÁRTIDA: HÁ CEM ANOS, A ÚLTIMA GRANDE AVENTURA

O feito de Amundsen e Scott, os rivais pioneiros do Polo Sul, assumiu proporções de uma história trágica, cultuada até hoje por leitores de todo mundo. No centenário, museus de ciência de vários países organizam exposições que celebram a corrida à Antártida

Renato Mendes, De Lisboa

Especial para Mundo

A conquista do Polo Sul faz parte de um momento histórico conhecido como o Período Heroico das Explorações Antártidas, que se estende dos finais de 1890 até finais de 1920, coincidindo parcialmente com a Primeira Guerra Mundial, no ápice das narrativas nacionalistas ocidentais. O continente antártico se tornou o principal objetivo das explorações científico-geográficas de vários países. Sucederam-se dezesseis expedições relevantes, organizadas sob a bandeira de oito países, que pretendiam reclamar a soberania sobre partes do continente.

Os heróis da corrida decisiva, que percorreriam aproximadamente 3 mil km foram o explorador norueguês Roald Engelbregt Gravning Amundsen (1872-1928), líder da primeira expedição a atingir o Polo Sul, em 14 de dezembro de 1911, e o oficial da marinha britânica Robert Falcon Scott (1868-1912), que alcançou o Polo Sul logo depois, em 17 de janeiro de 1912. Amundsen triunfou, mas Scott ficou com as láureas do martírio.

O norueguês constituiu uma equipe de nove exploradores, com as habilidades e competências necessárias para ajudá-lo a conquistar seu único objetivo: alcançar a latitude de 90º S antes de qualquer outro homem. Eles partiram da Noruega em 10 de agosto de 1910. Do outro lado, a expedição Terra Nova, de Scott, composta por 16 oficias e cientistas e nove marinheiros, proclamou metas diversas, que se estendiam da renovação da identidade imperial britânica até a investigação científica. Scott, contudo, também almejava, acima de tudo, a primazia no Polo Sul.

O veleiro tipo escuna Fram, de Amundsen, ancorou na Baía das Baleias (78º 41’ S), no Mar de Ross, no continente antártico, em meados de janeiro de 1911. A baía ficava 96 km mais próxima do Polo Sul que a Ilha Ross, lugar escolhido como ponto de ataque por Scott. No início de fevereiro, os homens de Amundsen construíram a base Framheim e avistaram o Terra Nova, baleeiro de Scott.

Entre fevereiro e agosto de 1911, enquanto se instalava a escuridão do inverno austral, o meticuloso Amundsen testou todo o equipamento e cumpriu a tarefa vital de distribuir estrategicamente 4,5 toneladas de provisões por diversos depósitos (o primeiro a 80º S), em diferentes latitudes, no rumo do Polo. Por segurança afixaram-se bandeiras de sinalização em cada depósito, ao longo de uma extensa linha traçada no mapa e percorrida no terreno. Graças à obsessão de Amundsen pelo planejamento, sua expedição encontrou todos os depósitos, quer no ataque ao Polo, quer no regresso a base Framheim.

Uma primeira tentativa de ataque ao Polo, em setembro, foi frustrada pelas temperaturas extremas, que circundaram os 57 ºC negativos. A marcha efetiva começou em 20 de outubro, pouco antes do equinócio de primavera. A expedição viajava em quatro trenós, puxados por 52 cães. Após cinco dias, Amundsen tinha 240 km de vantagem sobre Scott. Viajava de cinco a seis horas por dia, com intervalos de uma hora para descanso dos animais. Em 8 de dezembro, a equipe norueguesa passou pelo ponto extremo sul atingido por outro lendário explorador, Ernest Schakleton (1874-1922) e Amundsen registrou em seu diário: “88º 23’ ficou para trás; estamos mais ao sul do que qualquer ser humano já esteve. Nenhum outro momento em toda a viagem me afetou como este.”

O triunfo veio a 14 de dezembro, quando Amundsen e seus homens atingiram o Polo Sul geográfico da Terra, com apenas 17 cães vivos. O plano era aquele mesmo: os demais cães, extenuados, haviam sido sacrificados e devorados por homens e cães remanescentes. Como os instrumentos não eram capazes de indicar a exata localização do Polo, Amundsen enviou três de seus homens para três direções distintas, por 20 quilômetros, para ter a certeza de que pelo menos um deles alcançaria o ponto invisível de encontro de todos os meridianos.

Amundsen fez uma tenda no lugar de seu triunfo, Polheim, “o mais próximo do Polo, quanto foi humanamente possível, com os instrumentos à nossa disposição”, e nomeou uma parte do planalto em homenagem ao seu rei Haakon VII. Dentro da Polheim, colocou um hexágono, um altímetro, botas de pele de rena, luvas e uma carta destinada a Scott na qual pedia que o feito fosse divulgado, na hipótese de que sua expedição perecesse durante a jornada de regresso. A hipótese macabra não se concretizou: Amundsen e seus homens regressaram em segurança e, do porto de Hobart, na ilha australiana da Tasmânia, em 7 de março de 1912, o norueguês transmitiu a notícia histórica, com exclusividade, para o The New York Times e para o londrino Daily Chronicle.

Scott organizou uma expedição maior, mais imponente e muito menos eficaz que a de Amundsen. Além de cães, o inglês levou também pôneis siberianos e tratores para o gelo, opções que se revelariam desastrosas: os pôneis morreram em pouco tempo e as máquinas, nunca antes testadas naquelas condições, quebraram rapidamente.

A expedição britânica partiu a 1 de novembro, dez dias depois da de Amundsen, e alcançou o Polo Sul em 17 de janeiro de 1912, com mais de um mês de atraso em relação ao rival, após uma jornada de sofrimentos indizíveis. Na paisagem gelada, avistaram Polheim, a tenda de Amundsen. Scott registrou em seu diário: “Bem, agora temos que dar as costas às nossas ambições e com sentimento de dor teremos que nos arrastar por 800 milhas – adeus aos devaneios!” Seus homens, extenuados fisicamente, feridos e esfaimados, nunca sairiam da Antártida.

A viagem de regresso, de 1,3 mil km pontilhados por tempestades de neve, terminou a apenas 17 km de um depósito de combustíveis e alimentos. Todos os homens morreram de frio, fome e exaustão. Em sua tenda, nas nove noites derradeiras, enquanto as tempestades uivavam do lado de fora, Scott escreveu diversas cartas de adeus. Sua última entrada no diário tinha a data de 29 de março: “Devemos viver até o fim, mas estamos ficando cada vez mais fracos e o fim não parece estar distante. É pena, mas não posso mais escrever.”

Serviço

Na vasta literatura sobre a aventura do Polo, destacam-se algumas obras indispensáveis:

- The South Pole, de Roald Amundsen, cuja edição original foi publicada em 1913.

- The heart of the Antartic: The Farthest South Expedition (1907-1909), o relato da expedição de Ernest Shackleton.

- Scott, Shackleton and Amundsen – Ambition and Tragedy in the Antartic, de David Thomson (2002).

- Race for the South Pole: The Expedition Diaries of Scott and Amundsen, de Roland Huntford (2010).

http://www.clubemundo.com.br/Pangea.aspx

Blue Bus – 19/11

Lisboa entre hoje e amanha – são 2,400 jornalistas no Centro de Imprensa

Por Marise Araújo

Lisboa, segurança máxima. As comitivas nao param de chegar e só Barack Obama traz mais de 900 pessoas. No Centro de Imprensa, tudo preparado para receber 2,400 jornalistas. Lá dentro, a mais alta tecnologia, antenas poderosas, teloes gigantes com avisos em todas as línguas e os jornalistas que andam para lá e para cá em busca das mais recentes conferências de imprensa, notícias e informaçoes. Lá fora, revistas policiais, trânsito condicionado, avenidas interrompidas para a passagem dos que nao podem perder tempo e o ponto facultativo, oferecido como brinde à populaçao. Fiquem em casa e nao atrapalhem – pareciam dizer os sinais para pedestres que desde ontem à noite acendiam e apagavam nas esquinas já quase vazias do velho centro histórico. Cercados pelas câmeras dos profissionais, políticos discursavam na Praça Camoes e manifestantes deitavam nas calçadas fingindo de mortos, fazendo o seu momento de história, bem em frente aos postes de luz com caravelas penduradas num flash-mob nada programado. Descendo a ladeira, lá íamos nós apressados para nao perder o horário do trem de volta pra casa.

Hoje, no Parque das Naçoes, na parte moderna da cidade, tudo irá acontecer em encontros marcados nas salas do enorme pavilhao. Na agenda, a nova estratégia para o Afeganistao, as relaçoes com a Rússia e uma nova imagem para a Nato/Otan, palavras que leio e ouço repetidamente na TV. É aí que mora o perigo, penso, enquanto da minha janela observo, como os adoradores de avioes, um enorme jato (Air Force One?) que cruza o espaço aéreo exclusivo. Eles estao chegando e elas também. Para as senhoras, programas especiais – visita ao Museu da Moda, almoço com copos de cristais e lindas porcelanas Vista Alegre e para as que nao estao de dieta, deliciosos pastéis de Belém, símbolos da boa hospitalidade portuguesa. Do alto dos seus saltos, com certeza vao agradecer com amáveis sorrisos e um o-bri-ga-da!

Chove lá fora. Do outro lado do rio Tejo, enquanto escrevo, boa parte do mundo está reunida em busca de soluçoes. Continua a chover, mais forte agora – um bom dia para arrumar as gavetas com as roupas do inverno e um bom dia para que os senhores da guerra resolvam tirar de uma vez por todas todos os esqueletos do armário no maior desafio deste novo século. Lisboa, vontade máxima.

Link: http://www.bluebus.com.br/show/2/100178/lisboa_entre_hoje_e_amanha_sao_2_400_jornalistas_no_centro_de_imprensa

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.