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Blog Anterozóide

Jornalistas da AIEP jantam com Mário Soares

No dia 2 de Dezembro, no Bairro Alto, em Lisboa, alguns membros da AIEP participaram num jantar com Mário Soares, no âmbito do lançamento do seu novo livro “Um Politico Assume-se”.

Souto Moura vence prémio Personalidade do Ano – Martha de la Cal

Todos os anos, nesta época de Natal, os jornalistas da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal reúnem-se para divulgar a personalidade portuguesa que teve maior projeção internacional. Em 2011, o vencedor do prémio Personalidade do Ano – Martha de la Cal foi o arquiteto Eduardo Souto de Moura.

A eleição ocorreu no passado dia 14 de dezembro, numa das salas do Palácio Foz, nos Restauradores e Souto de Moura foi considerado a “pessoa portuguesa que mais fez pela imagem do país no exterior”, segundo os membros da Associação.

Este ano, o arquiteto foi também reconhecido com o prémio Pritzker, o Nobel da arquitetura, que venceu em março. Este prémio é considerado o mais importante reconhecimento mundial na área de arquitetura e foi entregue pelo presidente norte-americano Barak Obama. O presidente definiu o português como alguém que “nunca se satisfaz com soluções fáceis”. Também este ano, Souto de Moura recebeu o Prémio Secil de Arquitetura, pela Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais.

Na festa de Natal da AIEP, o arquiteto galardoado foi representado por Ricardo Santos que afirmou ter ficado muito feliz e honrado com o prémio atribuído. O prémio foi considerado “uma grande honra, visto estarmos numa altura em que os prémios de uma carreira chegam sempre muito tarde para todo o esforço que se faz”. Segundo o arquiteto, “é sempre bom ser-se reconhecido no país que nos pertence, apesar de, nesta altura, os grandes projetos estarem direcionados para o estrangeiro”. O colaborador de Souto de Moura afirma ainda estar descontente com a situação do nosso país, que está “completamente parado em termos de produção e iniciativas”.

Eduardo Souto de Moura nasceu a 25 de julho de 1952, no Porto, e iniciou o seu percurso profissional ao lado de Siza Vieira, com quem trabalhou durante cinco anos. Licenciou-se pela Escola Superior de Belas Artes do Porto e, no ano de 1980, recebeu o seu primeiro prémio da Fundação António de Almeida.

Entre as suas obras mais conhecidas, destacam-se, além da Casa das Histórias, o Estádio Municipal de Braga, a Casa das Artes no Porto, a Estação de Metro da Trindade, o Centro de Arte Contemporânea de Bragança, o Hotel do Bom Sucesso em Óbidos, o Mercado da Cidade de Braga e a Marginal de Matosinhos-Sul.

A AIEP, fundada há 32 anos, elegeu o arquiteto e justificou a sua escolha, definindo-o como “um dos mais relevantes arquitetos de sua geração”. Segundo o júri, “a obra de Souto Moura caracteriza-se por ter um desenho contemporâneo com ecos da arquitetura tradicional”. A personalidade foi escolhida pelos 50 jornalistas que são membros da AIEP e que representam meios de comunicação em mais de 20 países.

O prémio Personalidade do Ano – Martha de la Cal já ocorreu em anos anteriores e já foram distinguidos pela associação personalidades como Carlos Paredes, os Capitães de abril, José Saramago, Mariza, António Guterres, Durão Barroso, Rosa Mota, Álvaro Siza Vieira, Luís Figo, Joaquim de Almeida, Vanessa Fernandes, Fundação Gulbenkian, Fundação Champalimaud e António Mega Ferreira, entre muitos outros.

Durante o serão, os convidados puderam contar com inúmeras surpresas, entre as quais a atribuição de vários prémios e uma atuação da cantora cubano-cabo-verdiana Danae, que encheu a sala com a musicalidade da sua voz. A cantora apresentou-nos algumas músicas do seu segundo álbum, “Cafuca” e também algumas composições que entrarão no terceiro álbum, que será gravado em 2012. Apesar de toda a agitação e preparativos de última hora, a festa foi considerada um grande sucesso.

Repercussão na imprensa:

Diário de Noticias: http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=2185757&seccao=Arquitectura

Público: http://www.publico.pt/Cultura/eduardo-souto-de-moura-e-a-personalidade-do-ano-da-imprensa-estrangeira-em-portugal-1525099

Sol: http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=36265

RTP: http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Arquiteto-Eduardo-Souto-Moura-foi-distinguido-pela-imprensa-estrangeira-em-Portugal.rtp&headline=20&visual=9&article=509785&tm=4

LUSA: http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5h7e1hutRLhs0z88dyJXZ1_nfn5aA?docId=13485601

Porto 24: http://porto24.pt/vida/14122011/personalidade-portuguesa-do-ano-e-souto-de-moura/

Revista Cálculo – 12/2011

Entrevista Irene Fonseca, presidente da Society for Industrial and Applied Mathematics (SIAM)

por Renato Mendes

“Gosto se aprende”

Irene Fonseca concluiu o curso de matemática em 1980, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Recentemente, foi eleita presidente da Sociedade de Matemática Aplicada e Industrial (SIAM, na sigla em inglês), uma sociedade cujos membros somem 13.000 indivíduos e 500 instituições do mundo inteiro. Poucas pessoas nascem com gosto pela matemática, diz Irene, mas quase todas podem aprender a gostar de matemática.

Irene nasceu em Lisboa (Portugal), e hoje tem 55 anos. Exerceu sua vida profissional quase toda fora de Portugal, mas sempre tomou o cuidado de manter laços com matemáticos portugueses. Para Irene, a matemática e a ciência se fortalecem quando matemáticos e cientistas se encontram com frequência ou, melhor ainda, convivem. Ao longo dos anos, Irene ajudou tantos engenheiros e fiscos com a matemática que se tornou especialista em materiais novos, como cristais líquidos, ligas metálicas que aguardam a memória de seu formato inicial, e materiais superfinos. Por conta disso, à frente da SIAM, ela promete ajudar os outros a repetir a sua própria história: Irene promete gastar dinheiro para reunir gente talentosa, não importa onde casa pessoa tenha nascido ou onde trabalhe.

O que significa presidir a SIAM?

A comunidade matemática me deu um voto de confiança, sobretudo na altura em que nos entramos: há desafios enormes e sofisticados nas engenharias e na ciência, com impactos na sociedade em geral e em nossa qualidade de vida. Serei a presidente da SIAM por dois anos; em 2012, vou acompanhar as atividades que terei de assumir depois, e em 2013 e 2014 vou presidir a SIAM.

A história foi assim: há vários meses, o presidente atual da SIAM me contatou e me perguntou se eu estaria disposta a concorrer. O comité de nomeação sempre escolhe dois candidatos para cada função; eu teria de concorrer com Juan Meza, que é reitor de uma das universidades da Califórnia. O Juan é uma pessoa de grande prestígio, e nós dois participamos de vários comités; inclusive somos membros do conselho da Nacional Science Foundation (que financia cientistas americanos e estrangeiros, quando a pesquisa é de interesse do governo americano). Eu pensei bastante e aceitei o desafio.

Para que serve a SIAM?

Como toda a sociedade desse tipo, a SIAM publica revistas e livros, e organizar conferências e grupos temáticos. Mas seu objetivo principal é garantir uma ponte entre cientistas e engenheiros, de um lado, e matemáticos, de outro lado. Queremos garantir o convívio entre matemáticos e as pessoas que usam matemática em investigações científicas ou técnicas.

No mundo em que vivemos, a tecnologia evolui rápido demais, especialmente a computação. Com a SIAM, os investigadores se mantém informados tanto sobre as fronteiras da matemática quanto sobre as fronteiras da ciência e da tecnologia; a SIAM é especialmente importante para os pesquisadores mais jovens, que precisam montar redes de parceiros. Por meio da SIAM, o jovem matemático percebo onde consegue ajudar, ou de que modo pode desenvolver novas tecnologias e novos conceitos.

Qual é o grande desafio dos matemáticos aplicados?

Um deles está na letra “i” de SIAM: é o desafio da indústria. Precisamos envolver melhor as indústrias na sociedade. Dizem que o mundo é plano, e é verdade: é impossível desenvolver matemática aplicada só na universidade, sem contato com o mundo real, digamos assim. Além disso, temos a obrigação de preparar uma geração de matemáticos não para trabalhar na universidade, nem para dar aulas, mas para trabalhar na indústria. As universidades ainda não estão preparadas para formar matemáticos assim, e nisso a SIAM tem um papel a desempenhar.

Gosto também de pensar que o “i” de SIAM tem a ver com “internacional”. Os presidentes da SIAM têm feito muitos esforços para manter a SIAM presente em outros países, mas há o que fazer na Ásia, no Oriente Médio, na África e na América Latina. Essas regiões ainda não estão bem representadas na SIAM. Pretendo continuar a insistir, como venho insistindo há anos, no financiamento federal da matemática (referindo-se ao financiamento dado pelo governo dos Estados Unidos). Quero manter os políticos bem informados sobre o que os matemáticos fazem nas universidades e nas indústrias. Além disso, nós, investigadores, temos a obrigação de manter o professor de matemática bem informado a respeito do que fazemos nas universidades; só assim o professor conseguirá entusiasmar seus alunos a seguir carreira na matemática.

Por que matemática aplicada?

Existe matemática em todos os avanços tecnológicos modernos. Ela pode não estar aparente, como não está no caso dos grandes bancos de dados. Médicos e biólogos não poderia estudar o DNA se não tivessem acesso à matemática usada para investigar os padrões que emergem dessas grandes bases de dados. Tenho amigos matemáticos que trabalham no modelamento de doenças infeciosas, nos desafios da energia limpa, na criação de materiais menos poluentes. Tudo isso exige muita matemática.

Há duas formas de conduzir matemática aplicada. Uma delas é validar os modelos matemáticos usados por cientistas e engenheiros, por médicos e sociólogos. Eles gostaria que o modelo matemático fizesse certas previsões, e o especialista em matemática aplicada pode verificar se o modelo é capaz de fazer aquelas previsões de modo rigoroso. A outra forma é desenvolver matemática nova. Mesmo a matemática nascida de questões reais e palpáveis pode exigir que o matemático crie novas teorias, que muitas vezes provocarão consequências em outros ramos da matemática.

Ainda dentro dessa matéria chamada matemática aplicada, existem os matemáticos que investigam sem calendário, sem fim prático. Eles partem de teorias e criam aplicações da teoria, mas nem sempre encontram algum ramo da ciência ou da tecnologia que realmente precise daquela aplicação no momento. Tanto é que isso nem é considerado matemática aplicada, mas pura. Um exemplo é a teoria dos números, absolutamente teórica, guardada em segredo pelos deuses académicos, mas cujos desdobramentos se revelaram úteis na criptografia. Hoje em dia, matemáticos desenvolvem muita coisa para tratar de grandes bases de dados, e essas coisas se revelam úteis em áreas como a teoria das equações derivadas parciais. É difícil divisar as várias fronteiras entre áreas da matemática e entre a matemática e as outras disciplinas.

Então, onde está o futuro? No diálogo entre os vários especialistas. Cada um deles aborda o mesmo problema de um ponto de vista completamente diferente, e se trabalham juntos, trazem respostas inesperadas ao problema.

O que você faz como professora?

Trabalho no departamento de ciências matemáticas da Universidade Carnegie Mellon, e sou diretora do centro para análises não lineares da universidade. Usamos análises não lineares para atacar muitos problemas que envolvem grandes bases de dados, e nós, matemáticos, ajudamos físicos, astrofísicos, engenheiros, sociólogos, médicos e biólogos a resolver problemas.

Estamos  agora no primeiro ano de um projeto chamado Pire (sigla em inglês de parcerias para a pesquisa e o ensino internacionais), são cinco anos de projeto; é uma rede internacional de universidades e centros de pesquisas. Também trabalho com ciência dos materiais, que chamamos de materiais inteligentes, ou seja, materiais feitos pelo homem para que tenham propriedades muito especificas. Meu papel é ajudar físicos e engenheiros a elaborar e validar modelos matemáticos desses materiais. E também trabalho com visão computacional, que é aplicar os computadores para tratar imagens digitais; por exemplo, para identificar e retirar elementos indesejados nessas imagens.

Que lições você já tirou da matemática?

Quero frisar uma coisa, especialmente para os mais novos: todos temos de aprender a gostar de matemática, não era boa aluna, e nunca quis me transformar numa matemática. Virei matemática porque meu pai me convenceu: ele sempre quis ter uma filha matemática, e eu era a última filha… Mas, na universidade, tive professores excecionais, e eles incutiram em mim o gosto pela matemática e pela investigação. Isso é uma bola de neve: quanto mais você sabe, quando mais você entende, mais você gosta de saber.

Tive uma sorte imensa de pertencer a um departamento e a uma escola que encorajavam o sucesso, o que facilita imensamente o desejo de fazer coisas importantes. E o meu marido é matemático; de certo modo, nós nos amparamos. Quanto a meus alunos, tento incutir neles o que incutiram em mim: esse gosto pela ciência e pela matemática; tento mostrar a eles que acordar de manhã cedo para ocupar o dia com algo que você faria mesmo de graça é um imenso privilégio.

Qual é a importância de trabalhar no exterior?

Saí de Portugal para fazer doutorado nos Estados Unidos, e depois passei dois anos fazendo pós-doutorado na França. Essa parte da França não foi boa; meu marido tinha emprego na França, eu tentei me arranjar lá, não consegui, e uma vez me disseram que eu queria tirar o lugar de homens. Foi uma deceção. Aprendi muito com os franceses, mas depois voltei para os Estados Unidos, e me empreguei na Carnegie Mellon, e estou aqui há 24 anos. Passei um período na Alemanha, mas já como funcionária da Carnegie Mellon.

De modo geral, o sistema americano é muito aberto a talentos estrangeiros. É diferente do sistema europeu, porque as universidades europeias são estatais, o número de vagas é muito limitado, e por isso o processo de seleção é completamente diferente. A flexibilidade e a simplicidade do sistema americano não existem na França, e quem diz França, diz Itália, Espanha, etc.

Dos prémios que você já ganhou, de qual gosta mais?

Gosto do prémio Sónia Kovalevsky, dado pela AWM (sigla em inglês de associação das mulheres na matemática); esse prémio é importante para mim, pois acho importante que jovens mulheres consigam ver a si próprias como mulher e cientista.

Você conseguirá presidir a SIAM e seguir com a carreira académica?

Eu sou conhecida por ser muito organizada, mas acho que terei de ser mais organizada do que já sou… Mas tenho a sorte de contar com um bom sistema de apoio aqui na Carnegie Mellon. A SIAM emprega 70 pessoas na sede, que fica na Filadélfia, com um diretor executivo permanente. Então, existe uma engrenagem que já está no lugar e que funciona bem há décadas. Espero que meu papel fique mais na liderança cientifica, e não no dia a dia

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