Diário de Notícias – Coluna Visto de Cá – 26/11/11

Verdade e mentira

Por Alison Roberts, jornalista “freelance” britânica

O inquérito à imprensa agora a decorrer em Londres parece um toque de chamada dos famosos, que fazem fila para testemunhar. Mas foram os pais da Madeleine McCann, a menina desaparecida no Algarve, que deixaram o apelo mais sonante por uma regulação mais forte.

Ao contrário da televisão e rádio, a imprensa britânica está sob auto-regulação, por um conselho nomeada pela própria indústria.

O Inquérito Leveson à Cultura, Pratica e Ética da Imprensa, presidido por um juiz, foi criado depois das revelações sobre escutas feitas pelo semanário News of the World, entretanto fechado. Mas abrange questões mais vastas, tendo grandes implicações para os média.

Na quinta-feira a J. K. Rowling, criadora de Harry Potter, contou como tentou proteger os seus filhos dos tablóides. Um repórter chegou até ela, metendo uma carta na mala da sua filha de cinco anos.

No mesmo dia testemunharam também a actriz Sienna Miller e o ex-chefe da Fórmula Um, Max Mosley. E o advogado Mark Thomson argumentou que a imprensa não tirou as devidas lições da morte da princesa Diana.

O momento mais notório até agora foi quando os pais da menina assassinada Milly Dowler contaram como pensaram que a sua filha ainda estava viva, quando perceberam que mensagens tinham sido apagadas do seu voice mail. Na verdade, foi um empregado do News of the World que o fez, para que a família deixasse mais mensagens para ele utilizar em reportagens.

Embora tudo isso já fosse sabido, ouvir a mãe da Milly contá-lo marcou todos.

Entretanto, Hugh Grant, outra vítima, alegou que o Mail on Sunday terá feito escutas semelhantes – o que foi negado por esse semanário.

Mas foi na quarta-feira que Gerry McCann contou que muitos dos artigos publicados na imprensa britânica sobre ele e a sua mulher eram mentirosos, sinistros ou inventados, e Kate McCann disse ter-se sentido “violada”pela publicação do seu diário.

O testemunho do casal foi descrito por The Guardian como o apelo “mais poderoso até agora” a favor de uma regulação mais forte.

O facto de uma boa parte dos artigos em questão terem sido copia dos da imprensa portuguesa pode dar que pensar.

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